O preço a pagar por ser filho de político

16/08/2014

Nova indignação esta semana, pelo facto de Luís Durão Barroso – filho do ex-Primeiro Ministro e Presidente da Comissão Europeia – ter sido contratado pelo Banco de Portugal (BdP). Muitos vieram de imediato bradar nepotismo. Outros, pelo contrário, vieram tentar defender e justificar.

Eu sou dos que critico esta contratação. Mas não pelos mesmos motivos que a maioria dos críticos apresenta. Não faço parte do grupo do 8 (que diz que esta contratação é perfeitamente normal) nem do grupo do 80 (que diz que esta contratação é uma descarada e vergonhosa cunha do papá).

Para mim é um problema de princípio. Ele está na falta de ética, moral e vergonha. Ou seja, no cumprimento de regras de conduta e dos princípios da honestidade, decência e integridade. Na falta de pudor e de receio de desonra.

Durão Barroso, o seu filho Luís, e o Governador do BdP, deveriam saber melhor do que ninguém que a contratação iria dar polémica, descredibilizar as suas imagens e colocá-los numa situação profissional e pessoal difíceis.

Então porque avançaram com isto? Ainda por cima numa altura em que: a) o BdP está sobre máxima pressão por causa do caso BES e b) se fala que Durão Barroso poderá ser candidato a Presidente da República. Não parece de todo inteligente.

Os contornos do caso ficam ainda piores quando se sabe que o Luís foi contratado sem concurso, e que o BdP esconde o seu salário. A estes tiros no pé soma-se a tentativa de justificação: “a regra no BdP é contratar por concurso salvo situações de comprovada e reconhecida competência profissional“.

Mauro Xavier vem no Facebook dizer “Gostava de saber quantos doutorados há da LSE (..) com menos de 35 anos (..) inveja a mais e qualificações a menos em Portugal”. O Mauro parece um daqueles provincianos que se deslumbra com um título em inglês. Mauro, há centenas ou milhares deles. E um canudo da LSE não dá, por si só, “reconhecida competência profissional“.

Mais, a verdade é que ao verificar o CV do Luís, o seu percurso profissional contém: a) 2 estágios em sociedades de advogados, b) 2 docências universitárias e c) 2 lugares de investigador em universidades. Diga-se que, para quem tem 31 anos, não me parece que o percurso profissional seja assim tão brilhante e proeminente.

No entanto consigo entender o que disse o Nuno Ferreira no Twitter. Ele acaba por ter a sua razão. Em Portugal “És filho de um político, figura pública ou és rico? (…) O teu mérito nunca será reconhecido. E qualquer emprego será sempre cunha“.

À partida, e se queremos ser verdadeiramente justos e democratas, ninguém deveria ter um handicap por ser pobre e desconhecido ou rico e filho de um poderoso. Mas o problema é que este mundo em que vivemos não é perfeito. O verdadeiro equilíbrio não existe.

Pelo que, se ser pobre e desconhecido tem as suas desvantagens em muitas circunstâncias da vida, ser rico ou famoso também tem de as ter. Não podemos achar que é aceitável uns terem todas as desvantagens e outros terem todas as vantagens, e mais algumas.

Ser filho de um político, em Portugal, tráz as suas responsabilidades e as suas desvantagens. Uma delas, respeitando os princípios e os valores da ética e da moral, seria o Luís não ir trabalhar para o BdP e arranjar emprego noutro sítio qualquer. Afinal de contas, se ele é assim tão bom não faltariam empregos à sua espera noutras empresas.

Mas não seria isso injusto? Privá-lo de trabalhar no BdP só por ser filho de um político? Mesmo que ele tivesse sido contratado por concurso? Sem dúvida. Uma desvantagem. É verdade. Mas seria o preço a pagar por ser filho de quem é. Tal como o filho do Zé da Esquina paga todos os dias o preço por ser filho do merceeiro.


Fim dos anos 80. O meu avô era Vice-Primeiro-Ministro. Vivia a minha adolescência em Santo Tirso. Queria fazer o que os meus amigos faziam. Tocar às campaínhas e fugir, roubar rebuçados no supermercado, andar à pancada, atirar balões de água da janela, faltar às aulas, etc.

Todos se safavam… menos eu. No próprio dia a minha mãe já sabia (toda a gente sabia quem eu era). Castigava-me e dizia-me que o avô era uma pessoa conhecida e respeitada. Que tinha um cargo de muita responsabilidade. E que por isso eu não podia fazer certas coisas que os outros podiam, e tinha de dar o exemplo.

Era, naquela altura, uma desvantagem ser neto de político? Era. Mas era o preço a pagar. Há certas coisas que muitos podem fazer, e que os filhos dos políticos (ou outros famosos e poderosos) não podem. Nem que seja por uma questão de princípio!

… como por exemplo, fumar um charro… o que acaba, essa sim, na minha opinião, por até ser uma vantagem :)


Porque me faz rir o Joaquim…

15/08/2014

Dou por mim a sorrir, na verdade a rir, quando vejo o Joaquim (Presidente do Tribunal Constitucional) no Telejornal, a tentar justificar as decisões tomadas pelo colectivo de juízes.

Paro um momento e penso porque será que me divirto com isto. Assim de repente não sei se será egoísmo – por estar longe e não ser afectado directamente pelas consequências das suas decisões – ou se será por estar a olhar para o ridículo de ter um irresponsável a pintar o futuro de Portugal de negro, com a conivência da maioria da opinião pública e publicada, bem como o desinteresse de mais de metade da população.

Um inconsciente e o seus compagnons de route que, a cobro de um documento qualquer, cheio de alarvidades que nem no século passado faziam sentido, continua a cavar um buraco que já de si é bem fundo, e de onde Portugal provavelmente não irá saír a bem (leia-se, sem haver mortos e feridos, gente a passar fome e muitas dificuldades).

Documento aquele escrito há 40 anos por uma dúzia de pessoas com ideias políticas distorcidas por décadas de fascismo, e nunca alterado por falta de coragem dos diversos líderes políticos e por puro situacionismo e interesse partidário dos partidos representados na Assembleia da República.

E sinceramente não importa nada que decisão este bando de  loucos aprova ou chumba. Não importa nada que tipo de propostas foram apresentadas e desenhadas.  O que está em causa aqui é mesmo o facto de o país estar a ser governado por um orgão não eleito! Tal e qual como numa ditatura! E o povo gosta.

Mas já diz o ditado. Cada um tem aquilo que merece, e o país que escolheu e continua a preferir Sócrates, Seguros, Costas (Antónios e Marcos Antónios), Isaltinos, Loureiros… que continua a admirar Salgados, Zeinais, Berardos… que aplaude Joaquins e afins… só vai ter mesmo aquilo que andou a semear.


Conflito Israelo-Palestiniano. Gasolina para a mente

20/07/2014

Nos últimos tempos, os portugueses foram como que obrigados a economizar. E a maioria levou-o longe demais. A crise levou a maioria dos portugueses não só a economizar no seu rendimento mas acima de tudo a economizar no seu intelecto.

Já sabiamos que a maioria dos portugueses tinham opinião sobre tudo e mais alguma coisa. Era como se houvesse um pouco de Nuno Rogeiro em cada um. Mas nos últimos tempos começaram a opinar sobre tudo de forma superficial. Como se o vírus Prof. Marcelo tivesse atacado.

Bem sei que isso se deve muito à quantidade e à velocidade a que a informação nos é passada hoje, através da internet e das redes sociais. Mas custa-me a aceitar que isso seja desculpa para que a maioria escreva e diga coisas ignorando profundamente a realidade.

Pelo contrário. Em 5 minutos qualquer ignorante (Dicionário da Língua Portuguesa: aquele que não sabe ou não tem conhecimento) pode, através da internet, encontrar informação que lhe permita ter uma ideia ou ajude a construir uma opinião minimamente fundada.

Isto vem a propósito das coisas que tenho lido e ouvido nos últimos dias sobre o conflito israelo-palestiniano. Em que a maioria alinha pelo diapasão e pelo que é considerado – em Portugal – políticamente correcto. Isto é, os Israelitas são os “maus” e os Palestinianos são os “bons”.

Contar-se-ão pelos dedos de uma mão, aqueles que, quando questionados, serão capazes de explicar e argumentar esta sua opinião. Opinião essa que tem de tudo menos “sua”. É apenas a opinião de “todos”. A da “maioria”. Aquela que à partida parece a melhor.

Tenho muitos amigos que se deixam caír nesta tentação. E como os prezo, tenho entrado em saudáveis discussões com alguns deles. Tentando evitar que sejam confundidos com carneiros, sem capacidade intelectual ou personalidade, tomando para si a opinião que “fica bem”.

O que tenho feito é simples. Apresento alguns factos e opiniões, na esperança que estes os façam ligar o motor do intelecto. É que se há assuntos que não são passíveis de terem apenas um lado A e um lado B, o conflito israelo-palestiniano é um deles.

Há o lado religioso, mas também o lado político, geográfico, militar, histórico, etc. Há milhares de anos que aquela zona está, como se costuma dizer, em “pé de guerra”. Exemplo? Jerusalém foi destruída 2 vezes, sitiada 23 vezes, atacada 52 vezes, e capturada e recapturada 44 vezes.

Naturalmente que ninguém pode dizer que foram os israelitas que provocaram isto. No ano 3.000 A.C. Israel estava a quase 5.000 anos de existir. Pelo que é errado tentar fazer dos israelitas os “maus da fita”, num conflito que é muito mais do que aquilo que as TVs nos mostram.

Tal como fiz, e continuo a fazer, com os meus amigos, vou lançar aqui alguns factos e opiniões para que o leitor pense neles e reveja, mude ou até confirme sua opinião. É como que gasolina para a mente. A ver se o motor do intelecto começa a trabalhar.

a) A Terra Santa é-o para muitas religiões, e Jerusalém é a Cidade Santa dos Cristãos dos Judeus e dos Muçulmanos. Nela se encontram o Muro das Lamentações, um dos locais mais sagrados para os Judeus. A Basílica do Santo Sepulcro (onde se diz que Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e onde ressuscitou), um dos locais mais sagrados para os Cristãos. Ou a Mesquita de Al-Aqsa, um dos locais mais sagrados para os Muçulmanos.

b) O Sionismo (movimento que defende o direito à autodeterminação dos Judeus, e à existência de um Estado judaico em Israel iniciou-se nos finais do século XIX. Os Judeus começaram a ir para a Palestina à procura de uma vida melhor na Terra Santa. Nos anos 1930 já eram cerca de 300.000. Nessa altura Muçulmanos da Palestina, liderados pelo Grand Mufti, Haj Amin al-Husseini, começaram uma série de ataques violentos aos Judeus.

c) Muitos portugueses, desde há muitas décadas, emigram para terras que não são suas, e lá se estabelecem, na procura de uma vida melhor. Contam-se aos milhões aqueles que são portugueses ou de origem portuguesa a viver fora de Portugal. Os casos mais flagrantes e conhecidos são os de França, onde há cerca de 1 milhão (300.000 só em Paris), Venezuela, Luxemburgo ou Canadá. Não creio que alguma vez tivessem sido hostilizados de morte.

d) Em meados dos anos 1930 os Muçulmanos da Palestina liderados pelo Grand Mufti, Haj Amin al-Husseini, aliaram-se a Adolf Hitler e a Benito Mussolini, partilhando o mesmo objectivo de exterminar uma comunidade cuja raça não lhes agradava, os Judeus. O que aconteceu nessa altura aos Judeus de toda a Europa (e do Mundo) é conhecido. O Holocausto matou 11 milhões de pessoas, entre os quais 6 milhões de Judeus.

e) Israel – constituído como Estado independente em 1948, depois de uma resolução da ONU votada favoravelmente por 72% dos países – viu-se envolvido em varias guerras. Na sua maioria, Israel foi atacado por Norte, Este e Sul (a Oeste está o Mar Mediterrâneo), estando em enorme inferioridade numérica em termos de tropas, em relação aos países que o atacavam: Egipto, Iraque, Syria, Líbano, Jordânia, Palestina, entre outros.

f) As tropas palestinianas armazenam as suas armas debaixo de escolas e hospitais, e quando atacam fazem-no a partir de zonas residênciais. Motivo? Usar civis palestinianos como escudos humanos. As mesmas tropas quebram as regras do cessar fogo ou acordos de tréguas, atacando território israelita, enquanto há médicos, militares e outros, a tentar ajudar os civis, vítimas dos “danos colaterais”.

g) Todas as semanas as autoridades de Israel enviam para Gaza vários camiões TIR com comida e medicamentos – mesmo em períodos em que não há guerra. Uma grande parte destes carregamentos é desviado ou embuscado pelas tropas do Hamas. O objectivo, dizem, é não deixar que se abra um sentimento positivo nos palestinianos para com Israel e os israelitas.

h) Em Israel, a população total é de cerca de 8 milhões. Dos quais 6 milhões são Judeus e 2 milhões são Muçulmanos. Na primeira pessoa, pude ver que esses Muçulmanos vivem, trabalham e gostam de Israel. A maioria tem, como acaba por ser natural, amigos Judeus com quem se dá bem, e não compreende o porquê do conflito, mas principalmente das atitudes de grupos como o Hamas.

i) Acho que vale a pena ver este vídeo de uma jovem palestiniana, que por acaso não é Muçulmana nem Judia, é Cristã. E está a ser ameaçada de morte por partilhar a sua experiência com o mundo.

Finalizo com uma declaração de interesses: Acho que Israel é tão culpada deste conflito como os grupos terroristas palestinianos, tendo em conta todas as dimensões do conflito. Estou convencido que existe gente imbecil e sádica dos dois lados, bem como gente boa. Visitei Israel por duas vezes em 2014, e estou longe de ter morrido de amores pelo país. Em 10 dias de estadia em Israel tive mais más experiências do que boas, apesar de estas terem valido a pena. Nunca tive – talvez por preconceito – boa imagem dos Judeus, e depois da visita a Israel isso não mudou.


Zeinal, o melhor CEO do Universo, com amnésia

11/07/2014

Cheguei a ter algumas saudáveis discussões com amigos meus, a propósito dos sucessivos prémios atribuídos a Zeinal Bava, de melhor CEO (da Europa ou do Mundo), na área das telecomunicações.

Muitos, por interesse político ou provincianismo, embandeiravam em arco. Esquecendo quem era e o que fazia Zeinal Bava, desde que tinha chegado à presidência executiva de uma empresa monopolista.

Eu não esqueço. Da sua defesa incansável a José Sócrates (numa entrevista a Judite de Sousa na RTP). De, entre outros, ter cozinhado com o ex-PM a compra da TVI para calar um meio de comunicação social incómodo.

Também não esqueço, na minha terra, em Santo Tirso, a forma como abriu um contact-centre da PT, para fazer um favor político a José Sócrates e ao PS, que precisava de show-off antes das Legislativas/Autárquicas 2009.

Agora, o grande e competentíssimo CEO, vê-se envolvido nas falcatruas do BES. E em mais um caso de amnésia. Foi Oliveira e Costa, depois Ricardo Salgado e agora Zeinal Bava.

Todos eles se esquecem, ou não se lembrarm, de operações das suas empresas que envolveram cerca de mil milhões de euros (em alguns casos, mais do que isso). É fantástico, não é?


O objectivo não foi tirar os títulos, foi dá-los!

05/07/2014

A Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo decidiu “abolir os títulos académicos das suas sessões”. Acabaram com o “Sr. Doutor”, o “Sr. Engenheiro”, o “Sr. Professor”, o “Sr. Arquitecto” quando se dirigem uns aos outros em plenário.

Portugal praticamente acordou com esta notícia na crista da onda. E muitos se apressaram a partihá-la nas redes sociais, como se se tratasse de um grande feito. Um exemplo a ser seguido pelo resto do país (organizações e pessoas).

Ora eu acho que mais valia envergonharem-se…

Primeiro, porque estamos em pleno século XXI, e em Portugal embandeira-se em arco com uma coisa que já deveria ter sido adoptada há muitos anos.

Segundo, porque ao invés de (como escrevi no parágrafo anterior) adoptarmos esta maneira de ver as pessoas, sem títulos, ela tem, mais uma vez, de nos ser imposta.

Terceiro porque a intenção da decisão é má. A A.M. Torre de Moncorvo decidiu acabar com o “Sr. Doutor, Engenheiro, Professor, Arquitecto” mas substituiu-o pelo “Sr. Deputado” e “Sr. Vereador”.

Disse o presidente da Assembleia Municipal que “não há maior condição do que ser deputado municipal“. Ou seja, o objectivo não foi tirar o título a quem já o tinha, mas dar um título a quem não tinha.


Post Scriptum 1 – Sou Engenheiro Electrotécnico, formado numa das melhores escolas de engenharia do mundo, a FEUP. Tenho orgulho na minha licenciatura, na minha formação, na minha especialidade. Mas o meu nome é Luís. Compreendo que por vezes, por ser mais fácil, tratemos certas pessoas por “Sr. Doutor” ou “Sr. Engenheiro”, também o faço. Mas não confundamos as coisas. O problema é que em muitos meios portugueses (especialmente na política) os títulos são abusivamente utilizados como uma maneira de as pessoas se superiorizarem às outras.

Post Scriptum 2 – Este é um tema que tenho abordado muitas vezes, quando se trata da política Tirsense. Em Santo Tirso, os políticos gostam muito dos seus títulos, porque os fazem sentir superiores ao próximo. Apesar de se conhecerem há anos, tratam-se uns aos outros, em público, por “Sr. Doutor” ou “Sr. Engenheiro” e assinam documentos com o título em prefixo/sufixo (ex. “António Alberto Castro Fernandes, Eng°.). Um conhecido vereador, candidato derrotado e ex-presidente do PSD até chegou a confessar em privado que iria tirar um curso nocturno num universidade privada, para poder subir na hierarquia do partido.


Onde está o risco sistémico?

04/07/2014

Nunca fui cliente do BES. Nunca gostei do BES. Nunca fui com a cara do Ricardo Salgado. Coincidência ou não, sou cliente dos únicos dois bancos que (ainda) não mostraram dificuldades: Santander Totta e BPI.

Quando estava na Novabase, trabalhei em dois projectos do BES (no BEST e no BESI). Odiava o ambiente no banco. Aliás, pedi mesmo para saír do segundo projecto.

Estive contra qualquer nacionalização ou salvação de bancos quando a crise rebentou. BPN, BPP, BCP.

Mas agora que o BES está em dificuldades… o que é feito do “Risco Sistémico”?

Aquele que levou o governo socialista (com a conivência de outros responsáveis políticos de todos os quadrantes políticos) a decidir salvar/nacionalizar esses bancos?

Aquele que obrigou os portugueses absorver (e pagar!) os milhares de milhōes de euros dos buracos negros criados por má gestão e ilegalidades?

Havia risco sistémico quando se tratava de bancos menores, e agora não há quando se trata do maior banco privado português?

Por aqui se vê que não havia risco sistémico nenhum. Houve foi um primeiro-ministro e um governo (e outros responsáveis políticos) que quiseram encobrir os crimes que foram cometidos nesses bancos, e que arrastariam muitos deles.

Desta vez, há um governo que parece não ter esse receio. E portanto disse não. Não irá usar dinheiro dos portugueses para corrigir má gestão e hipotéticas ilegalidades num banco privado.

O tempo continua a mostrar que Passos Coelho continua a surpreender, pela positiva. O tempo continua a mostrar que José Sócrates foi um péssimo primeiro-ministro, que desgraçou Portugal.


Eleições do FC Tirsense. Espelho da sociedade

12/06/2014

Não sei, e sinceramente pouco me importa, quando são as eleições no FC Tirsense. Não sou sócio e por isso, nem que quisesse, não posso votar. Já fui sócio, nos anos 90. Deixei de ser, quando me apercebi que o clube não trazia valor acrescentado à sociedade Tirsense. Exactamente o que fiz e faço noutras instituições das quais sou membro/sócio. A partir do momento em que passam a ser um “couto” de uma pessoa ou grupo de pessoas que apenas olham pelos seus interesses – deixando de lado o objectivo do bem comum, para o qual de resto foram criadas – eu deixo de pagar cotas e suspendo/termino o meu vínculo de membro/sócio. É uma questão de princípio e de boa gestão do meu tempo e dinheiro.

Tenho seguido com particular atenção (não confundir com interesse) a recente “luta” pela direcção do clube. Isto depois de incompreensivelmente o FC Tirsense ter passado anos com Comissões Administrativas, umas atrás das outras. Nunca percebi – mas talvez um dia alguém me possa explicar – porque é que quem se disponibilizava para fazer parte dessas Comissões Administrativas desaparecia nas alturas em que (por obrigação estatutária, presumo) se abria um processo eleitoral para a direcção do clube. Processo esse que invariavelmene terminava com nenhuma lista concorrente.

Olhando para as candidaturas, só me ocorre dizer que começa a ser recorrente e preocupante, que em Santo Tirso não haja gente disponível, com capacidade e competência, para assumir cargos de direcção nas mais diversas instituições do concelho. Do desporto à cultura, da educação à solidariedade, passando por outros sectores, a maioria das instituições Tirsenses está entregue a pessoas que não preenchem todos os requisitos para “dirigir”. Porque é disso que se trata quando falamos da direcção de uma organização. Não generalizando, porque há excepções, a maioria é fraca.

Focando-me nas eleições para a direcção do FC Tirsense há algo que me atinge como um raio: as mensagens que ambas as candidaturas têm partilhado nas redes sociais. Nem quero imaginar as conversas e acções que vêm sendo tomadas fora do mundo digital. Sinto vergonha alheia, pelo facto de haver candidatos que nem português sabem escrever. Que publicam mensagens desestruturadas, cheias de erros de ortografia e de sintaxe. E se na forma essas mensagens são horríveis, então no conteúdo nem se fala. É, como se costuma dizer, de uma pobreza franciscana.

Ambas as listas, mas também os seus candidatos, publicam mensagens onde há de tudo menos o que seria de esperar. Ou seja, ideias, um programa, uma estratégia bem definida. O que há é o costume (em futebol mas também na política e noutros sectores), nomes e promessas, promessas e mais promessas. De quê? De nada. Promessas vagas, avulsas, e muitas vezes irrealizáveis. Mas os candidatos e as listas fazem-nas na mesma. Que importa? Neste país ninguém cumpre mas também ninguém é julgado ou avaliado por isso. Nas próximas eleições já ninguém se lembra. “Fazer o FC Tirsense maior”. O que quer isso dizer? Nada. Absolutamente nada.

Mas as promessas são apenas uma pequena parte das mensagens publicadas. A maior parte dos textos são para atacar o adversário. Insinuando que o adversário faz insinuações. Acusando o adversário de fazer acusações. E de resto é o habitual puxar de galões e medir de pilinhas. Na verdade pouco mais podem mostrar ou comparar. Porque tanto uns como outros têm muito pouco de si para falar. De resto, as recorrentes juras de amor e de morte (uma das coisas mais estúpidas do nosso futebol). “Tirsense até morrer” fazendo lembrar o inconsciente e imbecil slogan da claque Juve Negra há muitos anos atrás “O Tirsense é a minha droga, quero morrer de overdose”. Mas enfim esses, nessa altura, eram adolescentes.

Confirmar nesta troca de galhardetes, que o saneamento financeiro e a recuperação do FC Tirsense tem vindo a ser feito com o apoio da Câmara Municipal de Santo Tirso (CMST). Gastando recursos e dinheiro que todos nós pagamos como contribuintes, numa instituição que provavelmente já não deveria existir – tantas foram as falcatruas e as ilegalidades cometidas no passado longíncuo e recente. Na verdade, o FC Tirsense (como outros clubes grandes e pequenos) são o espelho do país. Do qual um grupo de gente menor se apoderou e governou. Chupando o mais que podia, até ao tutano. E partindo depois, deixando para trás apenas cacos.

Para finalizar uma palavra sobre o tópico eleições. Para mim, que sou democrata verdadeiramente, haver mais do que uma lista candidata é sempre saudável. É sinal de que há pluralismo de ideias. E é desse pluralismo que normalmente nascem as melhores escolhas e soluções. Como disse Pedro Fonseca (conhecida figura Tirsense) no seu Facebook, deveria ser um sinal de que o clube está bem e recomenda-se. Infelizmente não é isso que pensam listas e candidatos. Gente que, tal como outros que conhecemos, prefere não ter adversários. Fazendo lembrar regimes/organizações autocráticas e ditatoriais. Ao invés de esgrimir ideias, atacam-se pessoalmente.


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