Cuspir no prato que lhe dá de comer

15/09/2014

Há bons e maus sítios em todos os países. Há bons e maus hábitos em todos os países. Há boa e má gente em todos os países.

Provavelmente o João Mangueijo está a ter ou teve algumas más experiências – tal como todos nós ao longo da nossa vida, em muitos locais.

Resolveu escrever um livro onde aponta os defeitos dos ingleses. Poderia ter escrito o mesmo livro sobre qualquer outro povo.

O livro seria perfeitamente banal e não chamaria qualquer atenção se o João não exagerasse na caracterização. Foi o que fez certamente.

Conseguiu os seus 15 minutos de fama, e algum dinheiro também. À custa de satirizar um povo que certamente o acolheu bem.

Se assim não fosse não estaria a viver em Inglaterra há 25 anos nem diria que apesar de tudo Ingaterra é “um país interessante“.

Confrontado pela polémica diz que tudo tem de ser visto com o humor britânico. Esquece-se é que ele não é britânico, nem o humor britânico é insulto.

Aos que acham piada, aconselho que imaginem que um “bife” a viver no Algarve escrevia um livro sobre as nossas festas estudantis ou das mulheres das aldeias do interior.

Não sou advogado de defesa de ninguém. Mas vivo em Londres e considero que as criticas feitas são propositadamente injustas e exageradas.

Leitura complementar:
Observador: O português que está a incomodar os jornais ingleses
The Telegraph: Top Portuguese academic decries ‘filthy’ English


O meu 11 de Setembro

11/09/2014

11 Setembro 2001. Já lá vão 13 anos. Nessa altura era eu estudande universitário, na FEUP, e estava em minha casa, no Porto, onde vivia com 3 amigos de Santo Tirso.

7:58 a.m. – Voo 175 da United Airlines parte de Boston com destino a Los Angeles, com 56 passageiros, 2 pilotos e 7 hospedeiras. O Boeing 767 é desviado e levado para Nova York.

7:59 a.m. – Voo 11 da American Airlines parte de Boston com destino a Los Angeles, com 81 passageiros, 2 pilotos e 9 hospedeiras. O Boeing 767 é também desviado e levado para Nova York.

8:01 a.m. – Voo 93 da United Airlines, um Boeing 757 levando 38 passageiros, 2 pilotos e 5 hospedeiras, parte de Newark para São Francisco.

8:10 a.m. – Voo 77 da American Airlines parte de Washington para Los Angeles, levando a bordo 58 passageiros, 2 pilotos e 4 hospedeiras. O Boeing 757 é desviado logo após descolar.

8:46 a.m. – Voo 11 da American Airlines despenha-se contra a torre norte do World Trade Center. (Acordo uns minutos depois e ligo a CNN. Fico sem reacção, a minha irmã, tia e prima estão em Nova York)

9:03 a.m. – Voo 175 da United Airlines despenha-se contra a torre sul do World Trade Center. (Se a preocupação era muita, desmesurou-se, multiplico-me em telefonemas que não chegam nem a casa, nem a Nova York)

9:21 a.m. – Todas as pontes e túneis que levam a Nova York são fechados. (Alguem já conseguiu falar com elas, estão bem. Tinham ido a um outlet fora de Manhattan.)

9:25 a.m. – Todos os voos, são obrigados a aterrar pela Administração de Aviação Federal. (O meu telefone não para de tocar. Todos os amigos que sabem, ligam a perguntar pela minha irmã)

9:45 a.m. – Voo 77 da American Airlines despenha-se contra o Pentágono. (Elas estão “presas” fora de Manhattan e estão a ser levadas para um hotel onde irão pernoitar)

10:05 a.m. – A torre Sul do World Trade Center cai. (Nem quero acreditar no que vejo. Nunca pensei que caíssem as torres. Alguns especialistas na TV diziam que era impossível)

10:10 a.m. – Voo 93 da United Airlines despenha-se numa floresta da Pensylvania. (Graças ao esforço e coragem de alguns passageiros que confrontaram os terroristas)

10:28 a.m. – A torre Norte do World Trade Center cai. (Foi o fim de um espectáculo horrível. Ver pessoas a atirarem-se das janelas… é o desespero)

(Depois de um par de dias fora de Manhattan com a “roupa do corpo”, a minha irmã,  tia e prima voltaram ao hotel em Manhattan, e logo depois o retorno à Europa, num dos primeiros vôos que saiu de NY. Horas passadas e estavam em casa. Em Portugal. Fica o susto. E algo mais… elas tinham bilhete para subir ao World Trade Center na noite do dia 11. Isto porque a minha tia já tinha estado em NY e tinha subido ao WTC de dia)


João, agora aguenta-te à bronca

11/09/2014

Conheço o João Lemos Esteves há uns anos. Apreciei os seus primeiros posts no Psicolaranja, mas rapidamente o seu estilo e opiniões se afastaram daquilo que advogo. A saída do Psicolaranja fê-lo começar uma carreira de blogger “a solo”, que teve como ponto alto a publicação de uns vídeos no YouTube, onde o João imitava (e bem) o estilo do seu “herói” (e sua referência política), Marcelo Rebelo de Sousa. Algo que foi até mencionado e mostrado por Pacheco Pereira (outro do mesmo estilo) no seu programa da SIC Notícias, Ponto Contraponto.

A sua proximidade ao Professor Marcelo, e os conhecimentos e diligências deste, foi o que levou o João a conquistar espaço num blog no Expresso online, o Políticoesfera, que se estendeu depois a um espaço de comentário num programa da SIC Radical (onde mais uma vez dava notas, imitando o Professor) e agora um espaço de opinião no SOL online. Esta é a minha opinião, mas admito poder estar errado, e o João ter sido capaz de ter estes “palcos” por mérito próprio.

O que sinceramente eu acho duvidoso. A forma como o João escreve, e o que ele escreve, não se adequa aos cenários, está invariavelmente fora de tom, contém várias imprecisões (para não dizer erros, propositados ou não, de julgamento) e tem, como é apontado neste post, muitos erros de ortografia e de sintaxe – o que, na verdade, pouco admira nestes dias em que tanta gente (jornalistas e opinion makers incluídos) escreve horrivelmente.

Há muito que deixei de ler os textos do João. Desde os tempos em que ainda escrevia no Expresso. E dei-lhe conta disso. O seu ódio a certas pessoas (principalmente as do PSD que não alinham com Marcelo Rebelo de Sousa) tolda-lhe a visão e o julgamento. Os seus artigos de opinião estão cheios de demagogia e politica pequena. Faz acusações sem fundamento e sem sentido. De tal maneira que acaba por caír no ridículo. Aliás, o seu estilo hoje aproxima-se mais de Pacheco Pereira do que de Marcelo Rebelo de Sousa.

A melhor demonstração disso foi quando, em pleno programa da SIC Radical (o tal em que comentava semanalmente) o Prof. Marcelo (na altura convidado do programa, para delírio do João) lhe disse, ele próprio e cara a cara, que o João se devia acalmar e levar as coisas mais “numa boa”, e não estar sempre a dizer mal de tudo e de todos só “porque sim”. Para além de que gozou com o facto de o João estar sempre a imitá-lo.

Numa ou duas ocasiões dei-me ao trabalho de expressar ao João a minha opinião sobre o que ele escrevia. Fi-lo através do Facebook, em comentários aos seus posts ou por mensagem. Acho que até, nessa altura, lhe disse que corria o risco de cair em descrédito total e de perder os “palcos” que tinha. O João não quis saber, continuou a fazer ainda pior. E tinha razão. Depois disso ganhou mais palcos na comunicação “dita” social.

Tudo bem. Melhor para ele. É deste estilo que o “meu povo gosta”. Mas depois arrisca-se a levar com isto. Só espero é que tenha “arcaboiço” para aguentar com estas críticas. É que elas, além de pertinentes, são consequência e resultado da exposição pública que ele tanto procurou. Agora, “aguente-se à bronca”.


NY… a minha experiência e 3 curiosidades

07/09/2014

Acabei de chegar de uma semana de férias em Nova York. As expectativas eram altas, e a cidade esteve à altura. Uma verdadeira metrópole, tal como eu gosto. Era capaz de lá viver (quem sabe se não acontecerá um dia :) ), mas honestamente continuo a preferir Londres.

As avenidas, os arranha-céus, o Hudson e as suas pontes, os parques, as lojas e department stores, os restaurantes e bares para todos os gostos, a multiculturalidade. O frenesim da metrópole. Não falta nada, como seria de esperar, à cidade que nunca dorme. Mas nem tudo é bom.

O melhor exemplo é Times Square. Perdi a conta à quantidade de amigos e conhecidos que me falaram bem. De como era “espectacular” e de como “dariam tudo” para passar lá um fim-de-ano. Pois, achei a coisa mais horrível de NY. Tempo perdido. Uma zona para turista parôlo ver e apreciar. E não, não fui à estátua da Liberdade nem ao topo do Empire.

O melhor que vi – e infelizmente não vi tudo o que queria – foi o Natural History Museum, o Metropolitan Museum, o Central Park, a vista de NY do topo do Rockefeller, Manhattan vista de Brooklyn, a travessia da Brooklyn Bridge, a Grand Central Station, o Hudson River Park. Entre muitas outras coisas que não são ícones.

Todos os dias comi e bebi bem, em locais aconselhados por quem sabe e conhece. E cumpri mais um desejo com muitos anos ao estar no US Open, e poder assistir a 2 jogos dos quartos-de-final no Arthur Ashe, um espectacular estádio de ténis com capacidade para mais de 22.000 pessoas.

De resto, 3 factos curiosos em que reparei nesta minha primeira e curta estadia…

  1. Espanhol é de facto a segunda língua mais falada em NY. Com toda a certeza por influência dos muitos imigrantes vindos dos países da América do Sul. Incrível a quantidade de sinais e avisos escritos em Inglês e Espanhol.
  2. (praticamente) Não existem carros franceses ou italianos. Mais do que se verem marcas de automóveis pouco usuais ou inexistentes na Europa – Lincoln, Mercury, etc. – não se vêem (pelo menos eu não vi) Citroen, Renault, Fiat ou Alfa Romeu – marcas com muitas vendas na Europa.
  3. Enorme quantidade de pequenos bancos, que abriram depois do “crash” de 2008, aproveitando a desconfiança das pessoas em relação às grandes instituições financeiras. Conquistando clientes com base no “serviço” e na “experiência”, mais do que nas vantagens financeiras.

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Um genocídio decorre enquanto o mundo olha para o lado

24/08/2014

Enquanto um genocídio toma lugar na Síria e no Iraque – cometido por uma organização que dá pelo nome de “Estado Islâmico” – a opinião pública e publicada, bem como muita gente anónima no Mundo, indigna-se contra Israel e os seus ataques sobre o Hamas.

Duas notas…

Os israelitas estão a tentar acabar (dizimar, mesmo, essa é a verdade) uma organização terrorista. O estado Israelita não tem, nem nunca teve, qualquer intenção a não ser defender o seu território na Palestina.

O “Estado Islâmico” (seja lá o que isso for) já afirmou claramente que, depois de controlar alguns países do Médio Oriente, quer estender-se ao ocidente, nomedadamente à Europa e Estados Unidos da América “afogando as suas populações infiéis no próprio sangue“.

Só não está preocupado com isto quem anda a dormir. E é a dormir que muita gente morre. Ver para crer, os seguintes vídeos (de entre as dezenas que nos últimos dias/semanas têm corrido as redes sociais).


O preço a pagar por ser filho de político

16/08/2014

Nova indignação esta semana, pelo facto de Luís Durão Barroso – filho do ex-Primeiro Ministro e Presidente da Comissão Europeia – ter sido contratado pelo Banco de Portugal (BdP). Muitos vieram de imediato bradar nepotismo. Outros, pelo contrário, vieram tentar defender e justificar.

Eu sou dos que critico esta contratação. Mas não pelos mesmos motivos que a maioria dos críticos apresenta. Não faço parte do grupo do 8 (que diz que esta contratação é perfeitamente normal) nem do grupo do 80 (que diz que esta contratação é uma descarada e vergonhosa cunha do papá).

Para mim é um problema de princípio. Ele está na falta de ética, moral e vergonha. Ou seja, no cumprimento de regras de conduta e dos princípios da honestidade, decência e integridade. Na falta de pudor e de receio de desonra.

Durão Barroso, o seu filho Luís, e o Governador do BdP, deveriam saber melhor do que ninguém que a contratação iria dar polémica, descredibilizar as suas imagens e colocá-los numa situação profissional e pessoal difíceis.

Então porque avançaram com isto? Ainda por cima numa altura em que: a) o BdP está sobre máxima pressão por causa do caso BES e b) se fala que Durão Barroso poderá ser candidato a Presidente da República. Não parece de todo inteligente.

Os contornos do caso ficam ainda piores quando se sabe que o Luís foi contratado sem concurso, e que o BdP esconde o seu salário. A estes tiros no pé soma-se a tentativa de justificação: “a regra no BdP é contratar por concurso salvo situações de comprovada e reconhecida competência profissional“.

Mauro Xavier vem no Facebook dizer “Gostava de saber quantos doutorados há da LSE (..) com menos de 35 anos (..) inveja a mais e qualificações a menos em Portugal”. O Mauro parece um daqueles provincianos que se deslumbra com um título em inglês. Mauro, há centenas ou milhares deles. E um canudo da LSE não dá, por si só, “reconhecida competência profissional“.

Mais, a verdade é que ao verificar o CV do Luís, o seu percurso profissional contém: a) 2 estágios em sociedades de advogados, b) 2 docências universitárias e c) 2 lugares de investigador em universidades. Diga-se que, para quem tem 31 anos, não me parece que o percurso profissional seja assim tão brilhante e proeminente.

No entanto consigo entender o que disse o Nuno Ferreira no Twitter. Ele acaba por ter a sua razão. Em Portugal “És filho de um político, figura pública ou és rico? (…) O teu mérito nunca será reconhecido. E qualquer emprego será sempre cunha“.

À partida, e se queremos ser verdadeiramente justos e democratas, ninguém deveria ter um handicap por ser pobre e desconhecido ou rico e filho de um poderoso. Mas o problema é que este mundo em que vivemos não é perfeito. O verdadeiro equilíbrio não existe.

Pelo que, se ser pobre e desconhecido tem as suas desvantagens em muitas circunstâncias da vida, ser rico ou famoso também tem de as ter. Não podemos achar que é aceitável uns terem todas as desvantagens e outros terem todas as vantagens, e mais algumas.

Ser filho de um político, em Portugal, tráz as suas responsabilidades e as suas desvantagens. Uma delas, respeitando os princípios e os valores da ética e da moral, seria o Luís não ir trabalhar para o BdP e arranjar emprego noutro sítio qualquer. Afinal de contas, se ele é assim tão bom não faltariam empregos à sua espera noutras empresas.

Mas não seria isso injusto? Privá-lo de trabalhar no BdP só por ser filho de um político? Mesmo que ele tivesse sido contratado por concurso? Sem dúvida. Uma desvantagem. É verdade. Mas seria o preço a pagar por ser filho de quem é. Tal como o filho do Zé da Esquina paga todos os dias o preço por ser filho do merceeiro.


Fim dos anos 80. O meu avô era Vice-Primeiro-Ministro. Vivia a minha adolescência em Santo Tirso. Queria fazer o que os meus amigos faziam. Tocar às campaínhas e fugir, roubar rebuçados no supermercado, andar à pancada, atirar balões de água da janela, faltar às aulas, etc.

Todos se safavam… menos eu. No próprio dia a minha mãe já sabia (toda a gente sabia quem eu era). Castigava-me e dizia-me que o avô era uma pessoa conhecida e respeitada. Que tinha um cargo de muita responsabilidade. E que por isso eu não podia fazer certas coisas que os outros podiam, e tinha de dar o exemplo.

Era, naquela altura, uma desvantagem ser neto de político? Era. Mas era o preço a pagar. Há certas coisas que muitos podem fazer, e que os filhos dos políticos (ou outros famosos e poderosos) não podem. Nem que seja por uma questão de princípio!

… como por exemplo, fumar um charro… o que acaba, essa sim, na minha opinião, por até ser uma vantagem :)


Porque me faz rir o Joaquim…

15/08/2014

Dou por mim a sorrir, na verdade a rir, quando vejo o Joaquim (Presidente do Tribunal Constitucional) no Telejornal, a tentar justificar as decisões tomadas pelo colectivo de juízes.

Paro um momento e penso porque será que me divirto com isto. Assim de repente não sei se será egoísmo – por estar longe e não ser afectado directamente pelas consequências das suas decisões – ou se será por estar a olhar para o ridículo de ter um irresponsável a pintar o futuro de Portugal de negro, com a conivência da maioria da opinião pública e publicada, bem como o desinteresse de mais de metade da população.

Um inconsciente e o seus compagnons de route que, a cobro de um documento qualquer, cheio de alarvidades que nem no século passado faziam sentido, continua a cavar um buraco que já de si é bem fundo, e de onde Portugal provavelmente não irá saír a bem (leia-se, sem haver mortos e feridos, gente a passar fome e muitas dificuldades).

Documento aquele escrito há 40 anos por uma dúzia de pessoas com ideias políticas distorcidas por décadas de fascismo, e nunca alterado por falta de coragem dos diversos líderes políticos e por puro situacionismo e interesse partidário dos partidos representados na Assembleia da República.

E sinceramente não importa nada que decisão este bando de  loucos aprova ou chumba. Não importa nada que tipo de propostas foram apresentadas e desenhadas.  O que está em causa aqui é mesmo o facto de o país estar a ser governado por um orgão não eleito! Tal e qual como numa ditatura! E o povo gosta.

Mas já diz o ditado. Cada um tem aquilo que merece, e o país que escolheu e continua a preferir Sócrates, Seguros, Costas (Antónios e Marcos Antónios), Isaltinos, Loureiros… que continua a admirar Salgados, Zeinais, Berardos… que aplaude Joaquins e afins… só vai ter mesmo aquilo que andou a semear.


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