Telecom Móveis – passado e futuro

31/03/2010

Introduzida em 1980 (até 1994), a 1ª geração era muito limitada em termos de serviços disponíveis, desde as funções de segurança até a capacidade de “roaming”. A base da 1G estava nas redes analógicas sem fios, o processamento de voz e comunicação entre telefones faziam-se de forma analógica. A frequência era de aproximadamente 900 MHz e foi utilizada a técnica FDMA – Frequency Division Multiple Access. Nessas redes cada utilizador tinha para si uma fatia do espectro. Esta técnica era mais simples, mas as interferências eram em elevado número em comparação com outras técnicas que se seguiram (porque nestas, todos os utilizadores podiam usar a largura de banda, ao mesmo tempo). As velocidades de troca de dados eram de 2,4 kbps.

Em 1991 (até 2001), chegou a 2ª geração de comunicações móveis, com uma evolução ao nível da transmissão. O analógico foi substituído por técnicas de modulação digital com velocidades entre 9,6 e 14,4 kbps. Passados alguns anos, foi introduzida uma novidade: o WAP (Wireless Application Protocol) que permitiu um acesso limitado à Internet. O WAP oferecia informações em formato de texto no telemóvel, mas estava muito longe da Internet a que o utilizador estava habituado no PC. Nesta altura, com a 2G, vários “standards” foram criados: GSM (Global System for Mobile communication) estabelecido na Europa; PDC (Personal Digital Cellular) estabelecido no Japão; TDMA estabelecido na América, Àsia e Nova Zelândia. Todos estes sistemas utilizavam TDMA (Time Division Multiple Access) para fazer a multiplexagem (processo pelo qual múltiplos canais de dados, provenientes de diferentes fontes, são combinados e transmitidos através de um único canal), e funcionavam nas frequências de 800 MHz e 1900 MHz.

A chegada de um novo sistema de ligação, o GPRS (General Packet Radio System), esteve na origem de uma geração intermédia – a geração 2,5G. Este sistema permitia maior velocidade (até 40 kbps) e largura de banda, e foi uma extensão do GSM, permitindo aperfeiçoar as capacidades de acesso móvel à Internet (com um sistema baseado na transmissão de pacotes de dados). Cada telefone tinha o seu endereço IP e podia ser identificado na rede. As vantagens do GPRS eram uma ligação permanente, estabelecida instantâneamente e a possibilidade de pagar o serviço tendo em conta a informação transmitida/emitida (e não o tempo de ligação). Mais alguns anos passaram e apareceu o EDGE, protocolo que apareceu como uma evolução do GPRS e permitiu a troca de informação de dados com velocidades até 384 kbps.

A 3ª geração (UMTS) veio em 2002 (até 2005) oferecer uma cadeia de soluções com mais rapidez, confiança, segurança e disponibilidade de serviços móveis. A 3G teve várias melhorias em relação à anterior, como por exemplo: utilizando um espectro de frequências mais alto e mais eficientes métodos de codificação podiam atingir velocidades de troca de dados até 2 Mbps; na mesma ligação fazia multiplexagem de serviços com diferentes exigências de qualidade (voz, vídeo e dados). A multiplexagem utilizada era CDMA – Code Division Multiple Access. Era possível um acesso sem limites à internet.

Enquanto não se concluia a nova geração apareceram alguns desenvolvimentos que permitiram novas velocidades e qualidade de serviço. O HSDPA – High-Speed Downlink Packet Access foi o protocolo conhecido como 3,5G, que opera em W-CDMA (Wide-Band CDMA) permitindo a transmissão de dados até 14,4 Mbps na banda de 5 MHz. Isto permitiu a entrada de serviços multimédia que vieram revolucionar a telefonia móvel.

Em 2004 previa-se que a geração 4 – à qual se chegou a chamar Super UMTS – funcionasse entre 40 e 60 GHz, utilizasse multiplexagem OFDM (Orthogonal Frequency Division Multiplexing), permitisse velocidades de troca de dados entre 2 e 20 Mbps, e que o suporte de dados fosse feito com IPv6 (versão mais actual do protocolo IP). Estamos em 2010 e a 4G está aí ao virar da esquina. Ela chama-se LTE – Long Term Evolution, e funcionará nas frequências 2,6 GHz e 800/900 MHz. Com esta nova versão teremos no telemóvel velocidades de dados na ordem dos 100 Mbps.


Activo de 100 M€ parado. E se fosse a EDP?

29/03/2010

Depois de uma farsa que durou quase 100 dias, Hulk voltou aos relvados no jogo de ontem com o Belenenses. A princípio pensei que com a vontade de mostrar serviço (típica de um jovem com 23 anos que se sente injustiçado) iria fazer um jogo mediocre, mas enganei-me. Fez um jogaço.

Concentrado, calmo e consciente, Hulk deu dois golos a marcar e encarregou-se de pintar mais uma obra de arte com um golão. Isto prova que no FC Porto não se brinca. Ao invés de andarem a apaparicar o atleta, trabalharam-no ao longo destes 3 meses e conseguiram fazer dele ainda melhor do que já era. Assim continue, espero.

A comunicação “dita” social e a opinião publicada em conjunto com alguns adeptos menos realistas do FC Porto (há-os em todos os clubes) vão agora encarregar-se de criar um argumento cinematográfico que rodará à volta da possibilidade de o FC Porto ser campeão se Hulk não tivesse sido (injustamente) castigado.

Isso será, no mínimo, patético. Ninguém poderá dizer se com Hulk disponível o FCP ganharia os jogos que perdeu, tal como poderia perder os jogos que ganhou. O FCP não está tão forte como nos últimos anos enquanto que Benfica e Braga estão mais fortes. Além do mais, o FC Porto teve perturbações como já não tinha há muitos anos (veja-se a recente situação de ter os extremos todos lesionados). Não vem mal ao mundo. Ninguém pode vencer sempre.

Mas uma coisa é certa: o FC Porto teve o seu maior activo (avaliado em 100 M€) parado durante 100 dias. O que sería se a Autoeuropa tivesse uma das suas linhas de montagem paradas durante 100 dias? O que sería se a PT tivesse a sua rede de telecom parada durante 100 dias? O que sería se a EDP tivesse as linhas de transporte cortadas durante 100 dias? Alguém vai ter de indemnizar o FC Porto.


PSD: O porquê do meu voto

24/03/2010

Até agora não tinha decidido o meu voto nas eleições internas do PSD 2010. À partida, e à 1ª vista nenhum dos candidatos preenchia todos os requisitos que acho o líder do PSD deve ter. Mas que queria eu? Um Sá Carneiro? Não existe. E neste momento particularmente dificil para o país, tenho de escolher o próximo primeiro-ministro entre JPAB, PR ou PPC.

Desde muito cedo que ao contrário da maioria não entrei em “clubismos”, porque não vejo a política como o futebol. Pensei, e disse, que deveria esperar por conhecer as ideias e as equipas dos 3 candidatos antes de decidir quem escolher. Li portanto as moções de estratégia das 3 candidaturas e procurei saber quem as acompanha de mais perto.

PR faz na sua moção um diagnóstico do país perfeito. Melhor até do que provavelmente ouvi até agora outros (como Medina Carreira ou Ferreira Leite) fazerem. Mas, mais do que isso PR aponta rumos que são definitivamente aqueles que Portugal precisa de seguir e propõe medidas genéricas de como ultrapassar esta situação de crise financeira, económica, social e de valores.

PPC, tal como no seu livro (Mudar), faz o mesmo exercício de PR. Um pouco à imagem (até lhe chamaram cópia) do que fez Marques Mendes no seu livro (Mudar de Vida). Aponta o que está errado na sociedade e na economia portuguesa, mas principalmente o que está mal no Estado. Além disso enumera também algumas medidas a tomar, mas quase todas elas são um lugar-comum.

JPAB tem reconhecidamente a melhor moção de todas. Já muitos disseram que esta moção personificada por outra figura (talvez Rui Rio) seria o projecto perfeito para o PSD e para Portugal. Mais do que falar nas coisas que estamos fartos de ouvir (défice, dívida, crise, etc.) fala em inovação, propõe várias medidas em concreto a aplicar, e tem uma linguagem nova, diferente do habitual.

Sobre as equipas, parece-me que não há dúvida nenhuma. Ontem num debate organizado pelo Psicolaranja, ouvi com imenso gosto o mandatário de JPAB, Diogo Vasconcelos (estava presente P Pinto por PPC e ZL Arnaut por PR). Posso dizer que fiquei muito impressionado pela positiva. É aquela atitude humilde, verdadeira, inteligente, positivista, inovadora, futurista que precisamos. É aquela nova linguagem que nos chama e que nos faz acreditar. É aquela maneira de ver as coisas, e a vontade de as fazer que nos pode tirar do pântano.

Esta é que é a verdadeira “nova geração” de políticos. Estes é que podem “renovar” a classe política. Não me deixo levar por “mudanças” ou “renovações” feitas por quem já anda nisto há 30 anos, tem as mesmas caras de sempre atrás (as dos interesses, dos caciques, etc.) e mais do que isso, tem a mesma ideia do que é a política.

JPAB pode não ter a retórica de PR ou a apresentação de PPC, mas… depois da retórica de Guterres e Durão e da apresentação (e retórica também) de Santana e Sócrates, não é disso que estamos fartos? Portugal precisa de homens como os que JPAB juntou à sua volta: Rui Rio, Diogo Vasconcelos, Alexandre Relvas.

Sabemos que para governar precisa do PSD e das bases e por isso a equipa tem também Costa Neves, José Eduardo Martins, e o próprio JPAB. Além disso conta também com a experiência e sabedoria de Mota Amaral, Miguel Cadilhe ou Conceição Monteiro. E com a capacidade técnica e inteligência de Miguel Frasquilho ou Rodrigo Adão da Fonseca.

JPAB pode não ser o político que idealizamos mas… e Cavaco era? Também não era. Mas juntou à sua volta uma equipa que colocou Portugal na rota do desenvolvimento. Além da sua visão e capacidade contou com Eurico de Melo para segurar o governo e o partido, com a capacidade técnica de Miguel Cadilhe, com o bom senso de Silva Peneda, com a inteligência de António Capucho, com a juventude e vontade de Durão Barroso.

Não farei como outros. Não irei apostar no “voto útil” contra alguém. Vou votar a favor. A favor de José Pedro Aguiar Branco. A favor de um novo PSD que tem orgulho do seu passado e não tem medo do seu futuro. Um novo PSD que deve soltar-se das amarras dos partidos do século XX e inovar para o século XXI. No dia 27 seja qual for o resultado, cá estarei para colaborar no meu papel de militante de base.


Obviamente demito-o!!

22/03/2010

No dia 2 de Novembro de 2008 escrevi este post em que – depois de 3 derrotas consecutivas, e uma goleada em Londres – pedia a demissão de José Gomes, mas defendia a manutenção de Jesualdo Ferreira. Dizia eu que “Um clube como o FC Porto não pode perder 3 jogos seguidos. Sejam eles contra o Man Utd, Real Madrid e Milan ou contra o Din.Kiev, Leixões e Naval. As melhores equipas da Europa não sofrem goleadas de 4-0 como a sofrida em Londres

Hoje tenho um posicionamento ligeiramente diferente. Reafirmo que um clube como o FC Porto não pode sofrer goleadas como as sofridas em Alvalade, Londres ou Loulé. Reafirmo que José Gomes deve ser demitido. Mudo de opinião em relação a Jesualdo Ferreira. Ele também deve ser demitido. Não tem mais margem de manobra no FC Porto. Aliás, já no início desta época pensava isso, mas confesso que na altura não imaginei ter um Benfica e um Braga tão fortes. E portanto achava que mais uma vez era suficiente para sermos campeões.


Sondagens por encomenda?

19/03/2010

Vai aí uma discussão enorme sobre a sondagem do jornal SOL que dá a vitória a Pedro Passos Coelho (51%) nas eleições internas do PSD. Note-se que a mesma dá 31% a Paulo Rangel e 8% a José Pedro Aguiar-Branco. Eu, não acredito em sondagens. Em nenhumas! Dêem elas vitória ou derrota ao meu escolhido.

Há muitos meses atrás escrevi: “as sondagens são instrumentos do sistema. Quando se prevê a possibilidade de alguém – que promete acabar com o sistema – ganhar umas eleições, logo vêm as sondagens encomendadas para tentarem evitar ou descredibilizar a candidatura desta pessoa. Foi o que aconteceu, se bem se recordam, com Rui Rio nas Autárquicas de 2001. Rui Rio prometeu acabar com o sistema que existia à volta da CM Porto, e por isso os que viviam da corrupção e do compadrio apressaram-se a pedir sondagens que lhe davam a derrota

Também nas eleições Autárquicas de 2001 as sondagens davam derrota para Santana Lopes em Lisboa, Luis Filipe Menezes em VN Gaia, António Capucho em Cascais ou Fernando Seara em Sintra. Mesmo com estas sondagens nenhum deles se deixou abalar, não desistiu, candidatou-se, lutou e venceu. Ainda recentemente, as sondagens para as eleições Europeias 2009 não deixam esquecer os tristes desempenhos das empresas que fazem estes estudos e que davam 40% ao PS, 30% ao PSD e 4% ao CDS!!

O facto de Alexandre Picoito, director executivo da Pitagórica – empresa que realizou a sondagem interna – fazer parte da Comissão de Honra de PPC nada me diz. Acredito, tal como o Nuno Gouveia, que será apenas uma coincidência. Mas permitam-me dizer que não abona nada a favor do (des)crédito que as sondagens têm para mim.


A lei da rolha serve a alguns

15/03/2010

Também não concordo com esta norma do silêncio nos 60 dias que antecedem as eleições, e votaria contra se estivesse no congresso. Penso que os militantes, se o são de livre vontade, devem ser responsáveis e têm o dever de lealdade para com o PSD. Devem saber que ao dizer mal do seu partido estão a dar votos ao adversário – principalmente se se tratarem de militantes com relevância e tempo de antena nos média. Era realmente dispensável darmos razões para que nos satirizem. Mas vamos lá a ver o seguinte:

1. Esta norma só aparece por causa de militantes como Cavaco, Menezes, Pacheco, Passos Coelho, etc. Foi por causa deles (e doutros) – que não descansaram enquanto não derrubaram o presidente do próprio partido – que alguém pensou nesta aberração de norma.

2. Acho incrível o facto de, no congresso, não se ter ouvido sequer uma voz contra esta norma. Houve até militantes, como PPC que pelo visto nem sequer votaram contra, apenas se abstiveram. Mas depois de saírem e vendo que a comunicação “dita” social e a opinião pública não tinham gostado, desataram a proferir declarações contra a dita norma.

De qualquer maneira podiam resolver-se as questões de lealdade ao partido de outra forma menos comunista. Aliás, penso até que nos actuais estatutos já existem normas que castigam militantes (até com expulsão) por comportamentos menos próprios para com o partido. Mas se esta “lei da rolha” (como lhe chamaram alguns) fosse para entrar em vigor, já sei a quem ela servia…

Se alguém precisava da “lei da rolha” esse era Fernando Costa. Precisava que lhe pusessem uma rolha na boca e outra na garrafa do vinho. O autarca da Caldas subiu ao púlpito para dizer bojardas e mesmo assim houveram militantes, alguns com responsabilidades, que me disseram que ao dizer isto estava a querer desviar a atenção do conteúdo do discurso.

Que conteúdo? pergunto eu. “Traga-me um copo de vinho que água é para meninos” ou “se eu não mentisse não era presidente de câmara“. Elogiar o discurso de Fernando Costa é tão mau para o PSD como a aprovação da tal norma.

Mas o facciosismo e a cegueira de alguns militantes (eu entendo, o poder está á vista e os lugares no aparelho de estado começam já a ser escolhidos) resolveu fazer com que se desse relevância e se defendesse o indefensável, apenas porque Fernando Costa demonstrou apoio a PPC. Como alguém disse no twitter “O autarca das Caldas transformou-se no símbolo de um certo PSD que se revê em PPC“.

No meio disto tudo, haja pelo menos alguém com bom senso. José Pedro Aguiar-Branco vai “junto do conselho de jurisdição, levantar a inconstitucionalidade da medida” e tentar “impedir a entrada em vigor da norma”. No caso de ser eleito presidente “Se o pedido ao conselho nacional de jurisdição não surtir efeito, uma vez presidente do partido vou promover essa alteração”.


PSD tem passado, presente e muito futuro

15/03/2010

Ainda há nos quadros do PSD grandes homens, grandes politicos, grandes pensadores. Entre outros: Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Santana Lopes, Alberto João Jardim ou Luis Marques Mendes. Estes, foram dos poucos que utilizaram bem o congresso (o orgão máximo onde se devem discutir opções para PSD e Portugal) e mostraram respeito pelos militantes. Subiram ao púlpito e discutiram, reflectiram e fizeram propostas para o partido e para o país. Incutiram a discussão de ideias e ideologias. Não fizeram campanha eleitoral.

Infelizmente estes não foram correspondidos nem pelos seus companheiros com responsabilidades, nem pelos congressistas, nem pela comunicação “dita” social. Os primeiros – à excepção de alguns como p.ex. Aguiar Branco – apenas se preocuparam em fazer campanha eleitoral e declarar apoio a um dos 3 candidatos. Muitos dos congressistas estiveram lá apenas para cacicar, e nem sequer respeitaram quem falava – R.Machete foi até obrigado a pedir menos ruído na sala (qual prof. da primária). Quanto aos jornalistas só falaram de tácticas e cenários individuais – o que seria melhor para Cavaco, Portas, Sócrates ou para os 3 candidatos. Sobre ideias e soluções para país ou partido, nada!

Aliás a vergonha dos media chegou ao ponto de darem honras de directo e de reportagem a F.Costa, um militante que, entre outra bojardas, disse “traga-me um copo de vinho, água é para meninos [...] se não mentisse não era presidente de Câmara”. Houve até um imbecil comentador que na rádio disse ter sido este o melhor momento do congresso.

É por estas e por outras que o PSD perde credibilidade e é satirizado. Estes episódios não abonam nada a favor do PSD. Mas há militantes que ainda não se convenceram disso. Ou pelo menos não se convencem por conveniência. Comentei na altura do discurso de F.Costa que este era mais um Tino de Rãs e que o facto de ter chamado a atenção dos media não era necessáriamente bom. Um militante que prezo, apoiante de PPC veio logo dizer-me que F.Costa estava no PSD desde 74 com Sá Carneiro. Ora, ter apertado a mão ao fundador não faz de ninguém um bom político, senão garanto-vos que arranjava maneira de apertar a mão ao Cristiano Ronaldo.

Dos 3 companheiros de que tanto se fala, JPAB esteve melhor, com mais conteúdo. Transmitiu força, determinação e energia para reformar Portugal, trouxe ideias novas e claras. PR teve um bom discurso, que foi uma cópia do que tinha feito no Porto na semana passada. De qualquer forma não me convenceu ainda. PPC desiludiu e muito. Queria passar uma imagem de estadista e acabou a dar tiros nos pés. Além disso criou deliberadamente fracturas internas ainda maiores.

Também houve tempo para ouvir alguns remoques, principalmente de ex-líderes. Pedro Santana Lopes esteve bem, a meu ver, atacando Cavaco Silva por causa da “má moeda” ou PPC por causa da sua postura em ano de 3 eleições. Luís Filipe Menezes também disse muitas verdades sobre o tempo em que foi presidente. De qualquer maneira queixou-se da “belicosidade interna” e pediu para acabarem com ela, mas diga-se que não deu o exemplo.

De uma maneira ou de outra, viu-se que o PSD está vivo. Tem um grande passado, um presente bem vivo, e poderá ter um futuro muito risonho se assim os militantes quiserem. O primeiro sinal deve ser dado já no dia 26 Março aquando das directas. Os militantes deverão ir votar em massa, e escolher o que será melhor para o PSD voltar a ser o de Sá Carneiro e de Cavaco Silva. Altura em que conseguimos conquistar o povo e governar Portugal.


Santana Lopes reaviva ideia de Menezes que Sá Carneiro levou a cabo

11/03/2010

Sà Carneiro sempre defendeu que o presidente do partido não deveria ser o PM. Aliás, quando ganhou as eleições em 1979 reuniu o Conselho Nacional do PSD e disse que só aceitava a indigitação para PM se o libertassem das funções de presidente do partido. Nessa altura o PSD compreendeu e acedeu à vontade do seu líder, dispensando-o dessas funções e passando a presidência para Leonardo Ribeiro de Almeida.

Não sei se Pedro Santana Lopes defende esta ideia com as mesmas intenções de Sá Carneiro. Provavelmente não, já que em 2004 acumulou o cargo de chefe do Governo com o de presidente do PSD. De qualquer forma, parece-me uma boa solução, apesar de admitir que nos dias que correm – com a pressão constante da comunicação “dita” social e da opinião pública – seria preciso uma excelente harmonia entre as duas figuras.

Além disso, a ideia teria de colher também dentro do PSD, o que não parece fácil dado que não há muito tempo, passou pela cabeça de um líder – Luís Filipe Menezes – esta solução. A certa altura LFM pensou que seria melhor, outra pessoa ser candidata a PM. Infelizmente um grupo influente no PSD (o mesmo que ajudou a “derrotar” LFM) não aceitou a ideia, mesmo que o convite tivesse sido feito a um deles. Não surpreende portanto que Capucho (que faz parte desse grupo) tenha rejeitado esta solução agora.


A crise é de valores

09/03/2010

No dia 30 de Abril 2009, o Paulo Colaço convidou-me para escrever um artigo como convidado do Psicolaranja. Disse-me que poderia escrever sobre o que bem entendesse, desde que o tema fosse actual (à data). Assim o fiz e escrevi sobre a Crise de Valores. Passado um ano, e depois de os portugueses terem sido chamados a 3 eleições, parece-me que essa crise se agravou. Transcrevo aqui o que escrevi para nova relfexão:

Pelo que vemos hoje, o combate político irá centrar-se nas qualidades pessoais dos candidatos: integridade, honestidade, seriedade, carácter, educação, postura, etc. Infelizmente, no cenário político actual, impera a avaliação destas coisas, em vez do debate de ideias, ideais, estratégias, planos de acção, medidas e soluções.

Todos sabemos que o povo prefere ouvir falar do acessório, mais do que do essencial. Mas o facto é que os políticos de hoje “se puseram a jeito”. Não faltam escândalos de corrupção, compadrios e afins, que todos sabemos serem verdade. Até porque, por vezes, esses casos se passaram connosco ou com alguém próximo, não é preciso tribunais para o provar.

Além disso, a maioria dos políticos de hoje é hipócrita. Regem-se por aquele velho ditado “Olha para o que eu digo, não para o que eu faço”. Todos são a favor da ética, da transparência, da verdade. Mas depois não a praticam. Aliás, muito pelo contrário.

Para melhorar a política, é importante haver sentido de missão no desempenho dos cargos. É essencial, que os políticos coloquem, de uma vez por todas, os interesses colectivos á frente dos interesses pessoais.

Temos de voltar à política que existiu nos primeiros 20 anos após o 25 Abril 1974, quando as pessoas confiavam nos políticos, consequência dos seus bons desempenhos e da sua preocupação real com o país. Com isso, as pessoas com mais capacidade não fugiam da política, e portanto não deixavam lugar vago aos mais incompetentes, interesseiros e vigaristas.

Além do sentido de missão – que por vezes, ainda se vê em alguns (poucos) políticos – é preciso haver coragem. Alguns até têm capacidade, mas falta-lhes a coragem política para implementar medidas. Dizem-se todos muito determinados e decididos, mas depois é o que se vê.

Tal como dizia Pedro Lomba há uns tempos no DN: “Fazer de Portugal um sítio governável implica actuar sobre as causas que há 10 anos nos impedem de crescer. Que valor pode ter um Governo de maioria absoluta, que se mostra incapaz de afrontar os problemas essenciais do País? A estabilidade depende dessa coragem e não das maiorias absolutas.”

Também muito importante, é manter o respeito pelos cargos públicos. Chega a ser chocante, o desrespeito dos políticos de hoje pela posição que ocupam. Por exemplo, José Sócrates, aquando da ida do coro do Colégio Militar, a São Bento cantar as janeiras, disse que agradecia e fazia votos de querer voltar a vê-los no próximo ano, no mesmo local. Ora esta afirmação – proferida nestas circunstâncias – mais do que partidária, é de um baixo cariz eleitoralista e demonstra desrespeito pelo cargo que ocupa.

Além do respeito pelos cargos, há também que lembrar o respeito pelas instituições. A utilização partidária e egocêntrica, de algumas instituições, por parte de alguns governantes é incrível. Tudo serve para ser utilizado a seu bel-prazer sem olhar a meios nem a consequências, desde que sirva os seus interesses (veja-se o recente caso do vídeo sobre o Magalhães, utilizado num tempo de antena do PS).

Há uma tendência para, quem está no poder, ir tomando conta de todos os sectores. Os partidos colocam os seus boys nos lugar-chave, e chamam a si o controlo de bancos, empresas e projectos de interesse estratégico e estruturante (como o Porto de Lisboa, o TGV, o Aeroporto ou a 3ª travessia do Tejo).

E depois, todas essas pessoas que gravitam á volta do poder de Lisboa, também contribuem para a degradação da democracia. Principalmente porque lhes falta carácter e dignidade.

Todos os dias vemos, por diversas vezes, pessoas a prestar-se a cenas indiciadoras de posturas de uma subserviência e de uma bajulação demasiado evidente. Tentando assim colher a sua parte dos “lucros”, obter favores, empregos ou cargos.

Infelizmente a política de hoje em dia está num estado lastimável. Toda ela é orientada para os interesses pessoais em detrimento dos reais interesses do país. E depois, em anos eleitorais, baseia-se em propaganda, principalmente nos média. (Montam-se espectáculos que mais parecem circos, onde se fazem promessas que, como de costume, não se vão cumprir).

Nisto, também os média têm uma grande responsabilidade. Um dos grandes problemas do cenário político português, são os meios de comunicação “dita” social. Eles que deveriam ser o veículo de transporte, da mensagem real entre governantes, partidos e eleitorado.

Ou seja, a política está mal, muito mal. A ligação entre ela e o povo está pior ainda. Como vamos nós sobreviver a isto? Mergulhados que estamos numa crise financeira, económica, social… mas principalmente numa crise de valores…


PEC – Programa Enganar Cidadão

08/03/2010

O tão esperado PEC, que muitos pensariam ser a solução para os nossos problemas, apenas traz mais do mesmo. Medidas que sacrificam a classe média, que atacam demagogicamente os ricos (para inglês ver), que desprezam ainda mais os desprotegidos e que no final pouco ou nada adiantam para que se coloque as contas públicas em ordem. Senão veja-se…

Os funcionários públicos perderão poder de compra (e o congelamento dos salários não está colocado de parte), a redução das deduções fiscais na saúde e educação comportarão um encapotado aumento de impostos, e as SCUTS vão ser portajadas.

A demagogia continua ao criar-se uma taxa de 45% no IRS que incidirá sobre os rendimentos superiores a 150 mil €/ano, e colocando as mais-valias conseguidas através de vendas mobiliárias tributadas a 20%. Além disso, também as mais-valias obtidas com operações realizadas num período superior a um ano serão tributadas. Mais demagogia na redução de 40% das verbas para a Lei de Programação Militar.

Os pensionistas cujo valor da reforma é superior a 22500 €/ano vão pagar mais impostos e o desemprego será superior a 9% durante os próximos quatro anos.

A confirmação de que estas medidas de pouco ou nada adiantam, vem com o anúncio de que o TGV (essa obra estratégica e impreterível segundo Sócrates durante a campanha eleitoral) vai ser adiado, e que o Governo (que tanto atacou MFL com as receitas extraordinárias) pondera pôr à venda as suas participações nos CTT, EDP, REN, TAP, GALP e seguros da CGD.

Razão tem Pedro Santos Guerreiro no Jornal NegóciosQualquer leitor de jornal percebe à primeira de que forma vai pagá-lo. Mais impostos, menos apoios sociais, menos salários no Estado” [...] “As taxas dos impostos não aumentam, mas a razia nas deduções fiscais vai acabar pôr a classe média a pagar mais IRS no fim do ano” [...] “A carga fiscal sobe e, pelo meio, atacam-se incentivos errados” [...] “O PEC português foi construído à porta fechada, dispensando o acordo dos partidos, dos sindicatos e dos patrões” [...] “os países afectados pela crise nos mercados internacionais estão a construir uma história (redução salarial na Irlanda, corte do subsídio de férias na Grécia, aumento da idade de reforma em Espanha)“… e nós estamos assim.


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