O meu top 20 da música portuguesa (XIV)

30/11/2010

GNR – Pronúncia do Norte


Sobre a corrupção no futebol

29/11/2010

O futebol é um desporto e deveria ser tratado como tal. Infelizmente para quem gosta de futebol (do jogo em si) tornou-se num negócio muito próspero, onde falta regulação, e portanto é terreno fértil para actos ilícitos. É um negócio onde vale quase tudo, ainda que esteja supostamente sujeito às regras de mercado – consequência dos clubes serem agora empresas (SAD). Digo supostamente porque assistimos em Portugal, a episódios de clara violação das regras do mercado, sem que haja penalizações. Recentemente assistimos, por exemplo, ao anúncio da OPA ao Benfica por parte de Joe Berardo que apenas serviu para valorizar as acções do clube na bolsa de valores, e o que aconteceu? Nada! A CMVM e outras entidades reguladoras ficaram caladas e quietas.

A transformação do jogo em negócio, e da paixão em ganância, fez com que começasse a proliferar a corrupção na modalidade. Essa corrupção aparece encarnada em senhores vestidos de preto com apito na boca, denominados árbitros, a quem são pagas determinadas quantias para beneficiar este ou aquele clube. Esses senhores de preto deveriam ser como os juízes de direito, profissionais sérios e absolutamente independentes na sua actividade, porque só isso garantiria a sua isenção. Mas como, pelo contrário, eles dependem de orgãos que são controlados pelos clubes, é normal que coisas menos próprias aconteçam.

No futebol, tal como nos mercados sem regulação, a única lei existente acaba por ser a “lei do mais forte”. Esta lei determina que, quem tem mais dinheiro (para corromper) e mais poder (para ameaçar/mandar), é que controla e vence. Em Portugal é mais do que evidente que os 3 clubes grandes se sobrepõem aos outros pelo simples facto de terem mais dinheiro e mais poder. Isto é facilmente comprovado com alguns acontecimentos bem recentes: as prestações do Vitória SC e do SC Braga. Um adepto minimamente atento sabe que há 2 anos “tiraram” ao clube de Guimarães a possibilidade de se qualificar directamente para Champions League e na época passada “tiraram” a possibilidade aos Arsenalistas de lutar pelo título.

Note-se que estas são duas situações flagrantes e que, pela dimensão, podem ser mais facilmente identificadas pelo leitor. Mas o facto é que outras mais pequenas acontecem todos os fins-de-semana. Todas as santas jornadas há clubes “pequenos” que são prejudicados e injustiçados, sem que alguém responsável faça algo para repôr a verdade dos resultados, que os protagonistas desses clubes (com tanto esforço, dedicação, trabalho e mérito), conseguiram. Note-se que no caso do Vitória SC além de ter sido “roubado” dentro de portas, foi-o também na Europa do futebol (jogos com Basileia, clube suíço. Curiosamente país onde está sediada a sede da UEFA).

Tudo isto tem a conivência daqueles que, por princípio (à falta das entidades oficiais que para isso têm competência), deveriam fiscalizar: a comunicação social. Infelizmente, os jornais, TVs e rádios deste país, parecem ter um acordo pecaminoso com os 3 clubes grandes conseguindo com isso abafar os pedidos de socorro e as denúncias feitas pelos adeptos, jogadores, técnicos e dirigentes dos outros clubes. Honra seja feita a alguns orgãos de comunicação social que são a excepção – confirmando a regra – e dão voz (ainda que não com dimensão nacional) aos mais “pequenos”.

Também a maioria dos adeptos dos chamados 3 grandes (digo a maioria porque há gente de bem, como eu próprio que sou adepto do FC Porto) pactua com esta situação e nada diz ou faz. O egoísmo, a falta de respeito e de fair play, entre outros factores, faz com que esta gente se esteja a borrifar para a forma como o seu clube vence. Os fins justificam os meios, e por isso toca de votar em candidatos às direcções que possam, ser mais corruptos que o corrupto do lado. Vencer a qualquer custo é a palavra de ordem, mesmo sabendo que se atropelam todos e quaisquer princípios e valores de ética e moral.


O Portugal que não quero (VIII)

26/11/2010

Estaciono o carro num parque do Largo da Graça em Lisboa com uma rapariga indigente a dar indicações. Era jovem e deu-me pena, apesar de ser certo que era tóxicodependente.

Meti as mãos aos bolsos e vi que não tinha tostão. Simpático disse-lhe “vou ali ao café e na volta dou-te”… recebi como resposta “só se for rápido porque daqui a pouco vou embora”…


Apolíticos vs Políticos na Justiça

26/11/2010

É hoje mais do que evidente que há uma promiscuidade indesejável entre a Justiça e a Política. Ou melhor dizendo, entre algumas figuras de destaque da Política e outras da Justiça. Custa-me crer que isto é verdade, mas por mais que não queira, os sinais são manifestos. É triste que assim seja, e quem sofre mais com isto é o povo Português que vê violentado um dos pilares da sua já débil democracia.

No caso Casa Pia, os apolíticos Carlos Silvino e Carlos Cruz (entre outros) foram constituídos arguidos, ao passo que os ex-Ministros Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues foram ilibados. No caso BPN, os apolíticos José Oliveira e Costa e Manuel Lagoa de Sousa (entre outros) foram constituídos arguidos, enquanto que o ex-Ministro e Conselheiro de Estado Manuel Dias Loureiro já foi esquecido.

No caso Freeport, os apolíticos Charles Smith e Manuel Pedro são arguidos, mas o Primeiro-Ministro José Sócrates e o Ministro Pedro Silva Pereira não constam da lista. Muito provavelmente o mesmo acontecerá no caso Face Oculta. Ou seja, o apolítico Manuel Godinho será considerado culpado, ficando o ex-ministro Armando Vara e o boy Rui Pedro Soares livres de qualquer ausação.

Não estou, com estes exemplos, a querer julgar ou acusar ninguém. Estou só a constatar um facto, que é uma grande coincidência. Políticos no activo, ou com grandes ligações aos que estão no activo (em posições de destaque), têm sempre o azar de serem apontados como suspeitos, mas a sorte de conseguirem escapar ilesos.

Para mim, nem tudo são coincidências e basta ter um bocadinho de memória para perceber que esta triste prática, esta mistura negativa, começou a ganhar maior relevância e a ser mais frequente desde que José Socrates foi eleito chefe do Governo. Este, é mais um motivo para querermos que saia.


O meu top 20 da música portuguesa (XIII)

25/11/2010

Amália Rodrigues – Povo que lavas no rio


#GreveGeral FPs, rapaz do jornal e Bruno Nogueira aderem

24/11/2010

Acho bem que a Greve seja um direito do povo consagrado na Constituição. É legítimo que haja organizações a liderar a Greve. Compreendo que numa situação como a que Portugal está, o povo queira demonstrar o seu descontentamento. No entanto, eu não adiro a nenhuma Greve deste tipo.

Feita a declaração de interesses é tempo de dizer que – salvo raras excepções que confirmam a regra – só se vêem os funcionários públicos a aderir à Greve. Curiosamente são aqueles que mais privilégios e protecção têm no seu emprego. Será por não terem patrão que não hesitam em fazer gazeta?

Apenas se vêem a aderir à Greve as empresas públicas, semi-públicas, ou ex-públicas. Exemplo são as Câmaras Municipais, as Escolas, os CTT, os STCP e Carris, o Metro e a CP. Aliás, é fácil de confirmar através da comunicação “dita” social, que só faz reportagem à porta das serviços públicos e estações de transportes.

Curioso não se ver nenhuma equipa de reportagem à porta de empresas privadas e grandes (os tais capitalistas) como a AutoEuropa, a Sonae, o BES, a Zon, a Portucel, a Martifer, a Jerónimo Martins, entre outras. Porque será? Não será com certeza do Guaraná…

De resto, a paralização do país – anunciada pelos sindicatos – não a senti. A única coisa em que reparei foi, no caminho para o trabalho, não ter visto o rapaz que costuma estar a distribuir jornais no semáforo da Duque Loulé junto ao Marquês de Pombal, e também não ter ouvido o “Tubo de Ensaio” da TSF.


Blindados rumam a Norte

23/11/2010

Que nome terá o blindado da PSP? “Pastel de Natão” ou “Rui Pereirão”?… Bem, mas isso não interessa nada.

Blindado da PSP

O facto é que o nosso blindado é muito mais bonito do que o “Caveirão” do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais – Brasil).

Caveirão do BOPE

Pena é que o nosso não serve para nada e assim sendo acabamos de – em altura de crise financeira gravíssima – queimar mais 5 Milhões €.

Ou será que os blindados foram comprados sob o pretexto da Cimeira NATO, mas agora serão utilizados nas deslocações do Visitante-0 (aka SL Benfica) ao norte do país?


O meu top 20 da música portuguesa (XII)

23/11/2010

David Fonseca – Stop 4 a minute


O estado dos partidos, partiu o Estado

22/11/2010

Fui convidado pelo Pedro Correia, a escrever um post para o Delito de Opinião. O convite lisonjeou-me e achei por bem escrever sobre um tema que me preocupa sobremaneira, e julgo que à maioria dos conscientes portugueses. Deixo-o aqui, mas sugiro que visitem o Delito de Opinião.

Escuso-me desde já a opinar sobre a situação actual do país. Milhões de linhas foram já escritas na blogosfera sobre o estado a que chegamos. Neste ponto temos um problema grande para resolver. E não, o problema não é o da aprovação de um qualquer orçamento. O problema é, isso sim, se há alguém que nos possa tirar desta situação.

Sabemos de antemão que, dado o sistema político que temos, esse alguém tem de sair de um partido político. E é precisamente este o maior problema do país. As cúpulas dos partidos – aquelas que se instalam em Lisboa e, estando ou não o seu partido no poder, conseguem sempre ir comer à gamela que contém os dinheiros do Estado – estão pejadas de gente que não interessa.

As estruturas nacionais dos partidos, donde saem os governantes (ou as escolhas para governantes) são compostas na sua maioria por pessoas que não têm sentido de missão, de serviço ou de responsabilidade. Pessoas que não têm mérito, competência, prestígio ou credibilidade. É gente sem estatura intelectual, sem escrúpulos, sem vergonha. Gente arrogante, egoísta e sobranceira.

Se recuássemos 30 anos, esta gente jamais teria enveredado pela vida política. E quando digo isto, nem sequer me estou a referir às qualidades e defeitos que assinalei acima. Estou simplesmente a referir-me ao facto de, há 30 anos atrás, as remunerações dos cargos políticos não serem suficientes sequer para viver na capital. E nós sabemos como esta gente de hoje gosta da luxúria e do enriquecimento relâmpago.

Mas voltemos aos partidos, até porque a qualidade dos políticos de hoje está intimamente ligada a eles. Tal como diz o ditato: “é de pequenino que se torce o pepino”, e é nas estruturas locais dos partidos – ao nível das freguesias, dos concelhos e dos distritos – que começa a destruição da classe política portuguesa.

É a este nível (nas chamadas “bases”) que desde logo encontramos graves atropelos à democracia. Em eleições, que se dizem livres e democráticas, é gritante a falta de regras transparentes. As quotas pagas em massa a mando dos candidatos, os famosos autocarros de votos ou os cadernos eleitorais feitos à medida, são coisas já corriqueiras.

Depois disso, vem a total desorganização da estrutura (entre direcção, eleitos e militantes), e também a completa ausência de projectos estratégicos, rumos definidos, actividades planeadas ou defesa de convicções. O que importa mesmo são as lutas internas, as tricas políticas, a execução de tarefas menores. Tudo isto contribui para a degradação da política, e para o afastamento entre população e partidos.

Há muito boa gente, com capacidades pessoais, profissionais e políticas (imbuida das mais nobres intenções) que poderia ingressar nos partidos e participar (this is what our regime is about), mas que não o fazem – em alguns casos chegaram mesmo a fazê-lo e depois desistiram – porque não têm estômago para este tipo de vida partidária menor.

Já a outro nível, é repugnante a ligação dos grandes interesses aos partidos. Aqueles interesses – cujos lucros (por vezes pornográficos) dependem dos negócios com o Estado – que gostam de ter “agentes” seus em lugares destacados nas direcções dos partidos. Como consequência disto temos a directa influência em decisões políticas, cujo pressuposto deveria ser o interesse nacional colectivo, mas acaba sempre por ser o seu contrário.

Sendo assim, o que se impõe neste momento é saber como poderá Portugal limpar os partidos políticos para encontrar soluções. Será com uma revolução ao nível das bases? Eu gostava de ir por este caminho. Gostava de ver gente da sociedade civil e, por exemplo, gente a quem pelos escritos reconheço capacidades, valores e princípios, ultrapassar os limites da blogosfera e ingressar na estrutura local do partido de que é simpatizante.

Será com uma reforma do sistema político ou com uma alteração à lei eleitoral? Numa altura em que se tem falado também muito em alterações à Constituição da República, talvez fosse mais importante que essas propostas de alteração versassem sobre esta problemática dos partidos, tendo em vista a sua regeneração. Experimentar um sistema uninominal ou misto (sería preferível e mais equilibrado), talvez fosse um caminho a seguir.


Imorais e ilegais não são os dividendos

20/11/2010

Cabe na cabeça de alguém (pelo menos na cabeça de alguém com bom senso) que o Governo e o PS andem aí a insurgir-se contra as empresas cotadas em bolsa que vão pagar os dividendos aos seus accionistas já em 2010? Até parece que estão a fazer algo ilegal ou imoral.

Irá o Primeiro-Ministro, o Ministro das Finanças ou o líder da bancada do PS, da próxima vez que aumentarem os combustíveis, insurgir-se também contra os portugueses que no dia anterior irão à bomba de gasolina encher o depósito do seu automóvel? Havia de ser bonito, o povo a fazer-lhes manguitos.

Estas atitudes demonstram o desnorte, o carácter e a desonestidade dos membros do Partido Socialista. Principalmente depois de terem andado a fazer as figuras tristes (essas sim ilegais e imorais) a que todos pudemos assistir na questão do negócio PT-Telefónica-Vivo.


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