Nissan suspende fábrica? Culpa é de Sócrates!

13/12/2011

Sou apologista da mobilidade eléctrica há muitos anos. É um tema que me é caro. Julgo mesmo que é por aí que passa o futuro dos transportes. Há 6 anos concretizei algo quando comprei um automóvel híbrido (gasolina + eléctrico). Pretendo trocá-lo, logo que possível, por um totalmente eléctrico.

Com o MOBI.E Portugal tem a oportunidade de ser precursor em algo realmente pioneiro e que será utilizado a nível global no futuro. As redes de carregamento não são novidade. Inovador é mesmo o sistema de gestão e a integração da rede, obra do consórcio formado por várias empresas nacionais.

Novabase, EDP, EFACEC, Critical Software, Siemens, entre outras, são as empresas responsáveis por este projecto MOBI.E. É verdade que o Governo anterior e o ex-PM José Sócrates surfaram bem a onda, e mérito lhes seja dado por isso. Não foi visionário ou inovador, foi apenas astuto.

A notícia de que a Renault-Nissan iria suspender o investimento na fábrica de baterias em Cacia caiu-me mal. Mas depois de ver as justificações do porta-voz da empresa, sou obrigado a entender. Aliás, outra coisa não seria de esperar numa altura em que a conjuntura é difícil para todos.

A empresa foi clara ao dizer que “decidiu suspender a fábrica de baterias eléctricas em Portugal porque, após análise detalhada do plano de negócios, chegou à conclusão que as quatro fábricas espalhadas por todo o mundo seriam suficientes para os objectivos“.

É natural que, com a crise que assola o mundo, as vendas de automóveis caiam, nomeadamente no que diz respeito aos eléctricos. Sendo assim a Renault-Nissan opta por manter “as fábricas de baterias que estivessem junto de unidades de produção de automóveis eléctricos” e suspender as outras.

Mas desde logo se apontaram dedos ao Governo (que apenas diminuiu a janela de incentivo à compra de automóveis), na ala socratista do PS. Isto, apesar do porta-voz da empresa ter dito que a decisão de suspensão da fábrica não está ligada ao projecto de Portugal sobre a mobilidade eléctrica.

O líder parlamentar Carlos Zorrinho (ex-Secretário de Estado da Energia) fez o papel dele. Tentou responsabilizar o Governo e salvar a face de Sócrates. Estou convencido que no fundo ele sabe que a culpa não é do Governo, e isso revela alguma demagogia. É o jogo político do dia-a-dia.

O mal disto tudo foi em 2009 terem embandeirado em arco a construção da fábrica. Se tudo se mantivesse discreto até ao início da obra (como era esperado) agora não havia problema nenhum. A culpa é portanto, da política-espectáculo que Sócrates sempre preferiu.


#MOBIE O Carro eléctrico na TV Francesa

19/10/2011

Durante 3 meses tive o prazer de integrar a equipa Novabase que desenvolveu algo inovador em Portugal: o sistema de gestão da rede inteligente de carregamento eléctrico, o MOBI.E.

Participar neste projecto foi algo que me deixou muito satisfeito, não só por estarmos a criar algo inovador, mas porque desde há muito tempo me fascina a mobilidade eléctrica.

Há 6 anos que conduzo um automóvel híbrido (um Honda Civic IMA) e o objectivo é, logo que possa, trocá-lo por um automóvel totalmente eléctrico. Assim permita a minha carteira.

Ao contrário de muitos, penso que os automóveis impulsionados a energia eléctrica são realmente o futuro da mobilidade. Algo que começa a ser, aos poucos, aceite por todas as marcas.

Esta semana, na TV Francesa (mais precisamente no canal M6), saiu uma reportagem sobre o eléctrico da Renault, o Fluence ZE, e o MOBI.E. Ver para crer…


Com a morte do Diogo, esmoreceu a minha esperança

08/07/2011

O dia de hoje começou como habitualmente. Levantei-me, tomei banho, saí de casa para o trabalho, e no autocarro actualizei-me nas redes sociais. Às tantas senti um “murro no estômago”… vi a notícia de que o Diogo Vascocelos tinha falecido repentinamente, aos 43 anos.

Conheci o Diogo há pouco mais de 1 ano, por altura das eleições internas do PSD, em que apoiei JP Aguiar Branco, e de quem o Diogo era mandatário. Fiquei impressionado e escrevi: “É aquela atitude humilde, verdadeira, inteligente, positivista, inovadora, futurista que precisamos“.

A liguagem do Diogo, a maneira de ver as coisas e a vontade de as fazer, eram incrivelmente atraentes. Tinham como que um íman que nos chamava e nos fazia crer ter encontrado os ingredientes para a solução que tiraria Portugal do pântano. Criava renovada esperança no futuro.

O Diogo Vasconcelos era um homem que ao contrário do que estamos habituados nos responsáveis de hoje não estava sempre a olhar para trás mas olhava permanentemente para o futuro. Estava disponível para o construir. E mais importante do que isso, fazia-o.

As suas qualidades como profissional fizeram-me compará-lo a outros grandes portugueses, bem mais mediáticos do que ele. As suas qualidades humanas e políticas fizeram-me desejar que um dia fizesse parte de um governo como Ministro da Inovação.

Tal como já havia dito a muita gente e escrito no meu blogue, o Diogo Vasconcelos fazia parte de uma verdadeira “nova geração” de políticos. Aqueles que podiam efectivamente renovar a classe política e levantar de novo o esplendor de Portugal.

Tal como Rui Rio ou José Pedro Aguiar Branco – que curiosamente acompanhou na JSD – o Diogo Vasconcelos era um homem inteligente, com carácter e grande personalidade. Mas mais do que isso, era um líder e um visionário. Regia-se pelos melhores valores e princípios.

Os cargos que ocupou comprovam a sua capacidade e competência. Foi Senior Director da Cisco International, Chairman da APDC – Associação para o Desenvolvimento das Comunicações ou Chairman da SIX – Social Innovation eXchange.

Foi um grande impulsionador da Sociedade da Informação e do Conhecimento. Defendia como ninguém a inovação e o empreendedorismo. Fundou a FAP – Federação Académica do Porto, a UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento, a revista Ideias & Negócios e a Ciber.net.

Hoje fiquei chocado com o falecimento do Diogo Vasconcelos, mas mais do que isso, esmoreci a esperança de um Portugal melhor. Porque todos somos poucos para puxar pelo país, e hoje perdeu-se a força de mais um. Ainda por cima um dos mais “fortes”.


Para quem acredita no futuro, e quer contribuir

07/03/2011

Já por mais de uma vez elogiei, aqui no meu blogue, o Diogo Vasconcelos. Um homem que – ao contrário do que estamos habituados nos responsáveis políticos ou empresariais portugueses – não está sempre a olhar para trás, mas olha permanentemente para a frente.

Este sábado que passou, deu uma entrevista à revista NS do jornal DN. Essa entrevista é de leitura obrigatória para todos aqueles que – ao contrário do típico portuga – ainda têm alguma esperança num futuro melhor, e acima de tudo estão disponíveis para fazer algo por isso.

Deixo aqui alguns trechos da entrevista, mas aconselho a leitura integral

Em Where good ideas come from, Steve Johnson tenta encontrar essa resposta. E conclui que as boas ideias surgem quando diferentes intuições se confrontam. Como criar ambientes propícios a que tal aconteça? Um bom método é criar espaços para que gente com formações diferentes se encontre

[para ter sucesso] Entrar num mercado em crescimento, onde seja possível fazer algo de verdadeiramente novo. Saber explicar a novidade em poucos segundos. Escolher uma boa equipa, começar pequeno, controlar bem os custos e a tesouraria. Escolher clientes exigentes. Não é um sprint, é uma maratona.

Vale a pena planear. Os planos quase nunca se cumprem, mas ajudam a arrumar ideias, a identificar pontos francos, erros e objectivos.

Há dois tipos de inovação, a incremental e a radical. A primeira é fazer cada vez melhor, mais com menos recursos. A Europa é boa nisso. A segunda, significa inventar o futuro. Aqui, os americanos dominam.

Os programas de investigação europeus – cada vez mais burocráticos – favorecem as grandes empresas de hoje e ignoram as grandes empresas de amanhã. A prioridade europeia devia ser uma nova vaga empreendedora

Nenhum país é, à partida, demasiado pequeno ou periférico. Veja-se a Holanda, a Suécia, a Dinamarca: são países pequenos mas abertos ao mundo, com empresas líderes em múltiplos sectores, um ambiente favorável ao empreendedorismo e uma cultura de rigor, de aposta permanente na ciência, na inovação e na criatividade.

Estudar não é uma forma de obter emprego, é uma actividade indispensável e uma atitude permanente numa sociedade do conhecimento.

Não tenho direito a emprego nem ele é para toda a vida. Se não está disponível, devo poder criar o meu emprego. Quanto ao governo, o que tem feito é piorar a situação: massacra os recibos verdes com impostos, regulamenta até ao limite os estágios, não facilita a contratação nem reduz os custos do emprego para as empresas. Sem perspectivas de emprego, ou os desempregados criam o seu emprego ou emigram. A opção mais fácil para os mais qualificados e mais jovens é emigrar.


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