Mário Soares, por qué no te callas – Parte IV

08/05/2012

Este é o 4° post com o título “Mário Soares, por qué no te callas“.
O 1° foi em Setembro 2010
O 2° foi em Setembro 2011
O 3° foi em Novembro 2011
Ontem Mário Soares brindou-nos com mais algumas pérolas.

A primeira é que o Memorando de Entendimento com a Troika foi assinado por José Sócrates (qual Sociedade Unipessoal), que dessa forma obrigou o PS a aceitá-lo. E eu a julgar que o ex-PM tinha tido uma gravíssima discussão com o ex-PR, onde este queria convencer aquele, a pedir ajuda ao FMI.

A segunda é que Mário Soares acha que o “mundo mudou” desde que o Governo PS de José Sócrates (incitado pelo próprio Mário Soares) assinou o Memorando de Entendimento com a Troika. O facto é que esta não surpreende muito. Para Sócrates o mundo mudava em 15 dias, agora demorou 1 ano.

A terceira é que “A austeridade tem limites… até já o PR o disse“. Aqui há duas coisas a reter: uma é facto de haver limites à austeridade, mas não ao dinheiro dos contribuintes (esbanjado durante 15 anos de Governos PS). Outra é que afinal há que dar ouvidos ao que diz Cavaco Silva.

A quarta é que chegou ao fim “a obrigação do PS ser fiel ao acordo da troika“. Ou seja, o acordo foi assinado por 4 anos entre Portugal, BCE, FMI e UE. Mas agora, só porque um duende francês perdeu (previsivelmente) as eleições, Portugal já pode rasgar aos seus compromissos?

A quinta é que “a eleição de um socialista pode acentuar a marcha de mudança“. Eu gostaria imenso de saber que marcha é essa. Será a mesma que nos trouxe até aqui? Ou seja, esbanjar dinheiro de impostos que os contribuintes não podem pagar, em obras faraónicas e insustentáveis?

A sexta é que AJ Seguro acompanhou Hollande no último comicio e “Os franceses isso não vão esquecer“. Sim, porque realmente AJ Seguro é mais conhecido (e reconhecido) que o tremoço em França. É emocionante ver um velhinho com nostalgia dos tempos em que foi jovem e influente.

De resto, e para acabar em beleza, Soares reafirmou que o “PS não deve ter nenhuma pressa em se substituir ao PSD“. Claro, porque limpar a borrada que o próprio PS fez é tarefa que normalmente cabe ao PSD. Foi assim em 1979, foi novamente em 1985 e também em 2011.

Mário Soares deixou oficialmente a liderança do PS em 1986. Desde aí liderou o PS oficiosamente (Com Almeida Santos, Guterres, Ferro Rodrigues, José Sócrates, entre outros). Continuará a fazê-lo agora? Veremos nos próximos dias


PS pede julgamento de ex-governantes

19/01/2012

Nos dias que sucederam o 25 Abril 1974 a actividade política foi intensa, e os partidos que mais actividade tiveram foram PS e PCP (a par do movimento político MDP/CDE). Eram, nessa altura, os mais importantes partidos democráticos que já existiam. PSD e CDS por exemplo, só foram fundados dias depois, um a 6 Maio e outro a 19 Julho de 1974.

A 28 Abril 1974 realizou-se um Encontro Nacional com a participação do MDP/CDE, PCP e PS. Desse encontro saiu um memorando que seria entregue à Junta de Salvação Nacional. Esta, teria sido designada por António Spínola para governar o país após o golpe de Estado que derrubou o regime do Estado Novo, e que se manteve nesse papel até 1975.

Nesse memorando PS, PCP e MDP/CDE sugeriam, pediam e exigiam várias coisas da parte de quem governava o país. Uma dessas exigências era: “a Junta de Salvaçao Nacional, assistida por juristas democratas, deve definir os princípios pelos quais haverão de ser julgados os graves delitos cometidos pelos responsáveis pela situação a que o país chegou“.

E ainda: “uma comissão de inquérito ad hoc, constituida por juristas de reconhecida probidade, competência e isenção” que instaurasse “processos a todos quantos lesaram o país, desrespeitaram os direitos dos cidadãos e se serviram do poder, autoridade, influência económica ou política em beneficio próprio, nomeadamente membros do governo“.

A julgar pelo regabofe que foram, pelo menos, os últimos 6 anos de governo socialista que ainda hoje (passados 6 meses do seu fim) se reflectem em casos como o que envolve a ex-Ministra da Educação e o ex-Primeiro-Ministro, era de perguntar a este PS se não pretende exigir o mesmo.

Naturalmente que conhecendo a coerência e a coragem (ou falta delas) de António José Seguro, da sua Comissão Política e da sua bancada parlamentar na AR, não admira o silêncio sepulcral. Ou então o desvio das atenções para outros temas.


A emigração e a memória curta do PS

22/12/2011

Ainda a propósito deste tema, recordo o post que escrevi em Abril 2011, quando o Governo era o do PS de Sócrates…

Uma pessoa minha conhecida – licenciada e desempregada (depois de nos últimos 2 anos ter estado com contratos semestrais, trimestrais e mesmo mensais) – foi notificada pelo Centro de Emprego para estar presente numa sessão de esclarecimento.

A sessão tomou lugar num auditório e reuniu dezenas de desempregados daquele concelho. Imagino que outras sessões tenham tido lugar antes e também depois, cobrindo o universo dos desempregados que estão inscritos naquele e noutros Centros de Emprego.

Essa sessão foi ministrada por uma funcionária do IEFP que, como é habitual, parecia que estava a falar para atrasados mentais. O tema abordava os “Como, quando, onde e porquê” de um emprego em outros países da UE (pelo visto tem apoio da Eures).

Aos presentes foi dito onde poderiam procurar oportunidades de trabalho no estrangeiro, e em tom de “depois não digas que não avisei” alertou-se para o facto de ser importante verificar as condições do contrato, seguros saúde, segurança social, subsídio alimentação, etc.

Foi também dito que, em caso de chegarem a acordo com a empresa, deveriam ter atenção ao nível de vida no país de acolhimento, ao preço dos alojamentos, à possibilidade de levar também a família, etc.

Finalmente, ensinaram a forma de criar um CV em formato europeu (novo formato europass) e também foi indicado um site que facilita a tradução desse mesmo CV para outras línguas estrangeiras.


O mais pesado legado de José Sócrates

17/12/2011

O legado mais pesado que José Sócrates deixou não foi a dívida ou o défice das contas públicas. Foi antes a cultura política. A forma desonesta e irresponsável de fazer política, sem sentido de Estado, ignorando a realidade e desprezando as pessoas.

Durante 6 anos foi cultivada uma forma de estar que descredibilizou por completo todo e qualquer actor político. Para se desempenhar cargos políticos era preciso ter capacidade de spin, ser-se exímio na arte do remoque e do insulto. Ter uma enorme cara-de-pau.

Infelizmente este tipo de “doença” não se ficou só pelo PS, mas propagou-se a todos os partidos. Mas sendo o PS a origem da “infecção” é normal que os mais afectados/infectados estejam e continuem por lá. Pedro Nuno santos, João Galamba, Pedro Silva Pereira são os maiores exemplos.

Erradicar esta forma de estar e de fazer política é algo que vai demorar tempo. Não creio que tenha que demorar uma geração, mas vai demorar e custar. Mas a solução é simples. Basta que o cidadão se interesse e participe mais na política, elegendo gente decente.


Mário Soares, por qué no te callas – Parte III

25/11/2011

Recordo algo que escrevi sobre Mário Soares em 2009:

Respeito muito Mário Soares pelo papel que desempenhou na construção da democracia portuguesa. De qualquer forma, ao contrário de outros, não lhe coloco o epíteto de “Pai da democracia”. Foi uma das figuras importantes – a par de Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal entre outros – mas está longe de ser o principal ou único responsável.

Ele, melhor do que muitos, deveria saber que em política (como na vida) tudo tem o seu tempo. Pelo percurso que teve já devia ter aprendido que os grandes homens da história souberam saír na altura certa. Saber o timming para se retirar e dar lugar aos mais novos é algo essencial para se “saír pela porta grande“.

Além disso o corpo humano vai-se detereorando com a idade, e mais grave do que as debilidades físicas que começam a aparecer, é a perda de capacidades cerebrais. Está provado cientificamente que com o avançar dos anos o cérebro vai atrufiando (se assim se pode dizer) e vamos perdendo discernimento.

Mário Soares terminou em 1996 o seu mandato de PR e podia ter-se retirado. Mas o bichinho da política, o amor pelo partido, e a consciência de que ainda era capaz, fê-lo rumar a Bruxelas em 2000. Penso que fez bem, porque a sua experiência e conhecimento podiam contribuir para a construção europeia e para a defesa de Portugal na UE.

Em 2005 com 81 anos tomou a decisão correcta e sensata de se retirar, anunciando que abandonava definitivamente a política. Tinha sido um percurso brilhante ocupando o cargo de PM, PR e Deputado Europeu. Retirava-se um grande homem que contribuiu imenso para a construção do país.

Mas infelizmente, para ele e para muitos de nós, os últimos 6 anos foram catastróficos. A candidatura presidencial de 2006, os argumentos de cabo de esquadra para defender Sócrates, as criticas à oposição de Passos Coelho, e demais demagogia e banalidades que tem proferido.

A última prova de que está fora de prazo, foi o manifesto que Mário Soares lançou há dias (juntamente com mais uns quantos pataratas). Tal como diz, e muito bem, o Duarte Marques, Soares e demais comparsas, chegam tarde, muito tarde.

Para além do mais, pede uma “mudança de paradigma” (qual Fátima Campos Ferreira), mas não apresenta alternativas, e pelo que se consegue perceber, quer mesmo é que tudo continue como está. Ou melhor, que recue para o que foi há 30 anos atrás.

O que Soares pretende, não é um melhor futuro para Portugal, mas que tudo volte a ser como dantes. Como disse Pessoa: “A recordação é uma traição à Natureza. Porque a Natureza de ontem não é Natureza. O que foi não é nada, e lembrar é não ver“.

É pena que Mário Soares não se contenha, porque assim ele está a perder o respeito que os portugueses (mesmo os que não são do PS, como eu) tinham por ele. E além disso não está a contribuir em nada para que Portugal e a Europa consigam sair desta crise profunda.


3M€ na Madeira? Haja decoro senhores do PS…

22/11/2011

Ontem veio a público uma notícia que dizia que o Governo Regional da Madeira teria decidido gastar 3 M€ em luzes e fogo de artifício para as festas de Natal e Passagem de ano, adjudicando directamente a uma empresa “amiga”.

Disse-se que tinha sido adjudicado por concurso, mas que a impugnação por parte das outras empresas concorrentes, teria feito o Governo Regional adjudicar directamente. Está mal. É errado, é péssimo, é reprovável.

Mas há algo que também é reprovável e errado: Criticar o gasto da Madeira, sem sequer puxar um pouco pela cabeça. Obviamente que pensando nisso isoladamente, até eu reprovo. 3 M€ em fogo e luzes em tempo de crise?

O facto é que, como todos sabemos, esta altura (principalmente na Passagem de Ano, que é talvez a maior festa do país) atrai milhares de turistas à Madeira, e tráz receitas muito superiores a 3 M€. Fala-se em dezenas de M€.

Mas o que é reprovável e errado não fica por aqui. Ontem tive uma acesa discussão no twitter com Edite Estrela (Eurodeputada PS) a propósito deste assunto. Tudo porque, em resposta à critica dela, pedi contenção.

É que é preciso ter moral para falar dos outros. Edite Estrela suportou, apoiou e defendeu um Governo que criou uma lei que permitia ajustes directos até 5M€! Com que moral vem agora criticar Governo da Madeira?

Em política não vale tudo. Haja moral, haja decoro, haja decência, haja vergonha na cara. Não pode a Edite Estrela ter compactuado com o anterior Governo em erros semelhantes ou piores, e vir agora criticar os outros.

Naturalmente que, sem argumentos, a resposta dela veio em forma de grito esquerdalho “quer-me impedir de ter opinião?“. Não, quero é que tenha vergonha na cara. E logo a seguir veio o insulto. Normal portanto.


Em Santo Tirso… Comemorar o quê?

09/11/2011

Há dias pude ver na “Santo Tirso TV” a conferência de imprensa, dada pelo Presidente da CMST, a propósito da comemoração de 2 anos de mandato, feitos em 11 Outubro 2011.

Sinceramente esperava ouvir o Engº Castro Fernandes falar da obra feita nestes últimos 2 anos de mandato, confrontando essa obra com as promessas feitas nas eleições Autárquicas 2009.

A verdade é que os cerca de 45 minutos de monólogo a que pude assistir, não trouxeram nada de novo. O executivo da CMST, liderado por Castro Fernandes, nada tem de relevante para apresentar.

Se era de esperar o discorrer sobre obras feitas pela CMST, a verdade é que apenas houve mais promessas para o futuro. Da “obra feita” viu-se uma tentativa de ficar com louros dos privados.

Castro Fernandes é exímio a debitar números, a descrever projectos, a enumerar candidaturas a fundos. Mas sobre resultados concretos, com influência positiva para a vida dos Tirsenses, zero!

Veja-se o exemplo da Antiga Fábrica do Teles (uma das paixões!). Muitos números. Os milhões (de euros) já gastos, os milhares (de m2) de área a ocupar. Resultados? Nada a apresentar.

O projecto é excelente! Ter um cluster de empresas criativas e uma incubadora de empresas de base tecnológica. Assim nasceram muitas excelentes empresas em Portugal. Mas intenções e dinheiro despejado para cima não chegam.

Outra das paixões é o Contact Center da PT. O Presidente da CMST sublinhou que já criou 1000 empregos! Pena é que isso seja da responsabilidade da PT e não do bom trabalho do executivo. (Aproveitou bem a amizade com Sócrates. Foi só isso.)

Tal como os sucessos de empresas como a JMA ou a Arco (e muitas outras privadas que enumerou), que Castro Fernandes adjectivou de “muito fortes” e “do melhor que há na europa“.

O sucesso dessas empresas (que se deve única e exclusivamente ao esforço dos trabalhadores e dos gestores) que hoje infelizmente começa a ser menor, não se deve em nada à CMST ou ao seu executivo.

A sorte é elas terem nascido no concelho há muitas décadas. Porque se a instalação delas se tivesse dado no consulado deste PS, com certeza tinham fugido para Maia, Famalicão ou Guimarães.

Com a “embalagem” o Presidente falou das muitas empresas privadas que foram criadas no concelho. Caso para perguntar: Muitas? Quantas? Mais do que as que fecharam? Qual o saldo? E que valor têm? Que empregos criaram? Mais do que os perdidos?

Mas a tentativa de ficar com os louros de outros não ficou por aqui. Foram enumerados vários investimentos na área da Economia Social (feitos por entidades privadas, IPPS, etc.), da Educação e da Saúde (feitos pelos Ministérios e por privados).

Castro Fernandes chegou mesmo a dizer que as obras de alargamento na auto-estrada A3 (que vai de Porto a Viana passando por Maia, Famalicão, Braga, etc.) estariam a ser feitas “muito por insistência da CMST“.

Como se não chegasse, veio a habitual colagem aos sucessos desportivos de Armindo Araújo e Sara Moreira (Seus protegidos, desde que chegaram ao topo, mas desconhecidos antes). Chamou-lhes “A marca de Santo Tirso“.

Sobre o que diz efectivamente respeito à CMST, o rol de “obra” anunciada não passou de um chorilho de coisas sem impacto absolutamente nenhum na melhoria da qualidade de vida dos Tirsenses. Quiçá opções que no futuro podem revelar-se erradas.

A vitória no processo contra o concelho da Trofa, a entrada na Área Metropolitana do Porto, a integração na Águas do Noroeste, Resinor e Turismo Norte de Portugal. A certificação dos serviços da câmara.

Quais as vantagens directas para os Tirsenses? Talvez traga mais uns lugares em administrações, mais uns empregos para os amigos, mais uns milhões para desperdiçar em concertos do Tony Carreira. Mas vantagens concretas para nós, nenhumas!

Outro dos orgulhos de Castro Fernandes é a Volta a Portugal que disse ser muito importante, e as Novas Oportunidades que apelidou de “trabalho fantástico que até trouxe Sócrates a Santo Tirso“.

Será que a CMST se deu ao trabalho de perguntar ao comércio local se a Volta a Portugal tem mais vantagens que desvantagens? E existem alguns números sobre a empregabilidade dos alunos das Novas Oportunidades?

Depois apoia-se em opiniões pessoais ou em estudos duvidosos (feitos por entidades não oficiais, e que não englobam todas as autarquias do país) para descrever um concelho cor-de-rosa que manifestamente não existe.

Santo Tirso é o concelho mais seguro do distrito, e digo-o porque eu sei“. Fez também referência a rankings de jornais e revistas em que o concelho está no topo, ignorando as estatísticas oficiais que nos põem no fundo.

Em relação às Juntas de Freguesia (órgão importante, por estar mais junto das populações) disse ter feito “n” protocolos, e lançou sem prova: “Santo Tirso é dos concelhos que mais investe nas Freguesias“. Não é o que se vê.

Sobre obra efectivamente feita só conseguiu referir o Passeio Pedonal e Ciclável, o Largo do Tribunal, a R. Nuno Alvares Pereira (obras muito prioritárias como se sabe! E todas no centro da cidade), os relvados sintéticos e polidesportivos (nas freguesias).

Tudo o resto foram (mais) promessas para o futuro: Previsão da redução de taxas e licenças, candidaturas a programas de apoio (europeus e nacionais), protocolos com Ministérios, museus de Siza Vieira e Souto Moura.

Conclusão: para quem tem um mínimo de clarividência, voltou a ficar claro como água. Este PS que está na CMST faz muitas festas, muita propaganda, muitas promessas. Mas nada faz, que efectivamente melhore o concelho e a vida dos Tirsenses.


Mas porque raio deverão ter “direito” a jornais?

08/11/2011

Sinceramente fico abismado com certas coisas que leio ou ouço. O Presidente da CM Lisboa vai cortar nos jornais, e passar a ter direito apenas a 2 diários e uma revista semanal.

Mas porque raio deve um Presidente de Câmara ter “direito” a jornais e revistas? Não tem 0,50€ ou 1€ para os comprar? E os directores municipais ou o Comandante da Polícia? Não têm de trabalhar?

Neste país, a fasquia da ética e da moral já está tão baixa que esta gente ainda tem a lata de anunciar medidas destas. Para agravar, a comunicação social divulga como se fosse uma grande coisa!

Isto é exactamente o mesmo que dizer que, a partir de agora, nos cocktails oferecidos pela CM Lisboa, vai comprar-se champagne Moet & Chandon ao invés de Don Pérignon. É pá… por amor de Deus. Haja decência e respeito pelos contribuintes!


Interesse Nacional é uma coisa que não lhe assiste

07/10/2011

Há certo tipo de coisas na política portuguesa, e na mentalidade de certos sectores da sociedade (nomeadamente na comunicação “dita” social) que me chateia e me deixa extremamente revoltado.

Teixeira dos Santos (ex-Ministro das Finanças do Governo PS/Sócrates) veio hoje apelar à aprovação do OE2012, afirmando que este não é momento para tirar dividendos políticos.

Eu pergunto: apela à aprovação do OE porque este não é o momento de tirar dividendos políticos?! Mas então quer dizer que há momentos em que é legítimo tirá-los em detrimento do interesse nacional?

Um dos maiores responsáveis pelo descalabro a que chegou o país e pelo facto de termos de recorrer a ajuda externa, diz uma aberração destas, e publicam-no como se fosse uma declaração de grande dignidade?

Esta é mais uma prova de que estes senhores andaram na política, a gerir os dinheiros públicos, sem qualquer tipo de preocupação com o povo português, mas apenas com foco no interesse pessoal e partidário.

E depois de tudo o que fizeram – depois de tantas asneiras, mentiras e perversões – nem sequer têm vergonha na cara. Não desaparecem ou se reduzem à sua insignificância. Continuam a mandar “postas” deste nível.


Mário Soares, por qué no te callas – Parte II

08/09/2011

Há cerca de um ano escrevi: “Respeito muito Mário Soares pelo papel que desempenhou na construção da democracia portuguesa” mas “Ele, melhor do que muitos, deveria saber que em política (como na vida) tudo tem o seu tempo“.

Acrescentei que: “Pelo percurso que teve já devia ter aprendido que os grandes homens da história souberam saír na altura certa. Saber o timming para se retirar e dar lugar aos mais novos é algo essencial para se saír pela porta grande“.

Depois de mais algumas considerações terminei: “É pena, porque assim ele está a perder o respeito que os portugueses tinham por ele. E além disso não está a contribuir em nada para que a política portuguesa se regenere e se credibilize“.

Há dias na Universidade de Verão, Soares demonstrou mais uma vez que tenho razão. O ex-PR está, como se customa dizer, chéché. Infelizmente aquela cabeça já só processa banalidades e demagogia. E a memória… foi-se!

Camilo Lourenço lembra bem. Soares diz que o Governo está demasiado preso ao acordo da Troika, mas foi no tempo dele como PM que estivemos mais subserviente ao FMI. Perguntaram-lhe o que faria de diferente: “Não sei. Não sou ministro. Eles é que estão no Governo“.

Ontem, mais uma cavadela, mais uma minhoca. Soares disse que O Ministro das Finanças “é um técnico de economia [...] Mas é um político ocasional“. Caro Dr. Soares, foi exactamente por causa disso que chegamos ao estado em que estamos!

Chegamos a este ponto porque nos últimos 15 anos fomos liderados por políticos profissionais, sem qualquer qualificação técnica para ocuparem os lugares. Além do mais, não sendo “ocasionais” não tinham naturalmente qualquer tipo de sentido de missão.

De resto, em entrevista a Fátima Campos Ferreira, Soares disse que as medidas de austeridades deveriam ter “alguns limites”. Pena que não tenha pensado nisso em relação aos gastos do Governo PS/Sócrates, que defendia com argumentos de cabo de esquadra.


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