O futebol come tudo, e não deixa nada

15/01/2011

Há dias comecei assim um artigo de opinião no Sovolei desta forma: “Portugal continua a ser um país de futebol onde Cristiano Ronaldo e José Mourinho estão a anos luz de Nélson Évora, Vanessa Fernandes ou Armindo Araújo. Qualquer futebolista português de 3ª linha tem mais espaço nos média do que Miguel Maia, Frederico Gil ou Ricardo Costa

Num país em que só há dinheiro para o futebol, só há tempo de antena para o futebol, só se fala de futebol, só o futebol move multidões… é curioso como tem de ser o automobilismo, o judo, o ténis e outros a trazerem títulos e prestígio para Portugal.

Amanhã, as capas dos jornais desportivos deveriam trazer a fotografia de Helder Rodrigues e da sua Yamaha, dando destaque ao inédito pódio (3º lugar) do piloto português no Dakar. A par, deveriam também fazer referência a Ruben Faria (cuja missão era ajudar Cyril Despres, 2º classif) que terminou em 7º.


O #Mourinho ou o Villas-Boas do ténis

04/01/2011

Há dias comecei um artigo de opinião desportiva desta forma: “Portugal continua a ser um país de futebol onde Cristiano Ronaldo e José Mourinho estão a anos luz de Nélson Évora, Vanessa Fernandes ou Armindo Araújo. Qualquer futebolista português de 3ª linha tem mais espaço nos média do que Miguel Maia, Frederico Gil ou Ricardo Costa. O insucesso total da selecção de futebol no Mundial 2010 foi mais falado do que a inédita conquista da Liga Europeia pela selecção masculina de voleibol“.

António van Grichen tem 32 anos e é o novo treinador de Ana Ivanovic. A sérvia que ocupa a 17ª posição no ranking WTA já foi a Nº1 do mundo depois de ter vencido o famigerado torneio de Roland Garros em 2008. De sublinhar também que o português foi responsável pela ascensão da bielorussa Victoria Azarenka, de desconhecida até ao top 10 do ranking WTA (actualmente é a Nº 10). Foi também sparring-partner de Jennifer Capriati – ex-Nº1, vencedora de 3 torneios do Grand Slam e medalha de ouro Olímpica.

Este é mais um exemplo gritante da falta de equidade dos meios de comunicação social portuguesa, bem como da falta de interesse dos portugueses por tudo o que não é ordinário, vulgar e comum. Tenho respeito e admiração por André Villas-Boas e pelo trabalho que está a fazer no meu FC Porto, mas não será o trabalho de Van Grichen igualmente meritório? Não será ele o José Mourinho do ténis? Merecia, no mínimo, mais atenção e é com certeza um exemplo a seguir.


O des(prezo)porto nacional

08/09/2010

Tal como digo na minha apresentação sou um adepto do desporto. Obviamente que desde criança o futebol preenchia grande parte dessa paixão, mas logo na juventude aprendi a apreciar outras modalidades quando fui atleta federado de Andebol e Ténis. Continuei a gostar muito de futebol mas comecei a detestar a “bola”, ou seja, a “espuma dos dias” à volta do futebol. Além disso tomei consciência da sua realidade: a falta de respeito, de civismo, de moral, de ética. A corrupção, o compadrio, a promiscuidade. Tenho por isso vindo a “desligar” do futebol e dedicar-me mais a outras modalidades como o voleibol.

Tenho por isso dedicado mais tempo a pensar nas modalidades ditas amadoras, no quão importante são para o desenvolvimento da sociedade (em particular da juventude) e no desprezo a que são votadas por parte dos responsáveis governativos de hoje. Preocupa-me sobremaneira o facto de os sucessivos Governos darem apenas e só atenção ao Futebol, que ainda por cima, é hoje mais um negócio do que um desporto (pensando bem, talvez seja mesmo essa a razão de tal atenção).

Ao contrário do futebol as outras modalidades praticadas em Portugal passam por imensas dificuldades, numa altura de crise económica e financeira em que se se torna extremamente dificil captar apoios, investimentos ou patrocínios. Consequentemente vários clubes fecham as portas, deixando milhares de pessoas sem possibilidade de desenvolver a sua actividade física, desportiva e competitiva.

Ao contrário do futebol as outras modalidades ainda podem ser uma mais valia para a sociedade. Enquanto que no “desporto rei” se cultiva a inveja entre clubes, a falta de fair-play, o ódio entre adeptos, a importância apenas do dinheiro, a imagem, o compadrio… nas outras modalidades ainda se cultiva o espírito de grupo, de sacrifício, a solidariedade, o esforço, o trabalho, o mérito, a carolice, a amizade.

Mesmo havendo tantos motivos para apostar e investir nas modalidades ditas amadoras, dedicando pelo menos tanto tempo a elas como ao futebol, os responsáveis governativos parece que não vêem ou não querem ver esta situação (e o pior cego…). Os sucessivos Secretários de Estado do Desporto têm-se focado apenas no futebol, e até imiscuido em assuntos que não lhe dizem respeito, tendo por consequência resultados catastróficos. Mas ultimamente parece haver um objectivo comum e indisfarçável: querem, à saída do Governo, conquistar lugar nas estruturas do futebol.

Temos provas de que há atletas de várias modalidades tão ou mais talentosos que os do futebol. Atletas esses que podem elevar bem alto o nome de Portugal, tornar-se modelos da juventude e contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e rica. Mas insistimos em deixar cair esses atletas, desperdiçando assim um capital que eles nos podem oferecer. Temos, nas mais diversas modalidades, imensos atletas com potencial para crescer e estar entre os melhores. Infelizmente não têm condições para evoluir, nem oportunidades para se mostrar. Tudo por falta de aposta e investimento (financeiro e humano), todo ele canalizado para o futebol.

Laurentino Dias, profissional da política (Licenciado em Direito, deputado desde 1987), é o actual Secretário de Estado do Desporto, que tem passado os seus mandatos preocupado com o futebol. Algo que se torna evidente com a intromissão indevida no Caso Carlos Queirós, que nada tem que ver com desporto. No entretanto, várias atrocidades são cometidas na gestão das outras modalidades e nada se ouve ou vê do responsável máximo pelo desporto em Portugal. Vejamos o que se passa em 3 das modalidades mais praticadas.

No ténis (20.000 atletas federados), alterou-se recentemente o regulamento das bolsas de apoio à alta competição, obrigando os atletas a participar no Campeonato Nacional, sob pena de perda de 40% do subsídio do Estado. Ora, é natural que os melhores jogadores nacionais não estejam presentes. É até um bom sinal pois significa que estão a lutar pelos rankings internacionais, competindo no estrangeiro e levando longe o nome do país. Além disso estão a fazer pela vida em torneios com prize money (ao contrário do Camp. Nacional que não tem prémios).

No atletismo (15.000 atletas federados), a respectiva Federação aprovou recentemente um novo regulamento do Campeonato Nacional de Clubes, que pelo visto viola regras comunitárias. Além do mais foi aprovado em cima do início da temporada, altura em que já vários clubes tinham contratos firmados com atletas para 2010/2011. O novo regulamento pode acabar com vários clubes e baixar o nível competitivo nacional. Isto, aliada à diminuição das já pequenas bolsas de alta competição, terá repercussões no futuro da modalidade.

No voleibol (40.000 atletas federados), a própria Federação despreza a modalidade. A gestão é feita segundo uma estratégia pessoal de poder e não tendo em vista o desenvolvimento dos intervenientes. Todos os anos há clubes das principais divisões que desistem da competição e outros que fecham as portas. Muitos tiram financiamento à formação de jovens para segurar a equipa sénior, hipotecando aos poucos o futuro. O campeonato cada vez tem menos participantes e a competitividade diminui, baixando por consequência o nível de competências.

Ultimamente as modalidades ditas amadoras têm conseguido conquistas internacionais que orgulham todos os portugueses. Conquistas essas que deviam envergonhar os futeboleiros que ganham milhões e não se esforçam nem metade. Os clubes e a selecção de Hóquei continuam a ser potências mundiais. O Sporting CP venceu a Taça Challenge em Andebol. O SL Benfica foi Campeão Europeu de Futsal. Treinadores de Basket lusos (Luís Magalhães, Mário Palma) dão cartas no Campeonato do Mundo. Vanessa Fernandes, Naide Gomes e Nélson Évora conquistam medalhas nos mundiais de Atletismo e nos Jogos Olímpicos. A atleta letã, Ineta Radevica, do FC Porto sagrou-se Campeã Europeia do salto em comprimento. A selecção masculina de Voleibol fez história ao conquistar a Liga Europeia.

Tudo isto contrasta com os casos “Saltillo” e “Queirós”, com os socos de João Pinto, Sá Pinto e Scolari, com os resultados dos recentes Euro 2008 e Mundial 2010 (mesmo com individualidades fantásticas e prémios astronómicos, a selecção de futebol desiludiu). E nem os bons resultados dos idos Euro 2004 e Mundial 2006 salvam o futebol, porque isso deve-se apenas e só ao trabalho de um homem insigne: José Mourinho. Ele que montou no FC Porto a espinha dorsal de uma selecção que jogava de olhos fechados.


Futebol? é para meninos…

25/06/2010

Só podia ter sido em Wimbledon, a catedral do ténis mundial. Um épico encontro, disputado no Court 18, entre John Isner (19º ATP) e Nicolas Mahut (148º ATP) terminou ao cabo de 11 horas e 5 minutos, tendo ultrapassado 3 dias (começou na 3ª e acabou na 5ª feira).

O americano bateu o francês na partida referente à 1ª ronda – que ficará para a história como a mais longa de sempre – com parciais de 6-4, 3-6, 6-7, 7-6 e 70-68. Em Wimbledon não há tie-break no 5º set e por isso, só este demorou demorou 8 horas e 11 minutos. Foram 183 jogos e 980 pontos disputados, nos quais Isner fez 115 ases e o Mahut 103.

Este duelo de titãs ultrapassou todos os limites físicos e mentais mas os dois guerreiros mantiveram-se incrivelmente “frescos” e focados. Isner (2.05m, 111kg) não claudicou e Mahut (1.90m, 80kg) também se manteve firme. Aliás, o francês merece mais destaque ainda, se soubermos que teve de jogar o qualifying no qual disputou mais 2 jogos até ao 5º set (um dos quais terminou a 24-22).

Mas o périplo deste gladiador francês não acaba aqui. Após a derrota em singulares voltou ao Court 18 para um encontro de pares. No final a organização montou improvisadamente um dispositivo que poderia ser confundido com o da final, dada a atenção que deu aos 3 protagonistas. Sim, porque o árbitro ficou sentado durante todo este tempo. Mas no final brincou “Viajo em classe económica por esse mundo fora. Sete horas imóvel numa cadeira para mim é nada

Depois disto, dá vontade de perguntar aos franceses se é preferível dar tanta atenção à sua selecção de futebol – recheada de “meninos” – ou a esta modalidade onde têm excelentes atletas, alguns deles heróis como Mahut. Também apetece trazer o caso para Portugal, e perguntar se faz sentido os nossos “meninos” queixarem-se de fazer 3 jogos (90 min/cada) numa semana, ou se é justo dar 95% do espaço na imprensa ao futebol.


Laughing @ Wimbledon

22/06/2010

Decorre Wimbledon, um dos torneios do Grand Slam do ténis. Sigo com muito interesse porque gosto de ténis, e este ano com atenção redrobada dadas as presenças de Michelle Larcher de Brito (148ª WTA) e Frederico Gil (97º ATP). Tenho na minha timeline o twitter oficial do torneio @Wimbledon. Hoje, pediram para contar algumas anedotas sobre ténis. Algumas são hilariantes…

Just got a new tennis racket and all its strings are missing…
…Packaging says it has a ‘no returns’ policy.

What time does Andy Murray go to bed?…
Tennish !!

Why should you never date a tennis player?
… Because “love” means nothing to them
!

Why are fish never good tennis players?
… They don’t like getting close to the net


CA Trofa e Frederico Gil, que importa?

09/05/2010

Podia reproduzir aqui, quase integralmente, o que escrevi no dia 4 de Maio de 2009. Poucas diferenças há passados 370 dias. Em vez de “tri” o CA Trofa é “tetra” campeão nacional de voleibol feminino, e em vez de ter sido na Trofa, a vitória final foi nas Lajes do Pico. De resto, tudo na mesma. Os vencedores são praticamente os mesmos e a vergonhosa actuação da FPV é protagonizada pela mesma direcção.

Desta vez além de não haver representantes da FPV a ver os jogos da final, de estes não terem honras de transmissão na TV, e de não haver entrega de prémios, nem sequer houve a dignidade de enviar a estatística. Ou seja, na próxima gala da FPV, os prémios para as melhores atletas vão ser sorteados, atribuidos a olhómetro, ou então serão apenas mais uma farsa.

No meio disto, há que dar os parabéns ao CA Trofa (seus técnicos, atletas e dirigentes) pelo conquista do 5º campeonato, e também ao CD Ribeirense (seus técnicos, atletas e dirigentes) que foi um digno vencido. Estas duas equipas são o exemplo do que melhor há no abandonado e esquecido voleibol feminino. Trabalho, exigência, dedicação, esforço, sacrifício são palavras que estas atletas bem conhecem.

Este feito do CA Trofa (5 campeonatos + 4 Taças em apenas 6 anos) obviamente não terá o relevo que merece por parte de uma comunicação “dita” social que está “reservada” para a mentira do futebol. Isto acontece num fim-de-semana em que também se escreveu história no ténis português (o feito de Frederico Gil é equivalente a um clube de futebol estar na final da Taça UEFA) mas que nada interessará.

O zé povinho quer é bola e Benfica… e o poder (político e económico) dá-lhe isso mesmo. Assim pode continuar a fazer o que bem lhe apetece e a viver às custas do povo. De resto, como diz a música: Vamos cantando e rindo alegremente, deixando que a merda nos chegue aos ouvidos.


Bestial Estoril Open vs Besta RTP

08/05/2010

Independentemente do resultado da final de amanhã, o ténis português viveu durante esta semana o ponto mais alto da sua história. Isto, mercê dos excelentes desempenhos de uma geração de tenistas (Leonardo Tavares, Pedro Sousa, Rui Machado, Frederico Gil, Michelle Brito) que é filha de uma outra geração, que orfã lutou pela modalidade no país (João Cunha e Silva, Nuno Marques).

Foram 7 as vitórias dos jogadores portugeses sobre tenistas do top-100. Leonardo Tavares, Rui Machado, Frederico Gil e Michelle Brito conseguiram importantes resultados frente a colegas bem mais cotados e experientes. Foram 3 os lusos nas meias-finais: Pedro Sousa/Leonardo Tavares em pares e Frederico Gil em singulares. E este conseguiu mesmo o maior feito de sempre do ténis português, chegar à final de um torneio do ATP Tour.

Infelizmente no momento mais importante do torneio a mentalidade portuguesa fez das suas. A RTP – que tinha direitos de transmissão do Estoril Open, além da obrigatoriedade do serviço público – resolveu transmitir um jogo de futsal do Benfica no seu canal 2. Já no seu canal de notícia (onde toda a semana se viu o Estoril Open) resolveu dar recordações do Benfica campeão 2005 e antevisões do Benfica campeão 2010 em futebol.

É uma pena que neste país se pague a televisão pública a dobrar, através dos impostos e também na factura da luz, para depois se assistir a esta vergonha que é a “reserva” de canais televisivos apenas para o negócio do futebol. Negócio esse tão sujo e tão falso que até enjoa. A ver vamos se amanhã há tempo para transmitir a final.


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