FC Porto: um curioso número de títulos

23/05/2011

O que se viu ontem no Jamor foi uma autêntica festa do futebol que apenas teve uma pequeníssima nódoa, a saída de adeptos Vitorianos aos 75 minutos de jogo. Há muitos anos que não se via uma final da Taça de Portugal que realmente homenageasse o desporto rei.

Os jogadores de Vitória SC e FC Porto deram um espectáculo digno de uma final, entrando em campo para vencer desde o primeiro minuto. O resultado dessa atitude foi um excelente jogo do futebol, como não se via há muito. Também os adeptos estiveram irrepreensíveis.

Estes (esquecendo os menos crentes) foram particularmente exemplares no apoio às suas equipas, sem violência e sem rivalidades levadas ao extremo. Confraternizaram antes do jogo nos famosos pic-nic’s, e respeitaram-se mutuamente durante e depois do jogo.

Gosto particularmente dos adeptos Vitorianos. Em Guimarães não há adeptos do FCP, SLB ou SCP, que têm como segundo clube o Vitória SC. Em Guimarães as pessoas são do Vitória SC e de mais nenhum. Isso, demonstra um carácter e personalidade que admiro muito.

Os Vitorianos não mereciam uma derrota tão pesada, mas a sua equipa foi impotente perante um FCP histórico, que esta época está “com a corda toda” e praticamente imparável. Mesmo com alguns “suplentes” e apenas um treino, não perde qualidade e cilindrou novamente.

Se noutros jogos as estelas foram Helton e Falcão, nesta final da Taça brilharam Beto e James Rodrigues. O miúdo de 19 anos deu mais uma prova do seu talento e qualidade com 3 golos e 2 assistências. Daqui a 2 épocas, quando Hulk se for, temos substituto à altura.

De resto apena um apontamento para mais um feito do FCP de Villas-Boas. Venceu 4 títulos numa só época (Igualando o FCP de Tomislav Ivic em 1988), ultrapassando o grande rival SL Benfica, em número total de títulos de futebol. O FCP tem agora 69 conquistas.

Curioso número, diria Mota Amaral…


Não é o Special Two, é o Special Too

19/05/2011

A vitória do FC Porto na Liga Europa 2010/2011 é mais uma prova (entre tantas) da grandiosidade do clube na Europa do futebol. O FCP é claramente um dos melhores clubes do Mundo. Há várias décadas que assim é, mas nesta última tirou todas as dúvidas, se é que as havia.

Tal como escrevi há tempos “Uma equipa não é a melhor por vencer uma vez, é-o por vencer constantemente“. E o FCP fá-lo como poucos na Europa do futebol. Nem os maiores colossos (Man Utd, FC Barcelona, Real Madrid, Inter Milão, AC Milan, Bayern Munique) conseguem vencer desta forma.

Nos últimos 10 anos o FCP venceu 7 campeonatos, 5 Taças de Portugal, 6 Supertaças Portuguesas, 2 Taças UEFA, uma Liga dos Campeões Europeus e um Campeonato do Mundo de clubes. Duvido que haja paralelo. Este palmarés é incrível e deita por terra qualquer argumento adversário.

Se há uns anos atrás o rosto do domínio do FCP na Europa (já que em Portugal tem sido constante) foi José Mourinho, o Special One, este ano, é André Villas-Boas, o Special Too (e não Special Two). O treinador do FCP é um exemplo de competência, liderança, carácter e humildade.

Ontem de manhã escrevi no twitterUm dia vou festejar um título europeu do FC Porto, na cidade de Lisboa. Hoje é esse dia“… graças a André Villas-Boas, ontem foi mesmo esse dia. E soube bem, muito bem. Só me faltaram os meus amigos portistas de Santo Tirso, para o festejo ser perfeito.


Erro estratégico do FC Porto no caso “Túnel da Luz”

13/05/2011

Em Março de 2010, um dia após Hulk voltar aos relvados depois do castigo que adveio do caso “Túnel da Luz”, escrevi:

Ninguém poderá dizer se com Hulk disponível o FCP ganharia os jogos que perdeu, tal como poderia perder os jogos que ganhou [...] Não vem mal ao mundo. Ninguém pode vencer sempre [...] Mas uma coisa é certa: o FC Porto teve o seu maior activo (avaliado em 100 M€) parado durante 100 dias. O que sería se a Autoeuropa tivesse uma das suas linhas de montagem paradas durante 100 dias? O que sería se a PT tivesse a sua rede de telecom parada durante 100 dias? O que sería se a EDP tivesse as linhas de transporte cortadas durante 100 dias? Alguém vai ter de indemnizar o FC Porto

Ora, passado mais de um ano sobre isto, o FC Porto resolveu colocar uma acção em tribunal pedindo uma indemnização de 8 M€ à Liga de Clubes. Não pelo facto de ter tido o seu activo parado, mas por achar que isso foi a razão pelo facto de não ter chegado à Liga dos Campeões.

Na minha opinião foi um erro da direcção do FC Porto. Penso que nenhum tribunal irá dar razão ao clube neste caso porque, como disse, é impossível saber se com Hulk o FC Porto ganhava os jogos que perdeu. Agora, o facto de ter um activo parado, isso sim é quantificável e poderia ter sucesso em tribunal.


Apenas Manchester Utd se assemelha ao FC Porto

29/04/2011

Ontem o FC Porto demonstrou que é actualmente, de longe, um dos melhores clubes de futebol da Europa (e consequentemente do Mundo). E é grande, não pelo passado longínquo, mas pelo presente. Na última década tem conquistado o que nenhum outro clube conseguiu.

Uma equipa não é a melhor por vencer uma vez, é-o por vencer constantemente. Obviamente que ninguém é invencível. Nem o Barcelona ou o Man Utd do século XXI, nem o Real Madrid ou Milan dos anos 90. E por isso nos últimos 10 anos foram campeões Boavista, Sporting e Benfica.

A questão é que nas últimas 10 épocas, o FC Porto foi campeão por 7 vezes, venceu a Taça de Portugal por 5 vezes, e a Supertaça Portuguesa por 6 vezes. E claro, pelo meio, venceu a Taça UEFA em 2003, a Liga dos Campeões Europeus (pela 2ª vez) em 2004 e o Campeonato do Mundo de clubes.

Isto só é possível com um grupo competentíssimo de dirigentes, técnicos e atletas. Algo que o FC Porto tem conseguido manter ao longo dos anos, e encontra apenas semelhanças no Man Utd. Só que a grande diferença é que os ingleses não mudam quase nada.

No FC Porto a mudança tem sido muito grande, e os resultados mantêm-se. Veja-se o caso dos jogadores: Sai Baía, entra Helton. Sai Jorge Costa/R.Carvalho, entra Pepe/B.Alves e depois Rolando. Sai Paulo Ferreira, entra Bosingwa e depois Fucile. Sai N.Valente, entra Cisshoko e depois A.Pereira. Sai Costinha, entra P.Assunção e depois Fernando.

Também no ataque a rotatividade não tira qualidade: Sai Maniche, entra Raúl Meireles e depois Moutinho. Sai Deco, entra Anderson, depois Lucho e agora Belluschi. Sai McCarthy, entra Lisandro e depois Falcão. Sai Derlei, entra Quaresma e depois Hulk. Parece que é cada vez melhor.

Isto é um grande clube… isto é um dos melhores clubes da Europa e do Mundo… isto é o mais bem gerido clube da actualidade… isto é um clube vencedor.


Freddy Guarín: Justiça lhe seja feita

04/04/2011

Sinto-me obrigado a escrever umas linhas sobre Guarín, o médio do FC Porto que se transfigurou com a entrada de André Villas-Boas, depois de ter passado 2 épocas sem merecer o ordenado que auferia. Da mesma maneira que critiquei, venho agora elogiá-lo.

Muitos não sabiam quem era antes de chegar à invicta, mas eu já o conhecia porque seguia o campeonato francês, em particular o Saint-Etienne onde o colombiano fez duas boas épocas. Fiquei contente com a contratação e pensei que vingaria.

Em Abril 2009 escrevi que “O que Guarín faz dentro de campo é uma falta de respeito pelo trabalho, esforço e dedicação dos outros colegas de equipa [...] Este menino (está muito longe de ser homem) é, no máximo, um bom suplente do assistente de roupeiro

O facto é que esta época (talvez mérito de André Villas-Boas) Freddy Guarín tem sido não só importante mas decisivo. As suas boas exibições deram confiança ao treinador para o utilizar com mais frequência, gerindo esforço no motor da equipa, o meio campo.

Além disso, nos últimos 10 jogos marcou 6 golos e já conta com 8 em 2010/2011. Tornou-se um jogador de colectivo, solidário com os seus colegas de sector, e voluntarioso na ajuda à defesa e ao ataque. Voltou (porque já o era em França) a ser certo no passe e inteligente no remate.


Benfica e Porto não merecem adeptos que têm

04/04/2011

Ontem, mais uma vez num jogo entre FC Porto e SL Benfica, houve violência e insultos. Voaram bolas de golfe, isqueiros e pedras. Explodiram petardos, houve pancadaria, vandalismo e detenções. Mesmo com medidas de segurança cada vez mais apertadas.

Como portista, fiquei envergonhado ao ouvir tanta barbaridade no final do jogo. Nos festejos passados (propositadamente) na comunicação “dita” social, só se ouviam insultos ao derrotado ao invés de se ouvirem vivas aos vencedores. Uma tristeza.

Isto não é desporto nem futebol. É um escape para as pessoas descarregarem as suas frustrações. Ninguém quer ver ou apreciar o jogo, querem apenas motivos para – à boleia do trabalho dos outros (atletas e técnicos) – serem superiores ao vizinho do lado.

Mas se na rua é mais complicado fazer algo, dentro dos recintos desportivos é facílimo, e só não se faz porque não se quer. Aplicar em Portugal as mesmas regras que se aplicam aos hooligans em Inglaterra, era meio caminho andado para acabar com isto.

A cambada de mentecaptos (empurrada pela sua imbecilidade e pelos incentivos dos dirigentes) que cria a desordem e o perigo público deveria ser castigada exemplarmente. Doutra forma esta “bola de neve” tomará proporções gigantes e imparáveis.


Benfica e Porto não merecem dirigentes que têm

04/04/2011

No futebol como na política os clubes foram “assaltados” por gente medíocre e sem qualquer tipo de nível ou estatura intelectual. Se dantes havia Jorges de Britos e Josés Roquettes (do FCP nem vale a pena falar), hoje só se vêem Filipes Vieiras e afins.

O que se passou ontem no Estádio da Luz foi demonstrativo da falta de classe, de respeito, de civismo e de bom senso que impera na actual direcção de uma das maiores instituições do país. Já para não falar no tão propalado fair play desportivo.

A atitude da direcção do SL Benfica não colocou apenas em causa a segurança de adeptos e polícia. Colocou em causa o próprio clube, que leva mais uma machadada na sua grandiosidade. Depois das finanças e dos resultados, é na ética e na moral.

Fartam-se de dizer que o SL Benfica é “grande”, mas como pode um clube com estas atitudes (que correram mundo) ser “grande”? Eu, que sou portista, acho que a instituição SL Benfica não merece ter uma direcção destas, que todos os dias a destrói mais um pouco.

Não basta ter estádios com muita capacidade ou uma lista extensa de sócios não pagantes. Não basta vender muitos jornais ou ter filiais em várias cidades. Para um clube desportivo ser grande é necessário que dê o exemplo, na hora de vencer ou perder.

Da mesma forma, os dirigentes do FC Porto não contibuem em nada para a grandiosidade do seu clube e do desporto quando, ao invés de abordarem sériamente estas questões, respondem com tom irónico, de gozo e de desdém. Não saber ganhar é um grande defeito.


Futuro de Jorge Costa passa pelo Dragão

21/12/2010

Quando soube da notícia do abandono de Jorge Costa da Associação Académica de Coimbra – OAF pensei que tudo estava relacionado com resultados desportivos. No entanto sabia que não era porque os resultados globais tivessem sido assim tão maus até agora. Muito pelo contrário, o objectivo da AAC é não descer, e antes de chegarmos a metade do campeonato, já tem 18 pontos (precisa de 30 pts) e ocupa o 9º lugar.

Pensei que estava relacionado com os resultados, porque Jorge Costa é um homem de palavra. Na semana passada, depois da derrota por 5-1 com o Marítimo, ouvi-o dizer “Esta é uma derrota pesada. Perdemos bem, nada a dizer. Mas agora deixo uma garantia: Isto não vai voltar a acontecer“. O facto é que aconteceu, contra o SC Braga. Perdeu 5-0.

Vai daí, conhecendo o carácter do ex-capitão do FC Porto, pensei logo que seria o assumir da responsabilidade depois de ter proferido tais palavras. Mesmo sabendo que o trabalho que estava a desempenhar era bom e meritório. Ao contrário de outros, ele não faria de conta que nada tinha dito e assobiaria para o lado, tentando quiçá arranjar bodes expiatórios.

Afinal não será só isso. Disse Jorge Costa que abandona não a AAC-OAF mas o futebol… “Por motivos estritamente pessoais que não me permitem continuar a actividade profissional que mais me realiza“. Espero que não seja nada grave e que volte depressa. A passagem pelo SC Braga, pelo SC Olhanense e pela AA Coimbra provam que o seu futuro pode passar pelo banco do Dragão.


Jorge Jesus. A desonestidade não tem limites

11/12/2010

Portugal está, cada vez mais, transformado na República das Bananas. Vale tudo, mesmo tudo. A desonestidade intelectual de certas pessoas não tem limites. Veja-se as recentes declarações de Jorge Jesus, treinador do Benfica.

Jorge Jesus disse hoje que não vê diferenças de valor entre FC Porto e SL Benfica que justifiquem os 8 pontos de avanço no campeonato. Diz o “novo rico do futebol” que essa diferença advém apenas dos erros dos árbitros, nomeadamente nos penaltys assinalados a favor do FC Porto.

É preciso ter muita lata para dizer isto depois de: 1) Ter levado um baile de bola na final da Supertaça em que perdeu 2-0. 2) Ter levado outro baile de bola no jogo do campeonato em que perdeu 5-0. Recorde-se que foram 2 jogos sem casos e sem qualquer tipo de dúvida.

Até o comentador da Antena 1 disse, logo a seguir à declaração de JJ, que esta época a diferença dentro de campo entre as duas equipas é abismal. E lembrou que este ano o Benfica joga mal não só contra o Porto, mas também contra outras equipas mais fracas do campeonato e da liga dos campeões.

De resto, como é possível que a Antena 1 passe estas declarações de Jorge Jesus, á Benfica TV (!!), no fim de um jogo da Taça de Portugal entre FC Porto e Juv. Évora (4-0) entre as flash interviews e os comentários ao jogo. E qual o interesse?


Sobre a corrupção no futebol

29/11/2010

O futebol é um desporto e deveria ser tratado como tal. Infelizmente para quem gosta de futebol (do jogo em si) tornou-se num negócio muito próspero, onde falta regulação, e portanto é terreno fértil para actos ilícitos. É um negócio onde vale quase tudo, ainda que esteja supostamente sujeito às regras de mercado – consequência dos clubes serem agora empresas (SAD). Digo supostamente porque assistimos em Portugal, a episódios de clara violação das regras do mercado, sem que haja penalizações. Recentemente assistimos, por exemplo, ao anúncio da OPA ao Benfica por parte de Joe Berardo que apenas serviu para valorizar as acções do clube na bolsa de valores, e o que aconteceu? Nada! A CMVM e outras entidades reguladoras ficaram caladas e quietas.

A transformação do jogo em negócio, e da paixão em ganância, fez com que começasse a proliferar a corrupção na modalidade. Essa corrupção aparece encarnada em senhores vestidos de preto com apito na boca, denominados árbitros, a quem são pagas determinadas quantias para beneficiar este ou aquele clube. Esses senhores de preto deveriam ser como os juízes de direito, profissionais sérios e absolutamente independentes na sua actividade, porque só isso garantiria a sua isenção. Mas como, pelo contrário, eles dependem de orgãos que são controlados pelos clubes, é normal que coisas menos próprias aconteçam.

No futebol, tal como nos mercados sem regulação, a única lei existente acaba por ser a “lei do mais forte”. Esta lei determina que, quem tem mais dinheiro (para corromper) e mais poder (para ameaçar/mandar), é que controla e vence. Em Portugal é mais do que evidente que os 3 clubes grandes se sobrepõem aos outros pelo simples facto de terem mais dinheiro e mais poder. Isto é facilmente comprovado com alguns acontecimentos bem recentes: as prestações do Vitória SC e do SC Braga. Um adepto minimamente atento sabe que há 2 anos “tiraram” ao clube de Guimarães a possibilidade de se qualificar directamente para Champions League e na época passada “tiraram” a possibilidade aos Arsenalistas de lutar pelo título.

Note-se que estas são duas situações flagrantes e que, pela dimensão, podem ser mais facilmente identificadas pelo leitor. Mas o facto é que outras mais pequenas acontecem todos os fins-de-semana. Todas as santas jornadas há clubes “pequenos” que são prejudicados e injustiçados, sem que alguém responsável faça algo para repôr a verdade dos resultados, que os protagonistas desses clubes (com tanto esforço, dedicação, trabalho e mérito), conseguiram. Note-se que no caso do Vitória SC além de ter sido “roubado” dentro de portas, foi-o também na Europa do futebol (jogos com Basileia, clube suíço. Curiosamente país onde está sediada a sede da UEFA).

Tudo isto tem a conivência daqueles que, por princípio (à falta das entidades oficiais que para isso têm competência), deveriam fiscalizar: a comunicação social. Infelizmente, os jornais, TVs e rádios deste país, parecem ter um acordo pecaminoso com os 3 clubes grandes conseguindo com isso abafar os pedidos de socorro e as denúncias feitas pelos adeptos, jogadores, técnicos e dirigentes dos outros clubes. Honra seja feita a alguns orgãos de comunicação social que são a excepção – confirmando a regra – e dão voz (ainda que não com dimensão nacional) aos mais “pequenos”.

Também a maioria dos adeptos dos chamados 3 grandes (digo a maioria porque há gente de bem, como eu próprio que sou adepto do FC Porto) pactua com esta situação e nada diz ou faz. O egoísmo, a falta de respeito e de fair play, entre outros factores, faz com que esta gente se esteja a borrifar para a forma como o seu clube vence. Os fins justificam os meios, e por isso toca de votar em candidatos às direcções que possam, ser mais corruptos que o corrupto do lado. Vencer a qualquer custo é a palavra de ordem, mesmo sabendo que se atropelam todos e quaisquer princípios e valores de ética e moral.


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