Governo “prostitui-se” para pagar dívida

05/11/2010

Até agora eram França e Alemanha, entre outros, que nos davam dinheiro e permitiam que vivessemos acima das nossas possibilidades. Era mau porque tínhamos uma dependência financeira, mas ao menos sabíamos que lidavamos com gente de bem, que tem bom senso, valores e princípios. Sempre é melhor depender do patrão honesto do que do patrão déspota. É que um é solidário e o outro, numa mudança de humor, despede-nos.

Deparamo-nos neste momento com o Governo português a “baixar as calças” a países como Angola, Venezuela e China. É engraçado e até irónico que nesta altura do campeonato – em pleno século XXI e pertencendo ao grupo de países do denominado 1º mundo – o Governo de Portugal venha agora “prostituir-se” junto de países do denominado 2º e 3º mundo, na ânsia de conseguir algum dinheiro para pagar as suas dívidas e não morrer de fome.

Alguns perguntarão “qual é o problema?“. Para começar é uma questão de princípio. Não acho correcto que o Governo português ande de braço dado com ditadores (mais ou menos camuflados). Todos sabemos que Angola, Venezuela e China são países que têm falsas democracias, onde as eleições são manipuladas. São países onde a repressão e miséria do povo contrasta com o livre arbítrio e a luxuosa vida dos seus líderes.

Por outro lado sabemos (e temos provas recentes) que as acções destes países dependem do humor e vontade de um homem só, o que por si só é péssimo. Podemos ter a sorte de num dia o “Querido Líder” acordar bem e estar disposto a ajudar-nos, como o azar de no dia seguinte ele acordar chateado, com um notícia qualquer que saiu na comunicação social portuguesa (e que não abona a seu favor), e cortar a ajuda que prometeu.


Festejou-se os 100 anos da República…

06/10/2010

Mas o que acho engraçado é que a república nasceu em Lisboa (agora está moribunda) e vai morrer em Lisboa sem sequer ter chegado ao resto do país.

Em 1910 alguém perguntou aos transmontanos, alentejanos, beirões, madeirenses, açorianos, algarvios, minhotos ou nortenhos, se queriam a república?

Estes, que nunca beneficiaram nada com todas as alterações do sistema político, raramente são consultados, mas depois são os que mais sofrem com as asneiras dos “cérebros” de Lisboa.


O Portugal que não quero (VII)

24/09/2010

Quem conhece, sabe que a rua que passa nas traseiras de Santa Apolónia afunila e se torna muito estreita. É difícil que um carro se cruze com um autocarro, quanto mais quando se tratam de dois autocarros.

Acontece amiúde estarem carros mal estacionados à entrada e à saída desse pequeno e estreito troço, dificultando a passagem aos automóveis e principalmente aos transportes públicos.

Hoje passava nessa rua, e a PSP tinha bloqueado meia-dúzia de carros mal estacionados e preparava-se para os rebocar.

À minha frente vinham dois homens de meia idade. Um disse “Olha, estes bófias já ganharam o dia“. Ao que o outro respondeu “É! Agora chegam à esquadra e dão-lhes um cheque“.

Esta visão quadrada, mesquinha e imbecil é infelizmente a mais habitual em Portugal. O típico tuga acha que a polícia multa para ganhar dinheiro e não para manter a ordem pública, garantir a segurança, fazer cumprir a lei e defender os direitos dos cidadãos.

O que mais me chateia é que aqueles dois imbecis que iam à minha frente, se eventualmente fossem a passar de carro e se vissem impedidos pelos mal estacionados, iriam comentar “É assim mesmo! Toca a rebocar tudo que isto é uma vergonha!


Coisas de que tenho a certeza (III)

01/09/2010

Costumava-se chamar “pé de chinelo” a alguém que não tinha educação, não tinha maneiras, não sabia estar, a alguém pobre. O povo português não está na miséria, longe disso, mas somos sem dúvida um país de pés de chinelo. Agora, no sentido literal.

Estou cheio de ver gente – homens e tudo! – que além de ser pobre (neste caso, de espírito) anda na rua de chinelas de enfiar o dedo (havaianas, chipas, como lhe queiram chamar).

É uma falta de gosto incrível…


Coisas de que tenho a certeza

14/08/2010

Depois de mais uma viagem comprida para o sul do país (Algarve), ainda por cima numa altura de muito trânsito (mudança de quinzena), cada vez tenho menos dúvidas que… Foram arrancadas – dos manuais do código da estrada – as páginas que têm a regra mais elementar de como conduzir numa auto-estrada: “é obrigatório andar na faixa mais á direita


O Portugal que não quero (VI)

05/08/2010

Somos, sem dúvida alguma, o país do chico-esperto. Isso vê-se em todo o lado. Na escola, no hospital, no comércio, nos serviços, na estrada, no trabalho, na praia, no restaurante, nos negócios, na política…

Chegamos a um ponto em que a chico-espertice é de tal ordem que a maioria elegeu (e re-elegeu), para colocar aos comandos do destino do país, um grupo da melhor estirpe dos chico-espertos.

Depois… claro… já não nos podemos admirar com notícias destas.


O Portugal que não quero (IV)

19/07/2010

Um presidente de junta de um concelho que conheço bem, cometeu um crime ambiental mandando arrancar uns carvalhos, devastar um eucaliptal e até destruir uns plátanos na sua freguesia. Foi naturalmente “condenado” pela população, mas já não havia nada a fazer.

Para limpar a face pensou mais tarde plantar umas árvores mas, para não cometer nova asneira, resolveu consultar alguém. Depois do que fez, ninguém ligado à área florestal o apoiaria e por isso virou-se para uma jovem recém-licenciada em Arquitectura Paisagista, que era moradora na freguesia e estava desempregada.

Vai daí o xôr Presidente prometeu-lhe um emprego em troca de um parecer favorável à nova plantação. Mas entretanto soube que a Portucel/Soporcel oferecia árvores para plantação. Assim sendo, oferecidas por tão credível empresa, achou que já não precisava da inocente menina, desprezando-a. De qualquer forma não deixou de espalhar que tinha consultado a “especialista”.


Estado de qual Nação?

15/07/2010

Por definição, uma Nação é um território onde vive um Povo. E esse Povo fala a mesma língua, tem os mesmos costumes, hábitos e tradições. O Povo tem consciência nacional e uma religião. Mas acima de tudo, uma Nação é a união das pessoas que formam este Povo e que, por sua determinação e convicção, quiseram viver colectivamente.

Hoje, se a língua ainda nos une tudo o resto nos separa. Há uns tempos atrás tinhamos os mesmos hábitos e costumes, mas agora isso não acontece, fruto de toda a informação que trazemos das nossas visitas ao estrangeiro ou que vamos buscar através da internet. Há uns anos atrás partilhavamos tradições e respeitavamos as do vizinho, mas agora radicalizamos posições e fazemos guerra.

Sobre religião não vale a pena falar muito. Os últimos tempos têm mostrado como muita gente não se contenta em borrifar-se para ela, como além disso tenta “criminalizar” quem tem uma. A consciência nacional não existe. Hoje, ninguém tenta perceber as diferenças, compreender os seus direitos e deveres, ou respeitar os direitos do próximo.

Nos dias que correm a única coisa que partilhamos é mesmo este pequeno território. Mas apesar de tudo conseguimos andar sempre “aos empurrões” tentanto “levar a melhor” sobre o espaço do outro. Pergunto: queremos mesmo viver colectivamente? ou somos apenas uma cambada de egoístas que tem “Nacionalidade: Portuguesa” no Bi?

Somando tudo isto, ao estado do Estado, ao estado do Governo, ao estado da Economia, ao estado das Finanças, ao estado da Saúde, ao estado da Educação, ou à grave crise social e de valores por que passamos… creio que o Estado da Nação (se é que ela existe) é muito preocupante.


O Portugal que não quero (II)

16/06/2010

Restaurante sobre o rio Tejo, esplanada e por do sol. Um copo de sangria, uns deliciosos amuse bouche e uma bela companhia. Bom ambiente, sossegado e distinto. Todos pareciam desfrutar o maravilhoso cenário.

Eis senão quando entram 2 gays com uma amiga. Sentaram-se e começou o espalhafato: berros, gargalhadas, faltas de educação e de civismo. Pela maneira como todos olhavam de lado para essa mesa era fácil de notar que o início de noite estava estragado.


O Portugal que não quero (I)

15/06/2010

Eram 23h30 e estava eu numa deserta área de serviço da A8. Chega um bruto Jaguar de onde sai um jovem com os seus 30 anos, vestido da forma mais parola que tenho visto. Aproxima-se do balcão, pede uma cerveja em lata e sai a alta velocidade.


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