Autárquicas 2013: Passo decisivo para Joaquim Couto

17/05/2012

Joaquim Couto apresentou esta semana a sua candidatura à Comissão Política Concelhia do PS. Órgão que já tinha liderado entre 1988 e 2003. Este é o terceiro passo na – já há muito planeada, e desejada – candidatura autárquica em 2013.

O plano foi bem engendrado. O primeiro passo foi o regresso à militância de base activa em Santo Tirso, depois de muitos anos afastado. O segundo foi a criação do grupo de política, reunindo alguns dissidentes do consulado de Castro Fernandes.

Este terceiro passo, as eleições internas, é um passo decisivo e complicado de dar. Isto porque não depende só da vontade de Joaquim Couto, mas também da capacidade de mobilização da sua equipa e do voto dos militantes socialistas Tirsenses.

Para além disso, do outro lado, está um adversário de “peso”. Castro Fernandes não esconde a aversão pelo seu ex-amigo e está pronto para voltar a assumir a concelhia do PS, apenas e só para evitar que o seu ex-N° 1 consiga lá chegar.

Isto, depois de em 2010 ter passado o testemunho a Rui Ribeiro. Um homem politicamente inapto, que disse não querer ser um boneco nas mãos de um ventríloquo político. E na verdade não foi. Nem isso conseguiu ser. Simplesmente não existiu.

Obviamente que Rui Ribeiro não seria capaz de fazer frente a Joaquim Couto e manter a concelhia na entourage de Castro Fernandes, e por isso vem o “one man show” em socorro para evitar que o arqui-inimigo ganhe o Poder no seu feudo.

Joaquim Couto foi presidente da CMST entre 1982 e 1999, e depois disso esteve “ao serviço” do PS. Foi nomeado Governador Civil do Porto (1999 a 2002) e depois escolhido para lugar elegível nas listas de deputados às Legislativas 2005.

Em 2009 Joaquim Couto teve de retribuir ao PS estas nomeações, e predispôs-se a ser esmagado por Luis Filipe Menezes nas autárquicas 2013, como candidato à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Resultado: 63% vs 25%.

A verdade é que Joaquim Couto fez um trabalho positivo em Santo Tirso, e as andanças pelo Porto (Governo Civil) e Lisboa (Assembleia da República) permitiram-lhe acumular ainda mais experiência política.

Sabe-se que Joaquim Couto é bem visto por vários sectores da sociedade Tirsense, e é querido de uma grande parte da população. Em especial os funcionários da CMST, que apesar de não o poderem manifestar, preferem Couto a Fernandes.

E Joaquim Couto não esconde também o seu sentimento. Disse à Lusa “é necessário dar um safanão, uma refrescadela e uma reforma profunda no PS [de Santo Tirso]“. Numa mais do que óbvia alusão à liderança de Castro Fernandes.

Se Joaquim Couto vencer, será com toda a certeza candidato a presidente da CMST (e a vitória do PS nas Autárquicas 2013 estará mais perto). Se perder, ainda tem outra opção: a (ainda não descartada) candidatura independente.

E essa, a candidatura independente, poderia até ser ainda melhor para ele e para a vida democrática do concelho. Seria com toda a certeza agregadora de várias sensibilidades políticas (e outras) Tirsenses.


Santo Tirso distingue Zeinal Bava, saiba porquê

20/02/2012

No próximo dia 27 de Fevereiro, irá ter lugar na C.M. Santo Tirso uma cerimónia na qual o Engº Castro Fernandes irá presentear o Engº Zeinal Bava (CEO da Portugal Telecom) com a Medalha de Honra do Concelho.

O executivo socialista da CMST decidiu fazê-lo como consequência da decisão tomada pela PT, há uns anos atrás, de instalar em Santo Tirso um Call-Center de apoio ao cliente, que iria criar 1200 postos de trabalho qualificado.

A verdade é que foram criados pouco mais de metade dos postos de trabalho anunciados; esses postos são tudo menos qualificados; e além disso não albergam na sua maioria desempregados Tirsenses, como prometido.

Para além do mais, a instalação do Call-Center em Santo Tirso, foi tudo menos uma aposta pessoal de Zeinal Bava ou um objectivo bem definido da PT. Foi, isso sim, uma estratégia cozinhada por José Sócrates e pelo PS.

Ou será que alguém já se esqueceu da obscena promiscuidade entre PT e Governo Sócrates, da qual o caso mais mediático foi o que envolveu Rui Pedro Soares e o caso da compra da TVI pela PT, para calar Manuela Moura Guedes?

O cozinhado feito por José Sócrates e Zeinal Bava, permitia-lhe ter um enorme trunfo eleitoral em Santo Tirso, concelho marcadamente socialista. Com isso matava 2 coelhos de uma cajadada: Autárquicas e Legislativas 2009.

Sabendo disto, Castro Fernandes resolveu “encher chouriços” no extenso documento em que propunha a distinção. Discorrendo sobre o percurso académico e profissional de Zeinal Bava, com se isso por si só fosse suficiente.

Sei perfeitamente que não é por acaso que se chega a CEO de uma empresa da dimensão da PT, mas também sei que Zeinal Bava não é o que querem fazer dele. É bem mais fácil ter sucesso numa empresa monopolista.

Tal como uma boa parte dos Presidentes de Câmara do país, tal como uma boa parte da bancada socialista na AR, tal como uma boa parte dos empresários portugueses, Castro Fernandes continua a viver a ilusão socrática.

Esta insistência de Castro Fernandes e da CMST em continuar a viver tempos “cor-de-rosa” poderá sair cara a Santo Tirso. Se o concelho não fizer o quanto antes o trabalho de casa, arrisca-se a ficar irremediavelmente para trás.


Opinião: Ano novo! Vereação nova!

01/02/2012

Ano Novo, vereação nova. Na viragem do ano o executivo da Câmara Municipal foi remodelado. Luís Freitas saiu da equipa de Castro Fernandes, Ana Maria Ferreira assumiu as funções de vice-presidente e o lugar em aberto foi ocupado por José Carlos Ferreira (o 6º da lista do PS nas autárquicas 2009).

A CMST disse em comunicado que Luís Freitas solicitou a renúncia ao mandato por imperativos de ordem pessoal. Já estamos habituados. Na política, seja qual for o verdadeiro motivo, o que vem a público são sempre os motivos pessoais. Mesmo que as reais razões sejam por demais evidentes.

A verdade é que já cheira a eleições. As Autárquicas 2013 são daqui a 20 meses e é preciso começar a preparar terreno para um combate mais complicado que o habitual. Castro Fernandes está impedido pela lei de se recandidatar e o seu substituto tem de ser “lançado” com a devida antecedência.

Se restam dúvidas quanto a isto, basta ter em conta o facto de o Presidente da CMST (que gosta pouco de abrir mão seja do que for) ter delegado em Ana Maria Ferreira várias competências, ao nível das obras e serviços públicos, aquisição de bens imóveis e serviços, e outros contratos administrativos.

Além disso, no mesmo comunicado, refere a CMST que à nova vice-Presidente competirá também “substituir o Presidente nas suas faltas ou impedimentos legais“. Ou seja, Ana Maria Ferreira terá funções e poderes que nenhum outro vice-Presidente desta CMST alguma vez sequer sonhou ter.

Como consequência desta jogada política – que afasta um dos mais apreciados, respeitados e competentes vereadores, por interesses puramente partidários – entra para a equipa José Carlos Ferreira, militante activo do PS Santo Tirso, também conhecido por ser cunhado de Castro Fernandes.

Não se conhece ao novel vereador um percurso político, o que até abona a seu favor. É professor de Educação Física, o que lhe pode valer uma genica extra. Lecciona, como o próprio diz no Facebook, numa “escola sem Pavilhão Gimnodesportivo“, pelo que estará habituado a trabalhar em dificuldades.

O que se deseja é que José Carlos Ferreira possa fazer mais do que os seus antecessores. O que se lhe exige é que trabalhe para os Tirsenses e não para o partido. Pede-se que responda perante a população e não perante o seu cunhado/presidente. É muito importante que tenha sentido de missão.

Numa pesquisa rápida pela internet, ficamos a saber que a sua paixão é o Poker e que o seu sonho é participar num European Poker Tour. Mas esperemos que nos próximos 20 meses a sua paixão sejam todos os Tirsenses, e que o seu sonho seja tornar Santo Tirso num concelho melhor.

No seu blogue, José Carlos Ferreira escreveu um dia: “quero levar muito longe o Poker Português, e necessito claramente do apoio de toda a comunidade“. Falhou. Mas nesta fase pede-se apenas que tente levar longe Santo Tirso, e se assim fizer terá o apoio de toda a comunidade Tirsense.

Sejam quais forem os pelouros atribuídos, o desejo é que aplique mais os conhecimentos que adquiriu na Universidade do Porto (quando se licenciou em Educação Física), e não tanto os que terá adquirido na Universidade Independente (quando lá estudou “Gestão e Administração de SADs”).

Desejam-se na sua actuação, menos erros do que aqueles (ortográficos e de sintaxe) que deu num curto texto que escreveu para o pokerpt.com, confundindo “há cerca de” com “acerca de“… “há muito que anunciava” com “à muito que anunciava” ou “há 3 semanas atrás” com “à 3 semanas atrás“.


Esclarecimento aos militantes PSD de Santo Tirso

28/01/2012

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Há dias escrevi a 2ª carta aberta aos militantes PSD de Santo Tirso. Tal como noutros posts sobre o mesmo tema, recebi vários comentários de um “Luís Filipe Monteiro”. A táctica foi a mesma, entrada de mansinho, para depois partir para o insulto.

Não sou de fugir a qualquer tipo de discussão. Não sou de desrespeitar a opinião diversa. Nem sou de insultar o próximo. Daí, parti para uma tentativa de discussão saudável, com troca de argumentos e factos. Que utopia a minha! Não foi possível.

O tal senhor “Luís Filipe Monteiro” não rebateu um (um único!) facto que apresentei. Não apresentou um (um único!) argumento para sustentar sua opinião. Limitou-se ao remoque, à acusação sem fundamento, e ao insulto. Algo que não me surpreendeu.

Os insultos e as acusações recebidas deixaram-me curioso. Quem seria esta criatura? Que razões teria para se fazer “advogado do diabo” (a actual liderança do PSD)? E que mal lhe teria feito para me insultar de forma tão vil e tão mentirosa?

A plataforma do WordPress, onde está alojado este blogue, permite-nos ver o IP de quem comenta. O IP deste senhor era 194.65.122.241. Fui fazer o track ao IP e constatei que estava registado em nome do Instituto Emprego Formação Profissional.

Ora quem conhecemos nós, que trabalha no Instituto Emprego Formação Profissional? Pois é, esse mesmo! Alírio Canceles! O actual presidente do PSD Santo Tirso, escondeu-se atrás de um nome fictício com o intuito de se defender e de me insultar.

Isto demonstra bem a falta de carácter e de coragem deste senhor. Ele que se diz tão íntegro e corajoso. Que se arroga da exclusividade da defesa das boas práticas e do cumprimento das regras. Afinal vem apenas confirmar o que tenho escrito.

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Carta aberta aos militantes PSD de Santo Tirso (II)

22/01/2012

Tiveram lugar no sábado, 21 Janeiro, as eleições para a Comissão Política Concelhia do PSD Santo Tirso. Eu, militante activo e interessado há cerca de 13 anos, tomei conhecimento apenas três dias antes, através duma mensagem publicada pelo PSD Santo Tirso no Twitter.

Estranhei o facto de não ter conhecimento prévio, de não ter recebido a habitual carta, nem sequer ter recebido um rápido, eficaz e grátis email. O facto é que não chegou a mim, nem a nenhum dos outros 5 militantes Tirsenses que vivem lá em casa: a minha Mãe, Pai e Irmãs.

Acontecera o que eu suspeitava. Os militantes receberam 2 emails. Um assinado pela ainda presidente Andreia Neto (datado de 7 Janeiro) anunciava a marcação das eleições. Outro assinado pelo futuro presidente Alírio Canceles (datado de 17 Janeiro) anunciava a “candidatura”.

Ou seja, o meu nome (e o dos meus 5 familiares directos, militantes de plenos direitos) foi riscado da lista de militantes, pela actual e pela próxima Comissão Política Concelhia. Atitude que espelha bem o espírito democrático das pessoas que lideram o PSD local.

No PSD – um partido que cultiva os valores da liberdade, da igualdade, da solidariedade e do pluralismo – há militantes ostracizados e marginalizados apenas e só por não alinharem pelo diapasão, por terem sentido crítico, pensarem pelas suas cabeças e exprimirem as suas opiniões.

No email que anunciava as eleições a presidente Andreia Neto dizia: “a participação dos militantes é fundamental para mostrar a vitalidade do PSD. Tenho a certeza que uma vez mais os militantes marcarão presença“. Como poderíamos marcar presença se tudo foi feito nas nossas costas?

O que podemos constatar é que a passagem de Andreia Neto pela Assembleia da República tem tido o condão de a tornar num agente político igual a tantos outros que conhecemos. Proferem palavras mas não agem em conformidade. Ou seja, “Olha para o que eu digo e não para o que eu faço“.

Para além disso, e quando se esperava que continuasse a liderar os destinos do PSD Sto Tirso – com legitimidade e vontade reforçadas, por ser deputada da Nação – Andreia Neto abandona. Passando a imagem de que é mais uma que, chegada a Lisboa, se desliga da sua terra e dos seus eleitores.

Mas pior fez Alírio Canceles ao anunciar a sua “candidatura”. Em primeira instância porque confirma o que eu vaticinei há 2 anos atrás (ler ponto 9 deste post). Qual chico-esperto, enganou, furou, ultrapassou pela direita, os Estatutos que limitam os presidentes de secção a 3 mandatos.

Depois de ter sido presidente entre 2006 e 2010, Alírio sabia que o mandato 2010-2012 seria o último. E assim, não poderia ser ele a liderar a escolha dos candidatos às Autárquicas 2013. Sendo assim, colocou Andreia Neto como presidente, recuou para vogal, e agora aparece novamente.

Mas o mais negro deste cenário é o facto de, tal como eu escrevi, o próprio Alírio ter assumido sem vergonha, e perante alguns militantes, esta estratégia. Que passaria por manipular Andreia Neto de forma a ser ele, em 2013 a liderar o processo de escolha de candidatos autárquicos.

E é apenas este o objectivo: escolher os candidatos às Autárquicas 2013. No email que Alírio enviou aos militantes não há referência a um programa, a uma estratégia, a um compromisso ou sequer a um rumo. Apenas fala do que ele próprio tem feito, e da vontade de vencer as Autárquicas.

Aliás, há também uma outra coisa curiosa nesse email. Em momento algum assume uma candidatura. Diz apenas: “Entendi voltar a assumir responsabilidades na liderança do PSD de Santo Tirso“. Ou seja, não se apresenta a eleições, assume. Como se o PSD Sto Tirso fosse um feudo.

No mesmo email, o que segue a mensagem feudal de Alírio Canceles, é a lista de nomes que formarão a Comissão Política (nunca se fala em candidatos). À frente de cada um não está a freguesia que representam, ou o habitual nº de militante, mas o cargo que ocupa no Poder Local.

Tudo isto demonstra bem o carácter de quem está à frente dos destinos do PSD Sto Tirso. Esta é a mais vil e suja forma de estar na política. Desprezar as regras democráticas, desrespeitar os estatutos, afastar militantes incómodos, cultivar o cacique, e montar esquemas de manipulação.

Claro que tudo isto só é possível com a ajuda de um grupo de militantes intelectualmente diminuídos, que compactuam e são coniventes com esta situação. Procurando apenas um lugar ao sol (vulgo “tacho”) na altura em que o poder cair do céu (acham eles) no colo daqueles que apoiam.

Não deixa também de ser curioso, que depois de tudo isto, Alírio Canceles tenha ainda o descaramento de escrever no mesmo email: “consciente da necessidade de garantir a estabilidade, unidade e a coesão no seio do PSD, condição determinante para a gestão do processo autárquico“.

Na verdade eu diria que, para que fosse ele a gerir a seu bel-prazer o processo autárquico, a condição determinante era precisamente a contrária. Ou seja, afastar do caminho quem quer que fosse que pudesse pôr em causa a sua vontade e o seu desejo de assalto ao Poder em Santo Tirso.

O que está bem explícito noutro trecho do mesmo email: “a prossecução do objetivo que perseguimos há quase 30 anos: Ganhar a Câmara Municipal“. Ou seja, o objectivo não é tornar Santo Tirso melhor. É apenas ganhar a Câmara Municipal e assaltar o Poder Local. É o Poder pelo Poder.

Deixa-me sobretudo triste, ver que militantes que considerei – e em quem a dada altura confiei. Casos de João Abreu, Carlos Pacheco, Manuel Mirra, Manuel Leal – se deixaram levar nesta maré negra. Não conseguem discernir que, para além do mais, estão a enterrar-se politicamente.

Não admito que alguém queira usar o PSD, o meu PSD, para atingir objectivos pessoais. E que para isso coloque os seus próprios interesses à frente dos interesses dos Tirsenses e do partido. Que use o PSD como instrumento de promoção pessoal, arrastando-o nessa ânsia de poder egoísta.

Aristóteles dizia: “O preço a pagar por não te interessares por política, é seres governando pelos teus inferiores“. Uma parte dos militantes afastaram-se do partido. A outra, mostra que prefere esta porcaria que vos descrevo. Pois besunte-se com ela que há-de ter um lindo enterro.


Opinião: A reforma do Poder Local

01/12/2011

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Dezembro 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

É verdade que o Poder Local foi o motor do desenvolvimento na maioria do território, excepção feita às grandes áreas metropolitanas, onde o impulsionador foi o Poder Central. Mas nos últimos anos tudo mudou. Houve uma alteração das circunstâncias sociais, económicas, financeiras, políticas e até mesmo ambientais. Exigia-se que o Poder Local se adaptasse aos novos tempos, que fosse mais eficaz e eficiente.

Infelizmente os interesses partidários falaram sempre mais alto, e nenhum Governo foi capaz de mexer na “vaca sagrada” do Poder Local, fonte de tantos votos. Ele foi-se degradando e passou a estar nas mãos de políticos profissionais. Em alguns casos, gente sem o mínimo exigível para ocupar cargos públicos. O que se vê pelos inúmeros processos de corrupção que envolvem autarcas.

Foi preciso estarmos quase na bancarrota e dependentes da ajuda externa para que nos fosse imposta uma verdadeira Reforma da Administração Local, pelo Memorando de Entendimento com FMI/BCE/UE. Ela terá de acontecer até Junho de 2012, e daí o Governo PSD/CDS ter publicado recentemente um documento que deverá servir de base para a discussão.

Naturalmente logo após a apresentação das linhas orientadoras e sugestões do Governo, surgiu a indignação de vários autarcas. Não porque o projecto de Reforma fosse desadequado ou injusto, mas porque no essencial mexe com lugares. Os seus e os das suas pandilhas. Prevê-se a redução de vereadores, directores municipais, deputados municipais, etc. Daí a preocupação da maioria dos que se insurgem contra a Reforma.

Usando e abusando da habitual demagogia e populismo barato, vêm bradar com o “património do municipalismo” e com o “respeito pelos valores e culturas de cada concelho ou freguesia”. Mas que património e que cultura? Nos dias de hoje, é perfeitamente normal as pessoas viverem em concelhos de onde não são naturais. Pelos estudos, pelo trabalho, pelo casamento. São poucos os que nascem e vivem na sua cidade para sempre.

Isso não destrói nenhuma cultura ou património. Lisboa não deixou de ter Pastéis de Belém, Marchas Populares e Bairros apesar de a maioria dos seus residentes serem provenientes de outras zonas do país. Há até muita gente que vem “de fora” e ajuda (muitas vezes mais do que os da terra) a preservar tradições e património. Conheço, no meu concelho (Santo Tirso), alguns exemplos flagrantes que comprovam isso mesmo.

Além disso Lisboa, a capital, deu o exemplo no que concerne a uma reforma administrativa do território. E tudo parece ter corrido bem, apesar das naturais divergências. Com um longo período de discussão, os autarcas chegaram a acordo. De 53 freguesias, Lisboa irá passar para 27. Está dado o aval da Câmara e da Assembleia Municipal. Falta agora o pró-forma da Assembleia da República. Não consta que se percam identidades e tradições.

O que se quer com esta Reforma é, acima de tudo descentralizar políticas, dando mais competências aos Municípios e Freguesias. Estas entidades deverão ser verdadeiros instrumentos de desenvolvimento económico e social das populações, e de coesão do território. Mas a descentralização e reforço de certas competências, só podem ser feitos de forma eficaz e eficiente se Municípios e Freguesias tiverem dimensão. Daí a necessidade de agregar.

É imprescindível também rever o regime de financiamento do Poder Local. Há uma extrema necessidade de acabar com a elevada dependência das receitas de construção e imobiliário, que fomentam a corrupção. Era preferível por exemplo passar a Derrama e o IMI para a Administração Central, e aumentar a parte do IRS que cabe aos Municípios ou mesmo aumentar as transferências do OE para as Autarquias.

É também indispensável acabar com os empréstimos que são excepção aos limites de endividamento. Muitos leigos não sabem, mas há obras cujos empréstimos não contam para os limites de endividamento. Dívidas para obras como os estádios do Euro 2004 (que tiveram uma lei especial) ou para obras co-financiadas com Fundos Comunitários, não implicam qualquer agravamento à capacidade de endividamento municipal.

É também importante alterar as regras de eleição e constituição dos órgãos autárquicos. Não faz sentido haver um executivo com vereadores de vários partidos, em que uns têm pelouros e os outros apenas criam entropia, fazem figura de corpo presente, e recebem umas senhas. E o argumento da fiscalização não colhe, porque ela pode perfeitamente ser desempenhada pela Assembleia Municipal.

Aliás, o Governo da República é homogéneo, os Governos Regionais são homogéneos, os Executivos das Juntas de Freguesia são homogéneos. Cabe na cabeça de alguém que apenas os Executivos das Câmaras Municipais sejam diferentes? Da mesma maneira, fará todo o sentido que o Presidente da Câmara possa (tal como o Primeiro-Ministro) remodelar o executivo a meio do mandato, se este não estiver a corresponder.

Outras questões deverão também ser levantadas no âmbito desta discussão, mas temo que uma delas não seja a da limitação de mandatos. Isto porque ainda há pouco tempo foi motivo de “vitória” junto da população, pelo facto de ter sido aprovada a lei de limitação de 3 mandatos. Mas que tal acrescentar também, que findos esses 3 mandatos, não se podem candidatar a outros 3 num concelho diferente? Prevenia chicos-espertos.


Em Santo Tirso… Comemorar o quê?

09/11/2011

Há dias pude ver na “Santo Tirso TV” a conferência de imprensa, dada pelo Presidente da CMST, a propósito da comemoração de 2 anos de mandato, feitos em 11 Outubro 2011.

Sinceramente esperava ouvir o Engº Castro Fernandes falar da obra feita nestes últimos 2 anos de mandato, confrontando essa obra com as promessas feitas nas eleições Autárquicas 2009.

A verdade é que os cerca de 45 minutos de monólogo a que pude assistir, não trouxeram nada de novo. O executivo da CMST, liderado por Castro Fernandes, nada tem de relevante para apresentar.

Se era de esperar o discorrer sobre obras feitas pela CMST, a verdade é que apenas houve mais promessas para o futuro. Da “obra feita” viu-se uma tentativa de ficar com louros dos privados.

Castro Fernandes é exímio a debitar números, a descrever projectos, a enumerar candidaturas a fundos. Mas sobre resultados concretos, com influência positiva para a vida dos Tirsenses, zero!

Veja-se o exemplo da Antiga Fábrica do Teles (uma das paixões!). Muitos números. Os milhões (de euros) já gastos, os milhares (de m2) de área a ocupar. Resultados? Nada a apresentar.

O projecto é excelente! Ter um cluster de empresas criativas e uma incubadora de empresas de base tecnológica. Assim nasceram muitas excelentes empresas em Portugal. Mas intenções e dinheiro despejado para cima não chegam.

Outra das paixões é o Contact Center da PT. O Presidente da CMST sublinhou que já criou 1000 empregos! Pena é que isso seja da responsabilidade da PT e não do bom trabalho do executivo. (Aproveitou bem a amizade com Sócrates. Foi só isso.)

Tal como os sucessos de empresas como a JMA ou a Arco (e muitas outras privadas que enumerou), que Castro Fernandes adjectivou de “muito fortes” e “do melhor que há na europa“.

O sucesso dessas empresas (que se deve única e exclusivamente ao esforço dos trabalhadores e dos gestores) que hoje infelizmente começa a ser menor, não se deve em nada à CMST ou ao seu executivo.

A sorte é elas terem nascido no concelho há muitas décadas. Porque se a instalação delas se tivesse dado no consulado deste PS, com certeza tinham fugido para Maia, Famalicão ou Guimarães.

Com a “embalagem” o Presidente falou das muitas empresas privadas que foram criadas no concelho. Caso para perguntar: Muitas? Quantas? Mais do que as que fecharam? Qual o saldo? E que valor têm? Que empregos criaram? Mais do que os perdidos?

Mas a tentativa de ficar com os louros de outros não ficou por aqui. Foram enumerados vários investimentos na área da Economia Social (feitos por entidades privadas, IPPS, etc.), da Educação e da Saúde (feitos pelos Ministérios e por privados).

Castro Fernandes chegou mesmo a dizer que as obras de alargamento na auto-estrada A3 (que vai de Porto a Viana passando por Maia, Famalicão, Braga, etc.) estariam a ser feitas “muito por insistência da CMST“.

Como se não chegasse, veio a habitual colagem aos sucessos desportivos de Armindo Araújo e Sara Moreira (Seus protegidos, desde que chegaram ao topo, mas desconhecidos antes). Chamou-lhes “A marca de Santo Tirso“.

Sobre o que diz efectivamente respeito à CMST, o rol de “obra” anunciada não passou de um chorilho de coisas sem impacto absolutamente nenhum na melhoria da qualidade de vida dos Tirsenses. Quiçá opções que no futuro podem revelar-se erradas.

A vitória no processo contra o concelho da Trofa, a entrada na Área Metropolitana do Porto, a integração na Águas do Noroeste, Resinor e Turismo Norte de Portugal. A certificação dos serviços da câmara.

Quais as vantagens directas para os Tirsenses? Talvez traga mais uns lugares em administrações, mais uns empregos para os amigos, mais uns milhões para desperdiçar em concertos do Tony Carreira. Mas vantagens concretas para nós, nenhumas!

Outro dos orgulhos de Castro Fernandes é a Volta a Portugal que disse ser muito importante, e as Novas Oportunidades que apelidou de “trabalho fantástico que até trouxe Sócrates a Santo Tirso“.

Será que a CMST se deu ao trabalho de perguntar ao comércio local se a Volta a Portugal tem mais vantagens que desvantagens? E existem alguns números sobre a empregabilidade dos alunos das Novas Oportunidades?

Depois apoia-se em opiniões pessoais ou em estudos duvidosos (feitos por entidades não oficiais, e que não englobam todas as autarquias do país) para descrever um concelho cor-de-rosa que manifestamente não existe.

Santo Tirso é o concelho mais seguro do distrito, e digo-o porque eu sei“. Fez também referência a rankings de jornais e revistas em que o concelho está no topo, ignorando as estatísticas oficiais que nos põem no fundo.

Em relação às Juntas de Freguesia (órgão importante, por estar mais junto das populações) disse ter feito “n” protocolos, e lançou sem prova: “Santo Tirso é dos concelhos que mais investe nas Freguesias“. Não é o que se vê.

Sobre obra efectivamente feita só conseguiu referir o Passeio Pedonal e Ciclável, o Largo do Tribunal, a R. Nuno Alvares Pereira (obras muito prioritárias como se sabe! E todas no centro da cidade), os relvados sintéticos e polidesportivos (nas freguesias).

Tudo o resto foram (mais) promessas para o futuro: Previsão da redução de taxas e licenças, candidaturas a programas de apoio (europeus e nacionais), protocolos com Ministérios, museus de Siza Vieira e Souto Moura.

Conclusão: para quem tem um mínimo de clarividência, voltou a ficar claro como água. Este PS que está na CMST faz muitas festas, muita propaganda, muitas promessas. Mas nada faz, que efectivamente melhore o concelho e a vida dos Tirsenses.


Opinião: Santo Tirso continua na ilusão de Sócrates

01/11/2011

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Novembro 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

Toda a gente já está consciente da crise que o país atravessa, e já sente na pele as dificuldades que se esperam nos próximos tempos. Como se costuma dizer, o povo só ouve nas orelhas, e assim foi. Só quando começou a sentir no bolso a crise, é que acordou. Pouco tempo antes, já com o país a caminho do abismo tinha reeleito o louco maquinista do comboio desgovernado.

Ao contrário do resto do país, em Santo Tirso parece continuar a viver-se a ilusão. A tal ilusão que se viveu nos últimos anos do “consulado” de José Sócrates. Não será por acaso que isso acontece no nosso, já de si definhado, concelho. O maquinista do comboio Tirsense idolatrava e imitava o outro louco maquinista que trouxe o país até esta situação de pré-bancarrota.

Ouvimos há pouco tempo ser anunciado, com pompa e circunstância, o contrato assinado entre a CMST e os arquitectos Siza Vieira e Souto Moura para a execução de dois projectos de requalificação dos Museus do concelho (Abade Pedrosa e Escultura Contemporânea). Estes são dois dos mais conceituados arquitectos do mundo, e consequentemente, dois dos mais caros.

Numa altura em que todas as pessoas, empresas, entidades, instituições, organizações – públicas ou privadas – são obrigadas a cortar no acessório para poderem manter o essencial, o anúncio desta obra é uma afronta. Num concelho cada vez mais enfraquecido, com o desemprego a aumentar, as empresas a fechar, as condições de vida a degradarem-se, a CMST continua a aposta em obras dispensáveis.

Isto acontece porque, tal como José Sócrates fazia, Castro Fernandes também prefere (e não preferiu sempre?) governar para a política espectáculo, com obras para inglês ver, do que para o cidadão Tirsense. Exemplos disso são as constantes obras de requalificação do centro da cidade (que sempre foi bonito e não precisava de tantas remodelações) enquanto nas 24 freguesias se vive quase no século XIX.

A aposta na requalificação dos museus é prioritária? É um investimento com retorno? Quantos visitantes têm anualmente? Atrai turistas à cidade? Não me parece. Aliás, bom exemplo disso é o Centro Interpretativo do Monte Padrão, que custou 500.000€, e tem 3.900 visitantes/ano. Um valor irrisório. Aliás, na sua maioria os visitantes vêm de “visitas de estudo” das escolas, ou seja, não pagam.

De resto, e em relação aos Museus do concelho, há muitas questões que se levantam. Alguém nota mais-valias no facto de existir, por exemplo, um Museu Internacional de Escultura Contemporânea ao Ar Livre? A julgar pelo facto de a maioria das obras estar vandalizada e graffitada, nem a CMST se preocupa. E poderão as obras de requalificação ou o novo edifício estragar a envolvência do Mosteiro?

O executivo da CMST faz exactamente como o Governo Sócrates. Numa altura de extremo aperto, continua a agir como se fossemos ricos. Já não bastam as desnecessárias obras da Praça Gen. Humberto Delgado (1,5 M€), do Percurso Pedonal das Margens do Ave (4,5 M€), ou da contribuição (doação do terreno e 200 m€) para o novo quartel dos Bombeiros Vermelhos (também desenhado por Siza Vieira).

O Cine-Teatro é mais uma prova de que o Presidente da CMST tem as mesmas “paixões” de Sócrates. Tal como o ex-PM, o Presidente da CMST orgulha-se da PPP que fez. Diz diz que a CMST não gasta um tostão nas obras do Cine-Teatro porque se trata de uma PPP. Mas esqueceu-se de dizer que os privados fazem a obra e depois recebem uma renda. Quem paga a renda, quanto custa e por quantos anos?

Se eu liderasse os destinos de um concelho moribundo como Santo Tirso, era incapaz de andar a gastar dinheiro dos contribuintes em obras secundárias, e tinha vergonha de esbanjar em viagens a cidades geminadas ou em concertos à borla. Haja moral, decência e respeito pelos Tirsenses. Invista-se tempo e dinheiro em prol das gentes de Santo Tirso.


Opinião: Rali CAST em Santo Tirso… ainda não é desta!

04/10/2011

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Outubro 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

A propósito da crise que vivemos, cada vez se tem falado mais da Constituição da República e dos direitos conquistados na revolução de 74. Ora uma das figuras que se adquiriu foi o direito à livre associação.

Com isto a sociedade portuguesa foi capaz de se desenvolver a todos os níveis. Várias associações, clubes e outras entidades foram criadas com objectivos diversos e propósitos diferentes. Isso ajuda a população a evoluir.

Em Santo Tirso existem, felizmente, muitas instituições desse género. Umas mais participadas e outras menos. Umas com mais relevância e outras com menos. O que interessa mesmo é que possam acrescentar algo à sociedade.

O CAST – Clube Automóvel de Santo Tirso, foi fundado em 1990. Se relativizarmos à sua área, o automobilismo, é uma das entidades Tirsenses mais conhecidas a nível nacional. Muitos dos amantes da modalidade o conhecem e reconhecem.

Isso não é por acaso. Os seus corpos dirigentes conseguiram sempre realizar um excelente trabalho em todos os eventos por onde passaram. Cultivando valores da exigência, do rigor, da ética, da camaradagem, da solidariedade e do companheirismo.

O CAST nunca se fechou sobre si próprio, soube sempre ajudar outros clubes e organizações, que sempre o elogiaram. A direcção nunca foi longínqua e fechada. Conseguiu sempre estimular os seus sócios a ajudarem e participarem em todos os eventos.

Este sucesso na organização de eventos iniciou-se em 1996 com a co-organização de uma prova de Rali em Santo Tirso. A qualidade foi tal que o certame se repetiu durante 6 anos com cada vez mais pilotos e público nas estradas do concelho.

Em 2002 Santo Tirso assistiu pela última vez a um rali organizado pelo CAST. Terminaria sem razão aparente. Coincidência, ou não, nas eleições autárquicas de Dezembro de 2001 era eleito pela primeira vez o actual presidente da Câmara.

É também do conhecimento público que nessa altura (e até hoje) alguns membros da direcção do CAST eram militantes do PSD, e outros, não sendo militantes de algum partido, eram críticos das políticas da CMST levadas a cabo pelo PS.

Os membros da direcção do CAST deveriam ter podido exercer as suas opções políticas e cívicas em liberdade. E fizeram-no. Mas sofreram as consequências habituais de uma sociedade e de um organismo (CMST) em que reina o sectarismo partidário.

Nos últimos 10 anos o CAST foi empurrado para fora do concelho. O esforço e dedicação dos seus associados brindou os concelhos de Penafiel e Taipas com provas de rali de grande sucesso. Ao fim destes anos o CAST resolveu voltar às organizações na sua cidade natal. Apresentou a 29 Julho 2011 um pedido à CMST para organização de uma prova de Rali, em 1 de Outubro, nas estradas do concelho.

A 9 de Setembro (1 mês e meio depois!) a CMST dá o pedido como indeferido, alegando razões de cabo de esquadra. Sem argumentos válidos para inviabilizar a prova – totalmente suportada por apoios privados – restam outros argumentos, talvez de índole partidária.

Diz a CMST que o indeferimento tem que ver com a garantia “da liberdade de circulação e a normalidade do trânsito”. Parece esquecer-se que no Rally Santo Thyrso que organiza conjuntamente com um clube do Porto, fecha os principais acessos e todo o centro da cidade.

Para além disso, a CMST também se esquece que fechou o principal acesso ao hospital para dar uma festa de inauguração de umas obras que nunca começaram (Cine-Teatro) ou que todos os anos fecha estradas para a Volta a Portugal em bicicleta.

A memória do executivo da CMST também é curta ou inexistente no que concerne ao fecho das mais importantes artérias da cidade e os seus acessos com provas de BTT ou de atletismo, como são as maratonas e as corridas de São Silvestre.

Outro dos argumentos foi não haver “interesse da actividade em causa”. Ora, a actividade é um Rali de automóveis. O que é o Rally de Santo Thyrso (evento organizado pela CMST e um clube do Porto) senão um Rali de automóveis? Esse já tem interesse?

Finalmente a CMST diz apoiar-se nos “pareceres desfavoráveis de Juntas de Freguesia abrangidas pelo percurso”. Ao que consegui apurar, alguns dos presidentes em causa nem sequer foram ouvidos, e outros terão dado parecer favorável à realização da prova.

Quem desconhece a relação difícil entre a CMST e o CAST pode ficar na dúvida quanto às verdadeiras razões de marginalização do CAST. Mas essas dúvidas ficaram totalmente dissipadas na conferência de imprensa da apresentação do Rally Santo Thyrso 2011.

Nesta, o edil Tirsense elogiou a colaboração com a Demoporto (com quem organiza o Rally) e despropositadamente, frisou que não pretendia ter o mesmo tipo de abertura com outros clubes, acusando-os de criticar a autarquia.


Opinião: Política (des)educativa da CMST

01/09/2011

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Setembro 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

Saiu há dias a notícia de que no próximo ano lectivo irão fechar cerca de 300 escolas, sendo que aproximadamente metade pertencem à Direcção Regional de Educação do Norte. As restantes estão distribuídas pelas DRE do Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Algarve e Alentejo.

Esta medida, já teria sido estudada e tomada pelo Governo PS de Sócrates, e foi reanalisada e implementada pelo Governo PSD de Passos Coelho. Era necessária mas apenas foi avante porque imposta pelo Memorando de Entendimento que Portugal assinou com o FMI-BCE-UE.

Efectivamente há escolas que, por força das circunstâncias, não estão a prestar um bom serviço aos alunos. Na generalidade os fechos acontecem dado o reduzido número de crianças inscritas. E é essa a circunstância que coloca em desvantagem um número considerável de alunos.

Numa escola com uma dúzia de alunos, apenas se contrata um professor, ainda que os alunos sejam de anos distintos. Assim, o professor tem de se desdobrar e dar 1º, 2º, 3º e 4º ano na mesma aula. Tarefa hercúlea, senão impossível, pelo que quem sai prejudicado é o aluno.

Naturalmente que, para um professor nestas condições, é impossível abordar a matéria, fazer exercícios ou dar a atenção necessária a um aluno de um determinado ano, se comparado com um professor de outra escola, que tem uma turma de 20 ou 30 alunos do mesmo ano.

Obviamente que, nestas condições, um aluno do 4º ano estará nivelado por baixo, porque os seus colegas não podem competir ou mesmo puxar por ele. Da mesma maneira, o aluno do 1º ano ver-se-á frustrado por estar “atrasado” em relação aos demais.

Ao todo vão fechar escolas em 100 dos 308 concelhos portugueses, e obviamente Santo Tirso é um dos infelizes contemplados. Algo a que já nos habituamos. Se o ranking é pela positiva Santo Tirso está na cauda. Se o ranking é pela negativa Santo Tirso está no topo.

Serão 10 as escolas a fechar no nosso concelho. Um número que nos coloca no “pódio” deste ranking. Guimarei, Roriz, São Tomé Negrelos, São Mamede Negrelos, São Martinho do Campo e Monte Córdova são as freguesias afectadas. Em São Tomé fecham 5 escolas.

Não surpreendem estes fechos. Eles acontecem porque as escolas não têm alunos suficientes. Mas porque será que Santo Tirso tinha 52 escolas das quais agora fecharão 10? A resposta é fácil e já a abordei no último artigo de opinião. A população está a diminuir em Santo Tirso.

Isto acontece porque os Tirsenses encontram melhores condições de vida noutros concelhos, e abandonam Santo Tirso. Principalmente os casais mais jovens. Aqueles que têm filhos em idade de frequentar as escolas do 1º Ciclo – Ensino Básico, que agora encerram.

Curioso é ver como o executivo camarário é um cego que não quer ver. Apesar de todas as evidências, a Câmara Municipal de Santo Tirso gastou nos últimos anos, centenas de milhares de euros, dos nossos impostos, nestas escolas que agora fecham.

Há tempos, num infomail sob o título “Educação, uma prioridade” a CMST divulgava os investimentos feitos no parque escolar que agora fecha: 254.000€ na ampliação da EB1 de Redundo; 157.000€ na beneficiação da EB1 da Rechã; 50.000€ na beneficiação da EB1 da Costa.

Três exemplos de escolas que vinham a perder alunos, e que naturalmente teriam o seu destino traçado, dadas as políticas educativas anunciadas pelos últimos 4 governos. Ainda assim a CMST desperdiçou quase meio milhão de euros em obras.

Diga-se que esse dinheiro dava para pagar (contas da própria CMST no programa de Acção Social Escolar) a alimentação de todos os alunos, ou metade do transporte escolar durante um ano inteiro. Dava para pagar livros, material escolar, prolongamento de horários e prémios de mérito durante 2 anos.

Então porque desperdiçou a CMST tanto dinheiro? Para atirar areia aos olhos dos pais dos alunos? Se o executivo tivesse capacidade e visão, teria antecipado e prevenido estes fechos, criando condições para que os alunos frequentassem outros estabelecimentos.

Seria bom que todos os alunos e pais, que agora se deparam com uma mudança brusca e inesperada, tivessem tido condições para uma transferência mais suave e planeada. A CMST podia ter avisado e preparado todos, ao invés de ir prometendo o que sabia que não ia cumprir.


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