Um pé em Santo Tirso, outro em Lisboa

18/02/2017

O Jornal de Santo Thyrso noticiou “Os militantes do PSD de Santo Tirso aprovaram (…) a candidatura de (…) Andreia Neto” e acrescentou que a candidatura teria sido “aprovada por unanimidade e aclamação“.

Disse bem. Aprovaram. Porque não puderam escolher. A candidatura foi-lhes imposta pela Comissão Política. Tal como há 4 anos com Alirio Canceles. Não havia, nem foi permitida ou procurada, alternativa.

Disse mal. Unanimidade. Porque a candidatura não foi proveniente de todos (definição de unânime), nem o parecer de umas dezenas de militantes reflecte a opinião geral dos militantes do PSD Santo Tirso.

Se foi aclamada não posso dizer. Porque em Londres, não consegui ouvir os aplausos e os gritos de júbilo e vitória. Se bem que me parece muito cedo para festejos desta natureza.

Andreia Neto disse que a sua, é uma “candidatura agregadora (…) que une toda a sociedade“. Não sei qual é a definição que Andreia tem de Sociedade. Mas se se refere à Sociedade Tirsense, é bom de ver que está errada.

Mais revelador (se bem que não surpreendente) é, para mim, a declaração de que “não irá esquecer as responsabilidades que tem para com o país, contudo a sua grande prioridade é o concelho Tirsense“.

Ou seja, tal como Elisa Ferreira em 2009, Andreia fica com um pé em Santo Tirso e outro em Lisboa. Uma posição confortável para a própria. Se vencer vem para Santo Tirso. Se sair derrotada tem o seu lugar garantido no Parlamento.


Portugal ainda não bateu no fundo

16/02/2017

É verdade que José Miguel Júdice – um dos que toda a vida comeu da gamela do Estado, e cujo escritório de advogados foi muito provavelmente dos que fez (e faz) leis à medida – disse em directo na TVI que…

“A mentira, na Política, é inevitável. Sejamos sérios.”

… mas alto, que ainda falta muita merda para chegarmos ao actual estado da Venezuela. Esta gente ainda está a aquecer.


Habemus candidatam PSD em Santo Tirso

19/01/2017

Não demorou muito para se confirmar o que disse no último post. Parece até que eu até já ia atrasado. Por que pelo visto (e segundo um militante/simpatizante do PSD que me contactou por email), a Comissão Política Concelhia do PSD Santo Tirso aprovou, na passada Terça-feira, dia 10 Janeiro, o nome de Andreia Neto como candidata à Presidência da CM Santo Tirso.

Tal como tinha sido feito há 4 anos pelos mesmos protagonistas, não houve discussão nem aprovação de um perfil, com os militantes. O nome de Anderia Neto foi apresentado como um facto consumado, e a votação no plenário da semana passada foi à boa maneira comunista: de braço no ar. Garantindo assim que seria aprovado.

Tudo isto foi feito num plenário para o qual, mais uma vez, não foram convocados todos os militantes. Só provavelmente aqueles que interessam, ou que em votação de braço no ar não teriam coragem para votar contra ou abster-se. Claro que eles dirão que veio publicado no Povo Livre, como dizem os estatutos. Mas isso, sabe-se bem, serão déspotas a esconderem-se atrás de formalidades.

Só me resta desejar sorte à Andreia Neto. Vai precisar dela. O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. E esta candidatura acaba de nascer torta, tal como a de Alírio (com o resultado conhecido).


PSD Santo Tirso: À espera da auto-nomeação de Andreia?

16/01/2017

Já lá vai o tempo em que “pelo facto de estar em Lisboa durante a semana” Andreia Neto não poderia “assegurar a condução dos destinos do PSD de Santo Tirso”. Foi em 2012 quando, em mais uma troca de cadeiras, Alírio Canceles entendeu “voltar a assumir responsabilidades na liderança do PSD de Santo Tirso“. Sim, porque no PSD de Santo Tirso não há eleições, os lugares assumem-se.

Alírio auto-nomeou-se candidato à presidência da CM Santo Tirso. Com a conivência de Andreia fez o que bem entendeu das Autárquicas 2013. Ostracizou militantes como Carlos Valente. Perdeu as eleições com o pior resultado de sempre. Teve o descaramento de culpar outros (ex. Passos Coelho, Carlos Valente e eu próprio). E ainda teve tempo de fazer tiro ao Zé Pedro Miranda.

Mas a memória, em política especialmente, é curta. Bem como as amizades. Depois de perdidas as Autárquicas 2013, Andreia Neto voltou a assumir a presidência do PSD de Santo Tirso. Tal como vaticinei aqui neste blogue. E começou desde logo a preparar o caminho. Primeiro passo, atirar Alírio pela borda fora. Algo fácil dado que ele sempre foi apenas uma marioneta sem peso político ou eleitoral algum.

Segundo passo, atrair militantes importantes ou de facção. Chamá-los à colaboração ou assunção de cargos. Como exemplo, os ex-presidentes do PSD Gonçalves Afonso, Paulo Ferreira ou João Abreu, e da JSD Pedro Almeida, Hugo Soutinho ou Rui Baptista. Todos eles, numa altura ou noutra, críticos de Andreia. Mas como disse, em política a memória é curta e as inimizades também.

Terceiro passo, garantir apoio de todos os outros militantes com peso, dado que infelizmente não há lugares para todos na estrutura do PSD. Vai daí uma cerimónia de entrega de prémios a ex-presidentes e presidentes das Juntas de Freguesia. Sedentos da importância que tiveram ou querem continuar a ter, mesmo aqueles que um dia foram ostracizados, juntaram-se a Andreia.

O passo seguinte, o quarto, tentar levar o CDS de Santo Tirso a aproximar-se. Tarefa que não se previa difícil. Desde há muitos anos que o CDS não tem expressão nem influência no concelho, pelo que uma hipótese de coligação seria bem vista. Ainda para mais quando Andreia podia invocar a coligação PSD/CDS vigente a nível nacional. Estavamos em Novembro de 2015 e o CDS (liderado por Ricardo Rossi) caiu que nem um patinho.

Entrados em 2016 era tempo de firmar mais um passo, e começar a aproximação aos Tirsenses. Vai daí a deputada Andreia Neto já não estava “presa” em Lisboa e passava muito mais tempo em Santo Tirso, em variados eventos e visitas. A comunicação dita social também se deixava cair na ladainha e publicava fotos de 1ª página, entrevistas e notícias com Andreia Neto.

Faltava apenas mais um passo. Discretamente puxar dos galões de deputada e exibir certas relações. Vai daí foi um desfile de notáveis. De José Pedro Aguiar Branco, passando por Paulo Rangel, e até Marcelo Rebelo de Sousa (benditas Presidenciais que calharam tão bem), Andreia apareceu ao lado, abraçou e tirou fotos com todos.

Também as “elites” do distrito teriam de ser convencidas, engraxadas e exibidas. Pelo que presidentes de Câmara como Aires Pereira, Bragança Fernandes, Paulo Cunha, Sérgio Humberto também passaram por Santo Tirso, e tiraram fotografias com Andreia. Para isso qualquer evento servia. Até as Jornadas Eurico de Melo, com a conivência da JSD, serviram de palco e plataforma a Andreia.

O último passo (para já) veio há pouco mais de 2 meses. O PSD Santo Tirso lançava o site www.ouvirparadecidir.pt que, disfarçado de auscultador do partido local aos Tirsenses, apenas serviria para dar mais publicidade a Andreia Neto. Daí a enorme foto de Andreia na página principal, que ocupa o ecrã inteiro!

Ora, depois de tudo isto, apenas falta consumar o facto. Ou seja, tal como Alírio Canceles, esperar que Andreia Neto se auto-nomeie candidata à presidência da CM Santo Tirso, e comunique isso aos militantes. Eles que, pelos estatutos, deveriam ser consultados previamente e ter uma palavra a dizer.


Mário Soares pintado de fresco

07/01/2017

Estou tão comovido com a morte de Mário Soares, como fiquei com a morte de outros políticos da nossa praça, que morreram nos últimos anos.

Confesso que não muito. Pela simples razão de que não acho, absolutamente, e de todo, que Soares tenha sido o herói que querem pintar agora de fresco.

Teve um papel importante, como muitos outros (uns mais e outros menos notáveis) na história recente de Portugal. Tomou posições e decisões cruciais para o futuro dos portugueses e do país.

Umas (algumas) boas, outras (muitas) más. Nem sempre (quase nunca) as boas foram pelo interesse de Portugal, mas pelo seu próprio. Por exemplo, creio que a decisão de evitar que o PCP tomasse controlo foi sobretudo porque Soares queria o protagonismo para si mesmo e para o PS.

Da mesma forma, as más (quase sempre) foram tomadas pela cegueira partidária, pela teimosia egoísta, e pelo interesse próprio e corporativo. E dessas há muitos exemplos, que me escuso repetir.

Para além disso, há os episódios do filho e os diamantes. De Macau e a Emaudio. Da Fundação e a origem do seu financiamento. Que não se podem branquear. E que só passaram incólumes dada a teia de influência e corrupção na política, comunicação “dita” social, e justiça.

Como Ministro e Primeiro-Ministro foi medíocre. Não se conhece nada relevante dos seus governos (a não ser a 2a vinda do FMI). Quem lidou e privou com ele sabe que nunca dominou qualquer dossier ou assunto, nem tinha conhecimento técnico de seja o que for. E, à porta fechada, até se gabava disso.

Como Presidente continuou as lutas partidárias e de poder. Não só focado no ressentimento ao PSD (o grande obstáculo ao “seu” PS ser o único grande partido português) mas também no ódio pessoal a Cavaco Silva (fazendo de tudo para tentar impedir os seus governos de fazerem fosse o que fosse).

Para além disso, o seu consulado como Presidente serviu para estender e aumentar os seus tentáculos, e criar um dos maiores polvos políticos de sempre. Com a conivência não só de camaradas do PS mas também gente de outros partidos, da comunicação “dita” social e da justiça.

A sua vida pública e tempo de serviço (ou melhor, em que ocupou cargos públicos) sempre foi pautada pelo egoísmo, lutas pessoais, políticas e de poder. Raramente se guiou por um sentido de missão, com vista a reformar e desenvolver o país, e dar algo melhor aos portugueses.

Recentemente fez mesmo coisas ridículas, como a candidatura presidencial contra Manuel Alegre e Cavaco Silva. A defesa de José Sócrates e Isaltino Morais. E outros episódios bem conhecidos sobre os quais escrevi neste blogue.

Daí que eu ache interessante, e até muito revelador, que a grande maioria do país – da sociedade civil à comunicação “dita” social; da classe política ao povo português – ache que Soares foi figura maior e proeminente de Portugal.

Agora, não interessa nada… avante para o Panteão. O primeiro a propôr isso no parlamento fica imortalizado.

P.S. (1) – Há 2 anos escrevi um post sobre Mário Soares, que recomento leitura, no seguimento deste: Mário Soares – Até ao fim da IIIª República

P.S. (2) – poucas horas (minutos até) após o anúncio da morte de Mário Soares, vários órgãos de comunicação “dita” social publicavam vários artigos de fundo acerca da sua vida (pessoal e política). É de muito mau gosto, eu acho, ter tudo isto preparado, à espera (alguns, se calhar, mesmo a torcer) do facto consumado, para poderem clicar “publicar”.


Os Boys… tal e qual

15/12/2016

Recentemente tropecei, literalmente, na série Os Boys da RTP. Vi o primeiro episódio e fiquei vidrado.

Durante duas semanas vi um episódio por dia. A série tem apenas 13 episódios ao todo e está na RTP Play.

Vou escusar-me de qualquer comentário para evitar algum spoiler. Recomendo ver para crer.

Tenho alguns amigos e muitos conhecidos na política. Reconheço que nem todos são iguais ou maus.

Mas que me perdoem. Esta série pretende ser uma sátira, mas a verdade é que a realidade é tal e qual.

Infelizmente…

 


Portugal Não Pode Esperar

27/11/2016

Creio que Portugal não pode, de facto, esperar. A acção e políticas do Governo liderado por António Costa são demasiado graves. E o rumo que a chamada “geringonça” leva é extremamente preocupante. Ao leme estão os partidos da extrema esquerda (BE e PCP), que navegam à sua vontade enquanto o “comandante” está mais preocupado com a sua própria imagem. Portugal recua para o séx. XX, de que fala o El País.

A alternativa está, sem dúvida, no PSD. Mas num PSD que se quer mais inconformado. Num PSD que se quer fortalecido. Num PSD que se quer mais fresco. Num PSD onde a discussão política é, sempre, acesa. Num PSD onde cabem todos os pontos de vista. De Pedro Santana Lopes, de Rui Rio, de Paulo Rangel e de muitos outros, mais ou menos notáveis. Num PSD livre de lastro (como Marco António Costa ou Fernando Ruas).

É por isso que vejo com bons olhos movimentos como o que foi fundado e anunciado recentemente, o “Movimento Portugal Não Pode Esperar“. Fundado por um grupo de militantes entre os quais estão alguns que muito estimo, e de quem me senti politicamente próximo por várias vezes. O Pedro Rodrigues, o Miguel Corte-Real ou o Hugo Neto, que conheço, são bons exemplos disso. Desejo-lhe um bom trabalho e muita força.

Força, principalmente contra o status quo e todos aqueles que se sentem incomodados – principalmente os da “cúpula de Lesboa” e da comunicação “dita” social – que tentam desde logo “carimbar” movimentos legítimos, numa tentativa de os descredibilizar (ex: oposição a Passos Coelho… apoio a Rui Moreira).


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