Sai um rissol e um croissant para o corredor da ortopedia

06/01/2018

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Esta fotografia foi publicada no Twitter pela jornalista Isabel Santiago, e ao que parece tirada por enfermeiros do Hospital de Faro, para denunciar as condições em que doentes estão, uns em cima dos outros, em enfermarias ou corredores.

É este o país em que a opinião pública e publicada, os políticos e a comunicação “dita” social discute se os bares dos hospitais devem ou não vender doces e salgados. Tudo, uma cambada de hipócritas – para ser simpático e educado.

Portugal é, sem dúvida nenhuma, e a muitos níveis, um país de 3° mundo. Como escrevi há vários anos, o segundo país mais desenvolvido do continente Africano, as seguir à África do Sul. Mas que por este andar será ultrapassado por outros.

E aquela gente que nas televisões e jornais discute se podemos ou não comprar um chupa ou um rissol, não é digna do lugar que ocupa, do dinheiro que ganha (pago pelos contribuintes) e às vezes nem do ar que respira.

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Rio vs Santana: Lealdade e Pluralismo

05/01/2018

Tratar política como futebol, e partidos como clubes, é um erro enorme. Infelizmente, a forma de estar e agir de muitos interlocutores políticos, principalmente os mais mediáticos e os que têm mais responsabilidades, tem sido nesse sentido. E a ideia de “se não estás comigo, estás contra mim” prolifera.

Com o que se passa noutros partidos, manifestamente menos democráticos (ex. o PCP), posso eu bem. Mas custa-me ver isto no PSD, que sempre foi um partido democrático e, acima de tudo, pluralista. Onde todos os militantes podiam (deviam até!) ter as suas próprias opiniões e pensar pela sua cabeça.

Isto a propósito do debate de ontem entre Rui Rio e Pedro Santana Lopes onde se ouviram ataques de falta de lealdade. Ao partido, ao líder, ou à direcção em ocasiões diversas. Conheço os dois pessoalmente. Admiro (por diferentes razões), tenho respeito político e estima pessoal pelos dois. Pelo que me custou.

Até porque ambos sempre praticaram, e muito bem, o tal pluralismo e liberdade de opinião dentro do partido. Aliás, são talvez dois dos mais mediáticos militantes que mais vezes, por mais tempo, e mais veementemente o fizeram. A ponto de ambos terem posto em causa a sobrevivência do partido, ou a vontade de estar no PSD.

Rui Rio disse recentemente que o PSD estava moribundo e corria o risco de desaparecer. Santana Lopes também achou no passado que não era possível regenerar ou refundar o PSD, e por isso falava num novo partido (o PSL). Devo dizer que também eu já escrevi que o PSD estava em agonia, e já pensei várias vezes se seria possível renová-lo.

A história do PSD está cheia de episódios em que (grupos de) militantes estavam em desacordo,  tinham visões diferentes e opiniões diversas. Defendiam ideias contrárias e planos de acção variados. Criticavam quem estava na liderança do partido, ou até mesmo à frente dos destinos do país, no Governo.

Sá Carneiro e a ala Eanista ou as Opções Inadiáveis (de Pinto Balsemão e  Magalhães Mota). Balsemão e as críticas de Cavaco Silva e do meu avô, Eurico de Melo. Marques Mendes e as críticas de Luís Filipe Menezes. Este e as críticas de Ferreira Leite. Esta e as críticas de meio partido! Tantos são os casos de divergências.

A meu ver, ao invés de prejudicar o partido, este pluralismo e liberdade individual, bem como a convicção com que essas correntes se expressaram e agiram, fortaleceram-no. E é também por isto que o PSD é o partido mais portugês e mais original. Não há uma linha de pensamento única imposta por uma ideologia ou doutrina.

Ontem, no debate, tentou-se apelar àquele sentimento primitivo, que prolifera hoje no futebol. Tentou apelidar-se uns e outros de traidores. No PSD, pluralismo e liberdade de opinião nunca significaram falta de lealdade. E espero que assim continue. Quero crer que os militantes do PSD sabem distinguir as coisas.


Boas Festas da Senhora Deputada

01/01/2018

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Um dos maiores problemas de Portugal está, na minha opinião, na frequência da Assembleia da República.

A começar pelo seu presidente, Eduardo Ferro Rodrigues, que por diversas vezes, ao longo da sua carreira política, demonstrou falta de integridade, competência ou dignidade, para ocupar tão alto cargo – segundo na hierarquia da República Portuguesa.

Mas principalmente nos deputados, que salvo raríssimas excepções (para as quais este escrito é injusto), demonstram todos os dias sofrer do mesmo mal. Falta de integridade, competência ou dignidade para ocupar tão importante lugar e desempenhar tal função.

A recente polémica da Lei do Financiamento dos Partidos é apenas mais uma prova disso mesmo. De que a Assembleia da República é mal frequentada. Por pessoas que não têm sentido de missão ou de responsabilidade, não têm honra ou brio, não têm respeito ou vergonha.

Sim, sei que foram eleitos, e ainda bem que assim foi. Sou um acérrimo defensor da democracia representativa e participativa. Infelizmente, por razões que não vale a pena dissecar neste post os Portugueses conseguiram eleger para seus representantes o pior que a sociedade tinha para oferecer.

A fotografia acima é apenas mais uma, muito pequena, prova. Andreia Neto, minha conterrânea, deputada do PSD eleita pelo círculo do Porto (não por mérito mas para cumprir a Lei da Paridade nas listas) enviou para minha casa dois postais de “Boas Festas”.

Uma hipocrisia. Andreia Neto tem liderado um cacique no PSD Santo Tirso, que tem por único objectivo servir-se do partido e dos lugares que consegue para proveito próprio. Eu tenho sido um dos maiores críticos da sua acção política. Como fracos políticos profissionais Andreia e o seu cacique levam as coisas para o campo pessoal.

No entanto Andreia envia não um, mas dois postais, e atreve-se a assinar “com amizade“. Quando sabe perfeitamente que nunca fomos, nem somos, amigos – independentemente da vida partidária ou diferenças políticas. Quando ela sabe, que eu sei, que estes postais não são de todo sinceros.

Um desperdício. De papel e de dinheiro dos contribuintes. Se Andreia Neto, os seus colegas deputados, ou a Assembleia da República tivessem um mínimo de respeito pelos Portugueses (e já agora pelo ambiente) enviavam um email (estamos no séc. XXI) que não tinha custos ou, no limite, uma carta por agregado familiar.

Pus-me a pensar. Será que todos os 230 deputados enviaram estes postais de “Boas Festas”, em duplicado ou triplicado, para todos os Portugueses? Para todos os eleitores? Para um grupo restrito de pessoas que alguém, por eles, escolheu? Quantos postais e envelopes? Milhões? Centenas de milhar? Dezenas de milhar? Milhares? Quanto custou?

A verdade é que estas coisas, por pequenas (postais de “Boas Festas”) ou grandes (Lei do Financiamento dos Partidos) que sejam, nem sequer lhes passam pela cabeça. Porque na sua maioria sofrem de Dunning-Kruger Effect, e o poder sobe-lhes à cabeça de tal maneira que pensam que são iluminados ou enviados. Que podem dizer e fazer tudo. Sem nunca se questionar a si próprios, quanto mais serem questionados – os donos deste país.


Rui Rio e Santana Lopes, os maus da fita

22/12/2017

As “trapalhadas” de Santana em 2004 (que Rio apoiou e Marcelo arrasou). Este artigo do Observador pretende claramente fazer crer que Rui Rio não é diferente daqueles políticos que ele mesmo critica. Que é incoerente e, como tal, pouco confiável.

O artigo pretende fazer passar a mensagem de que Rui Rio se disfarça de homem sério, disciplinado e íntegro, mas que em 2004 terá apoiado o que a comunicação “dita” social resolveu denominar de “trapalhadas” de Santana Lopes.

A verdade é que basta ler o artigo para perceber que isso não é verdade.

Numa entrevista (…) Rui Rio dizia que Santana Lopes tinha “mais consistência do que a imagem que têm dele” e que era uma pessoa com “seriedade, lealdade e frontalidade”.

Ora será isto mentira? Santana Lopes é bem conhecido por ser firme nas suas ideias e convicções, portanto consistente. Sempre foi honesto, digno e sincero, portanto sério. Não se lhe conhece nenhuma traição a quem serviu, portanto leal. E ninguém pode negar a sua frontalidade.

Rio (…) afirmava mesmo: “Só posso dizer bem de Santana. O meu estilo não tem o exclusivo da competência e do sucesso“. Atribuía ainda (…) “sensibilidade social que muitos militantes do PCP e do Bloco de Esquerda não têm.”

Ora será isto mentira? Os últimos anos, em particular os passados como Provedor da SCML provaram que Santana Lopes tem, de facto, uma enorme sensibilidade social, e que, enquanto uns falam, ele faz. E faz reconhecidamente bem feito.

Rio culpava os jornalistas: “Este Governo e o primeiro-ministro merecem uma avaliação justa. E não merecem o que a maior parte da comunicação social está a fazer. Ainda o programa de Governo não estava aprovado e já as críticas eram mais que muitas”

Ora será isto mentira? Rio culpava e bem a comunicação “dita” social que na altura começou a criticar Santana Lopes, e a deitar abaixo o PSD, ainda o governo não tinha tomado posse. Curioso que agora, com o governo PS liderado por António Costa, ninguém rasga as vestes ainda “trapalhadas” e “escândalos” sejam o pão nosso de cada dia.

Ou seja, ao contrário do que a artigo tenta fazer passar, nem Santana Lopes foi tão mau como o pintaram, nem Rui Rio foi, alguma vez, incoerente. Ambos estavam a fazer o melhor por Portugal e pelo PSD. Ambos foram verdadeiros com os portugueses e consigo próprios.

À época, Santana Lopes era diabolizado pela comunicação “dita” social. Rui Rio era pura e simplesmente ignorado pela mesma comunicação “dita” social e pela cúpula de “Lesboa” – por ser o mais destacado defensor do Porto e do Norte.

Passada década e meia, os mesmos (a comunicação “dita” social e a cúpula de “Lesboa”) tentam ridicularizar um e ignorar o outro. Tudo para ver se o PSD não ganha força, deixando o PS despreocupado e mais à vontade no assalto ao poder e ao dinheiro dos contribuintes.


IPSS levantem-se e façam-se ouvir

22/12/2017

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Em 2009, Vieira da Silva era Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social no governo PS liderado por José Sócrates. Nessa altura, deu 100 mil euros a uma IPSS presidida pela sogra.

Toda a gente que lidou de perto com IPSS, principalmente aquelas que não têm dimensão nacional, sabe que obter subsídios do Estado é extremamente difícil. E quando eles chegam são pequenos. Na ordem dos milhares ou, com muita sorte, dezenas de milhares de euros.

Ora Vieira da Silva resolveu saltar directamente para as centenas de milhar, e dar 100.000€ do dinheiro dos contribuintes, a uma IPSS local, que curiosamente era presidida pela mãe da sua mulher (a deputada Sónia Fertuzinhos).

Poucos meses depois, qual coincidência, a sogra decidiu pagar-se a si mesma 1.000€ por mês. Oferecendo-se a si própria um aumento de 20% em 2016. O que a adicionar à sua reforma lhe dava uns confortáveis 2.300€ por mês.

Isto é nojento e repugnante. É inaceitável e inadmissível.

A esmagadora maioria dos contribuintes tem níveis de vida inferiores ao que desejaria porque não só paga demasiados impostos, mas porque sempre que precisa do Estado (ex. Saúde, Educação, Segurança) ele não consegue corresponder.

A fatia dos impostos destinada a solidariedade social já é pequena. Por contra-ponto aqueles que precisam mais de ajuda são cada vez mais. E o que acontece a esse dinheiro? É roubado (sim, roubado, sem aspas) por um bando de gente asquerosa e corrupta.

Existem milhares de IPSS em Portugal. Pelas minhas contas são cerca de 5.000. Para as quais devem trabalhar (funcionários e voluntários) centenas de milhares de pessoas. Na sua esmagadora maioria gente decente e bem intencionada.

É preciso. É imprescindível. É obrigatório. Que essas pessoas façam ouvir a sua voz. Bem alto. Porque o que se está a passar neste momento – com os casos que involvem o Ministro Vieira da Silva e a sua mulher, a Deputada Sónia Fertuzinhos – põe em risco uma das mais nobres actividades da sociedade.

As IPSS arriscam caír total e definitivamente em descrédito. Pessoas e empresas que oferecem dinheiro e géneros irão certamente começar a dar menos. Voluntários que oferecem tempo e vontade irão certamente começar a desaparecer.

E quem sofre com isso são os mais desfavorecidos. Aqueles que precisam mais. Os que não têm mais ninguém a quem acorrer.

 


Raríssimas. Esta gente não chega lá sozinha II

11/12/2017

Quando ontem escrevi que gente como Paula Costa “só chega a estas posições se for ajudada ou empurrada” e que chegando lá, só se mantêm, roubando cada vez mais, se outros forem incompetentes e irresponsáveis” estava longe de saber que o Ministro Vieira da Silva, o Secretário de Estado Manuel Delgado, ou a Deputada Sónia Fertuzinhos não eram os únicos políticos a chafurdar neste lamaçal.

Foi o artigo da Visão “Como a política, a banca e os negócios apadrinharam Paula, a Raríssima” que nomeou outros, da auto-denominada elite portuguesa. Entre eles vários políticos e ex-governantes. Leonor Beleza, Graça Carvalho, Maria de Belém ou Roberto Carneiro, todos eles ex-Ministors. Fernando Ulrich, Teresa Caeiro, Isabel Mota ou António Cunha Vaz.

Tudo gente que, repito, tinha obrigação de ter mais responsabilidade quando ajuda ou promove alguém. Quando se involve e aceita fazer parte de alguma coisa. Parece-me evidente que todos lá estiveram, ou ainda estão, porque fica bem, e não por se interessarem, o mínimo que seja, pela actividade da tal instituição. Como foi possível isto passar-se debaixo dos seus narizes?

Todos eles fizeram parte dos orgãos da instituição. Fosse no Conselho Consultivo ou na Assembleia Geral. Está bem à vista que apenas fizeram figura de corpo presente. Sendo incompetentes nas suas funções de fiscalização. Se tivessem o mínimo de vergonha, ou respeito pelo dinheiro dos contribuintes, viriam imediatamente a público retratar-se, pedir desculpa, e cooperar com a investigação em curso.


Raríssimas. Esta gente não chega lá sozinha

10/12/2017

A investigação da TVI “Para onde vai o dinheiro que a Raríssimas recebe” é de valor e vale a pena ver. Reportagens desta natureza e com esta qualidade são verdadeiro serviço público de televisão. E já que a RTP não o faz, porque está controlada por quem exerce o poder executivo no governo, ao menos que outras o façam.

O que é agora denunciado pela TVI só surpreende quem andam propositadamente a tapar os olhos com as próprias mãos. Porque todos nós temos conhecimentos de casos semelhantes em empresas privadas e públicas, gabinetes políticos, organizações não governamentais e instituições (ditas) de solidariedade.

É preciso ter provas, como as que a TVI apresentou, para que se possa acusar esta gente – sim “acusar”, o que em Portugal está a anos-luz de “condenar”. Mas não é preciso ter provas para saber o que se passa. Para isso basta ter conhecimento ou assistir a certas atitudes, comportamentos e práticas.

Exemplos disso estão bem patentes nesta reportagem, no vídeo em que a ladra que preside à Rarissimas fala do Presidente da República e de como os funcionários devem agir durante da sua visita. Bem como do vídeo em que ameaça os mesmos funcionários de despedimento caso não façam vénia à passagem da madame.

Outros exemplos estão bem demonstrados na mentalidade e práticas. Como achar que teria de se apresentar em carros de luxo ou vestida por marcas de renome. Ou no facto de tanto marido como filho serem empregados pela instituição com ordenados absolutamente desproporcionais.

Gente que fala com a sobranceria e arrogância ou com o desrespeito e desprezo pelos funcionários que é visível nos vídeos apresentados, é gente que não tem perfil para liderar uma ninhada de ratazanas. Quando mais uma instituição que recebe dinheiro dos contribuintes para ajudar crianças com deficiência.

Gente sem carácter e sem integridade. Que naturalmente só chega a estas posições se for ajudada ou empurrada por gente da mesma laia. Gente como o Ministro Vieira da Silva, o Secretário de Estado Manuel Delgado, ou a Deputada Sónia Fertuzinhos (mulher daquele). Que parecem sido cúmplices e coniventes, mas também beneficiados.

E parace-me óbvio que chegando lá, só se mantêm, roubando cada vez mais, se outros forem incompetentes e irresponsáveis. Caso dos muitos que se prestaram a visitas e fotografias ao lado ladra. Desde Maria Cavaco Silva a Marcelo Rebelo de Sousa. Ou vários dirigentes políticos e públicos, incluindo deputados (até a Tirsense Andreia Neto)

Gente que tinha obrigação de ter mais cuidado quando ajuda ou promove alguém. Se tivessem o mínimo de interesse na causa e no problema, sentido de responsabilidade, ou respeito pelo dinheiro do contribuinte, informavam-se antes de se colocarem a si, ou a quem representam, ao lado de semelhante gente.


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