Egoísmo e Irresponsabilidade

25/06/2020

A notícia de um surto do novo Corona vírus em Oliveira do Bairro, em consequência da festa de re-abertura do bar Taberna Brewery demonstra bem muito do que está por trás do descontrolo da pandemia em Portugal.

Egoísmo – Os proprietários do dito bar poderiam e deveriam ter re-aberto o seu estabelecimento seguindo as regras definidas pelas autoridades, bem como o bom-senso que a actual situação exige.

Em vez disso resolveram fazer uma festa de re-abertura – muito provavelmente compelidos pela vontade de chamar a atenção, bem como pela ganância de fazer dinheiro rápido.

As consequências desta atitude irreflectida, ignorante e egoísta atingirão agora todos os comerciantes da área, que depois de 3 meses fechados já viam a luz ao fundo do túnel.

No lugar deles, eu pediria responsabilidades aos donos Taberna Brewery.

Irresponsabilidade – Sabe-se também que na dita festa estiveram presentes dois vereadores da C.M. Oliveira do Bairro – seguindo as pisadas e o mau exemplo do Primeiro-Ministro e do Presidente da República.

Como autoridades locais, os vereadores deveriam zelar pelo cumprimento das regras, pelo bem estar das populações, e pelo bom funcionamento da economia – que mantém empregos e garante futuro.

Ao invés, quiseram fazer aquilo a que a maioria dos autarcas estão habituados: pavonear-se em festas, para chamar a atenção a si próprios e continuar a campanha eleitoral com vista ás próximas eleições autárquicas.

As consequências desta atitude inconsciente, leviana e narcisista poderá forçar o recuo nas medias sanitárias do concelho, tendo impacto na economia local, e levando a mais tempo de desespero dos oliveirenses.

No lugar dos eleitores, eu pediria responsabilidades aos autarcas, castigando-os no próximo acto eleitoral.


Carta aberta a Rui Rio – Presidenciais 2021

25/05/2020

Caro Rui Rio,

Tive o prazer de o conhecer pessoalmente há 20 anos atrás, no Hotel Montebelo em Viseu, aquando do XXIII congresso do PSD (famoso pela disputa entre Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e Luís Marques Mendes). Sentamo-nos no bar. Eu, o Rui, e o meu avô, Eurico de Melo.

Nessa altura, havia uma certa reverência ao meu avô. Por parte dos aspirantes, dirigentes e a maioria das figuras de proa do partido. Todos tinham um especial cuidado nas conversas, e naquilo que diziam ao “Vice-Rei do Norte”. Era importante agradar-lhe, e quiçá garantir o seu apoio.

Naquela tarde em Viseu, o Rui começou imediatamente a ganhar o meu respeito. Porque não notei nenhuma deferência ao meu avô, apenas respeito. Porque não notei nenhum cuidado especial no seu discurso, disse o que pensava. Porque não notei nenhuma mudança no seu sotaque nortenho, apesar de estar há 10 anos por Lisboa.

Estes detalhes disseram-me algo sobre o seu carácter e a sua personalidade. Sobre os seus valores e princípios. Bem como sobre a sua forma de estar no partido e na política – muito próxima daquela marcada por Francisco Sá Carneiro, e seguida pelo meu avô, entre outros (infelizmente não tantos quanto desejável).

A sua carreira política, principalmente a partir desse ano (porque ganhou dimensão nacional com a candidatura às Autárquicas 2001, nas quais acabou por vencer a CM Porto), comprovou aquilo que eu pensava. O Rui está na política para servir, e não para se servir. É um homem íntegro, honesto, humilde, pragmático e corajoso.

Esse sentido de missão, maneira de estar e de ser, trouxeram-lhe muitos dissabores. Porque foi por causa deles que afrontou muitos poderes instalados e interesses obscuros. Mas também foi isso que conquistou a confiança e admiração de muitos portugueses – que lhe valeram várias vitórias eleitorais e políticas.

Agora, mais do que nunca, o país precisa que o Rui continue a ser igual a si próprio. E que lidere a disrupção e o combate que se impõe, para afastar do poder os perigosos interesses e indivíduos que descaradamente têm saqueado o dinheiro dos contribuintes. Usando-o em benefício próprio e dos seus correligionários.

Escuso-me de afirmar se Marcelo Rebelo de Sousa é dos que se aproveitou directamente. Mas digo convictamente, e baseado numa vasta evidência, que como Presidente da República e a coberto de um projecto de poder pessoal, que tem como objectivo a sua re-eleição em 2021, Marcelo se rendeu àqueles que pervertem a política e os negócios.

É por isso absolutamente imprescindível que o PSD apoie um candidato alternativo a Marcelo, nas próximas eleições Presidenciais. Apoiá-lo, ou deixá-lo vencer por falta de comparência, é dos piores serviços que se poderá prestar ao país neste momento. Tenho a certeza que outros partidos também procuram, e muitos portugueses anseiam, por uma opção válida.

Não se trata de uma questão de Esquerda versus Direita, ou de Socialismo versus Liberalismo. Não é, de todo, uma questão ideológica. Trata-se de colocar na posição de Chefe de Estado, de “árbitro” da política, alguém que verdadeiramente represente Portugal e os interesses dos Portugueses, que dê dignidade ao cargo e tenha respeito pelo lugar que ocupa.

Não é aceitável que no Palácio de Belém esteja um “bobo da corte” que deliberada e intencionalmente entretém e ilude os portugueses mais incautos, enquanto interesses instalados e homens corruptos se apoderam dos recursos do país e do dinheiro dos contribuintes, empurrando-os para outro resgate.

Rui, se me permite dar algumas sugestões – Pedro Passos Coelho, Leonor Beleza ou Paulo Rangel. Todos eles gozam de grande respeito e admiração por parte dos portugueses. E, mais do que isso, podem conquistar apoio transversal no expectro partidário. Acredito até que possam vencer.

Esta não é altura de jogar o “xadrez político”. Porque aqueles que se sentam do outro lado do tabuleiro não são de confiar. São batoteiros, e apenas querem aproveitar-se da boa vontade de quem joga o “jogo pelo jogo”. Esta é a hora de romper, como fazia Sá Carneiro.

Se há alguém no PSD com coragem e desprendimento para o fazer, é o Rui. Força! 

Luis Melo
Militante 69.491
(Secção PSD de Santo Tirso)
Londres, 25 Maio 2020


COVID-19: Exige-se empatia e decoro

29/03/2020

Empatia.

Quem quer que esteja numa posição de controlo ou domínio deve sempre ser capaz de demonstrar empatia por aqueles sobre os quais exerce esses poderes. Principalmente em política, dado que a posição que ocupa, lhe foi oferecida pelos seus pares. Nesta crise, tem havido imensos exemplos em que os políticos demonstraram o oposto, uma absoluta indiferença.

  • Sei que já há óbitos mas não são ainda em número significativo”, Graça Freitas (Directora Geral da Saúde de Portugal).
  • “o coronavírus até pode ter consequências bastante positivas”, Maria do Céu Albuquerque, Ministra da Agricultura de Portugal.
  • estas instituições privadas tinham de ter pensado num plano de contingência“, Marta Temido, Ministra da Saúde de Portugal.
  • Se tivermos menos de 20.000 mortos, isso será um bom resultado“, Stephen Powis, Director Médico do NHS (SNS) de Inglaterra.

Decoro.

Da mesma maneira, quem exerce estas funções tem de demonstrar decoro. Ter consciência da situação em que se está, e pela qual as pessoas estão a passar. Nesta crise, também tem havido imensos exemplos onde políticos mostraram comportamentos descomedidos, inconvenientes, ou até mesmo aproveitadores da situação para benefício pessoal (o que demonstra uma enorme falta de escrúpulos).

  • António Costa e o seu putativo sucessor, Fernando Medina, aproveitaram o momento para fazer visitas acompanhados de câmaras de televisão, como se estivessemos em campanha eleitoral.

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  • Marta Temido e Graça Freitas, nas várias intervenções públicas que têm, respondendo a perguntas de jornalistas sobre as preocupações dos portugueses, variam entre o rosto fechado e arrogante, e sorriso aberto e troçador.

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O fair play de Jurgen Klopp

29/01/2020

O regulamento da Taça de Inglaterra diz que em caso de empate, deve haver um segundo jogo, e depois, se for caso disso, prolongamemto e pénaltis, para decidir a eliminatória.

Na mais recente eliminatória, o Shrewsbury Town FC (que ocupa o 16. lugar do 3. escalão do futebol Inglês) empatou com o Liverpool FC (Campeão Europeu, Mundial, e certamente novo Campeão Inglês) 2-2, depois de ter estado a perder 0-2.

Em comentário ao jogo, e num enorme gesto de fair play Jurgen Klopp, treinador do Liverpool, disse:

Most times in my life I worked and played for lower league teams. Replays cannot be the answer. Shrewsbury could have won the penalty shoot-out and gone through.”

Basicamente, o alemão recordou que também ele trabalhou e jogou por equipas pequenas, e disse que o segundo jogo prejudica, principalmente os clubes mais pequenos. E que o Shrewsbury poderia ter perfeitamente ganho o jogo à sua equipa (em prolongamento ou pénaltis) empolgado pela reviravolta.

Klopp tem toda a razão. Só há um problema. É que tanto os organismos do futebol, como a comunicação “dita” social, prefere ter os “grandes” nas fases finais – por causa do dinheiro que isso gera.


Escândalo dá lição ao futebol – parte II

25/01/2020

O tenista João Souza, que chegou a ser n. 1 Brasileiro e 69 do ranking mundial, foi banido para sempre do circuito profissional de ténis – e está assim impedido de jogar torneios ATP, ITF e Challenger.

Para além disso, foi condenado a pagar uma multa de $200.000. Tudo por ter ficado provado que manipulou encontros e vendeu resultados, bem como incentivou outros a fazê-lo.

A corrupção não pode ter lugar no desporto. Infelizmente ela está presente no maior dos desportos, o futebol, todas as semanas.


Os imbecis dos ginásios

22/01/2020

Foi há mais de 500 dias que iniciei a recuperação da ruptura total do tendão de Aquiles. Fisioterapia praticamente todos os dias (e ainda tenho muitos pela frente).

Recuperei em Portugal e Inglaterra. Em hospitais, clínicas de fisioterapia, centros de medicina alternativa, centros de medicina desportiva, centros de alto rendimento, e ginásios.

Em todos esses locais conheci e fui tratado por excelentes profissionais, competentes e dedicados. Mas não é deles que venho falar.

Porque raio é que no verão as pessoas chegam aos ginásios e ligam o ar condicionado no mínimo, a 18 graus?

Porque raio é que no inverno as pessoas chegam aos ginásios e ligam o ar condicionado no máximo, a 28 graus?

Porque raio é que as pessoas ligam as TVs no seu canal de preferência (reality shows, por exemplo) aos berros?

Porque raio é que as pessoas ficam sentadas nas máquinas (entre séries) durante vários minutos, a brincar com o telemóvel?

São literalmente estas e outras parecidas, com que me tenho deparado, nos locais por onde tenho passado, e onde os frequentadores têm acesso e controlo sobre aparelhos. Uma enorme falta de senso e de respeito pelo próximo.

O que vale é que, tendo passado 1 ano e meio e as 4 estações do ano nestes locais, sei que só tenho de aturar isto nas primeiras semanas de Janeiro (as resoluções de ano novo), e outra vez em Junho (as resoluções de verão), durante 2 ou 3 semanas.

Já agora, para esses “imbecis do ginásio”… não é preciso um génio para saber que ser-se sedentário durante 50 semanas e ir para o ginásio durante 2 semanas, fazer exercício à bruta (sem regras, equilíbrio, aconselhamento profissional e monitorização), faz mais mal do que bem.

Basta irem ao Google…


Escândalo dá lição ao futebol

17/01/2020

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Os Saracens FC são uma das melhores equipas de rugby do mundo. O clube, fundado há 144 anos atravessa agora um período difícil.

Nas últimas 5 épocas, os Saracens venceram quatro (4) Campeonatos e uma (1) Taça de Inglaterra, e três (3) Ligas dos Campeões.

Em Março 2019, os Saracens foram acusados de violar as regras de fair play financeiro (pelo menos nas últimas 3 épocas), e em Junho a liga iniciou uma investigação.

Em Novembro 2019 foram condenados e multados em 5 milhões de libras. Perderam 35 pontos no Campeonato e teriam de equilibrar as contas.

Agora, passados 2 meses, a verdade é que não obedeceram ao equilíbrio. E portanto a liga irá despromover o clube à segunda divisão.

As chamadas “modalidades”, neste caso o rugby, continuam a dar lições ao futebol – onde os interesses financeiros, a corrupção e o poder se continuam a sobrepor ao desporto.


Para as urtigas com os emigrantes

10/10/2019

O círculo eleitoral onde votam os emigrantes elege 4 deputados. Historicamente tem elegido 3 para o PSD e 1 para o PS.

Nestas eleições, muitos votos enviados pelos emigrantes não chegaram a Portugal. Por “erro” da administração central e do governo PS.

Entretanto o Presidente da República indigita António Costa como primeiro ministro, sem saber quem os emigrantes elegiam.

Não se vê qualquer tipo de indignação. Porque o que interessa é que o PS e o BE se entendam rápido.

O Portugal político e partidário tornou-se num esgoto… continuem a votar neles.


As lágrimas e a vergonha de Cavaco

08/10/2019

Cavaco Silva escreve hoje um artigo de opinião, no Observador. Sobre o PSD, e como o entristece ver o resultado das legislativas.

A mim (militante do PSD, ao contrário dele) entristece-me mais ver a cara de pau e falta de vergonha de Cavaco Silva.

Entristece-me ver essa personagem cuspir no prato que lhe deu de comer. De quem o fez aquilo que ele é hoje.

Cavaco Silva não só abandonou Governos PSD (Santana Lopes e Passos Coelho) durante períodos difíceis do país, como contribuiu para a criação da Geringonça.

Para os que têm memória curta, em 2015 Cavaco não só não quiz dar posse a um governo do PSD como também nada colaborou para que houvesse entendimentos ou apoios.

Foi ele que abriu caminho, e deu alento, ao acordo das esquerdas, depois de o PSD ter vencido as eleições.

Entristece-me ver esta gente sem carácter e sem vergonha verter lágrimas de crocodilo e tentar fazer os militantes de lorpas.

Lorpa é ele, que passou uma vida política inteira às ordens do general lá de casa.


Carácter: Rio 1-0 Costa

17/09/2019

Rui Rio venceu o debate. E venceu de tal forma que até a maioria da opinião publicada, capturada pela “Cúpula de Lesboa”, se viu obrigada a reconhecê-lo.

É preciso sublinhar a forma como Rio o fez, porque isso diz muito da pessoa e do político que é, efectivamente diferente da maioria dos protagonistas a que estamos habituados.

Note-se que Rio não explorou qualquer um dos “casos” que causariam desconforto a Costa (Sócrates, Incêndios, Tancos ou o Family-gate) e oportunidades não faltaram.

Isto demonstra a honestidade e integridade de Rui Rio, mas acima de tudo a diferença de carácter. Bem como a sua vontade de vencer pelas suas ideias, e não por ser “do mal o menos”.

Mas também mostra uma forma de pensar e interpretar diferentes. Esses remoques poderiam agradar a algumas claques do PSD, mas não iriam cair bem no eleitorado que é preciso conquistar.

Aqueles indecisos, ou pessoas desiludidas com a política e com os políticos, sabem bem o que o governo fez nos últimos 4 anos, mas também estão fartas de uma oposição que apenas faz política de casos e não tem alternativas.

Pelo contrário, António Costa demonstrou mais uma vez aquilo que é, como pessoa e como político. Ao que parece, ambos combinaram não fazer declarações à saída do debate. Rio cumpriu. Costa falou, a tentar controlar os danos. Desonesto, como sempre.


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