A Carta de Cavaco e Eurico em 1982

15/04/2018

Em 1982, Pinto Balsemão liderava o Governo de Portugal. A Aliança Democrática distribuiu 10 pastas ministeriais ao PSD, 8 pastas ao CDS, 1 pasta ao PPM e 3 pastas a independentes.

Estes eram alguns dos nomes mais conhecidos do Governo:

  • Freitas do Amaral, Vice-Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa
  • Gonçalo Ribeiro Telles, Ministro de Estado e da Qualidade de Vida
  • João Salgueiro, Ministro das Finanças
  • Ângelo Correia, Ministro da Administração Interna
  • Basílio Horta, Ministro da Agricultura, Comércio e Pescas
  • Francisco Lucas Pires, Ministro da Cultura e Coordenação Científica

Dois anos passados sobre a morte de Francisco Sá Carneiro – que abriu a porta à chefia do Governo a Pinto Balsemão – o país passava por uma altura difícil, e o Governo não parecia capaz de “dar conta do recado”.

Cavaco Silva tinha sido Ministro das Finanças e do Plano de Sá Carneiro. O meu avô, Eurico de Melo era na altura Ministro da Administração Interna. Ambos muito próximos do líder do partido, da sua visão, e das suas ideias.

Descontentes com o status quo, escreveram uma carta aberta (clicar no link para abrir ou descarregar), em Julho de 1982. O Governo caíria em Junho de 1983, com a demissão de Pinto Balsemão. Seguir-se-ia um desastroso Governo do Bloco Central, liderado por Mário Soares.

Em Novembro de 1985, Cavaco Silva e o PSD vencem, sozinhos, as eleições legislativas, e ficam no Governo até 1995. Pelo caminho obtiveram duas maiorias absolutas. O meu avô esteve no Governo até 1990. Primeiro como Ministro de Estado e da Administração Interna, depois como Vice-Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa.

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Queriam um político diferente – Aqui o têm

09/04/2018

Era extremamente importante que todos vissem esta intervenção do presidente do PSD. Rui Rio é, de facto, um político diferente.

E para aqueles que dizem que os políticos são todos iguais (a maioria dos portugueses), aqui está alguém em quem podem votar nas próximas eleições.

A comunicação “dita” social e a opinião publicada (diferente de opinião pública) pode dizer o que quiser – o rumo deste homem não vai mudar.


Na JSD… eu votaria André Neves

30/03/2018

Vi hoje, com curiosidade, o debate entre os dois candidatos à liderança da JSD (Juventude Social Democrata), transmitido pelo SAPO 24. Podem ver aqui, no Facebook. São 90 minutos de boa discussão. Apesar do fraquíssimo moderador.

Conheci a Margarida Balseiro Lopes há 10 anos, em Lisboa. Desde então tenho acompanhado o seu percurso político com atenção. Não conheço o André Neves, mas pedi opinião a gente que estimo e em quem confio.

Fui ver o debate sem qualquer expectativa ou ideia pré-formada, mas no final fiquei esclarecido. Como militante do PSD, preferia que a JSD tivesse o André Neves como presidente no próximo mandato.

A Margarida mostrou-se demasiado igual àquilo que se tem visto na política portuguesa nas últimas décadas, em particular nos centros de decisão política (como as lideranças partidárias, a Assembleia da República, e o Governo).

Não admira, já que são esses mesmos meios que a Margarida tem frequentado nos últimos anos, principalmente desde que é deputada. Sei bem que é mais fácil deixar-se engolir pelo “sistema” do que ser diferente (como fez, por exemplo, Sá Carneiro).

No debate, a Margarida mostrou conhecer todos os truques dos políticos profissionais. Acusou o André de ataques baixos (quando ele falou de apoiantes menos recomendáveis) mas depois atacou-o no seu carácter (ao acusá-lo de não ser sério, e de ser desnonesto intelectualmente).

Quando o assunto era desconfortável, a Margarida fugia com um “prefiro discutir nos locais próprios” ou um “não fiques nervoso“. Intitulou-se democrata, mas no final deixou cair que a JSD ficaria melhor com uma Comissão Política Nacional (CPN) menos pluralista.

O André mostrou-se muito mais genuíno e próximo da realidade (longe de “Lesboa”, o que é uma vantagem enorme). Apresentou o que, a meu ver, são propostas, convicções e ideias sensatas, realistas, inovadoras, e em linha com os ideais do partido.

(um parêntesis para dizer que a proposa que mais gostei, foi a de nomear os deputados da JSD com base em critérios de meritocracia, e não na quantidade de votos que conquistam, ou na influência que têm na estrutura partidária – isto rasga totalmente com o “sistema” actual).

Não podendo ter a certeza, quer-me parecer que o André nunca se sentiu bem como Vice-Presidente da actual CPN (para onde parece ter sido nomeado apenas e só por ser presidente da distrital de Leiria), e que se sentiu impotente perante os de “Lesboa”.

O pouco à-vontade que demonstrou no debate, foi compensado com a preparação que levou. Os “recortes” de notícias tocavam em pontos-chave, e foram lançados nos momentos certos. O que demonstra capacidade de trabalho e habilidade.

Eleições de líderes em congresso (ao contrário de “directas”) são muito mais permeáveis a caciques. E parece-me evidente que há um movimento forte em “Lesboa” à volta da Margarida – que é a preferida para suceder ao Cristóvão Simão Ribeiro.

Para aqueles que nunca ouviram falar dele, o Cristóvão Simão Ribeiro é o presidente da JSD desde 2014. Surpreende alguns, eu sei, que nunca ouviram falar dele. Mas é também por isso que o André tem razão – a JSD andou 4 anos centrada em si mesma e em “Lesboa”.

Estava na hora de se abrir ao país e aos jovens. Voltando ao que era até 2012 – ano em que o Duarte Marques deixou a liderança. O Duarte foi o último líder que fez jus ao estatuto da JSD. Desde então a JSD não tem sido mais do que um instrumento dos seus líderes e da cúpula de “Lesboa”.


Declarações infelizes do CEO da Novabase?

04/03/2018

Trabalhei na Novabase durante 5 anos, onde iniciei a minha carreira de consultor. Tive a oportunidade de fazer parte de projectos desafiadores e clientes interessantes, e de trabalhar ao lado de gente competente. Aprendi imenso, e construí as fundações para uma carreira que tem sido ascendente e recompensadora.

Foi durante esse período (2007 a 2012) que o Luis Paulo Salvado substituiu o fundador, Rogério Carapuça (pessoa que muito estimo e coloco ao nível de homens como Belmiro de Azevedo) como CEO da Novabase. Confesso que enquanto lá estive apreciei as suas intervenções e o seu desempenho – sempre cuidado e discreto.

Creio que não fica bem, ao Luís Paulo e à Novabase, as declarações feitas recentemente, onde diz que com a entrada da Google e Amazon em Portugal aumenta pressão salarial. O talento, a competência e o bom desempenho deve ser reconhecido sempre, de imediato e sem condições ou dependências.

Só reconhecendo e recompensando é que se consegue manter os melhores recursos, que são absolutamente cruciais, para a entrega de bons produtos/serviços aos clientes. Estes que, estando satisfeitos, continuarão a comprar ou fazer negócio com a empresa, gerando mais facturação e lucros.

Há, no ecossistema da Novabase (estudantes de engenharia, funcionários, ex-funcionários, fornecedores, clientes), uma ideia de que a Novabase paga salários que não estão conformes com o talento e a experiência, e que também não recompensa a competência e o bom desempenho.

Estas declarações do Luís Paulo Salvado vêm de certa forma confirmar isso mesmo. Algo que aliás está bem patente em várias das reviews que a Novabase tem em sites como o Glassdoor. Não fica bem, e tenho pena que assim seja. A Novabase perdeu já muito talento por essa razão. Estava na hora de mudar o mindset.

Infelizmente este não é caso único em Portugal. E não admira que as pessoas não se sintam motivadas e felizes no trabalho. O que tem consequente impacto na sua vida pessoal e familiar. Daí que Portugal tenha vindo a recuar como sociedade. Onde tudo é um fado – tristonho, infeliz e pessimista.


Estará o PSD “entregue” a parasitas?

19/02/2018

O congresso do PSD deixou bem evidente o nível (ou falta dele) a que chegaram os quadros do partido. Desenganem-se aqueles que pensam que estou a falar de Elina Fraga (por quem não morro de amores, muito pelo contrário) que acabou por ser o bode expiatório que a comunicação “dita” social e a oposição interna procuravam. Refiro-me aos parasitas que militam no partido e andam na política, com um foco apenas – o seu interesse pessoal.

Também deixou evidente a cada vez mais gritante inutilidade dos congressos. Desenganem-se aqueles que pensam que estou a falar no formato ou competência do Congresso Nacional, a quem compete a definição da estratégia política. Refiro-me à sua desvirtuação, consequência da falta de nível dos quadros do partido, que transformaram o órgão supremo do PSD num circo e num desfile de vaidades e vontades. Onde se fala de tudo menos de estratégia e ideias.

Para mim, militante do PSD, deixa-me triste ver o meu partido neste estado lastimoso, onde o destaque é dado aos tais parasitas que só pensam em si mesmos, nos seus interesses e em jogos de dinheiro e poder. Tudo branqueado, e até aproveitado, por uma comunicação “dita” social subordinada, e uma opinião publicada indigente e vendida, que se aproveitam da cavalgante ignorância e desinteresse da sociedade para influenciar e enviesar opiniões e resultados.

Também me entristece, ver o foco da discussão e da notícia ser cada vez menos nas ideias e convicções, e cada vez mais fulanizado e centrado nas pessoas. De uma maneira extremamente selectiva, interesseira e desavergonhada. Veja-se como, dadas as circunstâncias, uma pessoa como Miguel Relvas passa de maior cacique e fraude, a senador capaz de lançar putativos candidatos. E como Salvador Malheiro passa de respeitado Professor Universitário e competente Presidente da Câmara, a cacique.

É desconcertante ver um congresso ser dominado por gente como Miguel Pinto Luz ou Luís Montenegro. Quem?! Isso mesmo, parecem ser estas as “referências” e as “reservas” do PSD. Dois parasitas a quem já se vê a saliva a cair pelo canto da boca, a pensar em como minar a actual direcção com vista a um “assalto ao poder” depois das legislativas de 2019. É desesperante ver que não é brincadeira, nem eles estão sozinhos, e constatar que já têm seguidores e tropas.

Também é revelador ver que no jogo mediático e de notoriedade (que parece ser o único que interessa, capaz de eleger parasitas como José Sócrates ou Donald Trump), aqueles conseguem até ultrapassar outros que também se posicionam para a liderança do PSD, e que têm definitivamente mais méritos e experiência. Como Pedro Duarte ou Carlos Moedas, que não só têm a decência de o fazer com mais discrição, como também o fazem através do contributo de ideias.

Os quadros do PSD têm de se renovar, obrigatóriamente. Sem Miguel Veiga haja alguém que exalte o congresso, arranque aplausos da plateia, e faça o partido pensar. Sem Montalvão Machado haja alguém que saiba oferecer palavras sensatas e impôr algum equilíbro. Alberto João Jardim já não devia ter obrigação de fazer o congresso ouvir a região autónoma e pensar ideológicamente o partido. Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes e até Pedro Passos Coelho abriram espaço.

Mas é absolutamente essencial que os novos quadros sejam, ou tenham potencial, para ser da mesma qualidade e competência, ou mesmo superior. É o mínimo que se exige. A fasquia deve ser sempre posicionada mais acima. Só assim o partido poderá inovar e contribuir para o desenvolvimento do país. Daí que teria sido essencial ver outros nomes em destaque. E há tantos no PSD. Eu conheço muitos. Infelizmente os militantes (e os portugueses) têm deixado que os parasitas tomem o partido de assalto.

Váriaz vezes cito Platão: “O preço a pagar por não te interessares por política, é seres governado pelos teus inferiores

De mim, Rui Rio e a sua direcção, contam com todo o apoio e toda a força. Estou disponível (dentro das minhas possibilidades) para ajuda a mudar e transformar o partido, a partir de baixo, das bases.


Cúpula de Lesboa – Os Sulistas e Elitistas do PSD

09/02/2018

Passaram poucas semanas de ter vencido as eleições internas, mas já está bem visto o quanto Rui Rio vai ter de sofrer enquanto líder do PSD. Ainda nem sequer tomou posse e já são incontáveis os textos a dá-lo como nado-morto, ou as opiniões a tentar condicioná-lo. E isto, numa altura em que ele mal apareceu ou falou a órgãos da comunicação “dita” social.

A razão é, para mim, muito simples. Rui Rio não faz parte da “cúpula de Lesboa”. Isso mesmo, os sulistas e elitistas, tal e qual como lhes chamou Luís Filipe Menezes (cheio de razão). Também ele, enquanto líder do PSD, condenado desde o momento que derrotou a “cúpula de Lesboa” – composta pelos Lisboetas, e acima de tudo por alisboetados (os que vão à “terrinha” nas festas)

Bem sei que Menezes e Rio estão em pólos opostos. A todos os níveis. Mas nem sequer está isso em causa, ou o desempenho de um e outro em cargos políticos. O que está em causa é que são ambos do Norte, e conseguiram ser eleitos contra a tal “cúpula de Lesboa”. E foi, continua a ser, esse mesmo, o seu handicap no xadrez político inquinado, em Portugal.

Nem sequer Sá Carneiro se safou. A partir do momento em que se criou a “cúpula de Lesboa”. Nem o facto de ser fundador do partido, de ter uma credibilidade e competência gigantescas, ou de ter ao seu lado outros Nortenhos da mesma craveira, o safou. A “cúpula de Lesboa” aproveitou todas as oportunidades (até a sua doença e vida pessoal) para o lançar borda fora.

Esta é apenas uma, mais uma, das razões pelas quais era preciso que Rui Rio vencesse. De vez em quando, quanto mais não seja, é preciso que a gente honesta, competente, trabalhadora, honrada e íntegra diga presente. E mostre a essa “cúpula de Lesboa” que eles só ocupam o poder se os deixarmos. Que basta querermos para os derrotarmos.

E desenganem-se aqueles que pensam que alguns, apenas por terem mostrado apoio a Rui Rio, não fazem parte da “cúpula de Lesboa”. Fazem, sempre fizeram. A verdade é que eles não apoiaram Rui Rio por convicção. O que fizeram foi mover-se pelo ódio a Pedro Santana Lopes. O que diz muito do seu carácter, ou falta dele. Pachecos Pereiras, Ferreiras Leites, e afins.


Google? Tive um déjà vu (PT/Sócrates/Bava)

25/01/2018

António Costa anunciou: a Google vem para Portugal, abrir um Centro de Serviços e Hub Tecnológico, que vai criar 500 empregos qualificados e servir Europa, o Médio Oriente e África.

Segundo o Primeiro-Ministro e o Partido Socialista, esta é uma enorme conquista. E o mérito é todo do Governo liderado por António Costa. Como não poderia deixar de ser, o investimento é na zona da grande Lisboa (Lagoas Park, Porto Salvo, Oeiras).

De repente tive um déjà vu… há não muitos anos atrás, o Primeiro-Ministro José Sócrates acompanhado pelo CEO da PT Zeinal Bava e o Presidente da Câmara de Santo Tirso Castro Fernandes, anunciavam a abertura de um Centro de Relacionamento e Apoio Técnico a Clientes no meu concelho.

O investimento iria criar 1.200 empregos qualificados, e o centro seria equipado com tecnologia de última geração. Castro Fernandes afirmou, na altura, “estes não serão empregos precários“.

A verdade é que passados estes anos sabemos que foi criado um Call-Centre com metade dos postos de trabalho anunciados, e que esses postos são tudo menos qualificados. Gente que conheço e trabalhou lá, diz mesmo que o emprego não só é precário como existem práticas inaceitáveis (ex. não permitir idas ao WC).

Portanto, vindo de Socialistas, mais vale não embandeirar em arco e esperar para ver, tal como São Tomé fez. A verdade é que o Centro de Serviços e Hub Tecnológico da Google, que vai criar 500 empregos qualificados, pode acabar por ser mais um Call-Centre onde se oferece emprego precário a recém-licenciados desempregados.

Para além disso, causa-me vergonha alheia ver o que a Reuter escreveuWe have invested strongly in education, we are highly language-proficient” and have a large pool of skilled engineers, Costa said in a slightly broken English, adding, with a smile, that he was an exception to the rule“.

Um Primeiro-Ministro que, não só se habituou a mentir (ou a ocultar our dizer meias-verdades), e que o faz sempre com um sorriso na cara – uma cara sem vergonha absolutamente nenhuma.

 


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