Battle of the Families da política portuguesa

18/02/2019

E de repente, num grande volte-face a família César dos Açores passa para o fundo da tabela na Battle of the Families da política portuguesa.

BattleOfFamilies

Nota: a classificação é dada mediante a percepção do poder detido pelos titulares dos cargos.

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Luís, o Sacana

12/01/2019

Ao contrário do que Luís Montenegro diz, todos sabemos que não fala em nome da sociedade, dos “jovens”, da “classe média”, dos “reformados”, dos “pensionistas”, ou dos “trabalhadores”.

Luís Montenegro fala em nome pessoal, e representa interesses da Grande Loja Regular de Portugal – uma das maiores lojas maçónicas do país.

Ao contrário do que Luís Montenegro diz, todos sabemos que não galvaniza Portugal ou os portugueses, nem sequer “pequenos ou médios empresários”.

Luís Montenegro só consegue excitar Hugo Soares – a quem não se conhece um único feito, antes ou depois de ter sido o mais cinzento e apagado presidente da JSD (2012 a 2014) – e Joaquim Pinto Moreira – o seu amigo presidente da CM Espinho que, por ajuste directo, dá contratos de centenas de milhares de euros, à empresa de Montenegro.

Ao contrário do que Luís Montenegro disse há 12 meses, todos sabemos que seria sempre oposição interna a Rui Rio, e ao contrário do que disse há 6 meses, todos sabemos que desesperava por uma oportunidade para assaltar a liderança do PSD.

Luís Montenegro disse que “seria o tempo de permanecer afastado da política ativa”, e que não faria a “Rio aquilo que Costa fez a Seguro” – é isso que dizem os livros do politiquês.

Mas o que fez? Foi trabalhar? Não, foi “comentar” para a comunicação dita social. Aquela que tem construído os mais recentes líderes eleitos, com os resultados que se conhecem – a começar em José Sócrates, passando por Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, e acabando em João Galamba, entre muitos outros exemplos.

Saltar da política para o comentário político, é continuar a fazer política, com três diferenças. Uma é não precisar de se incomodar com chatices, tipo o escrutínio dos seus eleitores. A outra é ganhar muito mais dinheiro. E mais uma é falar sem contraditório.

Luís Montenegro acusa Rui Rio e a sua direcção de “hostilizar quadros e estruturas do PSD, numa lógica maniqueísta do PSD entre os bons e os maus”. Pois ainda bem que alguém finalmente faz alguma coisa para libertar o partido daqueles que prejudicam o país, não representam os eleitores e desrespeitam os portugueses.

Aqueles que partilham passwords para que outros votem por eles, ou os que, como Luís Montenegro, fazem negociatas para as suas empresas. Contratos de milhões com organismos públicos (do Estado central às Câmaras Municipais), pagos com o dinheiro dos contribuintes, por ajuste directo.

Rui Rio tem todo o meu apoio, para afastar esses “cancros” do partido, da assembleia da república, do governo e da política. Gente que, como diz o presidente da distrital do PSD Bragança, defende interesses que “não são certamente os do PSD”, e não são certamente os de Portugal.

De resto, e quanto a sondagens encomendadas, já escrevi sobre isso várias vezes, desde 2011. Alguns exemplos de que tenho falado:

Legislativas 2015 – sondagens davam derrota (natural) ao PSD liderado por Passos Coelho depois de 4 anos de “austeridade”. Resultado, o PSD venceu.

Europeias 2009 – sondagens davam 40% ao PS, e 30% ao PSD. O resultado revelou números bem diferentes de 32% PSD e 26% PS

Autárquicas 2001 – sondagens davam derrotas a Rui Rio, Pedro Santana Lopes, Fernando Seara, António Capucho e Luís Filipe Menezes. O resultado foi a vitória de todos eles.

De resto até é bom que Luís Montenegro venha agora fazer uma “sacanice” destas, porque militantes menos atentos tinham-no como hipótese para futuro. Assim, como o próprio disse, fica tudo em “pratos limpos” e “clarificado”

… o Luís é mesmo um sacana. Um homem sem carácter e sem ética, que age com esperteza e brinca com o futuro do país e a vida dos portugueses.


Aeroporto? Os provincianos pagam

10/01/2019

Pouca gente tem noção da dificuldade que é viajar, em transportes públicos, entre as cidades da região assinalada no mapa.

Por exemplo, uma viagem de comboio entre Santo Tirso e Viana do Castelo, tem no mínimo 2 trocas (Lousado e Nine) e demora entre 2 horas e 3 horas.

Isto significa que um Tirsense que tenha de ir a Viana em trabalho ou passeio demora entre 3 a 4 horas para chegar ao seu destino, mais 3 ou 4 horas para voltar!

Um dia inteiro em viagem, para ir a uma cidade que fica a 75 km de distância. Naturalmente que isto só é comparável com países de terceiro mundo.

Note-se que a região assinalada no mapa é uma das mais populosas, e que em tempos foi O MOTOR do país – com a forte indústria que lá nasceu, criada pelas suas gentes – gerando muita da riqueza criada em Portugal.

Uma das razões pela qual essa mesma indústria começou a desaparecer, e a região começou a empobrecer, foi o centralismo. Que desinvestiu nela, e a deixou ao abandono.

Mas na verdade, quem é que se interessa pelas necessidades e bem estar das gentes de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Vila Verde, Braga, Guimarães (o berço da Nação!), Santo Tirso, Trofa, Esposende, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, etc.?

Vamos investir na capital do império! E construir mais um aeroporto na região de Lesboa! Os provincianos pagam!


Centeno, o Ministro que não sabe, não leu e não fez

03/01/2019

Mário Centeno foi escolhido como o “ministro das Finanças do ano” pela publicação The Banker, que pertence ao Financial Times.

Tenho particular apreço por pessoas que são agraciadas com este tipo de prémios. Tenho ainda mais admiração por aquelas pessoas que os atribuem. E tenho infinita reverência pelos lorpas que acreditam nelas – em particular a comunicação dita social portuguesa.

É que em termos de Finanças, em Portugal, as contas pelas quais Mário Centeno é responsável, são fáceis de fazer. Bem como os diagnósticos e as consequências. Como bem explica Helena Garrido, no Observador de hoje.

Deixo apenas um excerto: “Um país que deve mais de 700 mil milhões de euros paga por cada um por cento de juros sete mil milhões de euros por ano. Um crescimento de 3% para um PIB da ordem dos 200 mil milhões de euros dá seis mil milhões de euros. Não crescemos o suficiente sequer para pagar os juros da dívida”.

Só alguém muito ingénuo pode pensar que o “fim” de Mário Centeno não será o mesmo de outras, muito recentes, personalidades da elite portuguesa. De repente vem-me á cabeça Zeinal Bava.

> 2010 – Zeinal Bava eleito o melhor CEO da Europa
> 2011 – Zeinal Bava eleito melhor CEO do sector na Europa
> 2013 – Zeinal Bava reconhecido como melhor CEO da Europa
> 2013 – Zeinal Bava sai da presidência da PT para a brasileira Oi
> 2014 – Zeinal Bava oficializa saída da PT Portugal
> 2015 – Zeinal Bava, o CEO que não sabe, não leu e não fez
> 2017 – Zeinal Bava, o gestor mais premiado de sempre diz que foi “traído”


Reforma do sistema político e eleitoral

23/12/2018

Recebi o email abaixo, enviado pelo PSD. Aplaudo o facto de o meu partido ter gente sem medo de afrontar o status quo, e com vontade de construir uma democracia mais forte. Ciente que sem essa mudança, o regime existente se irá esgotar, correndo mesmo o perigo de se transformar numa qualquer ditadura (de esquerda ou direita). Para este combate o PSD tem todo o meu apoio.

Nos últimos 25 anos, a degradação da confiança dos cidadãos nos órgãos de soberania e nos partidos políticos acentuou-se de forma preocupante, conduzindo a uma profunda erosão da credibilidade das instituições e dos partidos políticos. Tem para isso contribuído não só a forma desajustada como os partidos políticos se organizam e funcionam fechados sobre si próprios, mas também um sistema eleitoral que não privilegia a ligação efetiva entre eleitos e eleitores, e um sistema político extraordinariamente opaco e pouco transparente. 

Os partidos políticos, em particular, enfrentam atualmente uma tremenda incapacidade de dialogarem e de envolverem os cidadãos na sua intervenção e na definição da sua mensagem.

A forma como os partidos políticos se encontram atualmente estruturados remonta a um modelo típico do início do século XX, que se encontra totalmente desajustado da nossa realidade social e política. A revolução digital em curso produziu uma verdadeira rutura no modo como tradicionalmente as organizações se estruturam e como as relações sociais e políticas se estabelecem, persistindo os partidos políticos ignorando as consequências dessas transformações. 

O surgimento, um pouco por toda a Europa, de novos partidos políticos resulta, em certa medida, justamente, da dificuldade demonstrada pelos partidos tradicionais em se adaptarem às exigências e expectativas dos cidadãos. O ressurgimento dos nacionalismos, o reforço de relevância eleitoral e social de movimentos racistas e xenófobos na Europa e a aparente falência do multilateralismo são fenómenos aos quais não podemos ficar indiferentes e que resultam da desadequação das respostas que os sistemas políticos e os partidos políticos tradicionais têm oferecido aos cidadãos.

Neste contexto, é essencial que se proceda à reformulação dos processos organizativos internos dos partidos e dos mecanismos de participação nas decisões políticas, tornando-os atrativos aos cidadãos. A modernização dos partidos políticos é uma necessidade de regime de que depende a qualidade da nossa democracia. 

Mas é igualmente determinante desenvolver-se o caminho necessário para a introdução de uma urgente reforma da lei eleitoral, de forma a potenciar a aproximação entre os eleitos e os eleitores, aprofundando, assim, a responsabilidade daqueles perante estes. Como se demonstra também central que se repense a arquitetura do sistema político, introduzindo mecanismos de maior transparência no processo de decisão público, envolvendo os cidadãos na gestão dos assuntos públicos, não deixando de introduzir maior transparência no processo decisório dos órgãos de soberania. 

As reestruturações do sistema eleitoral e do sistema político são, assim, reformas urgentes para a credibilização do sistema democrático e das suas instituições. 

O PSD, consciente da necessidade de contribuir para o reforço da qualidade da nossa democracia e ciente da sua responsabilidade no contributo que deve dar para a reforma do sistema político, à reforma do sistema eleitoral e à reforma do funcionamento dos partidos políticos, promoverá, por decisão do Presidente do Partido, Dr. Rui Rio, um conjunto de iniciativas envolvendo as universidades, associações cívicas, os órgãos do partido e todos os militantes, com o propósito de apresentar propostas nesses domínios. 

Este é o tempo de o PSD liderar este debate e apontar caminhos para reformas que são absolutamente urgentes. Não só porque, em nome da transparência, devemos submeter as nossas propostas ao escrutínio dos eleitores nas próximas eleições legislativas, mas também porque delas depende a saúde e o equilíbrio do nosso sistema democrático. Continuar a ignorar a necessidade de liderarmos este debate significa pactuarmos com a persistente erosão da credibilidade das instituições democráticas e do progressivo afastamento dos cidadãos do sistema político.

Mas esta tarefa exige o empenho e envolvimento de todos os militantes e cidadãos preocupados com o nosso sistema democrático. Assim, queremos contar com o seu entusiasmo, o seu empenho e a sua disponibilidade neste desafio que temos pela frente. Envie-nos os seus contributos, as suas reflexões e as suas preocupações e, juntos, vamos construir o PSD 4.0 – O Partido dos Portugueses!

Pedro Rodrigues

Coordenador da Comissão para a Reforma do Sistema Político, Sistema Eleitoral e do PSD 


Remodelação uma ova!

15/10/2018

António Costa remodelou o governo depois de fechado o Orçamento de Estado para 2019. É evidente que não procurava mudança de políticas, mas apenas de caras. Não será portanto de esperar, que mude o que quer que seja na Saúde, na Defesa, etc.

Ao bom jeito socialista, apressou a remodelação para o anúncio coincidir com o furacão, sabendo que a comunicação dita social estaria focada na destruição e tragédia da população – que, como dizia há uns anos um socialista prominente, acaba sempre por ir lá “votar na mãozinha”

Apesar da fraquíssima e apressada remodelação, e do facto das caras “novas” serem afinal “velhas”, a comunicação dita social, que na sua maioria continua a apoiar o establishment, elogia o primeiro-ministro.

Um bom exemplo é o simpático artigo do David Dinis no Eco. Que apesar de tudo ainda elogia a “capacidade de recrutamento fora da política” escreve que Costa “chamou ministros novos” e foi buscar “gente qualificada” e dois “independentes“.

Isto, apesar de, como diz e bem João Miranda, as caras “novas” serem:

  • dois membros do actual governo, sendo que um deles foi vereador da CM Lisboa quando Costa era presidente;
  • um ex-secretário de estado de Sócrates, que é filho de um ex-ministro de Guterres;
  • uma girl que fez carreira na função pública, e tem no currículo nomeações políticas com ligações familiares no meio.

Se fosse num governo de Rui Rio, ou no tempo de Passos Coelho, esta remodelação seria motivo de vários artigos de opinião a arrasar o primeiro-ministro e os “novos” ministros.


Passos Coelho cabeça de lista às Europeias

09/10/2018

O presente

O PS, que se apoderou do governo e várias outras instituições (a última, a ERSE), está a surfar a crista da ténue recuperação, e a distribuir pelas clientelas as poucas folgas que ela permitiu. A comunicação “dita” social e a opinião publicada tenta com todas as suas forças derrubar Rui Rio – nem que para isso seja preciso dar palco e transformar avençados em “independentes” e recorrer aos que ainda ontem eram persona non grata (ex. André Ventura).

2019 afigura-se um ano difícil para o PSD, em termos eleitorais. As Europeias em Maio, as Regionais na Madeira em Setembro, e finalmente as Legislativas em Outubro. O PSD tem de entrar neste ciclo com uma vitória, e é por isso que faço o paralelo com 1994.

O passado

Em 1994, Portugal tinha entrado em recessão e o Governo de Cavaco Silva tinha sido obrigado a tomar medidas de austeridade fiscal, bem como outras medidas impopulares – o aumento das propinas no Ensino Superior, ou de 50% nas portagens da Ponte 25 de Abril foram as que provocaram das maiores manifestações em democracia.

O fim do “Cavaquismo” já se adivinhava, o cenário eleitoral para o PSD não era o melhor, e todos os sinais indicavam que o PSD iria entrar num ciclo complicado de derrotas nas eleições que aí vinham – nomeadamente as Europeias (ainda nesse ano de 1994) e as Legislativas (em 1995). Já se falava da saída de Cavaco e o futuro era incerto.

Só com um “golpe de mestre” o PSD tinha hipóteses de evitar uma hecatombe eleitoral. Cavaco convocou a sua A-Team. Convidou Eurico de Melo para encabeçar a lista às Europeias, acompanhado por António Capucho e Arlindo Cunha – todos ex-ministros e  nomes de peso no partido e no país.

Conseguiu também convencer Francisco Lucas Pires a concorrer pelo PSD (ele que tinha sido líder do CDS, e seu cabeça de lista cinco anos antes), e juntou-lhes Carlos Costa Neves e Nélio Mendonça, dois “pesos pesados” das regiões autónomas, para atrair os votos dos Açores e Madeira respectivamente.

As sondagens davam uma derrota significativa do PSD. As intenções de voto eram cerca de 30% no PSD e 40% no PS. O resultado viria a ser muito diferente. O PSD conseguiu 34,39% dos votos, enquanto que o PS obteve 34,87%. Em termos de deputados o PS elegeu 10 contra 9 do PSD. (os restantes 6 ficaram distribuídos igualmente por CDS e CDU).

O futuro

Tenho imenso respeito, reconhecimento e até estima por homens como Paulo Rangel, Carlos Coelho ou José Manuel Fernandes. Todos têm feito um trabalho extraordinário e meritório no Parlamento Europeu, e qualquer um dos três merecia ser cabeça de lista nas Europeias de 2019. Mas o PSD precisa de “nomes de peso” para vencer.

Na minha humilde opinião, de militante de base, Rui Rio e o PSD deviam procurar o tal “golpe de mestre”, e convidar Pedro Passos Coelho para encabeçar a lista às Europeias de Maio do próximo ano. E juntar outros “pesos pesados” a Paulo Rangel, Carlos Coelho e José Manuel Fernandes, deixando cair nomes como Fernando Ruas.

Penso ser hoje evidente a capacidade, competência, seriedade, credibilidade e sentido de missão de Pedro Passos Coelho. Isto não só é reconhecido pela maioria dos portugueses (que até lhe deram vitória nas Legislativas de 2015) como está em linha com os valores e princípios defendidos por Rui Rio. Pelo que a escolha era “na mouche”.


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