Uma no cravo, outra na ferradura

Já critiquei muito Luís Filipe Menezes, principalmente quando colocou os interesses pessoais à frente dos interesses colectivos do PSD (e consequentemente do país). Mas ele dá hoje uma boa entrevista ao Jornal i. Apesar de tudo, e como é seu apanágio, dá uma no cravo e outra na ferradura.

Gostei muito do disse sobre o seu trabalho na CM Gaia, de facto o “Social” não é propriedade da esquerda, e os sociais-democratas também são defensores de certas medidas de apoio social. Também gostei de ver a atitude de abertura ao entendimento com Rui Rio. Mas acima de tudo concordo plenamente com o que disse sobre a situação política nacional: “Em toda a Europa há eleições, há um partido que ganha, não tem maioria absoluta, e depois apresenta um governo ou de coligação ou com um acordo parlamentar prévio para uma legislatura. Só em Portugal é que há esta bizarria em que alguém que ganha sozinho considera que os que estão ao lado são infrequentáveis e os que estão ao lado têm como única ambição destruir aqueles que ganharam eleições. Nós temos uma tendência para a asneira, para a tontice

Em todo o caso, Menezes não podia perder a oportunidade de dar umas bicadas em Ferreira Leite e dar opinião sobre o futuro do partido. Não gostei da demagogia que utilizou para dizer: “Colocar em causa o SNS tendencialmente gratuito, o predomínio da escola pública, questionar o aumento do salário mínimo, é dizer a 3 ou 4 milhões de portugueses “não votem em nós”. A mensagem que passou foi de que o PSD ia desmantelar o Estado social“. Ele sabe que o Ferreira Leite simplesmente disse a verdade aos portugueses. Um país assim é insustentável e, a continuar assim, no futuro será pior. Não haverá dinheiro para SNS, escolas, reformas, subsídios, etc.

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3 Responses to Uma no cravo, outra na ferradura

  1. nunodc diz:

    Luís,

    é Luís Filipe Menezes. Um homem culto e que tem bem noção da realidade, mas corrompido pela sua obcessão com o poder, o que o torna num ser mesquinho e cinzento. Não é capaz de dizer o que seja sem mandar uma boca para os seus opositores, o que faz com que perca toda a credibilidade.

    Tenho pena que assim seja.

  2. Luis Melo diz:

    Nuno,

    É exactamente isso. Apoiei Marques Mendes, mas quando Menezes ganhou tornou-se o meu presidente. Acabaria por deixar de sê-lo quando se tornou nesse homem que descreves.

  3. Diogo Agostinho diz:

    De facto, Menezes é um excelente autarca e tem um instinto político e qualidades inegáveis. Se não fosse o seu desvario por vezes e teria sido um grande líder do PSD.

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