Os milhões benfiquistas

30/12/2009

Quem tem memória lembra-se que em 2001 o governo de António Guterres fazia aprovar aquilo a que chamava de “reforma fiscal” e que visava mais justiça e equidade. Um conjunto de medidas que faria subir ainda mais as receitas dos impostos e combater a fuga e fraude fiscal. Mas foi na mesma altura, que o ministro das finanças de então fechava os olhos a uma dívida monstruosa do SL Benfica que já vinha de há 2 anos atrás.

Isto era (e ainda é) absolutamente intolerável num país que se quer desenvolvido e democrático. Custava a acreditar na hipocrisia do governo e na discriminação com que o PS tratava o contribuinte comum. Este que, ao mínimo descuido, era “apanhado”. É que este “perdão” ao SL Benfica significava que o Estado estava – com o nosso dinheiro – a subsidiar a compra de jogadores, que não poucas vezes se fez (e ainda faz) com valores imorais.

Não é demais lembrar que o que estava aqui em causa eram muitos milhares de contos de impostos dos trabalhadores do clube, que foram retirados e não entregues aos cofres do Estado. Um crime fiscal de enorme dimensão. Um crime pelo qual muita gente foi (e ainda é) condenada e presa.

Mas o regabofe continua para os lados da Luz. Apesar do passivo de 500 M€ o clube da águia continua a contratar jogadores como se não houvesse amanhã. Isto apesar de estar a ter a melhor época dos últimos 15 anos.

No início da época o Benfica investiu cerca de 30 M€, mas agora a conta corrente já vai em quase 50 M€. Algo nunca antes visto no futebol português. Aliás, tendo em conta também o Sporting CP, Lisboa lidera o mercado de transferências europeu algo inacreditável se tivermos em conta que somos dos países com mais dificuldades da UE.

Tudo isto é imoral, e parece muito duvidosa a forma como este dinheiro todo é conseguido. Ao ponto de fazer com que pessoas como Pinto da Costa (sería talvez a última pessoa que pensaríamos ouvir sobre este assunto) digam, com muita razão, que “não há petróleo no Porto”.

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O PSD é das bases. Venha o congresso!

23/12/2009

O PSD encontra-se numa situação dificil, não por causa da sua direcção – que tem feito um excelente trabalho na coordenação das acções da bancada parlamentar – mas por causa das sucessivas tentativas de assalto de que tem sido vítima. Tentativas essas que são protagonizadas por “gente de dentro”. Algo parecido com um gestor de um banco, roubar o próprio banco, pensando apenas no proveito pessoal.

Felizmente que ainda há gente com bom senso no partido. Pedro Santana Lopes é, surpreendentemente ou não, um deles. A proposta de um congresso extraordinário, não se prende com nenhum desejo pessoal de chegar novamente a presidente do partido, mas sim com uma vontade de discutir o que querem os militantes para ele.

Claro que a comunicação “dita” social quer fazer crer que PSL quer novamente ser presidente. É isso que vende jornais e faz aberturas de noticiários, mas não se trata disso. Quem o conhece sabe. Trata-se de não deixar desvirtuar o PPD/PSD que foi fundado por Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota.

Vozes já se levantaram, mesmo dentro do PSD, dizendo que os congressos não servem para nada, nem vão decidir nada. Ora, quem diz isso não sabe o que é realmente o PSD. O PSD são os militantes de base, os “anónimos e desinteressados” que aos “milhares caboucaram, por todo o país, os alicerces do partido, que tinha por si apenas a força de uma ideia de paz, pão, povo e liberdade” como diziam os fundadores Eurico de Melo e Ribeiro da Silva num artigo publicado esta semana no “Público“.

Eu sei que isto custa a ouvir e a entender aos senhores da elite de Lisboa, que pensam que o futuro do partido e do país se decide em tertúlias de acesso reservado. Onde é que os dirigentes podem ouvir as bases e discutir com elas o programa do partido? No conselho nacional não estão as bases. Nem na CPN. Nem mesmo nas CPDs.

O congresso é o orgão máximo do partido onde se deve “definir a estratégia política do Partido, apreciar a actuação dos seus órgãos e deliberar sobre qualquer assunto de interesse para o Partido“. Ouviram senhores?! Não é em escritórios da capital ou em estúdios de TV, é no congresso. E as pessoas que o devem fazer são os delegados eleitos pelas Secções (sim, essas coisas incomodativas que alguém recentemente, na 1ª conferência do IFSC, sugeriu extinguir) e não os auto-proclamados “iluminados”.

O PSD é das bases. Venha esse congresso. Eu já assinei a petição. Mas nem precisava… como diz Pedro Pestana Bastos.


Facto político para esconder incapacidade

17/12/2009

Portugal está hà muito mergulhado numa grave crise económica, financeira e social. A prova disso são os encerramentos de empresas e os desempregados que vemos diariamente. Além dos vários diagnósticos feitos, houve também do lado do Governo o anunciar de muitas soluções para o problema. Disse-se que a preocupação máxima era ajudar as pessoas que perdiam os seus empregos, e injectar confiança na economia para que fosse possível atraír novos investimentos empresariais. Como sempre, as promessas de José Sócrates falharam.

O Governo de Sócrates – tal como o de Guterres – sabe que está metido num pântano e não tem solução para de lá saír. Mas Sócrates não quer fugir como o seu antecessor socialista, porque tem interesses a mais, e não sabe agora viver de outra forma que não seja no poder. Sócrates construiu a sua posição com base nas amizades e compadrios. Ou seja, quando deixar de ter o lugar de destaque que lhe permite distribuir benesses, todos os amigos e apoiantes desaparecerão. O que acaba por ser natural, já que essas pessoas só são amigas de quem “lá está” (no poder, leia-se).

Mas o PM também corre o risco de ter de enfrentar umas eleições antecipadas se vir o seu Orçamento de Estado reprovado. E com tanta coisa que se tem vindo a passar – principalmente o esquecimento das promessas referidas acima – seria provável que as perdesse. Então a solução que vê para sair deste problema por cima é, mais uma vez, enganar as pessoas. Ou seja, tomar algumas medidas fáceis e mediáticas que tinha no seu programa (como casamento gay), para depois poder dizer que está a tentar cumprir promessas. E além disso, disfarçar a tomada de decisões importantes como a regionalização ou o carro eléctrico (coisas com valor, mas não prioritárias). Depois, a vitimização – em que Sócrates é experientíssimo – fará o resto.

Estou contra o casamento entre homossexuais, porque isso vai contra as bases antropológicas da sociedade em que vivemos. Não é uma questão religiosa (como alguns querem fazer passar, porque sabem a descrença na religião que prolifera na sociedade, tentando ficar assim em vantagem na opinião pública), mas cultural. Na nossa sociedade não se aceita (ao contrário de outras) que a mulher é um ser inferior, porque foi assim que a construímos. Da mesma maneira, a nossa sociedade não foi construída para que houvesse casamentos entre homossexuais. Alguma coisa contra eles? Nada. Daí os aceitarmos e até termos consagrado a figura da União de Facto.

Para que quer agora o PS fazer aprovar o casamento entre homossexuais? Algo que até hà bem pouco tempo os socialistas desprezavam tanto que até inventaram uma lei do divórcio que permitia aos casados descasarem mais rápida e fácilmente. Isto é de uma incoerência enorme, e só se justifica com a vontade de mostrar promessas cumpridas e criar factos políticos para desviar as atenções do essencial, a falta de capacidade de Sócrates para enfrentar a crise.


Encomendas blogosféricas

15/12/2009

Paulo Marcelo, Jurista e comentador político (mais um), no Diário Económico e no blogue Cachimbo de Magritte tomou a liberdade, tal como Miguel Morgado, de escrever sobre o que deverá ser o PSD. E logo foi elogiado pelos opositores de sempre de MFL que gostam muito da política espectáculo e pouco da política que serve o povo.

Diz o senhor que MFL “não conseguiu (ou não quis?) promover a renovação interna do PSD. Não soube aproveitar uma nova geração de quadros profissionais que colaboraram activamente no Gabinete de Estudos do partido e no Instituto Sá Carneiro” e que “mais do que ideologia, as pessoas querem ouvir propostas concretas para os seus problemas“.

Será que Paulo Marcelo entende por renovação interna o chamamento de Pedro Passos Coelho ou Ângelo Correia, homens que estão no PSD desde a fundação, ou quase? E também gosto da referência ao IFSC. É engraçado como agora, depois do amigo Miguel Morgado ter participado numa iniciativa do IFSC, já todos se referem ao instituto. Dantes nem sabiam que existia. Sou capaz de apostar que mais de metade dos que estavam na 1ª conferência não estarão amanhã na 2ª. Porque eles não foram lá para pensar Portugal e o PSD, foram lá para ver o amigo “brilhar”

Quer este senhor que o PSD “se assuma como o partido da liberdade de escolha na educação e na saúde. O partido do mérito e da igualdade de oportunidades. O partido da sociedade civil, da família e da subsidiariedade. Que defenda um Estado menos intervencionista na economia e nas nossas vidas. Só assim o PSD pode reconquistar a sua base social de apoio, ocupando o seu espaço político natural à direita do PS

Lembro-lhe o que vinha escrito no programa eleitoral do PSD nas últimas legislativas: “Alargaremos progressivamente a liberdade de escolha pelo utente dos prestadores de serviços de saúde […] Discriminaremos positivamente as famílias de menor rendimento e com maior número de filhos […] Valorizaremos o papel das instituições privadas de apoio social […] Criaremos incentivos ao voluntariado na área social, com a valorização, em termos a definir, do respectivo tempo de apoio para efeitos de segurança social“. Paulo Marcelo também se esquece do que MFL vem apregoando há mais de 1 ano sobre o excessivo intervencionismo do Estado e sobre a forma errada de o governo combater a crise, com base em obras públicas.

Começo a ficar farto destas encomendas blogosféricas que apenas vêm desestabilizar ainda mais o PSD, logo num momento em que o país mais precisa de um PSD forte, coeso e atento. Mas pior do que isso é que estas encomendas vêm de dentro do próprio PSD. Vêm daqueles que o querem tomar de assalto. E como sempre são entregues pelos “boys” que “jogam em todos os tabuleiros” à procura de um “job”.


Julgados na praça… da alegria

10/12/2009

Fartamo-nos já de ver, os políticos queixarem-se de serem julgados na praça pública, quando são alvo de suspeitas ou mesmo constituídos arguidos em casos de justiça. Ao verem algumas investigações – levadas a cabo legitimamente por jornalistas – notícias ou reportagens, dizem-se alvo de campanhas negras e pedem que a justiça seja feita nos tribunais.

Mas o facto é que alguns políticos – principalmente os xicos-espertos corruptos – já perceberam que o melhor mesmo é serem julgados na praça pública. Isto porque, como diziam os Gato Fedorento num sketch imitando Valentim Loureiro, têm aquela vantagem pequenina de na TV ninguém ir preso. E além disso a opinião pública (e publicada) influencia e tira margem de manobra aos tribunais (só neste país).

Para ajudar à festa, a televisão pública (RTP) é usada e abusada por todos os senhores poderosos que representam grandes interesses, para portanto se virem defender ou vitimizar, aproveitando para descredibilizar a verdadeira justiça dos tribunais. É uma maravilha, a RTP é deles. Isto são julgamentos na praça da alegria, e não na praça pública. É uma bandalheira, uma vergonha.

Há uns anos foi o Carlos Cruz, há uns meses atrás foi o Dias Loureiro, amanhã será o Armando Vara. Todos no programa “Grande Entrevista“. Eu sugiro, para que haja equilíbrio e justiça para todos, que convidem também o Bibi da Casa Pia. Ora que diabo, ele também tem direito, ou será que são só os amigos do Governo e dos Bancos?


Lindo futuro, o nosso

09/12/2009
Depois do que disse Medina Carreira sobre o programa Novas Oportunidades – lançado pelo governo para disfarçar os números escandalosos do desemprego – e aproveitando a sugestão da Helena Matos, fui ver os conteúdos desse maravilhoso programa socrático que dá equivalência a 9º e 12º anos.

Dei uma vista de olhos aos programas dos módulos de Matemática para a VidaTecnologias informação comunicaçãoCidadania e empregabilidadeLinguagem e comunicação. Concluí o seguinte…

Andei eu a marrar na Matemática… fracções, integrais, derivadas, etc… e agora nas Novas Oportunidades aprende-se (entre outros assuntos) a Ler e interpretar tabelas, por exemplo: de relação peso/idade, de peso/tamanho de pronto-a-vestir.

Andei eu, num curso de Engª Electrotécnica (para ser consultor em TI)… electrónica, telecomunicações, sistemas de informação… e nas Novas Oportunidades aprende-se (entre outros assuntos) Introduz/altera contactos telefónicos na agenda de um telemóvel

Andei eu a estudar português e a ler tanto para me educar e cultivar…. e nas Novas Oportunidades aprende-se (entre outros assuntos) a Fazer corresponder mudanças de assunto a mudanças de parágrafo

Andaram os meus pais a educar-me para eu saber viver em sociedade… e nas Novas Oportunidades aprende-se (entre outros assuntos) a Ouvir os outros participantes num grupo

Estou portanto completamente elucidado quanto ao valor dos cursos das Novas Oportunidades. Não há dúvida nenhuma que era uma boa oportunidade para dar mais competências a pessoas que estavam desempregadas. Aproveitar para lhes dar uma ocupação, e ao mesmo tempo ajudá-las a crescer e encontrar facilmente mais e melhores empregos. Mas tudo não passa de, como diz Medina Carreira, “uma trafulhice de A a Z… uma aldrabice”.


A mesma “receita” – parte III

08/12/2009

Parece que o Pedro Lomba (8 Dezembro no jornal Público) concorda comigo quanto à incoerência de Pedro Passos Coelho. Aplica-lhe a mesma “receita” que lhe apliquei no post anterior, baseado na entrevista daquele no JN.

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