Carta aberta aos militantes PSD de Santo Tirso

Um amigo meu recebeu na 2ª feira dia 1 Fevereiro, na sua caixa de e-mail, uma mensagem enviada por Alírio Canceles (ex-presidente do PSD Sto Tirso) que, pelo visto, me era dirigida. Eu, nada recebi. Segundo ele acusava-me de várias coisas, entre elas atacar o PSD e os seus dirigentes a partir de um blogue anónimo. Dizia que eu tinha objectivos partidários pessoais inconfessáveis e que desejava a derrota do PSD. Esse amigo deu-me conhecimento reencaminhando-me o mail. Pude verificar que o mail teria sido também enviado para mais pessoas (militantes e não militantes do PSD). Com que objectivo?

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa atenta à blogosfera, reconheço-a como veículo importante da comunicação de hoje. Já tive e colaborei em vários blogues e actualmente escrevo apenas em https://eramaisumfino.wordpress.com. A internet não é uma ferramenta imóvel, mas movimenta-se, e as pessoas nela. Diariamente envio para familiares e amigos links de blogues (jornais, sites, etc) com artigos que sugiro para leitura. Faço-o desde 2003, altura em que descobri o mundo dos blogues, quando ainda muito poucos sabiam o que isso era. Quando muito poucos ainda utilizavam com frequência a internet e o correio electrónico. Envio sugestões de visitas a todo tipo de blogues.

Uma pessoa que perceba minimamente como funciona este mundo global da internet, sabe perfeitamente que qualquer pessoa pode registar um mail, um site, um blog, etc com o nome que quiser. E para isso não precisa de provar que é “dono” do nome em causa. Essa poderá ser uma das lacunas da World Wide Web, mas o facto é que assim é, e ninguém pode controlar isso. Qualquer um pode registar um mail em nome de “Alírio Canceles”, abrir uma conta no youtube com o mesmo nome, e fazer o upload das escutas entre o Sócrates e Vara. Qualquer um pode registar um blogue com o nome alíriocanceles.blogspot.com e escrever o que quiser sobre José Sócrates assinando “Alírio Canceles”.

Terminada a aula de tecnologias de informação sobre a www, é altura de falar da tal “verdade” que Alírio refere:

1 – Não fui eu que produzi ataques de carácter pessoal. Conhecidos Tirsenses, que presenciaram, perguntaram-me o porquê de alguns dirigentes do PSD e JSD Sto Tirso me insultarem gratuitamente em locais públicos, sem a mínima preocupação (qual Sócrates no caso Mário Crespo). Pelo contrário, quando falo dos dirigentes do PSD Sto Tirso, posso atacá-los, mas apenas e só pela sua (in)capacidade política.

2 – Não sou eu que ando a fazer do PSD um instrumento para atingir objectivos pessoais e profissionais. Estou na política com sentido cívico e de missão, e não para me aproveitar de qualquer cargo que possa vir a ocupar. Coloco sempre os interesses colectivos (do PSD e de Santo Tirso) à frente dos pessoais. A prova disso é que nunca exigi (ao contrário de outros), nem nunca aceitei ter lugares em listas candidatas a eleições.

3 – Não sou eu o divisionista, o ressabiado ou o fomentador de facções. Candidatei-me em 2004 à presidência da JSD, concorrendo com Carlos Pacheco. Perdi, mas no entanto colaborei com a CPS vencedora, enquanto presidente do Núcleo de Sto Tirso/S.Miguel do Couto. Organizamos conferências e participamos em várias outras actividades. Em 2006 integrei uma lista candidata à CPS do PSD concorrendo com Alírio Canceles. Perdi, mas ainda assim colaborei com a CPS vencedora. Organizamos sessões de esclarecimento, participamos em todas as actividades e estivemos envolvidos na campanha autárquica 2009 a 100%.

4 – Não fui eu que nada fiz pelo PSD. Nas eleições autárquicas de 2001 e 2005 dei o melhor de mim. Corri o concelho ao lado dos candidatos. Desde a sempre divertida colocação de cartazes pela noite dentro, conduzi carrinhas de som, distribui propaganda, ajudei na logística e finalmente conversei com as pessoas, mostrando-lhes o nosso programa. Tentando ser persuasivo e convincente para ganhar votos. Posso dizer que em certas alturas estive mais envolvido, e dei mais de mim do que provavelmente alguns dos que me atacam. Sublinhe-se que em nenhuma destas duas eleições eu fiz parte de qualquer lista. Trabalhei desinteressadamente em favor do PSD e de Santo Tirso.

5 – Não sou eu que depois de meia dúzia de dias de militância e 2 campanhas volvidas me acho o militante que mais fez pelo PSD (aliás isso soa-me mal, tal como quando Sócrates disse que ainda estava para nascer um PM que fizesse mais pelo défice. Viu-se!) Nem eu, que desde que me conheço ando em campanhas pelo país, me acho o mártir do PSD. Já andei em Presidenciais, Legislativas, Europeias, Autárquicas. Já passei por dezenas de distritos e concelhos. Já fiz de tudo, desde distribuir autocolantes até participar em sessões de esclarecimento. Tudo, desinteressadamente. Note-se, nunca integrei nenhuma lista. Alírio Canceles e companhia estão nestas andanças desde que a política é vista como um trampolim, e apenas deram o corpo ao manifesto quando eram candidatos. Não recebo, portanto, lições de militância destes senhores, posso é dá-las.

6 – Não fui eu que nas Autárquicas 2009 andei a ligar ao responsável da campanha a uma junta para exigir que colocassem fotos minhas no site da candidatura. Não fui eu que no dia da apresentação dessa candidatura armei uma “cena” porque, para me mostrar, queria discursar (graças a Deus que Zé Pedro Miranda não cede a pressões e essa pessoa não falou). Eu não tenho sede de protagonismo. Não existe nenhuma foto minha em sites de candidatura.

7 – Não sou eu o autista que odeia discussão ou diálogo. Não sou eu que não admito que haja pessoas a pensar diferente de mim, e que livremente se expressem com pluralidade construtiva. Nas reuniões que ao longo do tempo tive com os que me atacam, sempre fui respeitador. Sempre soube ouvir e compreender, apesar de não concordar. Educadamente contrapus e tentei expor o meu ponto de vista. Nunca rejeitei qualquer contacto com aqueles de quem politicamente discordava.

8 – Não fui eu que não tive a desvergonha de assumir diante de companheiros de partido que tinha como objectivo chegar ao cargo de vereador. Não fui eu que com todo o desplante assumi frontalmente que queria ser candidato nas próximas eleições. Eu não quero, e já o provei. Recusei convites para fazer partes de listas candidatas porque não tenho qualquer ambição política. Tenho uma vida profissional no privado que me preenche, realiza e onde sou bem sucedido. Não preciso da política para “ser importante” ou para “ganhar dinheiro”.

9 – Não fui eu que nem corei quando assumi na frente de outros militantes que queria “enganar” os estatutos ao recuar para o lugar de vogal de uma CPS, para poder ser presidente em 2012 e assim decidir quem é candidato e quem integra as listas. Não fui eu que reconheci querer manipular a pessoa que escolhi para me substituir temporariamente no lugar de presidente. Eu sempre respeitei as regras do jogo e os militantes do meu partido. Mesmo em eleições de lista única, para o núcleo da JSD, sempre segui todos os trâmites e nunca falhei sequer com a recolha das assinaturas necessárias.

10 – Não sou eu que avalio as pessoas em função da sua ligação politica, de amizade, ou de outros interesses. No trabalho pelo partido, sempre fiz os possíveis para aproveitar as melhores competências de todos os meus companheiros. Se o sr.A é eficaz a colar cartazes, venha ele. Se o sr.B é politicamente capaz, venha ele. Ao contrário de outros nunca rejeitaria pessoas comprovadamente capazes de ajudar o partido e o concelho, por puro sectarismo. Algo que Alírio Canceles fez, quando tentou boicotar algumas iniciativas que o núcleo de Sto Tirso teve e que, segundo ele, poderiam ofuscar o trabalho da CPS. Algo que voltou a fazer quando boicotou os 2 nomes indicados pelo núcleo para a lista candidata à Assembleia Municipal 2009. Se Alírio reconhecesse, como diz, o mérito das pessoas, aproveitava quem revitalizou 2 dos mais importantes núcleos do PSD, de quem organizou actividades sobre temas importantes com o intuito de mobilizar o partido e esclarecer a população, de quem dá credibilidade ao partido junto da sociedade civil.

11 – Não sou eu que preciso do cacique para chegar ou me manter no poder. Sempre que me apresentei a eleições no PSD concorri honestamente com um plano de estratégia política e com um plano de actividades. Dei conhecimento da minha candidatura a todos os militantes e esperei que votassem em mim pelo projecto. Nunca fiz, nem farei o que outros fazem. Apresentar-se a eleições sem programa, só porque sim, e depois andar a cacicar e a trazer os famosos autocarros com militantes para votar.

12 – Não fui eu que andei a inscrever como militantes pessoas que não se reviam no PSD, e nem sequer se interessavam por política. Não fui eu que lhes prometi “favores” quando um dia estivesse no poder. Não fui eu quem não teve vergonha sequer de assumir: “Tenho amigos que até são de esquerda, mas fi-los militantes só para eles votarem em mim. Depois quando puder retribuo o favor, ou não… haha“. Jamais faria uma coisa destas ao meu partido. Jamais me aproveitaria de amigos ou de pessoas intelectualmente menos capazes. Jamais até, gastaria dinheiro do meu bolso para pagar quotas seja a quem for.

13 – Não fui eu que me envergonhei um pouco, mas mesmo assim disse na frente de outras pessoas, que queria tirar um curso superior para que pudesse “subir” no aparelho partidário, na política. Eu tirei o meu curso superior na altura devida e com o objectivo de me valorizar pessoal e profissionalmente, pois o mercado de trabalho é exigente. Não o fiz para que pudesse ser chamado de “doutor” ou “engenheiro” em qualquer debate político, ou para poder ser considerado “superior” numa estrutura partidária. Não tenho esse tipo de complexos de inferioridade.

14 – Não sou eu que ando pelos congressos nacionais, assembleias, reuniões ou campanhas a bajular dirigentes distritais do PSD. Portando-me como um “yes man” para os agradar, fazendo-lhes vénias. Eles é que me fazem vénias quando passam por mim, não por eu ser importante, mas pelo respeito mútuo que existe. De qualquer maneira, ao nível partidário, e tal como já tive oportunidade de dizer num plenário concelhio, são eles que precisam de nós para estarem naquele lugar, e não o contrário. Nós é que somos as bases, os donos do partido. Nós é que os elegemos.

15 – Não sou eu que sonho um dia poder privar com dirigentes nacionais do PSD que endeuso, e vou para os congressos de máquina em riste, ou tentando aparecer por trás deles quando estão a ser filmados pelas televisões. Já tive a oportunidade de privar com vários e não fiz disso nenhum troféu. Nem sequer registei essas alturas, é uma coisa normal, são pessoas como outra qualquer. E não preciso de andar a tentar fazer-me passar por amigo de algum deles. Efectivamente conheço pessoalmente alguns, e por outros até tenho mesmo amizade. Mas não me vanglorio por isso.

Sei distinguir as coisas, sei o que é democracia, sei o que é pluralismo, sei viver em sociedade. Tenho princípios, valores, carácter e personalidade. Sei discutir livremente, sei ouvir, sei respeitar os concorrentes, e também sei dar-me ao respeito. Tenho coragem para dizer o que penso, seja a quem for, e penso pela minha própria cabeça. Sou moderado e tenho bom senso. Conheço a história, os ideais e a dimensão cívica do PSD. Sei reconhecer o mérito e dar valor a quem está na política desinteressadamente e com sentido de serviço à população.

Não compactuo com gente sem carácter, gente desonesta intelectualmente, gente que não tem coragem de falar na frente, gente que foge ao confronto de ideias. Não posso deixar passar em claro situações em que pessoas se tentam aproveitar das outras, em que usam o partido como instrumento para atingir objectivos pessoais. Pessoas que só pensam na promoção pessoal, com calculismo, e com a irresponsabilidade de arrastarem o Partido nessa ânsia de poder egoísta. Não me associo a ditadorzinhos.

Para finalizar, dizer apenas que não desejava isto. Pelos vistos, tudo nasceu de um mal entendido que poderia ter sido resolvido entre dois homens. Mas infelizmente um deles é “menino”. Dois dias antes de Alírio Canceles fazer circular o mail – a que respondo com este texto – esteve no mesmo local do que eu. Passou por mim e fez de conta que não me viu. Se fosse um homenzinho adulto dirigia-se a mim e esclarecia as coisas. Em vez disso resolveu “fugir” e, pelas costas, fazer um ataque tão baixo. Hoje, 6ª feira 5 Fevereiro, telefonei-lhe pelas 19h50 para lhe dar conhecimento desta minha resposta antes de a publicar. Não me atendeu o telefone. Nada que eu já não estivesse à espera.

Já agora, para os interessados, o meu mail é luismelo78@gmail.com e o meu website é www.luismelo.org (nada parecido com aqueles que aparecem nas “investigações” do Sherlock Alírio Holmes).

3 Responses to Carta aberta aos militantes PSD de Santo Tirso

  1. casantos diz:

    Contrariamente à maior parte daqueles a quem esta carta aberta é dirigida, pelo facto de ter uma ligação familiar de proximidade, tive oportunidade de ler aquela que foi a origem desta reacção violenta do Luis Melo.

    Infelizmente, julgo que só na posse de todos esses elementos será possível entender o porquê desta inesperada iniciativa do Luis Melo.

    Na verdade, tudo começou num mero escrito, feito circular via e-mail pelo Senhor Alírio Canceles, contendo um inferior arrazoado de maledicências com o único objectivo de desferir publicamente um ataque pessoal ao Luis Melo.

    Este Senhor, que até há poucos dias foi Presidente do PSD de Santo Tirso, protagonizou uma das mais baixas jogadas até agora vistas no submundo da nossa política.

    Numa declarada tentativa de ver eternizada a sua pessoa na cadeira do poder, depois de passados quatro anos à frente dos destinos do nosso PSD de Santo Tirso, veio declarada e descaradamente manipular de forma indigna a eleição da nova direcção. Fez tudo o que esteve ao seu alcance para ver conservados os seus mais que evidentes propósitos de promoção pessoal. Uma vergonha!

    Para mim, o que o Luis Melo tenta dizer com este seu grito de revolta, é o que qualquer tirsense, militante do PSD, deve fazer quando se vê perante um tão grave atropelamento dos princípios e valores do nosso Partido. Numa palavra, dizer bem alto que o “Rei vai Nu”…

    Parafraseando o tal Senhor ‘Observant’ do blogue http://www.santothyso.blospot.com, que tanto inquieta o Senhor Alírio Canceles, direi eu com toda a propriedade:

    Assim, não PSD!

    Carlos Almeida Santos

  2. […] A mentalidade déspota do ex-presidente do PSD Sto. Tirso ficou indignada com estes factos e perdeu a cabeça quando viu que não tinha meios para “calar” um militante que pensa pela sua própria cabeça e não vai na carneirada. Vai daí resolveu espalhar um e-mail com várias inverdades que me obrigou a responder na tal carta aberta aos militantes do PSD. […]

  3. […] Em primeira instância porque confirma o que eu vaticinei há 2 anos atrás (ler ponto 9 deste post). Qual chico-esperto, enganou, furou, ultrapassou pela direita, os Estatutos que limitam os […]

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