Ouçam o ancião

Há cerca de um ano atrás dediquei 3 posts do meu antigo blogue a Soares dos Santos. Disse que “Soares dos Santos não é um milionário. É um homem humilde, trabalhador e sério. Um empresário com visão e sucesso. Preocupado com a crise em Portugal […] Não deve nem teme o poder ou o corporativismo, não lambe as botas ao governo“. Ao melhor estilo portuga, alguns perguntaram-me se eu sabia o que ele fazia nas suas empresas (fazendo alusão aos boatos de exploração. Tal como existem sobre a Sonae, com a qual trabalhei e nada senti).

A prova veio passados 13 dias quando, depois de já ter falado sobre a crise e o governo, falou ainda melhor sobre as medidas que tomará na sua empresa. Primeiro, abrirá mão das reservas que fez para prevenir um ano de prejuízos. Depois, deixará de pagar dividendos. Em seguida, diminuirá salários de administração e quadros. No final, negociará cortes de horário e salários. Só se, todas estas não forem medidas suficientes, avançará para despedimentos.

Duas semanas volvidas, o empresário exemplo (como lhe chamei) vem explicar o porquê de Portugal não conseguir atraír investimento estrangeiro que lhe permita recuperar a frágil situação económico-financeira: “Na Polónia estivemos sobre ataque por causa de problemas laborais e a justiça funcionou, o que nos deu um conforto brutal. Sei as regras do jogo, posso fazer planos a 5 anos” e mostrava-se preocupado também com a situação social “Preocupa-me principalmente no Norte, o desemprego

Quem tinha dúvidas sobre a capacidade e a honestidade deste senhor foi agora surpreendido pela notícia anunciando que a Jerónimo Martins vai pagar 12,5 M€ em bónus a trabalhadores. O grupo vai dar um bónus extra aos trabalhadores efectivos (20 mil dos quais em Portugal) gastando 12,5 M€. A bonificação é de 250 € por cada empregado. A administração ficará fora das actualizações salariais para 2010.

Este é um homem sério que sabe o que diz e apenas fala quando é estritamente necessário. Tal como Belmiro de Azevedo, não se rende ou vende ao mediatismo. E quando ele diz que “a instabilidade [política do país] resulta em não haver Governo” era bom que todos ouvissem. Para que todos entendam, ele faz um desenho: “Como é que o Governo tem tempo para pensar? Nós, responsáveis, quadros que estamos aqui e outros, não andamos permanentemente na rua a visitar lojas. Não é a nossa função. A nossa função é pensar nos problemas e debatê-los

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