Agressividade 1-0 Ruptura

Pode-se dizer que José Pedro Aguiar-Branco (JPAB) venceu o debate com Paulo Rangel (PR) por uma margem bem maior do que aquela que Passos Coelho (PPC) conseguiu e isto deveu-se principalmente a dois factores. O primeiro, a agressividade (no bom sentido) de JPAB que surpreendeu PR e tornou-o nervoso e intranquilo. O segundo, o desmantelamento da “ruptura” que JPAB conseguiu fazer melhor do que PPC afirmando que PR diz querer romper mas depois recusa substituição do governo ou demissão do PGR, que fala em ideias de ruptura que já estavam no programa do PSD às legislativas 2009, ou até que chama ruptura a propostas que foram de Elisa Ferreira.

Nervoso e intranquilo PR tentou colar JPAB a PPC, sabendo que estava a ser desonesto intelectualmente, o que não lhe ficou bem. Tal como não ficou, ter dito que na campanha para as europeias não achou que o tema da asfixia democrática fosse relevante (para se demarcar da campanha das legislativas) parecendo esquecer-se que ainda há pouco tempo levou o tema ao PE. Alguma importância deveria ter.

Mas uma coisa é verdade, e PR tem razão, até agora só se falou das suas propostas. Seria desejável que se falasse das dos outros dois candidatos, mas o facto é que poucas ou nenhuma apresentaram em concreto. Aguarda-se pelo congresso. No entanto houve uma coisa que me ficou no ouvido, e que me parece importante, JPAB afirmou que apostará na regionalização como forma de descentralizar.

Foi escusada a comparação de experiência política ou do tempo que cada um tem de militância. Rangel tem razão – e tanto JPAB como PPC deveriam saber isso melhor do que ele – quando diz que o PSD sempre tratou todos por igual. É um partido inter-classista e plural, onde velhos e novos são tidos em conta pelas suas capacidades e não pelo nº do seu cartão de militante.

Mas se isso não cai bem a JPAB ou PPC, também não vi com bons olhos PR ter dito que JPAB não teria estado de acordo com a sua indicação para cabeça de lista às europeias. JPAB sempre teve um comportamento exemplar, de solidariedade e apoio. Inclusivamente, como lembrou, foi coordenador da campanha.

Sobre o Governo, os dois estiveram bem. Concordo com PR quando diz que o tema “moção de censura” beneficia o jogo que o PS quer jogar, de fugir às responsabilidades e vitimizar-se. Gostei da explicação de JPAB, como ninguem ainda o tinha feito, do porquê do PSD ter deixado passar o OE2010, além de que atacou impecavelmente e sem demagogias o PS e Sócrates.

Quanto a Ana Lourenço, repito o que disse: fraca, mal preparada e com perguntas desinteressantes. Nenhuma questão sobre programas ou estratégias, apenas perguntas tipo cocktail molotov para pegar fogo ao debate. É horrível a forma como não consegue ligar uma resposta à pergunta seguinte, a irritação e incapacidade para moderar, os jeitos e o olhar. Quem tem dúvidas aprecie bem a senhora e compare logo de seguida com Judite de Sousa. É como água do vinho.

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One Response to Agressividade 1-0 Ruptura

  1. Carlos Almeida Santos diz:

    Quanto a mim não há comentário que consiga justificar o fraco nível das ideias e das perspectivas avançadas por qualquer um dos candidatos nas entrevistas que já tivemos oportunidade de acompanhar.

    Parece ser mais do mesmo, apenas com algumas variantes e novos actores…

    Mesmo concordando que a entrevistadora está muito abaixo da qualidade mínima exigível para este tipo de frente a frente, o que não favorece um debate com elevação, também não podemos querer ver no desempenho de cada um as qualidades e as capacidades que não são evidentes.

    Estamos perante um conjunto de candidatos que não vai conseguir trazer para o Partido uma mudança na atitude e no comportamento. Nenhum mostra ter à partida a força e o talento exigível para liderar a urgente definição e implementação de um novo rumo que inverta o penoso caminho percorrido ao longo destes últimos 15 anos.

    Precisamos de um verdadeiro líder que seja reconhecido pela grande maioria dos militantes, que nos dê novas forças e novas esperanças, que abandone a intriga e regresse ao debate de ideias, que nos una e mobilize, que conquiste o Partido e que consiga trazer novamente o PSD à sua dimensão de Partido de governo, construtor do futuro.

    Só então poderemos aspirar a reconquistar o País.

    Carlos Almeida Santos

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