A lei da rolha serve a alguns

Também não concordo com esta norma do silêncio nos 60 dias que antecedem as eleições, e votaria contra se estivesse no congresso. Penso que os militantes, se o são de livre vontade, devem ser responsáveis e têm o dever de lealdade para com o PSD. Devem saber que ao dizer mal do seu partido estão a dar votos ao adversário – principalmente se se tratarem de militantes com relevância e tempo de antena nos média. Era realmente dispensável darmos razões para que nos satirizem. Mas vamos lá a ver o seguinte:

1. Esta norma só aparece por causa de militantes como Cavaco, Menezes, Pacheco, Passos Coelho, etc. Foi por causa deles (e doutros) – que não descansaram enquanto não derrubaram o presidente do próprio partido – que alguém pensou nesta aberração de norma.

2. Acho incrível o facto de, no congresso, não se ter ouvido sequer uma voz contra esta norma. Houve até militantes, como PPC que pelo visto nem sequer votaram contra, apenas se abstiveram. Mas depois de saírem e vendo que a comunicação “dita” social e a opinião pública não tinham gostado, desataram a proferir declarações contra a dita norma.

De qualquer maneira podiam resolver-se as questões de lealdade ao partido de outra forma menos comunista. Aliás, penso até que nos actuais estatutos já existem normas que castigam militantes (até com expulsão) por comportamentos menos próprios para com o partido. Mas se esta “lei da rolha” (como lhe chamaram alguns) fosse para entrar em vigor, já sei a quem ela servia…

Se alguém precisava da “lei da rolha” esse era Fernando Costa. Precisava que lhe pusessem uma rolha na boca e outra na garrafa do vinho. O autarca da Caldas subiu ao púlpito para dizer bojardas e mesmo assim houveram militantes, alguns com responsabilidades, que me disseram que ao dizer isto estava a querer desviar a atenção do conteúdo do discurso.

Que conteúdo? pergunto eu. “Traga-me um copo de vinho que água é para meninos” ou “se eu não mentisse não era presidente de câmara“. Elogiar o discurso de Fernando Costa é tão mau para o PSD como a aprovação da tal norma.

Mas o facciosismo e a cegueira de alguns militantes (eu entendo, o poder está á vista e os lugares no aparelho de estado começam já a ser escolhidos) resolveu fazer com que se desse relevância e se defendesse o indefensável, apenas porque Fernando Costa demonstrou apoio a PPC. Como alguém disse no twitter “O autarca das Caldas transformou-se no símbolo de um certo PSD que se revê em PPC“.

No meio disto tudo, haja pelo menos alguém com bom senso. José Pedro Aguiar-Branco vai “junto do conselho de jurisdição, levantar a inconstitucionalidade da medida” e tentar “impedir a entrada em vigor da norma”. No caso de ser eleito presidente “Se o pedido ao conselho nacional de jurisdição não surtir efeito, uma vez presidente do partido vou promover essa alteração”.

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4 Responses to A lei da rolha serve a alguns

  1. Nuno Guimaraes diz:

    É tarde demais. O Santana Lopes esteve na SICN a defender o seu ponto de vista. Criticou os Socialistas de terem uma norma semelhante nos seus estatutos.
    Mas eu prefiro que o PSD marque a diferença por não ter nas suas regras internas uma norma deste tipo. Um partido com militantes responsáveis, e acima de tudo com líderes capazes de demover qualquer tipo de crítica interna ou externa pela argumentação e pela eloquência.

    • Luis Melo diz:

      Caro Nuno,

      Eu também preferia isso que dizes. Aliás escrevi-o neste post. Apenas quis fazer ver que esta absurda nova não surgiu por acaso na cabeça de quem a propôs. E além disso nada se ouviu dentro do congresso sobre isto. A norma passou na votação !! Mas depois cá fora parece que apenas PSL é que votou nela. Assuma-se as responsabilidades. Ou o partido está povoado com cobardes?

  2. Nuno Guimaraes diz:

    Concordo.
    Das duas uma. Os delegados pretendiam aprovar esta norma e proteger o próximo líder de Pacheco Pereira (talvez PPC!!!). Ou então votam sem se inteirarem das propostas, o que não ponho de parte.

  3. Luis Melo diz:

    Caro Nuno,

    Está mais do que visto o que aconteceu. Como é normal, a maioria dos congressistas foi para o cacique, e não para pensar o partido. Ninguém se dá ao trabalho de ler as propostas antes do congresso (estão disponíveis na net semanas antes) nem durante o mesmo. E quando votam, nem sequer sabem o que estão a votar. Põem o braço no ar conforme o colega do lado do cacique. E depois dá nisto. PSL tem razão, nem sequer leram as propostas. E vem depois MAC dizer que a votação era confusa. Era, para quem não estava atento. Eu já fui congressista e presenciei isto várias vezes.

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