A farsa do 25 de Abril

25/04/2010

Podem chamar-me o que quiserem, até fascista, pouco me importa. Sou um democrata incondicional mas acho que os festejos do 25 de Abril de 1974 são arcaicos e estão obsoletos. Enquanto não soltarmos estas amarras do passado não conseguiremos conquistar o futuro.

Em vez de estarmos permanentemente a viver (com saudosismo) o 25 de Abril de 1974, devíamos trabalhar e lutar para podermos viver (com felicidade) os 25 de Abril de 2010, 2011… 2050, etc.

É que além do mais somos todos uns hipócritas. O que festejamos é um sistema eleitoral conquistado em 25 de Abril de 1974, mas continuamos a não poder festejar a conquista da verdadeira democracia, da verdadeira liberdade, da verdadeira justiça social.

E os maiores culpados desta situação são os arlequins que neste dia fazem a maior festa de todas. Os políticos que durante 364 dias “comem o sono” e “tratam das suas vidinhas”, vêm neste dia falar de grandes valores na “casa da democracia” (a tal onde se insultam uns aos outros durante o resto do ano).


Feminino, um problema de mentalidades

23/04/2010

Na semana passada o “universo do andebol ficou em choque com o anúncio do abandono de Alexandrina Barbosa da Selecção Nacional“. Além disto a melhor jogadora portuguesa de sempre confirmou que irá naturalizar-se espanhola. Alexandrina justificou esta sua radical opção com a “forma como o andebol feminino português está, e é tratado“. Segundo a atleta que alinha actualmente pelo Itxaco de Espanha, o andebol em Portugal “nunca evoluirá mais do que aquilo que já evoluiu” apesar de garantir que “há bastante valor entre jogadoras e técnicos“. A atleta, que se pode sagrar campeã espanhola este ano, disse ainda “tenho jogado ao mais alto nível e não posso mais trabalhar nestas condições“.

Não posso condenar esta atleta pela sua decisão. E não posso fazê-lo porque tenho bem presente que o desporto feminino português, nos moldes em que é gerido actualmente, não passará do amadorismo. E por isso é impossível que mulheres talentosas possam vingar numa carreira desportiva. Nem sequer têm a possibilidade de ingressar numa carreira internacional porque, como diz e bem a andebolista, não há condições para evoluir a nível técnico, táctico e psicológico.

Portugal é sobejamente conhecido pela sua disparidade e desequilíbrio em certas áreas. Isso está correlacionado com a mentalidade retrógrada da maioria dos portugueses. Algo que se verifica com grande incidência no que toca à discriminação da mulher na sociedade, seja em casa, no trabalho, na política ou até no desporto. Mas depois todos se regozijam quando vêem aprovadas leis que obrigam à inclusão da mulher. Mas em que século vivemos? No século XVIII? Em que país vivemos? No Sudão? Proclamamo-nos como um país de 1º mundo, europeu, desenvolvido e depois temos de ser “obrigados” a tratar de igual forma as mulheres?

O desporto feminino em Portugal, não tem só um problema de falta de aposta, de falta de investimento. Tem um problema gravíssimo que está directamente ligado à mentalidade dos dirigentes, adeptos, patrocinadores e comunicação social. Mentalidade essa que quando se vê confrontada com os factos se apressa a fugir às responsabilidades e a dar como argumentos medidas avulsas que pretendem apenas “tapar o sol com a peneira”. No voleibol, tenho a certeza que se alguém criticasse a FPV pelo abandono da modalidade no género feminino, os seus responsáveis viriam logo dizer que até contrataram uma treinadora cubana de renome para as selecções. Como se isso resolvesse alguma coisa.

Temos provas de que há mulheres tão ou mais talentosas que os homens em várias modalidades. Mulheres essas que podem levar bem alto o nome de Portugal, tornar-se modelos para os mais jovens e contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e rica. Mas insistimos em deixá-las cair, desperdiçando assim um capital que elas nos podem oferecer. No voleibol temos imensas atletas com potencial para crescer e estar entre as melhores. Infelizmente elas não têm condições para evoluir, nem oportunidades para se mostrar. Não há possibilidade dos clubes participarem nas provas europeias, e a selecção nacional é tão fraca e esquecida pela FPV que as melhores abdicam de a representar.

Chega de palavras vazias e de atitudes hipócritas que nada resolvem. Está na altura de haver uma verdadeira revolução de mentalidades. É hora de começarmos a olhar para a mulher e cumprirmos o que está estabelecido no acordo da ONU: “A mulher deve ter o direito à igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação“. Deixemos de olhar, gerir e pensar o desporto feminino – em particular o voleibol, que é o mais praticado – como se de caridade se tratasse. Vamos apostar forte e confiar nas capacidades das nossas mães, irmãs, filhas, primas, sobrinhas ou amigas. Elas têm esse direito.

Nota: Aproveito para deixar aqui também uma curta e interessante entrevista feita há uns tempos pela revista “a página” à Prof. Paula Botelho – Presidente da Associação Portuguesa Mulheres no Desporto


PSD: A confirmação do meu voto

14/04/2010

Dois dias antes das eleições internas do PSD, e depois de várias semanas de campanha, decidi que votaria José Pedro Aguiar-Branco. Fi-lo após ter analisado as moções de estratégia dos candidatos e de ter conhecido algumas das caras que faziam parte das respectivas equipas.

Sobre a moção escrevi: “JPAB tem reconhecidamente a melhor moção de todas […] Mais do que falar nas coisas que estamos fartos de ouvir (défice, dívida, crise, etc.) fala em inovação, propõe várias medidas em concreto a aplicar, e tem uma linguagem nova, diferente do habitual.

Sobre a equipa escrevi: “Portugal precisa de homens como os que JPAB juntou à sua volta: Rui Rio, Diogo Vasconcelos, Alexandre Relvas […] Além disso conta também com a experiência e sabedoria de Mota Amaral, Miguel Cadilhe ou Conceição Monteiro. E com a capacidade técnica e inteligência de Miguel Frasquilho ou Rodrigo Adão da Fonseca.” E nessa altura não sabia eu que também tinha contado com a ajuda do meu professor e amigo José António Salcedo.

Depois de Passos Coelho ter vencido as directas foi ao XXXIIIº Congresso (que o consagrou como líder) apresentar uma moção que inclui muitas das ideias que eram de JPAB, e falar da unidade que foi o lema da campanha de JPAB. Eu sabia que o meu voto era o melhor para o PSD. Bem haja PPC que, independentemente disto, começou bem o mandato.


Lei da Rolha 2.0 no PSD Santo Tirso

08/04/2010

No último congresso nacional, o PSD aprovou uma norma que exigia silêncio aos militantes mais críticos nos 60 dias que antecedem as eleições. A chamada “Lei da Rolha” foi muito polémica e mereceu desde logo a reprovação dos mais destacados dirigentes e militantes, incluindo o recém-eleito presidente, que disse que a revogaria logo que pudesse.

Foram vários os militantes (mais ou menos conhecidos) que – a meu ver muito bem – disseram que esta norma ia contra a génese do partido, que sempre tinha sido pluralista e de livre opinião. Falou-se de ditadura, de PIDE, de norma comunista.

Ora, no PSD Santo Tirso não é preciso congresso nem aprovação de normas. A “Lei da Rolha” está implantada há muito tempo. A actual comissão política (CP) além de politicamente inapta, não tem capacidade de encaixe e não admite nenhuma crítica, mesmo que seja construtiva e colocada internamente nos locais próprios.

Baseando-se em supostos factos trazidos pelo ex-presidente Alírio Canceles – que se aproveita assim da CP à qual não preside (formalmente, diga-se) para atingir objectivos pessoais – a CP concelhia analisou o que denominou de “Caso Luís Melo” e deliberou, em reunião de 19 Fevereiro 2010, lamentar e repudiar o comportamento do militante nº 69491 Luís Melo.

Tudo isto vem, a meu ver, na sequência de dois textos que escrevi – nos quais Alírio Canceles diz que ataquei o PSD e os seus dirigentes locais provocando sérios prejuízos a todos – e de uma carta aberta aos militantes, em reacção a um acto lamentável daquele senhor. Os textos em causa são este e este.

Ora, como qualquer pessoa pode verificar, eu apenas critiquei politicamente alguns dirigentes do PSD. Não ataquei ninguém pessoalmente, nem fiz considerações que prejudicassem a imagem do partido (o mesmo já não pode dizer Alírio que segurou perante câmaras uma camisola do PS em plena campanha eleitoral). Já não se pode falar livremente? Isto é delito de opinião!

A mentalidade déspota do ex-presidente do PSD Sto. Tirso ficou indignada com estes factos e perdeu a cabeça quando viu que não tinha meios para “calar” um militante que pensa pela sua própria cabeça e não vai na carneirada. Vai daí resolveu espalhar um e-mail com várias inverdades que me obrigou a responder na tal carta aberta aos militantes do PSD.

Em resposta, a reacção desesperada de Alírio Canceles foi a de, em resposta, fazer circular pelos militantes um e-mail onde adjectivava a minha pessoa de “mentiroso”, “desonesto”, “mentalmente doente”, “fraco”, “cobarde”, “vaidoso”, “narciso”. Disse Alírio: “quem era ou é Luís Melo, para merecer essa atenção das estruturas do PSD de Sto. Tirso?”. Pelos vistos sou importante suficiente para merecer uma patética reunião de CP que deliberou sobre o “Caso Luís Melo” (depois do Freeport e do Face Oculta, aqui está outro. Simplesmente ridículo).

Nesse e-mail Alírio disse também que não seria “o Luís a provocar uma crise política entre o PSD e o Núcleo de Santo Tirso/S. Miguel, na pessoa do seu presidente”. É verdade, não fui eu que criei a crise, foi o próprio Alírio que naquela deliberação demitiu, à revelia dos estatutos, José Pedro Miranda de presidente do Núcleo, dirigindo-se a ele como “ex-presidente”.

O PSD Sto. Tirso funciona portanto desta maneira. É uma coutada de meia dúzia de militantes que delibera a seu bel-prazer sem fazer caso dos estatutos, dos direitos dos militantes e ultrapassando as instâncias competentes superiores. Poderia ter instaurado um processo disciplinar à minha pessoa, e depois todos seriam ouvidos pelo Conselho de Jurisdição, que decidiria em conformidade. Mas não! Resolveu aplicar a “Lei da Rolha 2.0” (a outra é só nos 60 dias que antecedem eleições, esta é sempre que apetece)

Aproveito para relembrar a estes senhores algumas passagens dos Estatutos do partido:

Artº 2º “A organização e prática do Partido são democráticas, assentando em: a) Liberdade de discussão e reconhecimento do pluralismo de opiniões

Artº 6º nº 1 “Constituem direitos dos militantes: […] c) Discutir livremente os problemas nacionais e as orientações que, perante eles, devem assumir os seus órgãos e militantes; d) […] não sofrer sanção disciplinar sem ser ouvido em processo organizado perante a instância competente

Artº 45º nº 1 “Compete ao Conselho de Jurisdição Distrital: […] c) Instruir e julgar em primeira instância os processos disciplinares

Artº 71º nº 4 “Sem prejuízo dos nºs 1, 2 e 3 deste artigo, os membros dos órgãos electivos do Partido mantêm-se em funções até à eleição dos novos titulares


Unidose != 1 comprimido

06/04/2010

No discurso de tomada de posse (em 2005) José Sócrates só falou de uma medida em concreto para o sector da Saúde – todas as outras foram de carácter geral – a introdução da unidose nos medicamentos. O Governo legislou contra a vontade das farmácias, da indústria e dos médicos. Conclusão? A decisão já tem meses e nunca foi aplicada. Mais um fracasso de Sócrates.

O utente que “engole” o que a comunicação dita social e a retórica política do PS lhe dá, pensa que era muito melhor e mais económico comprar um comprimido em vez da caixa inteira. Ora a unidose não é isso. Se temos de tomar um antibiótico durante 7 dias, 3 vezes ao dia, devemos comprar 21 comprimidos e essa é que é a unidose.

Alguém está a ver um saco ou um balde cheio de comprimidos e o farmacêutico a contar um a um? Ou alguém está a imaginar venderem-se comprimidos como se vende alpista numa drogaria? Não me parece. Deve, isso sim, dimensionar-se melhor as embalagens. E para promover essa alteração deverá conversar-se com indústria, farmácias, médicos e utentes.

Basta de decisões tomadas dentro de gabinetes políticos por gente que não faz a mínima ideia do que se passa “cá fora”.


Sou católico mas…

04/04/2010

… espero que nesta Páscoa jesus (o Jorge) não ressuscite e que a minha (por afinidade) Naval 1º Maio vença o Benfica.


Mentiroso Compulsivo

01/04/2010

Podiam pensar que estou a falar do filme de Jim Carrey mas não. Não se trata de nenhuma ficção. O argumento deste filme é verdadeiro e as imagens que podemos ver são realidade nua e crua.

O protagonista é bom actor, mas na realidade não está a representar, ele é mesmo assim. Custa-lhe imenso dizer a verdade. Principalmente porque não lhe dá jeito nenhum.

Um título bom para esta longa metragem (longa demais… já vem desde 2004) era “Portugal de TGV a caminho do abismoby José Sócrates

O que faz um homem como José Sócrates no dia 1 de Abril?… Diz a verdade, para variar?


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