Só para encobrir Sócrates

29/07/2010

O saldo na novela entre a PT e a Telefónica é: a PT trocou posição maioritária numa empresa tecnológicamente avançada e em expansão (Vivo) por posição minoritária numa outra empresa vulgar e inerte (Oi). Mas por incrível que pareça, ainda há quem diga que foi bom negócio, e pior há quem acredite nisso. Como se não estivessemos fartos de opiniões encomendadas na imprensa.

Pior do que tudo isto é que a entrada da PT na Oi não se deveu ao facto de ser um bom negócio. Foi simplesmente para encobrir as palavras de José Sócrates aquando da utilização indevida e ilegal da Golden Share do Estado. Lembre-se que o PM invocou o “interesse estratégico nacional” para vetar a venda que a maioria dos accionistas aprovara em AG. Mais uma vez (depois do caso TVI) a administração da PT usou dinheiro dos accionistas ao serviço do Governo do PS de Sócrates.

Muitos disseram que vender a participação na Vivo, distribuindo o dinheiro pelos accionistas e reduzindo a dívida era fazer da PT a uma empresazita. Mas quem disse que tinham de vender e ficar quietos? Claro que tinham de investir noutro lado, mas não tinham era de ir comprar, à pressa, uma posição numa qualquer empresa brasileira, só para encobrir as desculpas esfarrapadas de José Sócrates.

Alguns dizem que a longo prazo vai ver-se que a PT tomou opção correcta e vai fazer da Oi uma outra Vivo (como se tudo o que a PT tocasse se transformasse em ouro). Pois eu acho que a longo prazo a PT e principalmente os seus administradores vão perder credibilidade nos mercados internacionais, pelo facto de andarem ao serviço do ego e da vontade de um désputa.


Por uma unha negra…

28/07/2010

Se há ocasiões em que a “unha negra” é invocada em vão, esta não é uma deles. Falo da participação portuguesa no Campeonato da Europa de Atletismo, que começou ontem em grande com a inesperada medalha de bronze de João Vieira nos 20 km marcha.

Hoje o dia era de grandes esperanças no que diz respeito a medalhas de ouro, visto que entravam em competição os nossos melhores atletas: Naide Gomes, no salto; Francis Obikwelu nos 100m; Jessica Augusto, nos 10.000m.

Naide teve o ouro na mão, mas perdeu-o por uma unha negra ficando com a medalha de prata. A portuguesa saltou os mesmos 6.92m da letã vencedora, mas no desempate (2º melhor salto) perdeu com os seus 6.68m contra os 6.87m da campeã.

Obikwelu – o único europeu que já correu abaixo dos 9.9s nos 100m – fez uma brilhante prova, dando mesmo a sensação que teria conquistado uma medalha. O facto é que por uma unha negra falhou o pódio. Francis correu em 10.18s tal como o 2º, 3º e 5º classificados. O júri classificou-o em 4º lugar, mas a delegação portuguesa decidiu avançar para o protesto. Espera-se o resultado.

Jéssica – que por estes dias é também notícia por ser namorada de Eduardo, GR da selecção nacional de futebol – conquistou a 3ª medalha para Portugal, a de bronze. Mas novamente por uma unha negra não era prata, dado que andou a corrida toda no 2º posto, que acabaria por perder na última das 25 voltas.

Conquistamos mais 2 medalhas, de prata e de bronze, mas a tal unha negra roubou-nos um 2 patamares no pódio.


O Portugal que não quero (V)

27/07/2010

O típico tuga vive de aparências e também gosta muito de se “armar aos cágados”. Gosto de ver concursos na TV e, sozinho em casa, testar os meus conhecimentos. Quase sempre o apresentador pergunta aos concorrentes o que fariam com o prémio. Recorrentemente a resposta – perante quantias na ordem dos 5.000 a 20.000 € – é: “fazia uma viagenzinha e oferecia um jantar aos amigos“.

Perante isto eu pergunto: viagenzinha?! Jantar?! Com 5, 6, 10 mil €?! … Mas esta gente faz o quê? Viagens à Lua? Jantares de entrada, sopa, prato e sobremesa de caviar, regado com Chateau Lafitte de 1787? Haja paciência para tanta imbecilidade.


1º Aniversário – Era mais uma rodada!

21/07/2010

O Era Mais um Fino completou, no início deste mês, um ano. Em 12 meses de existência a média de visitas atingiu as 1200/mês. É um valor muito bom quando comparado com os outros 3 ou 4 blogues pessoais que já tive, desde Novembro de 2003 (sim, já sou blogger há quase 7 anos).

Também me deixa muito satisfeito saber que o local onde escrevo as minhas modestas opiniões, é referenciado por muitos dos mais conceituados blogues do panorama nacional, como por exemplo: Delito de Opinião, Albergue Espanhol, Ainda há Lodo no Cais, ABC do PPM ou Psicolaranja. Além disso, foi também há uns meses, indicado pelo P2 (caderno do jornal Público)

Em cerca de 160 posts falei de vários temas, mas as estatísticas dizem que dediquei mais do tempo à política e ao desporto. São de facto 2 temas que me interessam e sobre os quais gosto muito de escrever. Dentro desses temas sobressairam as eleições (não tivesse sido 2009 um ano com 3 actos eleitorais) e o futebol.

Tenho obtido algum feedback. Tanto ao nível dos comentários (245 comentários aprovados) como também de pessoas que, a propósito do blogue, me têm abordado. Incrível, mas habitual no séc. XXI, foi já ter feito conhecimentos e amigos por causa do que escrevo e da forma como o faço.

Para festejar este 1º aniversário nada melhor do que – com a vossa colaboração – uma subida no número de visitas nos próximos 12 meses, e um fininho… pago eu. “Óóhh faxabôr… era mais uma rodada“.


O bom exemplo de Rui Rio

21/07/2010

Hoje, a propósito de uma notícia que saíu no jornal i, tive uma breve troca de twitts com o presidente da JS Porto (e Secretário nacional da JS) Tiago Barbosa Ribeiro. Tudo porque afirmei que graças a Rui Rio os bairros sociais da cidade vinham sendo recuperados, dando condições minimamente dignas às pessoas que lá vivem (e são muitas, quase 20% da população do Porto, 50 mil pessoas). Coisa com que o Tiago discordou.

Rui Rio fez uma aposta forte na requalificação dos bairros sociais. E fê-lo porque sabe que o mais importante são as pessoas, e deve ser para elas que se faz política. Rui Rio não diz, faz! Ele actua e faz política para os cidadãos da cidade que lidera. Nos bairros sociais vive muita gente com condições quase desumanas, gente com dificuldades financeiras e que vive em permanente risco.

Com a requalificação dos bairros sociais Rui Rio não só está a dar mais qualidade e dignidade à vida das pessoas que ali moram, como também está a evitar getos que são quase sempre incubadoras de criminosos. Esta é uma das melhores formas de coesão social e de ajuda à integração destas pessoas. Ao mesmo tempo evita-se e previne-se a criminalidade que está sempre ligada a estes locais e se espalha depois pela cidade.

A requalificação não é feita ao acaso e sem um planeamento. Além de requalificar casas ou espaços públicos, a CM Porto cria também novos equipamentos (desportivos e outros), ruas e percursos pedonais. Abre também espaço a instituições de intervenção e apoio social, para que fiquem mais próximos dos bairros e das pessoas que delas necessitam. Desde 2001 que a CM Porto investiu mais de 130 M€ na habitação social e na recuperação dos bairros sociais.

Ainda assim isto não chega para socialistas como o Tiago. Pena ele ter-se esquecido que o seu Governo PS – aquando da elaboração do OE2010 – decidiu estrangular financeiramente o PROHABITA, o que só vai fazer com que a CM Porto faça mais esforço, pois apesar de tudo Rui Rio prometeu não suspender a requalificação nos bairros. Foi uma promessa, é para cumprir.

Tal como disse Rui Rio hà pouco tempo o “Esforço da CM Porto tem sido investir onde é mais necessário, e não onde se consegue mais popularidade politica e mediática“. Talvez se José Sócrates – líder do partido e do Governo apoiado pelo Tiago – tomasse também este princípio, Portugal estivesse melhor.


O Portugal que não quero (IV)

19/07/2010

Um presidente de junta de um concelho que conheço bem, cometeu um crime ambiental mandando arrancar uns carvalhos, devastar um eucaliptal e até destruir uns plátanos na sua freguesia. Foi naturalmente “condenado” pela população, mas já não havia nada a fazer.

Para limpar a face pensou mais tarde plantar umas árvores mas, para não cometer nova asneira, resolveu consultar alguém. Depois do que fez, ninguém ligado à área florestal o apoiaria e por isso virou-se para uma jovem recém-licenciada em Arquitectura Paisagista, que era moradora na freguesia e estava desempregada.

Vai daí o xôr Presidente prometeu-lhe um emprego em troca de um parecer favorável à nova plantação. Mas entretanto soube que a Portucel/Soporcel oferecia árvores para plantação. Assim sendo, oferecidas por tão credível empresa, achou que já não precisava da inocente menina, desprezando-a. De qualquer forma não deixou de espalhar que tinha consultado a “especialista”.


Estado de qual Nação?

15/07/2010

Por definição, uma Nação é um território onde vive um Povo. E esse Povo fala a mesma língua, tem os mesmos costumes, hábitos e tradições. O Povo tem consciência nacional e uma religião. Mas acima de tudo, uma Nação é a união das pessoas que formam este Povo e que, por sua determinação e convicção, quiseram viver colectivamente.

Hoje, se a língua ainda nos une tudo o resto nos separa. Há uns tempos atrás tinhamos os mesmos hábitos e costumes, mas agora isso não acontece, fruto de toda a informação que trazemos das nossas visitas ao estrangeiro ou que vamos buscar através da internet. Há uns anos atrás partilhavamos tradições e respeitavamos as do vizinho, mas agora radicalizamos posições e fazemos guerra.

Sobre religião não vale a pena falar muito. Os últimos tempos têm mostrado como muita gente não se contenta em borrifar-se para ela, como além disso tenta “criminalizar” quem tem uma. A consciência nacional não existe. Hoje, ninguém tenta perceber as diferenças, compreender os seus direitos e deveres, ou respeitar os direitos do próximo.

Nos dias que correm a única coisa que partilhamos é mesmo este pequeno território. Mas apesar de tudo conseguimos andar sempre “aos empurrões” tentanto “levar a melhor” sobre o espaço do outro. Pergunto: queremos mesmo viver colectivamente? ou somos apenas uma cambada de egoístas que tem “Nacionalidade: Portuguesa” no Bi?

Somando tudo isto, ao estado do Estado, ao estado do Governo, ao estado da Economia, ao estado das Finanças, ao estado da Saúde, ao estado da Educação, ou à grave crise social e de valores por que passamos… creio que o Estado da Nação (se é que ela existe) é muito preocupante.


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