Só para encobrir Sócrates

O saldo na novela entre a PT e a Telefónica é: a PT trocou posição maioritária numa empresa tecnológicamente avançada e em expansão (Vivo) por posição minoritária numa outra empresa vulgar e inerte (Oi). Mas por incrível que pareça, ainda há quem diga que foi bom negócio, e pior há quem acredite nisso. Como se não estivessemos fartos de opiniões encomendadas na imprensa.

Pior do que tudo isto é que a entrada da PT na Oi não se deveu ao facto de ser um bom negócio. Foi simplesmente para encobrir as palavras de José Sócrates aquando da utilização indevida e ilegal da Golden Share do Estado. Lembre-se que o PM invocou o “interesse estratégico nacional” para vetar a venda que a maioria dos accionistas aprovara em AG. Mais uma vez (depois do caso TVI) a administração da PT usou dinheiro dos accionistas ao serviço do Governo do PS de Sócrates.

Muitos disseram que vender a participação na Vivo, distribuindo o dinheiro pelos accionistas e reduzindo a dívida era fazer da PT a uma empresazita. Mas quem disse que tinham de vender e ficar quietos? Claro que tinham de investir noutro lado, mas não tinham era de ir comprar, à pressa, uma posição numa qualquer empresa brasileira, só para encobrir as desculpas esfarrapadas de José Sócrates.

Alguns dizem que a longo prazo vai ver-se que a PT tomou opção correcta e vai fazer da Oi uma outra Vivo (como se tudo o que a PT tocasse se transformasse em ouro). Pois eu acho que a longo prazo a PT e principalmente os seus administradores vão perder credibilidade nos mercados internacionais, pelo facto de andarem ao serviço do ego e da vontade de um désputa.

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16 Responses to Só para encobrir Sócrates

  1. cefaria diz:

    A ver veremos, não sei se foi um bom negócio ou não, nem sei se a entrada na Oi compensa ou não, sei que este processo está muito politizado para ser visto estritamente como um mero negócio e ambas as partes têm vindo a contradizer-se por questões ideológicas e políticas.
    Por fim fico satisfeito que surja um grande grupo de telecomunicações na lusoesfera e isto pode permitir oportunidades à língua Portuguesa.
    O povo seguramente nada ficou a ganhar com isto.

    • Luis Melo diz:

      Caro cefaria,

      O povo não ficou a ganhar nada com isto, nem devia. Afinal de contas isto era um negócio entre duas empresas privadas. A certa altura não parecia, dadas as intervenções de Sócrates e Lula, mas enfim…

      • cefaria diz:

        Discordo no que se refere ao povo, grande parte deste processo envolve o Governo e mais-valias em bolsa e não só. A minha costela de esquerda além de saber que estamos em crise, diz que se há impostos extraordinários no PEC para o trabalho do povo, também os deveria ter havido sobre mais-valias e isto atempadamente ajudava.

  2. assis diz:

    posição maioritária? há pessoas que não sabe do que falam. vá, vá lá falar com o pessoal da pt e deixe de mandar larachas.

    • Luis Melo diz:

      Caro assis,

      A PT tinha 50% da Brasilcel, que detinha 60% da Vivo. Logo tinha uma posição MAIORITÁRIA (em conjunto com a Telefónica) na Vivo. Trocou-a por uma posição minoritária (20%) na Oi.

      Além disso, no mercado móvel que é o futuro, a Vivo encontra-se em 1º lugar e a Oi em último entre os operadores (os outros são Claro e TIM). O que não augura nada de bom, certo?

      Quem não sabe do que fala é o senhor, que veio para aqui mandar a tal laracha sem sequer argumentar. Passe bem.

  3. João diz:

    Luis, vá, faça lá as contas: se a PT tinha 50% de 60% de uma empresa, na prática isso significa que a PT tinha 30% de uma empresa… Os restantes 30% pertenciam à Telefónica.
    Além disso, acha mesmo que era possível manter a posição na Vivo depois da ofensiva da Telefónica? A PT não tem traquejo para competir financeiramente com a Telefónica e arriscava-se a ter um desfecho de negócio bem mais custoso, destruindo valor da Vivo e da PT.
    Chamar “empresa inerte” a quem vai construir e explorar a infra-estrutura de banda larga num país com a dimensão do Brasil, financiada pelo Estado Brasileiro é não saber do que se fala.
    Se a Vivo era uma empresa “tecnologicamente avançada” foi porque a PT, a início, e depois com o auxílio da Telfónica, assim a fizeram…não foi por magia.

    • Luis Melo diz:

      Caro João,

      A PT tinha uma posição maioritária na VIVO em conjunto com a Telefónica. Não há aqui 50% de 60% dá 30%. A posição maioritária (os 60%) eram da PT e da Telefónica, nenhuma mandava mais do que a outra.

      Quanto ao futuro das duas, penso ser é lógico que o futuro das comunicações está no wireless (sem fios) que é o mercado em que a VIVO domina. A Oi domina o mercado com fios.

      Mas a questão em que coloco ênfase aqui, e que o João não quis perceber, é a de terem comprado à pressa uma posição na Oi só para encobrir as palavra de José Sócrates.

      A pressa é inimiga da perfeição e já dizem analistas que a PT pagou pela participação de 20% da Oi cerca de 6 a 10 vezes mais do que ela valia.

      Enfim… o pior cego é aquele que não quer ver.

  4. João diz:

    Luis, vamos por partes, porque a quantidade de disparates que diz demonstra um enorme desconhecimento do assunto em causa:
    1. A PT tinha, em conjunto com a Telefónica, 60% da Vivo. Isto implica que a PT, ao contrário do que o Luis faz passar, não tinha controlo sobre as decisões a tomar na Vivo, mas estavam ambas as empresas dependentes de uma estratégia comum.
    A partir do momento em que a Telefónica faz uma proposta sobre o capital da participada que detinha os 60% da Vivo, ainda para mais quando o faz de forma hostil, não negociando com o Concelho de Administração da PT, essa parceria estava em vias de dissolução.
    Da mesma forma que, quando o Luis compra um casa a meias com outra pessoa, o Luis não tem controlo sobre as decisões da casa, da mesma forma que a PT não controlava directamente 60% da Vivo, mas 30%.
    A PT, a partir do momento em que há uma proposta de compra por parte da Telefónica, só podia fazer quatro coisas: vender de imediato e perder um pé no Brasil; fazer uma proposta de compra à Telefónica pela outra metade da Brasilcel; esperar pela dissolução da Brasilcel, destruindo valor da Vivo; ganhar tempo para arranjar novo parceiro nos negócios no Brasil, garantindo um preço bom pela Vivo.
    O Luis está a partir do pressuposto errado que era possível manter a parceria com a Telefónica no Brasil, coisa impossível, dada a sede dos espanhóis em casarem a rede fixa da Telesp com a móvel da Vivo, e face aos maus negócios no resto da América do Sul.
    Face a isto, a PT optou pela opção de tentar arranjar outro parceiro no Brasil.
    Foi para isso que serviu o uso da Golden Share: ganhar tempo para garantir a entrada da PT na Oi.

    • Luis Melo diz:

      João, estive para não responder a este seu comentário, dado que começou de forma malcriada. Disparates dirá talvez a sua mãezinha quando o vê a ser assim arrogante.

      Vamos só esclarecer uma coisa, porque está visto que o senhor não leu bem o post, ou então a febre “socratiana” tapa-lhe a vista.

      Eu não fui contra venda da Vivo. Fui, isso sim, contra a compra da participação na Oi. Foi uma compra forçada, fora de tempo e má para a PT. Só se concretizou para “dar razão” a Sócrates.

      Diz que a Golden Share foi usada para “ganhar tempo”? Muito me conta. Então agora essa ferramenta serve apenas para ganhar tempo, ou para defender “interesses estratégicos nacionais”?

  5. João diz:

    2. O Luis está a confundir redes móvesi com redes wireless. São coisas diferentes.
    A utilização de internet através do telemóvel tem limitações muito grandes de donwload e upload, são menos fiáveis e tendencialmente mais caras. Não está com certeza a ver o tecido empresarial brasileiro a aceder à internet através de redes 3G, pois não?
    As redes wireless muitas vezes usam a infra-estrutura de banda larga para ganharem sinal.
    O futuro, dizem os especialistas, está na rede de banda larga, mais rápida, mais fiável e com um potencial de geração de emprego enorme.
    No Brasil a banda larga está na estaca zero, as velocidades são muito lentas e a infra-estrutura não está construída.
    O governo tem um plano de financiamento para a banda larga a desenvolver em parceria com operadoras de telecomunicações, nomeadamente a Oi, que é participada pelo Governo.
    Por isso se torna a Oi um negócio interessante.
    Em segundo lugar, o mercado de comunicações móveis no Brasil parece estar a chegar ao ponto de saturação (por esse motivo a Telefónica quer unir o móvel ao fixo).
    Se quiser leia estes artigos sobre o assunto: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=20456&sid=15

    http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI138571-17770,00-BANDA+LARGA+NO+BRASIL+E+CARA+E+RUIM+ENTENDA.html

    http://www.mc.gov.br/plano-nacional-para-banda-larga

    http://www.wired.com/techbiz/media/news/2004/10/65538

    http://www.huffingtonpost.com/eric-ehrmann/big-broadband-brazil_b_514087.html

    http://www.reuters.com/article/idUKN0522215620100505

    • Luis Melo diz:

      João, quem confunde alguma coisa é o senhor. Sabe o que quer dizer “wireless”? Quer dizer “sem fios”. A rede móvel é uma rede sem fios. Denota aqui que, como qualquer tuga ignorante nesta matéria, acha que “wireless” está apenas ligado ao router que tem em casa para a internet.

      Todas as novas tecnologias são caras e menos fiáveis quando começam. A internet no seu início também não era fiável ou segura. Hoje em dia já todos fazem transferências bancárias através dela, sem qq problema.

      Quanto ao caro, recordo-me quanto se pagava pela internet quando esta era paga em impulsos de telefone (talvez nessa altura o senhor nem sequer tivesse PC e por isso não se lembra). E lembra-se quanto custava um simples telemóvel quando apareceram? 300, 400, 500 contos.

      O futuro é nas comunicações sem fios e em breve teremos nos dispositivos móveis as velocidades que temos hoje em casa. 100, 200, 500 Mbps… já há testes de Gbit/s.

  6. João diz:

    3. Lamento, mas a oferta para entrada no capital da Oi não foi para salvar a face do PM, foi para garantir a estadia num mercado em grande expansão, com potencial de crescimento enorme e onde está tudo por fazer numa das áreas onde a PT tem mais conhecimentos: Banda Larga de Alta Velocidade.
    Além disso, a parceria com a Oi permite à PT ganhar novo fôlego em investimentos em África, onde a PT quer dar cartas, mas não tem traquejo financeiro para competir com as grandes multinacionais de comunicações.
    Os analistas dizem que a PT pagou mais pela Oi do que ela vale: é verdade, é normal acontecer isso, sobretudo em empresas que estão blindadade pela proteccçaõ do Estado. O que o Luis se esqueceu de mencionar é que a Telefónica pagou 12 vezes mais pela Vivo do que ela vale.
    À partida, o negócio não é mau para a PT, garante a manutenção no Brasil, ganha liquidez para novos investimentos e distribui mais-valias pelos accionistas. Torna-se parceira importante num dos maiores projectos de investimento em telecomunicações.
    O futuro dirá quem fez pior negócio, se a PT se a Telefónica, mas olhar para o mundo empresarial sobre o espectro da partidarite e do ódio ao PM só resulta na análise disparatada e ignorante que fez deste negócio.

    • Luis Melo diz:

      Admite que a PT pagou mais do que devia pela Oi (é exactamente isso que critico) e ainda assim acha que foi um bom negócio, e que é normal? Não sei que tipo de negócios faz, mas se fizer todos por essa bitola não dura muito e vai perder dinheiro.

      Em relação ao que a Telefónica pagou pela Vivo… Eu não me esqueci, não quero é saber. Não é nada comigo, e com o mal dos outros posso eu bem.

      Por fim diz-me “olhar para o mundo empresarial sobre o espectro da partidarite só resulta na análise disparatada e ignorante que fez deste negócio”… ora nem mais. Leia e pense bem no que escreveu.

  7. João diz:

    Estive a verificar que os meus comentários estão cheios de gralhas, pelas quais peço desculpa, foi falta de atenção…

    Para rematar, e tendo em conta o disparate em que só agora reparei no seu post, acha mesmo que a aquisição da TVI por parte da PT era só para afastar a MMG do Jornal Nacional? Acha mesmo que alguém gasta €300 milhões só para isso? A compra da TVI está relacionada com um desejo antigo da PT de produzir conteúdos próprios para alimentar no sistema MEO.
    A TVI era um bom negócio porque a Prisa há muito tempo que a queria vender e já tem uma estrutura de produção montada.
    Se quer pegar com o governo ao menos pegue nas coisas em que têm sido feitas efectivamente asneiras, e têm sido algumas.

    • Luis Melo diz:

      Caro João,

      Claro que alguém gasta 300 M€ para isso. Principalmente quando os 300 M€ não são dele. E daí vem a minha revolta.

      O ego do Sr. PM é desmesurado e não tem valor. Para se satisfazer gastaria muito mais do que isso.

      E não venha falar no desejo antigo da PT. Essa foi a conversa que nos trouxe o Zeinal aquando da entrevista à RTP para justificar o negócio… e depois viu-se.

      Se fosse interesse estratégico da PT, porque iria o Governo vetar o negócio? Defendeu-o com unhas e dentes no negócio com a Vivo, porque não o fez no negócio com a TVI?

  8. CarlosAlmeidaSantos diz:

    Nas últimas semanas estive ausente e muito longe do País. Daí não ter acompanhado ou sequer tido conhecimento dos últimos desenvolvimentos do “Caso Vivo” – PT vs Telefónica -.

    Acabo de chegar e, sinceramente, fiquei estupefacto com a reviravolta descarada desta gente sem qualquer sentido de Estado, hipócrita e sem carácter.

    Então, afinal, o “Superior Interesse Estratégico Nacional” que tinha levado o Governo a accionar um instrumento da dimensão de uma “Golden Share” valia 350 M€!!!??!!…

    Sinceramente, fico muito triste e envergonhado ao ver o nível rasteiro a que chegaram os nossos políticos…

    Metem-se onde não se deviam meter… Manipulam a seu bel prazer… Utilizam de forma insolente o poder que lhes foi dado… E, para além de tudo isso, ainda há quem os defenda e tente encontrar argumentos falaciosos que o justifiquem… Haja santa paciência!

    Por favor, respeitem os Portugueses e não nos atirem mais areia para os olhos… Estamos todos fartos destas “espertezas saloias” de dois pesos e duas medidas… O que precisamos é de gente competente e integra, que nos governe com verdadeiro sentido estratégico do bem comum.

    Governar para o bem comum não é interferir abusivamente nos negócios privados e andar permanentemente metido em trapalhadas sem sentido… Mas sim, criar as condições necessárias para o desenvolvimento harmonioso da nossa comunidade e, Fiscalizar! Fiscalizar!, defendendo um verdadeiro “Interesse Estratégico Nacional”.

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