Governo de iniciativa Residencial

29/10/2010

Reflectindo sobre a situação do país, o que mais me preocupa neste momento não é a aprovação de um qualquer orçamento. O que tem ocupado o meu pensamento é a pergunta “Quem nos pode tirar deste buraco?” visto que os que se perfilam não me parecem capazes?

Um governo de iniciativa presidencial é escolhido pelo Presidente da República e, assim sendo, um governo de iniciativa Residencial é escolhido pelo presidente cá de casa. Ora como vivo sozinho, fui eleito com 100% dos votos, e por isso aqui vai o meu Governo:

Primeiro-Ministro: Rui Rio
Ministro da Economia: António Borges
Ministro das Finanças: Luís Campos e Cunha
Ministro da Saúde: Leonor Beleza
Ministro da Justiça: António Lobo Xavier
Ministro do Trabalho e Seg. Social: José Silva Peneda
Ministro da Defesa: Paulo Portas
Ministro da Educação e Ensino Superior: Marcelo Rebelo de Sousa
Ministro da Cultura: Pedro Santana Lopes
Ministro da Administração Interna: Nuno Melo
Ministro das Obras Públicas e Transportes: João Cravinho
Ministro da Ciência e Tecnologia: José António Salcedo
Ministro do Ambiente: Carlos Pimenta
Ministro dos Assuntos Parlamentares: Luís Marques Mendes
Ministro da Juventude e Desporto: Carlos Coelho
Ministro da Presidência: Nuno Morais Sarmento
Ministro da Inovação: Diogo Vasconcelos

A política é feita para pessoas e por pessoas. Por isso importa discutir também – além das estratégias, das políticas e dos rumos – essas mesmas pessoas. Desafio-vos portanto a comentarem, sugerirem ou fazerem correcções ao “meu governo”, ao qual podem faltar ministérios por exemplo (Espero que os próprios, se por aqui passarem, não se sintam mal com a escolha).

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O meu top 20 da música portuguesa (VIII)

28/10/2010

Paulo Gonzo – Deixa que te leve


Venha daí o FMI

28/10/2010

Há umas semanas atrás, muita gente achava que o PSD deveria negociar com o Governo tendo em vista a aprovação do OE2011. Depois dos acontecimentos dos últimos dias, esses já partilham da opinião de António Nogueira Leite: abster-se na votação, deixar Sócrates e o Governo enterrarem-se, fazer com que o povo sinta no bolso. Objectivo: quando tudo estive na “merda” socorrer-se-ão do PSD.

Discordo por completo das duas posições. Discordo da primeira porque só um louco poderia pensar que o mesmo Governo que nos trouxe até aqui, de repente se iria tornar responsável e competente por forma a cumprir e executar o OE2011. Discordo da segunda porque não temos mais tempo a perder, podemos ainda cair mais fundo (os juros da dívida continuam a subir), e há muita gente – cerca de 9 milhões de pessoas – que não votou PS, não tem culpa disto e não merece sofrer.

Logo na 1ª semana de Outubro, e portanto antes das negociações, disse que Portugal estava em “fase Tiririca: Pior do que tá não fica. Tenho consciência que a nível económico, financeiro e social as coisas ainda vão piorar, mas politicamente não podiamos estar pior. Temos um governo incapaz, incompetente, descredibilizado, pouco sério ou honesto, e que gera desconfiança no exterior“.

Daí ter defendido desde logo o chumbo do OE2011. E quando me acenavam com o fantasma da crise política afirmei não ter “medo do fantasma […] mesmo com o argumento de só poder haver eleições daqui a 8 meses“. Até porque o “sistema político que temos permitia que se arranjasse um novo sem eleições“. Fosse ele qual fosse “Ou o PS se torna um partido responsável e arranja outro PM e outro executivo, ou então o PR deve chamar outros partidos para formar governo […] Tanto dá, desde que não tenha pelo meio Sócrates, Silvas Pereiras, Santos Silvas, Teixeiras dos Santos e afins

Ora, se as diversas entidades do Estado estão a pensar em eleições e não avançam para o encontro de uma nova solução – e aqui incluo o PR, com reserva visto que convocou o Conselho de Estado para amanhã, e sabe-se lá se não poderá aí decidir algo importante – que venha então o FMI. E neste caso, faz-me espécie que, mesmo os mais radicais, estejam cépticos.

Precisamos urgentemente – para termos uma consolidação verdadeira das contas públicas – de acabar com certas coisas em que nenhum partido terá coragem de mexer. Desde as benesses dos (demasiados) políticos, aos institutos públicos e empresas municipais que empregam os boys, passando pelas obras megalómanas como o TGV que dão negócio às empresas amigas do Governo, e terminando em todos os subsídios desnecessários que se atribuem sem critério.

Com o FMI cá dentro todas as medidas que se impõem serão tomadas. E mesmo que sejam impopulares, o Governo em funções que as implementará terá sempre a desculpa do “foram eles que mandaram“. Além disso há algo que poderia ser bom para a população: com o FMI a ditar as regras poderia ser possível não aumentar tanto a carga fiscal, já que as medidas insidiriam mais na parte da despesa.


Quem é afinal o mau da fita?

26/10/2010

Sabemos que de há uns anos para cá, mais precisamente desde 1995, os créditos tornaram-se uma banalidade, ao ponto de servirem não só para comprar coisas “essenciais” como casa ou automóvel, mas também para satisfazerem caprichos como férias no estrangeiro, consolas, telemóveis topo de gama, etc. Esta maneira de utilizar o crédito foi colocada em prática pelo Governo socialista e irresponsável de António Guterres.

Uma ocasião contaram-me história de um conhecido meu. O homem trabalhava, o seu salário não era por aí além, mas dava perfeitamente para suportar a mensalidade ao banco, pelo apartamento. Mas ele gostava muito de viver de aparências e vai daí, em 1998 resolveu comprar um automóvel cabriolet, endividando-se ao banco uma outra vez. Ficou um pouco apertado de dinheiro, mas aguentava-se.

A vida era porreira, os amigos achava-no um máximo, as miúdas olhavam e sorriam quando passava no seu cabrio, e nada fazia imaginar que em casa deixara de comer bife e peixe para passar a comer salcichas e atum enlatado. Pouco importava, isso ninguém via. Tal como não viam que as roupas que usava já não eram de marca, mas sim contrafeitas.

Em 2004, em plena época de explosão das tecnologias de informação, decidiu que não podia ficar para trás dos amigos e tinha de comprar um PC. Foi a uma loja de informática, fez um crédito daqueles na hora, e saiu de sorriso na cara e com um portátil impecável debaixo do braço. Ele tinha noção que as coisas iam ficar complicadas, mas pensou que com o subsídio de férias e natal endireitava as coisas.

Mas isto não foi suficiente, porque afinal de contas os amigos também tinham, como ele, acesso aos créditos e apareciam também todo os dias com gadgets novos. Estavamos em 2008 e resolveu então dirigir-se a uma loja de telecomunicações e comprar um iPhone. Obviamente que não tinha disponíveis 900€ para o pagar e portanto voltou a fazer um novo crédito.

Nesta altura o seu ordenado já era totalmente consumido por créditos e, se queria comer, não tinha dinheiro para honrar os compromissos com os bancos. Em 2010 o azar bateu-lhe à porta: descobriu que tinha uma doença e precisava de tratamentos, além de ter de ser operado. Foi ao seu banco pedir dinheiro para pagar as despesas de saúde, mas o gerente do banco recusou o crédito.

Desesperado dirigiu-se a um amigo que era bancário, e pediu-lhe encarecidamente que o ajudasse. O amigo disse que lhe arranjava o crédito, mas os juros que lhe apresentou eram altíssimos. Perdeu a cabeça saiu à rua e, aos berros, injuriou o amigo e o gerente do banco até não poder mais.

… no meio desta história, quem é afinal o mau da fita?

Legenda:
Homem = Governo português
Apartamento = Centro Cultural Belém
Automóvel cabriolet = Expo 98
PC Portátil = Euro 2004
iPhone = TGV, Aeroporto
Doença = Crise económico-financeira
Gerente do banco = Bancos estrangeiros
Amigo = Mercados financeiros


Sugestão para resolução da morosidade na justiça

25/10/2010
Um relatório diz que para a Justiça portuguesa recuperar o trabalho que tem pendente, precisava de mais 430 dias de trabalho. Nada mais fácil de resolver: peça-se aos funcionários da justiça (desde a sra. da limpeza até ao Juíz) para, no próximo ano de 2011, não tirarem férias. 

Acham o pedido descabido? No 1º ano de trabalho eu não tive férias e no 2º apenas tirei 5 dias. Cheguei a ter 46 dias de férias acumulados. Não morri, nem fiz um grande sacrifício. Obviamente que as pessoas precisam de descanso, porque o corpo e mente o exigem. Mas para isso é que servem os fins-de-semana, os feriados, e as tolerâncias de ponto.

No entanto precisam de um incentivo? Eu também resolveria isso num instante: Aos funcionários que não tirassem férias para despachar trabalho nos tribunais, seria anulado o corte no salário e seria perdoado o aumento de impostos previsto para 2011. Não tenho dúvidas que, para o Estado e para o país, compensava mais ter os tribunais desentupidos.

Mas fala-se em 430 dias. Seria suficiente a medida em 2011? Claro que sim. Afinal de contas o mesmo relatório diz que somos o país da Europa com maior número de funcionários dos tribunais, juízes e advogados por habitante. Além do mais, diz também o relatório, que são os mais bem pagos da Europa.

Era um grande serviço que prestavam ao país, e ao mesmo tempo repunham a imagem de credibilidade da Justiça Portuguesa, que bem precisa depois de ter sido chamuscada com os casos Casa Pia e Freeport, entre outros.


O burlão e os lorpas

23/10/2010

Em todos os países do mundo há burlões, e Portugal não é excepção. A verdade é que além dos burlões tem também de haver lorpas para que a burla seja consumada. E diga-se, também os há… muitos.

Há dias tive conhecimento de uma burla mirabolante. Um casal novo pensava em ter um filho, mas queria garantir que tinha condições para o fazer e dar-lhe uma vida condigna. Como a vida está difícil pensaram bem e resolveram poupar algum dinheiro antes de partir para a aventura de ser pais.

Os 2 recebiam pouco e tinham as despesas correntes para pagar, mas resolveram fazer um sacrifício pelo filho desejado e começaram a meter num banco 25% do que ganhavam. O gerente de conta disse-lhes que ia investir o dinheiro num produto sem risco e que garantia um aumento da poupança. Ficaram maravilhados e deram autorização.

Passados uns tempos foram saber como estava a sua poupança e foram surpreendidos com a notícia de que “a coisa tinha corrido mal” e que já só tinham metade do dinheiro investido. Ficaram preocupados, mas o gerente disse que era uma questão conjuntural e que “a coisa ia melhorar”, garantindo a recuperaração. O casal acreditou no gerente e nem sequer reparou no seu carro novo.

Obviamente que sem surpresa, passados uns meses, a notícia ainda era pior: o dinheiro tinha desaparecido todo. Inocente, o jovem casal não sabia o que fazer, e desesperado voltou a acreditar no bem falante gerente, que lhes pediu mais dinheiro para, agora com outro produto, recuperar o perdido e ainda ir buscar lucros. Mais uma vez anuiram e voltaram a não reparar no pormenor do relógio Breitling que o gerente trazia no pulso.

Algumas semanas volvidas, alertado por alguns amigos, o casal foi ao banco confrontar o gerente com a coincidência de o seu dinheiro desaparecer à medida que o próprio gerente ia aparecendo com sinais exteriores de riqueza. Apanhado com a boca na botija, o gerente disse que se o denunciassem corriam o risco de nunca mais recuperar o dinheiro.

Dirigiram-se então à direcção do banco. Esta, com medo que o caso saísse a público e que destruísse a imagem do banco, resolveu encobrir a situação dizendo que realmente corriam o risco de ficar mesmo sem o dinheiro. Aconselharam o casal a não denunciar o caso e esperar que o dinheiro se recuperasse.

… Como diz muitas vezes o meu avô… “Enquanto houver lorpas

Legenda:
– Casal = Povo português
– Banco = Estado português
– Gerente = José Sócrates
– Poupança = Impostos
– Aumento da poupança = Educação, Saúde, Justiça, Emprego
– Carro novo = TGV
– Relógio breitling = novo aeroporto
– Direcção do banco = barões da política, comentadores, banqueiros
– Não denunciar o caso = aprovação do OE 2011.


Jorge Jesus, o novo rico do futebol

21/10/2010

Se o dissesse no final da época passada diriam que estava com azia e mau perder, mas o facto é que já o penso desde então: Jorge Jesus é fraco como treinador.

O tempo vai encarregar-se de confirmar o que digo, e demonstrar que a época 2009/2010 foi obra do acaso, e não do “messias”. Por “acaso” entenda-se uma conjuntura favorável: grupo atletas em forma, alguns jogadores de grande qualidade, adversários na mó de baixo, etc.

Atentem p. ex. às contratações feitas a mando de JJ. Não há nenhum que se safe. Lembrem-se que Coentrao, David Luiz, Di Maria e Ramires já estavam no clube quando o técnico chegou.

E perante as dificuldades, já alguma vez se superou? E assumiu responsabilidades? Não! Quando perde é sempre por culpa dos árbitros ou outros “agentes” externos.

Pior do que ser mau treinador é não saber ganhar, não reconhecer mérito ao adversário (quando lhe é devido), esquecer-se de onde veio, tornar-se arrogante e sobranceiro. Um autêntico novo rico do futebol.


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