Quem é afinal o mau da fita?

Sabemos que de há uns anos para cá, mais precisamente desde 1995, os créditos tornaram-se uma banalidade, ao ponto de servirem não só para comprar coisas “essenciais” como casa ou automóvel, mas também para satisfazerem caprichos como férias no estrangeiro, consolas, telemóveis topo de gama, etc. Esta maneira de utilizar o crédito foi colocada em prática pelo Governo socialista e irresponsável de António Guterres.

Uma ocasião contaram-me história de um conhecido meu. O homem trabalhava, o seu salário não era por aí além, mas dava perfeitamente para suportar a mensalidade ao banco, pelo apartamento. Mas ele gostava muito de viver de aparências e vai daí, em 1998 resolveu comprar um automóvel cabriolet, endividando-se ao banco uma outra vez. Ficou um pouco apertado de dinheiro, mas aguentava-se.

A vida era porreira, os amigos achava-no um máximo, as miúdas olhavam e sorriam quando passava no seu cabrio, e nada fazia imaginar que em casa deixara de comer bife e peixe para passar a comer salcichas e atum enlatado. Pouco importava, isso ninguém via. Tal como não viam que as roupas que usava já não eram de marca, mas sim contrafeitas.

Em 2004, em plena época de explosão das tecnologias de informação, decidiu que não podia ficar para trás dos amigos e tinha de comprar um PC. Foi a uma loja de informática, fez um crédito daqueles na hora, e saiu de sorriso na cara e com um portátil impecável debaixo do braço. Ele tinha noção que as coisas iam ficar complicadas, mas pensou que com o subsídio de férias e natal endireitava as coisas.

Mas isto não foi suficiente, porque afinal de contas os amigos também tinham, como ele, acesso aos créditos e apareciam também todo os dias com gadgets novos. Estavamos em 2008 e resolveu então dirigir-se a uma loja de telecomunicações e comprar um iPhone. Obviamente que não tinha disponíveis 900€ para o pagar e portanto voltou a fazer um novo crédito.

Nesta altura o seu ordenado já era totalmente consumido por créditos e, se queria comer, não tinha dinheiro para honrar os compromissos com os bancos. Em 2010 o azar bateu-lhe à porta: descobriu que tinha uma doença e precisava de tratamentos, além de ter de ser operado. Foi ao seu banco pedir dinheiro para pagar as despesas de saúde, mas o gerente do banco recusou o crédito.

Desesperado dirigiu-se a um amigo que era bancário, e pediu-lhe encarecidamente que o ajudasse. O amigo disse que lhe arranjava o crédito, mas os juros que lhe apresentou eram altíssimos. Perdeu a cabeça saiu à rua e, aos berros, injuriou o amigo e o gerente do banco até não poder mais.

… no meio desta história, quem é afinal o mau da fita?

Legenda:
Homem = Governo português
Apartamento = Centro Cultural Belém
Automóvel cabriolet = Expo 98
PC Portátil = Euro 2004
iPhone = TGV, Aeroporto
Doença = Crise económico-financeira
Gerente do banco = Bancos estrangeiros
Amigo = Mercados financeiros

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