Venha daí o FMI

Há umas semanas atrás, muita gente achava que o PSD deveria negociar com o Governo tendo em vista a aprovação do OE2011. Depois dos acontecimentos dos últimos dias, esses já partilham da opinião de António Nogueira Leite: abster-se na votação, deixar Sócrates e o Governo enterrarem-se, fazer com que o povo sinta no bolso. Objectivo: quando tudo estive na “merda” socorrer-se-ão do PSD.

Discordo por completo das duas posições. Discordo da primeira porque só um louco poderia pensar que o mesmo Governo que nos trouxe até aqui, de repente se iria tornar responsável e competente por forma a cumprir e executar o OE2011. Discordo da segunda porque não temos mais tempo a perder, podemos ainda cair mais fundo (os juros da dívida continuam a subir), e há muita gente – cerca de 9 milhões de pessoas – que não votou PS, não tem culpa disto e não merece sofrer.

Logo na 1ª semana de Outubro, e portanto antes das negociações, disse que Portugal estava em “fase Tiririca: Pior do que tá não fica. Tenho consciência que a nível económico, financeiro e social as coisas ainda vão piorar, mas politicamente não podiamos estar pior. Temos um governo incapaz, incompetente, descredibilizado, pouco sério ou honesto, e que gera desconfiança no exterior“.

Daí ter defendido desde logo o chumbo do OE2011. E quando me acenavam com o fantasma da crise política afirmei não ter “medo do fantasma […] mesmo com o argumento de só poder haver eleições daqui a 8 meses“. Até porque o “sistema político que temos permitia que se arranjasse um novo sem eleições“. Fosse ele qual fosse “Ou o PS se torna um partido responsável e arranja outro PM e outro executivo, ou então o PR deve chamar outros partidos para formar governo […] Tanto dá, desde que não tenha pelo meio Sócrates, Silvas Pereiras, Santos Silvas, Teixeiras dos Santos e afins

Ora, se as diversas entidades do Estado estão a pensar em eleições e não avançam para o encontro de uma nova solução – e aqui incluo o PR, com reserva visto que convocou o Conselho de Estado para amanhã, e sabe-se lá se não poderá aí decidir algo importante – que venha então o FMI. E neste caso, faz-me espécie que, mesmo os mais radicais, estejam cépticos.

Precisamos urgentemente – para termos uma consolidação verdadeira das contas públicas – de acabar com certas coisas em que nenhum partido terá coragem de mexer. Desde as benesses dos (demasiados) políticos, aos institutos públicos e empresas municipais que empregam os boys, passando pelas obras megalómanas como o TGV que dão negócio às empresas amigas do Governo, e terminando em todos os subsídios desnecessários que se atribuem sem critério.

Com o FMI cá dentro todas as medidas que se impõem serão tomadas. E mesmo que sejam impopulares, o Governo em funções que as implementará terá sempre a desculpa do “foram eles que mandaram“. Além disso há algo que poderia ser bom para a população: com o FMI a ditar as regras poderia ser possível não aumentar tanto a carga fiscal, já que as medidas insidiriam mais na parte da despesa.

3 Responses to Venha daí o FMI

  1. […] várias semanas que venho defendendo o chumbo do OE2011, a mudança de Governo e até a vinda do FMI. Também vinha afirmando que a viabilização do OE2011 com base no argumento de “é para […]

  2. […] de que o melhor teria sido demitir o Governo? Ainda alguém tem dúvidas de que é inevitável o FMI vir a Portugal para colocar a governação e as finanças do país nos eixos? Eu nunca tive […]

  3. […] Outubro 2010 num post intitulado “Venha daí o FMI“, defendi a vinda deste organismo para Portugal como única solução para saírmos do buraco […]

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