Educação… como tapar o sol com a peneira

Depois do PISA, é agora um estudo para o Health Behaviour in School-aged Children que está a dar que falar. As autoridades vangloriam-se pelos resultados e até a comunicação social dá ênfase a “jovens não saem à noite, não fumam, não bebem“. Ou seja, o nosso futuro está garantido porque os jovens estão a portar-se melhor e a estudar mais.

Isto só pode ser dito por alguém que não sai do seu gabinete. Por alguém que, a ter contacto com adolescentes, tem apenas com os seus filhos que andam em colégios privados. Basta ir a Santos (Lisboa) à 6ª feira à noite para confirmar que os adolescentes saem aos magotes, bebem até caír, e fumam como se não houvesse amanhã.

Quem tiver um amigo professor em escola pública (daqueles que gostam e se preocupam em ensinar) também facilmente verifica que, nos dias que correm, cada vez mais os adolescentes se desinteressam pelos estudos, não se esforçam em trabalhar para aprender e portam-se mal na sala de aula.

Os adolescentes não sonham em ser médicos, engenheiros ou advogados. Sonham em ganhar o Ídolos, o Big Brother, o Quem quer ser milionário. Ou então sonham em vingar como jogadores de futebol, como gerentes da PME/loja do papá, ou como actores ém séries juvenis. Qualquer coisa, desde que não se tenha de puxar pela cabeça.

Aliás, no mesmo estudo vêm dados gravíssimos que parecem ser desvalorizados pelas autoridades. Exemplos são “o consumo de drogas aumentou entre adolescentes do 6º, 8º e 10º anos […] 13% [tiveram sexo porque] não queriam que o parceiro ficasse zangado […] 1/5 já se embriagou 1 ou 3 vezes“. Note-se que estamos a falar de adolescantes com idades entre 12 e 16 anos!!

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8 Responses to Educação… como tapar o sol com a peneira

  1. cefaria diz:

    Primeiro, o PISA embora evidenciasse um rumo positivo, apenas aproximava os níveis de conhecimento à mediania, nada da excelência, já sabemos que a amostragem foi diferente da anterior que já deveria apontar para um melhor resultado.
    Este estudo agora demonstra como Portugal se tornou mestre em apresentar resultados favoráveis, infelizmente fora da realidade.

    • Luis Melo diz:

      Caro cefaria,

      É exactamente isso. Com este governo PS tornamo-nos especialistas em apresentar números.
      Para atingir esses números desejados, vale tudo: desde deturpar resultados até facilitar o atingimento dos mesmos.

  2. Dado que o estado não tem dinheiro, a educação neste momento é um custo (porque investimento é quando o resultado final é melhor que aquilo que se colocou à entrada). Não seria melhor, assumir que a escolariedade obrigatória ficasse pelo 7º ou 9º ano?!?
    Que esses cursos que existem aos pontapés, que permitem que existam licenciados em Engenharia com médias de entrada ridiculas… Ou outros casos semelhantes…
    Nos EUA ninguém contesta que um aluno ganhe uma bolsa, mas contesta-se caso alguém sem mérito e sem dinheiro tire um curso… Dá que pensar.

    • Luis Melo diz:

      Caro Jorge Antunes,

      Ora agora é que disse uma grande verdade “investimento é quando o resultado final é melhor que aquilo que se colocou à entrada”.
      Só este governo PS pode pensar que o programa Novas Oportunidades é um investimento, e que vai qualificar o país.
      Mediante o que os formandos (não) estudam nesse programa, é mais do que óbvio que vão continuar ignorantes e sem emprego.
      Mas como neste país, a maioria do povo fica contente não com o saber, mas com o “canudo” na mão… já não surpreende.

  3. Diogo Rocha Santos diz:

    Acho que toda a gente se está a esquecer de um pormenor importante que vem no final da notícia que li no Público: “Responderam 3278 alunos, com uma média de idades de 21 anos”.

    Falamos de jovens que andam no Secundário e depois a média de idades do inquérito é de 21 anos? Se a média é de 21, ou a grande maioria deles estava em idade de sair da faculdade ou então só entrevistaram meia dúzia do Ensino Secundário para fazer número…

    (By the way, quem sai da Novas Oportunidades consegue fazer uma análise simples a uma média de idades que vê num estudo?)

    • Luis Melo diz:

      Caro Diogo,

      Permita-me corrigi-lo. Essa parte da notícia refere-se a outros dados que não menciono neste post. Diz-se que este ano o estudo alargou-se também às universidades – “Pela primeira vez, a equipa de Margarida Gaspar de Matos alargou o estudo ao ensino superior” – e a esses foram apenas feitas questões sobre relações sexuais. Pelo menos é o que entendo da notícia. De qualquer maneira, e respondendo à sua pergunta, se os alunos das NO não estudam probabilidades e estatística, com toda a certeza que não sabem fazer a média de idades.

  4. Diogo Rocha Santos diz:

    Caro Luís,

    tens razão. Eu li a notícia online e escapou-se-me a média de idades de 14 anos para a parte inicial do estudo.

    Quanto às Novas Oportunidades… é chover no molhado! Quem quer ver, vê. Quem não quer, adora José Sócrates!

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