Rádio 15-0 Televisão

Muitos pensam que este é cada vez mais o tempo da TV, em que tudo o que passa no ecrã se torna poderoso, nem que seja por apenas 15 minutos. Para mim, este tem sido o tempo da rádio. Passo a explicar olhando para os canais abertos de Portugal.

SIC e TVI são nitidamente estações onde se produz apenas e só lixo televisivo, que serve para satisfazer e estupidificar o já de si estúpido e inculto povo. A grelha de programas está pejada de novelas, reality shows e séries de gosto duvidoso.

A RTP 1 tem, supostamente, uma obrigação de serviço público. Tenta transmitir alguns programas de debate, entrevistas e reportagens. O problema é que além de os temas serem manietados, os convidados são sempre os mesmos e não trazem novidades.

Obviamente que, para competir com SIC e TVI, a RTP 1 também transmite novelas (no caso brasileiras, cada vez de menor qualidade, porque SIC paga mais pelas melhores) e reality shows (neste caso de melhor qualidade, talvez dado a alguma reserva moral).

A RTP 2 tem uma grelha melhorzinha, mas ainda assim com alguns programas de gosto duvidoso. Bons documentários, algumas séries aceitáveis. Mas a má interpretação do serviço público, e a escassez de meios faz com que o canal tenha uma grelha pobre.

Ao contrário da TV, a Rádio tem programas de grande qualidade. E falo apenas das que ouço frequentemente. Há excelentes entrevistas a gente desconhecida do público em geral, mas com grande categoria. Relevo o programa “Pessoal e transmissível” de Carlos Vaz Marques.

Os programas de debate político são mais interessantes, pela escolha dos temas e pelos moderadores mais capazes e independentes. Ainda assim pecam nos convidados que, tal como na TV, são quase sempre os mesmos e com o mesmo discurso.

Os programas humorísticos são muito bons, com humor inteligente e com piada. Talvez a falta de imagem evite o humor fácil e imbecil das TVs e obrigue os autores/intérpretes a aprofundar mais o seu trabalho. Destaco o “Governo Sombra” e o “Tubo de ensaio” de Bruno Nogueira.

Também no desporto a Rádio supera a TV. Não só com programas de culto como “Bola Branca”, mas também com comentário sério e conhecedor, que foge ao discurso fácil da corrupção e das arbitragens. Aconselho “Os grandes adeptos” e “Jogo Jogado”.

A informação é de longe melhor do que a TV. É precisa e objectiva, abordando os temas realmente importantes. Talve porque tem de ser feita em 10 minutos (e não em 1 hora) deixa de lado a “espuma dos dias” e não fica a “encher chouriços” com notícias parvas.

As reportagens da Rádio são de uma qualidade que faz com certeza inveja à TV. Fazem-se trabalhos de fundo sobre temas interessantes e actuais, ao invés de tragédias/histórias de vida, os temas que a TV gosta de oferecer ao espectador tacanho e pobre de espírito.

De resto, há programas diferentes e inovadores como “Sinais” onde Fernando Alves aborda um tema actual com linguagem artística e opinião séria e ponderada. Ou o “Janela indiscreta” de Pedro Rolo Duarte onde o jornalista visita e cita blogues sobre a actualidade.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: