Polícias: Abuso ou Défice de autoridade?

23/02/2011

Este país está a cair no abismo. Todos os dias a democracia é golpeada e caminha-se a passos largos para a anarquia. Depois disso, só Deus sabe o que poderá acontecer. Ou entramos numa espiral de mortes e miséria, ou sobe ao poder um qualquer ditador de esquerda ou direita.

E os sinais mais fortes disto não são a degradação das Finanças (dívida pública, déficit das contas), ou da Economia (falta de competitividade), ou mesmo do Estado Social (desemprego, pobreza). É a degradação da Educação, da Saúde, da Justiça e da Segurança.

No que concerne a esta última, veja-se como diariamente a comunicação “dita” social enxovalha as autoridades, transmitindo imagens, reportagens e notícias parciais, que passam a imagem de uma autoridade que abusa da força e reprime as liberdades.

Nos últimos tempos tivemos o caso dos sindicalistas detidos à porta de S. Bento, o caso do indivíduo da Arrentela que foi detido e acabou no hospital, o caso dos adeptos do Sporting em Alvalade, ou o caso do recluso de Paços de Ferreira.

Mas alguém de bom senso acredita mesmo no que passam os média? Que os polícias são um bando de mentecaptos que batem na população por puro prazer? Ou será que os mentecaptos são os desordeiros, criminosos, e membros de claques de futebol?

A mim – que me tenho como uma pessoa razoável, com olhos na cara e cabeça para pensar – ninguém me demove da ideia que esses mentecaptos é que ultrapassam os limites da lei, obrigando a polícia a carregar e a efectuar detenções, para repor a ordem.

As autoridades são hoje desrespeitadas principalmente porque a Tutela se demitiu das suas funções, deitando ao abandono milhares de homens e mulheres que juraram dar a vida para defender o próximo, fazer cumprir a lei e manter a ordem.

Desde há uns 20 anos para cá, que o Ministério da Administração Interna não sai em defesa das suas polícias (o mesmo se passa com o Min. da Defesa e os Militares). Para cumprirem o seu dever, as polícias presisam de se sentir também protegidas.

A Segurança é um assunto sério de mais para estar nas mãos de incompetentes, sem capacidade de liderança e que não são respeitados. O Ministro Rui Pereira já deveria ter sido demitido. Aliás, nem devia ter sido nomeado.


Educação Sexual vs Educação Cívica

23/02/2011

Não vou perder tempo a fazer juízos de valor em relação à situação actual da Educação. É evidente ao estado a que chegou a Escola deste país. Culpa, em primeira instância, do Ministério da Educação.

Por estes dias a Ministra, Isabel Alçada, deu mais uma prova da sua incompetência ao mostrar a “sua disponibilidade para apreciar as propostas” de uma campanha contra a homofobia nas escolas.

Mais uma vez, e a meu ver, as prioridades do Governo, do PS, do ME e da Ministra estão totalmente viradas de pernas para o ar. Foram as aulas de Educação Sexual e agora é isto.

Ao invés de andarem a brincar com pormenores que em nada contribuem para o bom futuro dos jovens, e se querem mesmo colocar em prática algo decente, que apostem na re-introdução da Educação Cívica.

Nesta altura, e mais do que nunca, é preciso incutir nos jovens princípios e valores que serão muito importantes na sua vida. Isto porque não viverão isolados, mas em sociedade.

É necessário ensinar-lhes (já que cada vez mais pais se demitem) o respeito pelo próximo. Os seus direitos, deveres, liberdades e garantias. A importância de respeitar a lei e a autoridade.

Também não seria tempo perdido ensinar-lhes (ainda que por alto) o sistema eleitoral e a organização do Estado. Deverão desde pequenos conhecer os órgãos que regem as suas vidas.


Ganhou totoloto e teve final infeliz

15/02/2011

Em meados dos anos 80 um amigo meu ganhou o Totoloto. O prémio foi de cerca de 100.000 contos (500.000 €). Naturalmente que, se comparado com o euromilhões pode parecer pouco, mas recorde-se que nessa altura o dinheiro valia mais. Por exemplo, havia automóveis que custavam menos de 1.000 contos.

Ele não tinha grandes qualificações, nem especialização profissional, pelo que a foi aconselhado a investir nisso mesmo e também a poupar. A qualificação garantia-lhe emprego no futuro próximo e sucesso a médio prazo. A poupança dava-lhe segurança no futuro mais longínquo.

Como qualquer bom portuga deslumbrado, inconsciente e sem formação (não necessáriamente académica, mas de vida), esse meu amigo – que ainda era um jovem – borrifou-se nos conselhos dos mais sábios (julgando que agora não precisava de ninguém) e começou a desbundar o dinheiro.

Não comprou nada que lhe fizesse realmente falta ou que fosse um bom investimento. O que fez foi comprar uma casa em frente à praia, um carro descapotável, um rolex e roupa de marca. Além disso perdeu-se em jantaradas, saídas à noite e putaria. Resumindo, começou a “armar-se aos cágados”.

Pouco tempo depois viu que o montante da sua conta vinha diminuindo, e que o dinheiro gasto ou parado não se multiplicava. Ficou preocupado e mudou de estratégia. Começou a gastar a crédito (ou fiado) “encostado” à sua reputação de “rico” e bom pagador.

Com o pouco que lhe sobrava poderia ter feito investimentos seguros que lhe garantissem retorno, mas ao invés resolveu tentar ganhar dinheiro de forma rápida e fácil. Comprou computadores e telemóveis com o objectivo de os vender mais caros e multiplicar o dinheiro.

A coisa correu mal porque, como comprou à pressa não o fez pelo melhor preço. Além disso as dívidas que já tinha eram em montantes tais, que um lucro pequeno nas vendas não era suficiente. Queria vender caro, mas ninguém comprava caro.

Um familiar sugeriu-lhe pedir ajuda aos pais. Recusou. Além de orgulhoso e casmurro, tratou mal a família e tinha agora vergonha de pedir ajuda. Entretanto o pouco dinheiro que restava ia-se esvaindo no dia-a-dia, na manutenção do carro e afins.

Passado algum tempo a situação tornou-se insustentável. Foi obrigado a vender tudo o que tinha ao desbarato, e nem sequer conseguiu pagar as dívidas que tinha. Entrou em depressão, tentou matar-se, foi internado e agora vive com uma pensão, em casa dos pais.

Foi um final infeliz.

Legenda:
Amigo = Portugal
Totoloto = Fundos da União Europeia
Casa de praia = Estádios Euro 2004
Carro descapotável = Expo 98
Rolex e roupa = Benesses de políticos e boys
Jantaradas = Isso mesmo, para políticos e boys
Saídas à noite = Isso mesmo, para políticos e boys
Putaria = Isso mesmo, para políticos e boys
Computadores e Telemóveis = TGV e Aeroporto
Pais/Família = FMI, Alemanha, etc.


O perfil do político medíocre

08/02/2011

É um clichê dizer que os políticos estão descredibilizados, mas esta é também uma realidade nua e crua. Infelizmente a política está repleta de gente medíocre, e o expoente máximo disso é a pessoa que lidera os destinos do país.

O político medíocre preocupa-se mais em combater (hipotéticos) adversários internos – alguns nem o querem ser, são apenas fantasmas – do que a lutar contra os verdadeiros adversários que estão no exterior.

O político medíocre tem mais vontade de denegrir os que têm as mesmas ideias e ideologias, e portanto o podem substituir – em caso de mau desempenho – do que atacar (politicamente) os adversários de outros partidos.

O político medíocre passa mais tempo a arranjar motivos para se manter no lugar depois de falhar, do que a trabalhar para merecer ficar nas funções que lhe foram confiadas pela população.

O político medíocre quer ficar no poder não pelo mérito, não por ser o melhor, mas pela inexistência de alternativa, por ser o único a cumprir os mínimos ou a ter vontade/disponibilidade para lá estar.

O político medíocre preocupa-se mais em comprar votos e arrebanhar apoiantes, do que em conseguir conquistá-los ou convencê-los a segui-lo com trabalho, competência e liderança.

O político medíocre usa – tal como disse Maquiavel – o caminho mais fácil do desgaste do adversário, ao invés de apresentar capacidades, soluções, propostas e projectos que convençam os votantes.

O político medíocre tem a convicção e os tiques dos déspotas e ditadores. Acha que “quem não está com ele está contra ele”, como se numa sociedade de um país desenvolvido e integrado no século XXI só existissem dois lados.

O político medíocre rodeia-se normalmente de gente incapaz e sem personalidade, para que nenhum deles consiga aspirar ao seu lugar, e para que cumpra as suas ordens sem questionar.

O político medíocre sofre de complexos de inferioridade e afasta todos aqueles que tenham mais competências. Razão pela qual nunca consegue apresentar propostas e soluções credíveis.

O político medíocre rege-se pelo ditado “se não consegues vencer, junta-te a eles” ao invés de se esforçar pela luta das suas convicções, dos seus princípios, dos seus valores ou das suas ideias.


Já as Autárquicas 2013 (em Santo Tirso)

02/02/2011

Li no Facebook, um post do Pedro Fonseca, que falava de alguns acontecimentos recentes e tirava a “brilhante” conclusão de que, em Santo Tirso, tinha começado a contagem decrescente para as Autárquicas 2013 (apesar de, no calendário, faltarem mais de 2 anos).

Vou-me abster de fazer comentários acerca do que Pedro Fonseca disse de Carlos Monteiro (Presidente da Junta de Refojos, eleito pelo PS). Faço-o porque não conheço o senhor ou as declarações/acções referidas, e porque ao contrário do Pedro Fonseca, não falo do que não sei.

Vou limitar-me a comentar as afirmações que o Pedro Fonseca fez acerca de Carlos Almeida Santos, baseadas numa curta entrevista que este deu ao jornal Entre Margens de forma desprendida, sincera e frontal. Características que o Pedro Fonseca notoriamente não tem.

1º Dizer que o Pedro Fonseca não conhece Almeida Santos, doutra forma não o trataria por “Dr. Almeida Santos”. Almeida Santos é licenciado em Engenharia Electrotécnica pela Faculdade de Engenharia do Porto e – que eu saiba – dali nunca sairam doutoures.

2º Dizer que o que é crónico e histórico é a falta de capacidade demonstrada pelas várias Comissões Políticas Concelhias do PSD, que sempre se preocuparam muito mais em afastar os hipotéticos adversários internos, do que em apresentar um projecto credível aos Tirsenses. Foi isto que Castro Fernandes (Presidente eleito pelo PS) agradeceu.

3º Relembrar ao Pedro Fonseca que o PSD é um partido livre e pluralista (talvez o único) e nunca perdeu eleições por ter vozes dissonantes. Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Cavaco Silva, Durão Barroso, Santana Lopes. Todos tiveram oposição interna forte e o PSD venceu.

4º O Pedro Fonseca pode estar habituado a uma estrutura liderada por um déspota, em que o “querido líder” é amado e apoiado incondicionalmente, por mais absurda que seja a sua acção. Mas o verdadeiro PSD não é assim. Desengane-se se pensa que no PSD não se pode discordar. Tome-se o exemplo claríssimo de Sá Carneiro.

5º Convidar o Pedro Fonseca a reler a entrevista. Sei como os “jornalistas” têm por hábito deturpar declarações de outros, mas se estiver atento vê que Almeida Santos não diz que o PSD “não têm hipótese“, diz antes que o PSD “nada tem feito para [ganhar]”.

6º Confirmar quem é e ao que vem Pedro Fonseca. Está bem patente no comentário ao resultado de Almeida Santos em S.Miguel do Couto. Não saberá ele o que é sacrificar-se pelo PSD em eleições, à partida, perdidas. Chama-se sentido de missão. Algo que Pedro Fonseca não terá. Aliás, que sabe ele, se nunca foi a votos?

7º Dizer ao Pedro Fonseca para se informar antes de falar. Almeida Santos foi o único que durante anos, com seriedade e frontalidade, nos locais próprios do partido, falou às claras ao invés de andar com caciques ocultos. Nunca foi ouvido e foi ostracizado. Tenta agora outra forma de questionar e fazer-se ouvir.

8º Dizer que apesar de tudo, Almeida Santos foi leal e ajudou o partido sempre que pôde. A ele se devem várias acções pelas quais o PSD tirou créditos (casos das conferências sobre IVG ou Constituição) e também foi o principal impulsionador e um dos responsáveis pela eleição de Zé Pedro Miranda em Santo Tirso.

9º Chamar a atenção do Pedro Fonseca para o facto de o PSD ser um partido e não um projecto pessoal. Os presidentes passam e o PSD fica. O PSD é dos militantes e não dos presidentes. Daí que a sua expressão “quem não está bem muda-se” não faz sentido. Todos têm direito de ser militantes, discordando ou não.

10º Dizer ao Pedro Fonseca que não foi Almeida Santos que assumiu (ainda que apenas em privado) o desejo de ser candidato independente à presidência da CM Santo Tirso. Nem foi ele que, para promover e alavancar esse projecto pessoal – e na impossibilidade de ganhar ou fundar um partido – criou uma Associação/Movimento cívico.

11º Aproveitar para lembrar o Pedro Fonseca que a política não é o futebol. Em democracia não há lugar para “fanáticos”. O PSD não é o “Benfica”. Santo Tirso não é o “Inferno da Luz”. Os Tirsenses não são os “No Name Boys”.


O Portugal que não quero (IX)

01/02/2011

Trabalhei durante cerca de 2 anos na área comercial da Optimus (no mercado das PME) onde tinha a função de angariar novos clientes, e posteriormente gerir a carteira. Ao contrário do que constatei ser normal não tentava “enganar” o cliente (ou potencial) mas sim convencê-lo ao trazer-lhe valor acrescentado.

A atitude que tinha para com todos os clientes (fossem eles grandes ou pequenas empresas) era em todos os momentos a mesma. Sério, honesto, respeitador, simpático, solícito e eficaz. Mesmo quando alguns clientes me pediam para resolver o contrato, passando para outra operadora.

Fazia isto não só por ser a melhor maneira de estar nos negócios e no trabalho, mas também porque seria esta a única forma de, um dia, eles poderem voltar a trabalhar comigo ou até recomendarem-me aos seus conhecidos. Doutra maneira, com má atitude, era garantido que não ganharia nada futuramente.

Inscrevi-me há 4 meses num ginásio, com o objectivo de recuperar de uma cirurgia ao joelho. Fi-lo com um contrato de 6 meses, que terminará em Março 2011, e com a obrigação de informar com 2 meses de antecedência caso não quisesse a sua renovação automática por mais 6 meses.

Na passada 5ª feira falei pela 1ª vez na recepção do ginásio em resolver o contrato, e desde logo começaram as dificuldades e antipatias. Por entre vários pedidos de informação negados e (des)encontros com o comercial responsável, lá tive de fazer “uma espera” ao tal senhor no dia 31 Janeiro.

Com alguma dificuldade e muita espera lá consegui assinar um documento que avisa da resolução do contrato em Março 2011. Tudo isto acompanhado de antipatia q.b. e frieza a rodos. Claro está que assim, perderam um cliente para sempre e ganharam alguém que nunca irá recomendar o Solinca.


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