Já as Autárquicas 2013 (em Santo Tirso)

Li no Facebook, um post do Pedro Fonseca, que falava de alguns acontecimentos recentes e tirava a “brilhante” conclusão de que, em Santo Tirso, tinha começado a contagem decrescente para as Autárquicas 2013 (apesar de, no calendário, faltarem mais de 2 anos).

Vou-me abster de fazer comentários acerca do que Pedro Fonseca disse de Carlos Monteiro (Presidente da Junta de Refojos, eleito pelo PS). Faço-o porque não conheço o senhor ou as declarações/acções referidas, e porque ao contrário do Pedro Fonseca, não falo do que não sei.

Vou limitar-me a comentar as afirmações que o Pedro Fonseca fez acerca de Carlos Almeida Santos, baseadas numa curta entrevista que este deu ao jornal Entre Margens de forma desprendida, sincera e frontal. Características que o Pedro Fonseca notoriamente não tem.

1º Dizer que o Pedro Fonseca não conhece Almeida Santos, doutra forma não o trataria por “Dr. Almeida Santos”. Almeida Santos é licenciado em Engenharia Electrotécnica pela Faculdade de Engenharia do Porto e – que eu saiba – dali nunca sairam doutoures.

2º Dizer que o que é crónico e histórico é a falta de capacidade demonstrada pelas várias Comissões Políticas Concelhias do PSD, que sempre se preocuparam muito mais em afastar os hipotéticos adversários internos, do que em apresentar um projecto credível aos Tirsenses. Foi isto que Castro Fernandes (Presidente eleito pelo PS) agradeceu.

3º Relembrar ao Pedro Fonseca que o PSD é um partido livre e pluralista (talvez o único) e nunca perdeu eleições por ter vozes dissonantes. Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Cavaco Silva, Durão Barroso, Santana Lopes. Todos tiveram oposição interna forte e o PSD venceu.

4º O Pedro Fonseca pode estar habituado a uma estrutura liderada por um déspota, em que o “querido líder” é amado e apoiado incondicionalmente, por mais absurda que seja a sua acção. Mas o verdadeiro PSD não é assim. Desengane-se se pensa que no PSD não se pode discordar. Tome-se o exemplo claríssimo de Sá Carneiro.

5º Convidar o Pedro Fonseca a reler a entrevista. Sei como os “jornalistas” têm por hábito deturpar declarações de outros, mas se estiver atento vê que Almeida Santos não diz que o PSD “não têm hipótese“, diz antes que o PSD “nada tem feito para [ganhar]”.

6º Confirmar quem é e ao que vem Pedro Fonseca. Está bem patente no comentário ao resultado de Almeida Santos em S.Miguel do Couto. Não saberá ele o que é sacrificar-se pelo PSD em eleições, à partida, perdidas. Chama-se sentido de missão. Algo que Pedro Fonseca não terá. Aliás, que sabe ele, se nunca foi a votos?

7º Dizer ao Pedro Fonseca para se informar antes de falar. Almeida Santos foi o único que durante anos, com seriedade e frontalidade, nos locais próprios do partido, falou às claras ao invés de andar com caciques ocultos. Nunca foi ouvido e foi ostracizado. Tenta agora outra forma de questionar e fazer-se ouvir.

8º Dizer que apesar de tudo, Almeida Santos foi leal e ajudou o partido sempre que pôde. A ele se devem várias acções pelas quais o PSD tirou créditos (casos das conferências sobre IVG ou Constituição) e também foi o principal impulsionador e um dos responsáveis pela eleição de Zé Pedro Miranda em Santo Tirso.

9º Chamar a atenção do Pedro Fonseca para o facto de o PSD ser um partido e não um projecto pessoal. Os presidentes passam e o PSD fica. O PSD é dos militantes e não dos presidentes. Daí que a sua expressão “quem não está bem muda-se” não faz sentido. Todos têm direito de ser militantes, discordando ou não.

10º Dizer ao Pedro Fonseca que não foi Almeida Santos que assumiu (ainda que apenas em privado) o desejo de ser candidato independente à presidência da CM Santo Tirso. Nem foi ele que, para promover e alavancar esse projecto pessoal – e na impossibilidade de ganhar ou fundar um partido – criou uma Associação/Movimento cívico.

11º Aproveitar para lembrar o Pedro Fonseca que a política não é o futebol. Em democracia não há lugar para “fanáticos”. O PSD não é o “Benfica”. Santo Tirso não é o “Inferno da Luz”. Os Tirsenses não são os “No Name Boys”.

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10 Responses to Já as Autárquicas 2013 (em Santo Tirso)

  1. Pedro Fonseca diz:

    Meu caro, li com evidente boa disposição o seu texto. Começo por lhe dizer que quanto às duas correcções que me faz, eu próprio as fiz em comentário ao texto. Enfim, pormenores. Vamos aos “pormaiores”: 1 – Lamento desapontá-lo mas não conheço a vida interna do PSD Santo Tirso para comentar essas “guerras internas”; 2 – Que o PSD é livre e pluralista sei-o há muito, alguns é que parecem não aceitar as críticas; 3 – Leia com atenção o meu texto (vê como o rigor é uma autoestrada de dois sentidos), lá diz “não sou contra a diversidade de opiniões”; 4 – Fiquei a saber que é um “sacrifício” ser candidato em eleições; 5 – Lamento mais uma vez desiludido mas já fui a votos na Casa do Benfica de Santo Tirso; 6 e último – Quem é o “déspota” a que se refere?

    • Luis Melo diz:

      Caro Pedro Fonseca,

      Fico satisfeito com o facto de se ter retractado quanto aos “lapsos” que cometeu. Não ficaria bem a um jornalista ser apanhado a deturpar as declarações de alguém ou a confundir essa pessoa com outra qualquer. E não são pormenores… como jornalista e licenciado em direito, devia sabê-lo.

      1 – Assume que não conhece a vida interna do PSD Sto Tirso, mas no entanto não se escusou a comentá-la no seu post, e a colar a ela o nome do Carlos Almeida Santos. Fico satisfeito ao menos com o facto de se retractar novamente e assumir que falou sem conhecimento de causa.

      2 – Se há alguém que não aceita as críticas, esse alguém não é de certeza o Carlos Almeida Santos, mas a actual CPC do PSD Sto Tirso. Por isso o afastou a partir do momento em que ele começou a discordar da estratégia política. De resto, e quanto a si, recordo o que escreveu “não gosto deste tipo de recados…” Presumo que queira dizer que não gosta de quem discorde. Depois diz “quem pertence a uma família deve ser solidário”. Presumo que queira dizer que o deve ser incondicionalmente, mesmo que o chefe da tal família tenha atitudes erradas. Para finalizar diz que “quem não está bem, muda-se”. Presumo que queira dizer que quem discorda tem de sair. Ou seja, não há lugar a pluralismo. Não conhece o verdadeiro PSD.

      3 – Para quem tem uma vida profissional e pessoal com sucesso, é um óbvio sacrifício meter-se na política. Principalmente sabendo que se vai dar a cara (e portanto a imagem e reputação) numas eleições à partida perdidas. Sentido de missão e amor ao partido. Algo que o Pedro não sabe o que é visto que não é militante do PSD ou de outro partido qualquer (pelo menos que eu saiba).

      4 – Foi a votos na Casa do Benfica?… (desculpa a pausa para sorrir)… parabéns para si. Mas tal como lhe disse no post, a política não é o futebol. Aliás, é das coisas que mais detesto, a promiscuidade e comparação entre uma coisa e outra.

      5 – Ficam outras questões no ar…. mas eu aguardo pela sua inspiração para responder.

      (de resto, aqui não tenho acesso ao facebook, mas mais logo em casa, irei lá responder ao repto que me fez.)

    • Luis Melo diz:

      Aproveito também para dizer que acho curioso o facto de aqui, no meu blogue, não ter dito o mesmo que disse no Facebook, ou seja, que eu escrevo “idiotices, asneiras e disparates a coberto do anonimato”

  2. Pedro Fonseca diz:

    Meu caro: 1 – Deus me livre se só os conhecedores da “vida interna” dos partidos pudessem comentar factos que são públicos; 2 – “Recados” não são opiniões – essas respeito-as. “Recados” são declarações cirurgicamente dirigidas e com “timings” previamente definidos; 3 – Quanto a dar a cara e a reputação, pelo que sei, é uma imagem algo exagerada; 4 – Para que saiba, a Casa do Benfica de Santo Tirso deve ter mais sócios que o PSD de S. Miguel do Couto.
    Por fim, tenho de lhe devolver o epíteto de “pobre de espírito” com que me mimoseou nos emails que enviou. (espero também que reencaminhe estes meus comentários)

    • Luis Melo diz:

      Caro Pedro,

      1. Todos podem comentar o que quiserem. Ainda estamos num país livre. De qualquer forma, aqueles que não conhecem os temas arriscam-se – tal como o Pedro – a errar mais vezes do que acertam.
      2. A entrevista ao jornal Entre Margens foi proposta pela jornalista, sem que houvesse qualquer tipo de combinação. Devo dizer que Almeida Santos ficou mesmo surpreendido com o convite e falou, como já disse, de forma sincera e desprendida. Não há nada de táctico ou cirúrgico.
      3. Cirúrgico seria, se a entrevista tivesse sido dada 1 mês antes das eleições, com as candidaturas em campo. Cirúrgico, isso sim, terá sido a fundação de uma entidade para lançar/alavancar uma candidatura.
      4. Quando o Pedro Fonseca se meter na política e der a cara e a reputação por um projecto político, eu depois voltarei a tocar neste assunto.
      5. O facto de a casa do Benfica ter mais sócios que militantes do PSD diz-me pouco. Há muitos mais adeptos do Benfica do que militantes de PSD+PS+CDS+BE+PCP juntos, e são muito mais importante os partidos do que (qualquer) clube de futebol. Os partidos são quem decide o rumo e o futuro do país, o nosso futuro.
      6. O epíteto de “pobre de espírito” pode ser visto como uma reposta ao facto de o Pedro ter dito que sou um idiota que escrevo asneiras e disparates.

      Mas como me disse o Pedro “não leve a peito, são só trocas de argumentos acesas entre duas pessoas civilizadas”. E já agora Pedro, sou coerente e não tenho por hábito fazer aos outros o que não gosto que me façam a mim. Por isso tenha a garantia que todos os comentários serão publicados neste blogue (desde que não insultem ninguém). Não sou nenhum ditadorzinho déspota.

  3. Luis Filipe Monteiro diz:

    O Luis não é um pequeno ditadorzinhio déspota…???

  4. Pedro Fonseca diz:

    Meu caro Luís, por mim este pingue-pongue fica por aqui. Se quiser, quando quiser, onde quiser, esta troca de opiniões far-se-á “face to face”.

    Termino, pois, com algumas coisas que “aprendi” e “percebi” neste bate-papo:

    1 – Percebi que não distingue “retractar” de “corrigir”;

    2 – Aprendi que, em democracia, há “eleições à partida perdidas”;

    3 – Aprendi que há “sacrifício” numa candidatura autárquica (nem de propósito, hoje, em entrevista ao DE, Passos Coelho afirma: “Não contagiaremos nem traremos ninguém connosco com cara de sacrificados” (para a vida política);

    4 – Aprendi que não há política fora da “partidocracia” – pobre Dr. Fernando Nobre;

    5 – Percebi que é de opinião que os tirsenses são pessoas que gostam de achincalhar as outras (a propósito de um comentário que colocou no facebook);

    Por último, um conselho, uma contradição e um (renovado) pedido de esclarecimento:

    1 – Conselho – não se tenha em tão boa conta, ter auto-estima é positivo mas em excesso faz mal;

    2 – Contradição – se a entrevista ao Entre Margens foi pedida e deixou o engº Almeida Santos “surpreendido”, não faz sentido que tenha dito anteriormente, e cito, que (o engº Almeida Santos)“nunca foi ouvido e foi ostracizado (no PSD). Tenta agora outra forma de questionar e fazer-se ouvir”;

    3 – Pedido de esclarecimento (renovado) – fiquei sem saber quem é o déspota a que se refere.

    Post-Scriptum: explique-me a diferença entre “fanático” do Benfica, como me rotulou, e “fervoroso” adepto do FC Porto, como se classifica.
    E já agora, acredite que sou contra todo o tipo de promiscuidades, seja entre a política e o futebol, seja entre a política e os negócios.

    • Luis Melo diz:

      Caro Pedro, esse convite “face-to-face” cheira a farwest… não me agrada muito. Preferia que me convidasse a tomar um café. Mas enfim.

      Em democracia deve haver acima de tudo realismo. Ou será que Francisco Lopes, José Coelho ou Defensor Moura julgavam que podiam vencer as presidenciais? A isto se chama eleições, à partida, perdidas.

      Talvez para muitos andar na política não seja um sacrifício, uma missão. Aliás talvez seja por isso que a classe política chegou a este estado. Para quem tem vida pessoal e profissional de sucesso “cá fora”, é com certeza.

      Se o Pedro Fonseca estivesse atento sabia que não pode haver governos ou deputados fora dos partidos políticos. Mesmo em Autárquicas (em que se permite independentes) os independentes que conhecemos e venceram vêm dos partidos políticos (Felgueiras, Gondomar, Oeiras).

      Eu disse que infelizmente prolifera o tipo de tirsenses que só gosta de achincalhar. Graças a Deus que ainda há muitos decentes. Na blogosfera e redes sociais impera o 1º tipo e dá um mau sinal de Santo Tirso.

      De resto dispenso os seus concelhos. Principalmente sabendo que se há alguém que se tem em excessiva conta é o Pedro. Pelo menos é o que me têm dito estes dias as pessoas que o conhecem, e que me têm falado por causa desta troca de argumentos.

      Quanto ao Almeida Santos, que tem uma coisa a haver com a outra? A forma de questionar e fazer-se ouvir de que falei era “fora dos locais internos do PSD”. Nada tem que ver com a entrevista. Esta foi apenas mais uma oportunidade.

      Não se preocupe tanto que o déspota não é você. Não fique ofendido.

      PS(D): Pedro, use o dicionário da língua portuguesa…

      “Fanático” – Pessoa animada por um zelo excessivo por uma religião ou uma opinião.Desvairado.

      “Fervoroso” – Activo. Dedicado.

  5. CarlosAlmeidaSantos diz:

    Depois de uns dias de trabalho fora do País, na Alemanha e na Áustria, acabo de regressar a este cantinho deprimente. Sim, volto triste e apreensivo com o que vi. A Europa já está noutra. E nós por aqui, sem rumo e sem esperança continuamos preocupados com ninharias e cada vez mais longe deles…

    Por isso, só agora tive oportunidade de ver a polémica e a troca de “galhardetes” a respeito de uma entrevista que dei ao único jornal desta nossa terra que considero idóneo e independente. Um jornal que estará a passar por dificuldades financeiras só compreensíveis por não ser da cor do poder instalado.

    É interessante ver as reacções que mereceram as minhas afirmações. Pois não é que Pedro Fonseca e seus seguidores só estão preocupados com o superficial e o acessório. Talvez por conveniência esquecem o conteúdo… Discordando ou não, deviam ser capazes de fazer uma análise um pouco mais profunda aos avisos à navegação que antecipei?

    Deixem-me que lhes diga o seguinte: Talvez seja verdade, ainda faltam mais de dois anos. Mas, por mim, acreditem que já começa a ser tarde para o trabalho que há para fazer…

    E, meu caro Pedro Fonseca (utilizo esta via alternativa por não ter acesso ao seu contacto directo), contrariamente ao Luis Melo, eu não bebo café há um bom par de anos. Como tal, se quiser e tiver disponibilidade, estou aberto a um “Face to Face” consigo no “Saloon” Tirsense que lhe aprouver…

    É que eu não gosto nem de dar “recados” nem de receber “conselhos” de quem está longe da realidade e apenas se prontifica a ser o porta-voz de conveniência de uns tantos que para aí andam sem saber o que fazem…

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