Benfica vs Porto: o Juízo Final

31/03/2011

O SL Benfica vs FC Porto do próximo domingo 3 de Abril será jogado com o campeonato praticamente decidido. O FC Porto precisa apenas de uma vitória nos próximos 5 jogos para se sagrar Campeão Nacional, e até pode perder no Estádio da Luz.

No entanto, espera-se que este jogo seja encarado pelos benfiquistas e pela comunicação “dita” social como o jogo do Juízo Final. Ou seja, se o Benfica vencer, fica provado que é melhor do que o Porto, e portanto moralmente o campeonato é do Benfica.

Para esta gente que não sabe dar mérito à competência ou reconhecer quando o adversário é melhor, o Porto só será campeão por causa da “fruta”. Como sempre, quando o Benfica é campeão é-o por mérito, quando o Porto é campeão é-o roubado.

Os Dragões vão à Luz com 13 pontos de avanço sobre o rival de Lisboa. Vão à Luz à 25ª jornada ainda invictos. Vão à Luz depois de na 1ª volta terem ganho 5-0. Vão à Luz com o melhor ataque e a melhor defesa. Mas o que interessa isso? Se o Benfica ganhar “meio a zero” é melhor.

Para os benfiquistas e a comunicação “dita” social desportiva o campeonato resume-se a 6 jogos entre os 3 clubes grandes. Não importa se o Benfica perde com o Beira-Mar, a Naval 1º Maio ou o Portimonense. Se ganhasse ao Porto devia ser campeão.

É por isto que este clube (apoiado por gente que percebe pouco de futebol mas muito de bola, gosta pouco de desporto mas muito de guerra, se satisfaz pouco com competição e muito com clubismos) ganha muito poucas vezes em relação ao seu oponente do Norte.


Crise: Não tenhamos memória curta ou selectiva

24/03/2011

A incoerência, a desfaçatez, a hipocrisia, a desonestidade intelectual e a demagogia dos actuais dirigentes do PS é atroz. Depois de 15 anos de governação socialista a culpa do estado a que isto chegou não é deles. É da oposição e dos “factores externos”.

Nos próximos tempos ouvir-se-á que os juros da dívida pública estão a subir devido à irresponsabilidade do PSD. Que a vinda do FMI e do FEEF (como se fosse sacrilégio) é culpa do PSD. Que o aumento dos combustíveis tem de ser imputado a PPC.

A partir de agora, do preciso momento em que José Sócrates se demitiu, qualquer parâmetro que piore a situação do país e da população, deixou automáticamente de ser consequência da “crise internacional” e dos “ataques dos mercados” para ser culpa do PSD.

Relembro que no verão de 2010 os juros da dívida pública estavam nos 5% e dizia-se que o OE2011 teria de ser aprovado para “acalmar os mercados”. O PSD viabilizou o OE2011 e no dia seguinte os juros atingiram o máximo histórico de 6,5%.

Gorado o argumento do OE2011, o problema passou a ser a falta de interessados em comprar a Dívida Pública. De repente apareceram Venezuela e a China como potenciais interessados, e os juros subiram para perto dos 7%.

Daí para cá tem sido uma escalada que só tem comparação com o inédito feito do alpinista João Garcia que subiu ao cume do Everest. Tal como os juros, os combustíveis, os impostos e o corte nos benefícios fiscais também têm sofrido uma subida vertiginosa.

Isto acontece essencialmente por duas razões: o défice excessivo das contas públicas, e a elevada dívida pública. Obviamente que nas “contas” finais também entram variáveis como a falta de produtividade e competitividade da economia.

Quem foram os responsáveis pelo esbanjamento dos dinheiros públicos em estádios, auto-estradas, pontes, parcerias público-privadas, empresas públicas e consultorias que desaguaram num défice excessivo e na elevada dívida pública?

Há muita gente que tem memória curta, e outros têm memória selectiva, mas há que relembrar que esta foi a realidade dos 15 anos, e neste período a governação foi exclusivamente da responsabilidade do PS de Guterres e de Sócrates.


Primeiro, PPC deve acalmar as hienas

24/03/2011

Poderia escrever sobre José Sócrates, o que ele fez e a sua demissão, e teria muito para dizer. Mas não o farei. Passado é passado, e este passado recente é tão triste que não merece referência. Temos de olhar para o futuro, e falar dele. Hoje é um dia feliz para Portugal.

O futuro da governação parece passar pelo PSD (e quiçá o CDS/PP). Apesar de não ter apoiado Passos Coelho (PPC) nas eleições internas do PSD, e de ter discordado (mas compreendido) de algumas opções que tomou até agora, penso que se tem portado bem.

Até agora PPC conseguiu convencer-me de que poderá ser melhor do que eu esperava inicialmente. Fê-lo pelas posições sensatas que tomou mas também pelo facto de ter “afastado” alguns elementos que a princípio estiveram na 1ª linha do seu projecto.

Mas falta fazer mais para que, a partir da altura em que for PM, as coisas corram bem – para o país e para os portugueses. É preciso acima de tudo “cortar as vazas” aos boys laranjas e tirar de cena muitas “hienas”, sedentas de poder, que gravitam à volta do PSD.

Não vi a comunicação de hoje, mas pelo que li, PPC tentou “acalmar os mercados”. Isso foi o que Sócrates tentou fazer ao longo do último ano. Os mercados não “acalmam” com palavras, mas quando virem que Portugal pode cumprir os seus compromissos.

A comunicação de PPC deveria ter ido no sentido de acalmar sim, mas acalmar esses “canibais” do partido que já se “babam” a pensar no assalto ao Estado. Sem primeiro deixar bem claro, dentro do PSD, que não vai haver “tachos”, PPC não pode aspirar a resolver os problemas de Portugal.

Do resto, teremos tempo para falar ao longo dos próximos dias, semanas, meses. Depois falamos.


A leitura terrestre do debate Rio-Costa

22/03/2011

Ontem, finalmente pudemos ver um programa “Prós e Contras” da RTP com discussão, debate de ideias e conteúdo, ao contrário dos habituais ataques pessoais, demagogia barata e remoques permanentes. Foi preciso ir ao Porto e convidar gente do Norte.

Fiquei portanto surpreendido quando, ainda antes do programa acabar, vi referência crítica ao mesmo no twitter. Apressei-me a ir ler o post no Albergue Espanhol com o título “O debate ‘alien’ Costa-Rio“.

Talvez o Francisco Almeida Leite não tenha assistido ao programa na íntegra. Uma coisa é certa, escreveu o post antes do final do programa. O que ele relata não se aproxima nem um pouco do que se passou naquela hora e meia de debate.

Todos os Governantes e Autarcas deveriam ter ouvido o que foi dito no programa. Há muito tempo que não se ouvia falar de política local e nacional com tanto desprendimento e sensatez. Por isso não posso deixar passar em claro a crítica do Francisco.

Dizer que o programa se resumiu a um ataque à comunicação “dita” social é no mínimo pouco preciso. Rui Rio apontou bem os erros do regime, da democracia, da política, dos políticos, do governo central, das autarquias locais, do povo e do país.

Tal como há muito tem vindo a fazer (aconselho leitura do livro “Política – In situ”) Rio apontou caminhos para solucionar os problemas. Fê-lo com o desinteresse que sempre o caracterizou. Fá-lo sempre de forma honesta e anti-populista.

Depois do meu comentário o Francisco admitiu que o programa foi algo mais, mas aponta o ataque à comunicação “dita” social como ponto de união entre Rio e Costa. Ora, se Costa disse algo insensato e injusto, Rio apenas criticou a falta de ética e regras em alguma imprensa.

Em tanta coisa boa que se disse o Francisco apenas se preocupou com o que “uniu” os dois oradores. Curiosamente era isso mesmo que Fátima Campos Ferreira também procurava. Porque era esse o furo jornalístico: “Com Rio e Costa, PSD e PS podiam-se entender“.

Mas o facto é que nem um nem outro quiseram ir por aí. Inteligente e sensatamente fugiram desse tema porque sabem que isso não é bom para o país e para a política. Colocaram o tão propalado “interesse nacional” à frente do interesse pessoal e abstiveram-se.

O que eu acho é que o Francisco (tal como muitos outros que tenho ouvido/lido) talvez empurrado pela vontade de “destruir” à partida qualquer tipo de sentimento positivo ou simpatia dos seus leitores em relação a Rui Rio, foi levado a rapidamente “deitar abaixo”.


Estadistas de 3ª categoria

21/03/2011

De vez em quando a comunicação “dita” social gosta de ir “ao fundo do baú” buscar uns políticos “afastados”, e pedir-lhes opinião sobe certos assuntos. Fá-lo no sentido de tentar credibilizar, certas opiniões, já que os políticos no activo não o conseguem.

Vão buscar políticos que já não têm ambição/possibilidade de voltar ao poder, porque assim julgam dar uma isenção extra à sua opinião. E pensam que as pessoas são parvas e não percebem que, na maioria das vezes, essas opiniões são concertadas com os partidos.

Basta estar atento, verificar quais as posições/negócios/funções que essas “mentes livres” desempenham e juntar 2+2, para perceber se a sua opinião é mesmo livre e espontânea ou se é um favor que fazem a quem lhes arranjou essa mesma posição/negócio/função.

O mais engraçado é que qualquer um serve para interpretar este papel mesmo que tenha sido uma nódoa – tendo acções e posições vergonhosas – quando esteve na política activa. A maioria dos portugueses têm memória curta e selectiva, e há que aproveitar isso mesmo.

Pois por mim, esses senhores que foram políticos de 3ª categoria e que agora vêm falar como se fossem grandes estadistas, podem mugir à sua vontade. Entra-me a 100 km/h e sai-me a 1.000 km/h. Não têm capacidade, credibilidade, ou sequer moral para opinar sobre certos temas.


Finanças: qq cidadão com 9º ano fazia o mesmo

18/03/2011

Hoje acordei com o Governo a vangloriar-se e a fazer um grande alarde dos resultados obtidos na execução orçamental de Fevereiro. Obviamente estes resultados são, como sempre, a comparação que convém. Neste caso compara-se com Fevereiro 2010.

Para obter estes resultados não é preciso ser-se licenciado em Economia e doutorado em Finanças. Qualquer cidadão com o 9º ano era capaz de obter estes “resultados históricos”. Como? Fazendo o que fez Teixeira dos Santos: aumentando impostos, reduzindo salários e congelando pensões.

Aliás, numa altura em que o Governo tem os dias contados, salta à vista que o PS e Sócrates já andam em campanha. E ao que é que nos habituaram em campanha eleitoral? A mentiras! Ora, sendo assim, quem garante que estes números agora são verdadeiros?

E há outra conclusão que podemos tirar. Por melhores números que o Governo PS apresente, os juros da dívida pública continuam a subir. Isto demonstra bem que o problema não é o défice ou a dívida. É, isso sim, a falta de credibilidade do Governo e do Primeiro-Ministro.


Sócrates na SIC: Entrevista ou Tempo de Antena?

16/03/2011

A entrevista de José Sócrates ontem na SIC, foi uma repetição daquela que já tinha feito com Ana Lourenço em Junho de 2009. Lembre-se que nessa altura o PM vinha de uma entrevista na RTP com Judite de Sousa, em que ficou tão à rasca que até insultou a jornalista.

O que a SIC transmitiu ontem pareceu um tempo de antena e não uma entrevista. Isto porque Ana Lourenço fazia perguntas excelentes para Sócrates discorrer sobre o que lhe convinha, e dava-lhe liberdade para o fazer durante largos minutos sem interrupção, mesmo quando mentia descaradamente.

Por falar em mentir, das duas uma, ou Ana Lourenço estava muito mal preparada e não conhecia os temas, ou então não teve coragem (ou ordem?!) para confrontar Sócrates com várias mentiras e incoerências que este proferiu durante todo o programa.

Pude no entanto rir um pouco com algumas das tiradas do líder do PS. A certa altura Sócrates disse “Não estou agarrado ao poder” e logo de seguida “para mim a consequência de uma crise política é que o país não se pode comprometer com parceiros internacionais“. Demitir-se? Nunca!

O Primeiro-Mentiroso… perdão, Ministro é tão cara de pau que diz partilhar o sofrimento dos manifestantes. Eu gostava de saber o que é que ele tem em comum: também está desempregado? também trabalha a recibos verdes? também ganha o ordenado mínimo?

Para terminar em grande, Ana Lourenço dá a novidade do acordo com os camionistas. Essa não lembrava a ninguém, mesmo que estivessemos a ver o canal “Sócrates TV” com Sócrates a ser entrevistado pelo próprio Sócrates. Porque não puseram José Gomes Ferreira como entrevistador?


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