José Sócrates versão 1.0 (parte IV)

30/04/2011

O debate foi em 4 Fev 2005 e colocou de um lado Santana Lopes do PSD e José Sócrates do PS. As eleições seriam dali a 15 dias e as sondagens davam maioria ao socialista que falava desta forma:

150 mil empregos. Isso é possível e está ao nosso alcance […] Vocês não acham que é o momento de o país olhar para o desemprego em vez de se pôr, confortavelmente, à espera que isso passe? Esperar que passe não é solução. Como é que se cria emprego? Bem sei que é nas empresas. Não é o estado que resolve isso, mas pode ajudar

A qualificação dos portugueses é a chave para que os portugueses possam ter mais oportunidades e para que possam obter um emprego na economia cada vez mais exigente e globalizada.”

Desta vez não resisto a fazer dois comentários: 1) Em 2005 a taxa de desemprego estava nos 6,5%, hoje está nos 11%. 2) É com as Novas Oportunidades que Sócrates queria prepara os portugueses para a “economia cada vez mais exigente“?

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Apenas Manchester Utd se assemelha ao FC Porto

29/04/2011

Ontem o FC Porto demonstrou que é actualmente, de longe, um dos melhores clubes de futebol da Europa (e consequentemente do Mundo). E é grande, não pelo passado longínquo, mas pelo presente. Na última década tem conquistado o que nenhum outro clube conseguiu.

Uma equipa não é a melhor por vencer uma vez, é-o por vencer constantemente. Obviamente que ninguém é invencível. Nem o Barcelona ou o Man Utd do século XXI, nem o Real Madrid ou Milan dos anos 90. E por isso nos últimos 10 anos foram campeões Boavista, Sporting e Benfica.

A questão é que nas últimas 10 épocas, o FC Porto foi campeão por 7 vezes, venceu a Taça de Portugal por 5 vezes, e a Supertaça Portuguesa por 6 vezes. E claro, pelo meio, venceu a Taça UEFA em 2003, a Liga dos Campeões Europeus (pela 2ª vez) em 2004 e o Campeonato do Mundo de clubes.

Isto só é possível com um grupo competentíssimo de dirigentes, técnicos e atletas. Algo que o FC Porto tem conseguido manter ao longo dos anos, e encontra apenas semelhanças no Man Utd. Só que a grande diferença é que os ingleses não mudam quase nada.

No FC Porto a mudança tem sido muito grande, e os resultados mantêm-se. Veja-se o caso dos jogadores: Sai Baía, entra Helton. Sai Jorge Costa/R.Carvalho, entra Pepe/B.Alves e depois Rolando. Sai Paulo Ferreira, entra Bosingwa e depois Fucile. Sai N.Valente, entra Cisshoko e depois A.Pereira. Sai Costinha, entra P.Assunção e depois Fernando.

Também no ataque a rotatividade não tira qualidade: Sai Maniche, entra Raúl Meireles e depois Moutinho. Sai Deco, entra Anderson, depois Lucho e agora Belluschi. Sai McCarthy, entra Lisandro e depois Falcão. Sai Derlei, entra Quaresma e depois Hulk. Parece que é cada vez melhor.

Isto é um grande clube… isto é um dos melhores clubes da Europa e do Mundo… isto é o mais bem gerido clube da actualidade… isto é um clube vencedor.


José Sócrates versão 1.0 (parte III)

29/04/2011

E continua o discurso de Sócrates no debate que travou com Santana Lopes, a 4 Fev 2005, faltavam duas semanas para as Legislativas 2005:

Com o PS a pobreza vai voltar à agenda política. O combate à pobreza vai ser uma prioridade […] Não peçam a um socialista para virar a cara para o lado quando existe pobreza em Portugal

Tivemos congelamento de salários na Administração Pública nos últimos 3 anos. Isso não pode continuar. É socialmente insustentável e, aliás, injusto […] Eu aumento os salários públicos, com moderação

O que caracterizou estes 3 anos foi um divórcio total entre o Governo e a Administração Pública. Houve uma guerra ideológica a tudo o que era público, tentando denegrir os serviços públicos e denegrir a Administração Pública


José Sócrates versão 1.0 (parte II)

28/04/2011

Transcrevo mais um excertos do que disse Sócrates a 4 Fev 2005, 15 dias antes das Legislativas 2005, no frente-a-frente com Santana Lopes:

O país tem de vencer esta onda de pessimismo e descrença em que caiu, e eu julgo que só poderá haver uma mudança para a confiança, que ajude a economia, que ajude o investimento, que ajude a criar mais oportunidades, se houver um novo Governo. Um Governo que estimule a confiança do país, um Governo sério, credível, capaz.”

Há aqui também um julgamento a fazer, um julgamento sobre estes últimos 3 anos. Esse comportamento de quem prometeu nas eleições baixar impostos e, quando chegou ao Governo, não os desceu, mas, ao contrário, subiu-os, tem de ser penalizado, porque é negativo para a democracia, é negativo para a confiança […] foi nesse momento que tudo começou a ruir. Foi no momento da falha dessa promessa eleitoral


José Sócrates versão 1.0 (parte I)

27/04/2011

Depois de 2,5 anos de Governação PSD-CDS, Jorge Sampaio derrubava o Governo. Aproveitava umas “novelas” em torno de alguns ministros de Santana Lopes para abrir caminho a um “renovado” PS depois da fuga de Guterres. Em 4 Fev 2005, cerca de 15 dias antes das eleições, José Sócrates e Santana Lopes tinham um frente-a-frente, e Sócrates foi peremptório:

Esta campanha tem de ser centrada nos problemas dos portugueses e de Portugal […] E deve responder a duas questões fundamentais. Uma, um juízo sobre os últimos 3 anos. Como é que chegamos a este ponto? Quais foram as políticas que motivaram a situação do país? […] No meu ponto de vista. a escolha nestas eleições, a opção que está de cima da mesa, é esta: escolher entre a continuidade e a mudança”

Eu acho que o país tem de mudar fundamentalmente porque as políticas que foram dirigidas pelo Governo, nos últimos 3 anos, conduziram a maus resultados. Maus resultados na economia, no emprego, na condição de vida dos portugueses


A farsa do 25 de Abril (reloaded)

25/04/2011

Transcrevo aqui o que postei no dia 25 de Abril de 2010:

Podem chamar-me o que quiserem, até fascista, pouco me importa. Sou um democrata incondicional mas acho que os festejos do 25 de Abril de 1974 são arcaicos e estão obsoletos. Enquanto não soltarmos estas amarras do passado não conseguiremos conquistar o futuro.

Em vez de estarmos permanentemente a viver (com saudosismo) o 25 de Abril de 1974, devíamos trabalhar e lutar para podermos viver (com felicidade) os 25 de Abril de 2010, 2011… 2050, etc.

É que além do mais somos todos uns hipócritas. O que festejamos é um sistema eleitoral conquistado em 25 de Abril de 1974, mas continuamos a não poder festejar a conquista da verdadeira democracia, da verdadeira liberdade, da verdadeira justiça social.

E os maiores culpados desta situação são os arlequins que neste dia fazem a maior festa de todas. Os políticos que durante 364 dias “comem o sono” e “tratam das suas vidinhas”, vêm neste dia falar de grandes valores na “casa da democracia” (a tal onde se insultam uns aos outros durante o resto do ano).


Sondagens por encomenda

22/04/2011

Já o disse e escrevi várias vezes: Para mim, as Sondagens (ou Estudos de Opinião) são encomendadas por partidos ou políticos e servem para tentar influenciar – num sentido ou noutro – a opinião dos eleitores menos esclarecidos.

Se não fossem encomendadas as Sondagens não teriam resultados tão díspares em tão curto espaço de tempo. Ao contrário do que se diz, o mundo não muda em 15 dias, muito menos se nada de relevante aconteceu para tal.

Como diz o ditado: “à 1ª caem todos, à 2ª cai quem quer, e à 3ª só cai quem é burro“. Da experiência que temos, podemos interpretar sozinhos as Sondagens. Quantas vezes já vimos estes estudos falhar? E não é por décimas…

Quem não se recorda recentemente das sondagens nas Europeias 2009? Chegaram a dar 40% ao PS, colocavam o PSD nos 30% e o CDS abaixo de 3%. Ora, os resultados foram: PSD – 32%, PS – 26% e CDS – 10%. Conseguem ver as diferenças?.

Tenho comigo um estudo feito em 2002 que um dia partilharei. Nesse estudo podem ver-se Sondagens vs Resultados das Autárquicas 2001. Se bem se lembram, foi à custa destes resultados que PS e Guterres abandonaram o Governo.

Nesse estudo todas as sondagens dão derrota a Rui Rio, Luís Filipe Menezes, Fernando Seara, António Capucho e Pedro Santana Lopes. Rio e Menezes tinham 20% das intenções. O voto dos eleitores deu vitória, sem margem para dúvidas, a todos.

Nos últimos dias vêm as empresas lançar Sondagens “sérias” (mesmo que delas façam pouca publicidade) para depois poderem, no dia dos resultados, dizer que acertaram ou que foram as que estiveram mais próximas, disfarçando a encomenda.

Se eventualmente alguém se der ao trabalho de recolher alguns dados, e se insurgir contra o “trabalho” destas empresas (como fez o CDS em 2009) logo os responsáveis vêm desculpar-se com a imprevisibilidade da abstenção, e dos votos nulos/brancos.


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