Comunicação “dita” social dos lobbies de milhões

27/06/2011

Artigo de opinião que escrevi para a rúbrica “Zona 7” do Sovolei:

Em pleno século XXI, e num país que se diz integrado na União Europeia, custa-me ver certo tipo de coisas da comunicação “dita” social. Ela, que tantas vezes serve para denunciar (e bem) certos tipos de discriminação e sectarismo, é a primeira a fazer exactamente o mesmo, em relação a certas pessoas, entidades, sectores, temas, assuntos ou questões.

A comunicação “dita” social generalista ocupa muito do seu tempo com futebol mas não dá qualquer importância a outros desportos. O que se vê na RTP-2 uma vez por semana é apenas por obrigação de serviço público, e o que se vê na SIC uma vez de 2 em 2 meses é apenas o aproveitamente de ódios e rivalidades entres alguns imbecis adeptos dos grandes clubes.

Nenhum dos canais de televisão ou dos jornais de tiragem nacional generalistas dedica um minuto ou uma linha ao Voleibol, o 2º desporto mais praticado em Portugal, logo a seguir ao futebol. Já os jornais desportivos, uns dedicam a esta modalidade 50 linhas por semana, outros nem isso sequer. No entanto, dedicam páginas inteiras ao Golf e às Apostas, por exemplo.

O que causa esta minha revolta foi há dias ter visto no Telejornal da RTP, em horário nobre, uma notícia sobre a Selecção Nacional Masculina de Voleibol, que disputa a Liga Mundial 2011. Os menos atentos perguntarão porque estou então revoltado? É que a notícia só apareceu porque a comitiva ficou retida num aeroporto devido a uma nuvem provocada por um vulcão.

Ou seja, nem antes, nem durante, nem depois da notícia, foi feita alguma referência ao facto de a Selecção estar a disputar uma das mais importantes competições mundiais. Nem sequer foi dito que nessa altura estava na luta pela qualificação para a fase final, por ter já conseguido importantes vitórias sobre selecções bem mais cotadas e poderosas.

É incrível como pôde a mais antiga e importante estação de televisão de Portugal, dar uma notícia sobre o facto de uma Selecção Nacional estar retida por causa de uma catástrofe (e isso sim é que interessa para as audiências), sem sequer se ter dignado a saber o que ali fazia. O mesmo aconteceu quando essa mesma Selecção venceu a Liga Europeia em 2009.

No fim-de-semana que passou, estiveram em Portugal – numa “clinic” na praia de Canidelo em V.N. Gaia – Larissa e Juliana. As duas brasileiras são as melhores atletas de sempre do voleibol de praia, com vários títulos de Campeãs Mundiais, o mais recente conquistado há bem pouco tempo. Não houve um orgão de comunicação “dita” social que divulgasse isto.

Mas não tenho dúvida que, se aterrasse amanhã, no aeroporto de Lisboa, do Porto, de Faro, ou até de Beja, a namorada do Cristiano Ronaldo, iriam estar lá para a ver chegar todas as televisões, jornais e revistas. Os mesmos que, no(s) dia(s) seguinte(s) iriam encher minutos e páginas a fio com reportagens e imagens sobre coisas que não interessam nem à própria.

É esta a comunicação “dita” social que temos em Portugal. Uma comunicação “dita” social que foge ao seu dever principal (e também a sua razão de existir) de informar, preferindo ser veículo de divulgação de interesses e de lobbies milionários. Sim, porque o Futebol é isso mesmo, apenas um negócio que dá milhões a muita gente, porque de desporto já tem muito pouco.

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PS continua a toada da vitória/derrota mediática

22/06/2011

Todos sabem, que nesta altura em que vão apertar as dificuldades, é extremamente importante que o Governo PSD-CDS tenha também (e pelo menos) o apoio do PS. Algo que à partida estaria garantido pelo facto de os socialistas terem assinado o MoU que Portugal fez com o FMI-BCE-UE.

Mas por enquanto (digo “por enquanto” porque estou esperançado que com Assis/Seguro eleito, isto acabará) os factos que se vão sucedendo indicam que o PS já rasgou o compromisso e continua numa toada de irresponsabilidade, com foco apenas nas vitórias/derrotas mediáticas na comunicação social.

Afinal de contas, não é algo que possa surpreender muito, já que a nova bancada do PS na AR foi toda escolhida “a dedo” por José Sócrates, Pedro Silva Pereira, e os seus acessores da máquina partidária (os tais Andrés Figueiredos e afins). Mas esperava-se alguma contenção.

O chumbo do nome de Fernando Nobre para PAR teve apenas e só o objectivo de, na comunicação social daquele dia e do dia seguinte, aparecer como derrota de PPC. E foi exactamente o mesmo que se passou com a infantilidade da demissão dos Gov. Civis, depois de PPC ter dito que não nomearia novos.

Tanto numa como noutra situação, os socialistas apenas estiveram preocupados em fazer parecer que PPC tinha faltado à sua palavra. De uma, dizendo que Fernando Nobre seria o seu PAR, e sendo obrigado a recuar. E de outra, dizendo que não nomearia Gov. Civis, sendo obrigado a nomear.


FCP vs PSD… novamente agridoce

21/06/2011

Esta é já a segunda vez esta semana que tenho um sentimento agridoce. Mas se da última vez envolvia apenas o Governo PSD, desta vez envolve o Governo PSD e o FC Porto.

Passos Coelho e André Villas-Boas estavam, para mim, no patamar mais alto da consideração, do respeito e da confiança. Hoje, enquanto um assinava o outro rescindia.

Só tenho, ainda assim, de desejar aos dois a melhor sorte do mundo. Espero sinceramente que ambos tenham sucesso e consigam cumprir os objectivos a que se propõem.

É duplamente importante para Portugal, que PPC e AVB consigam vencer as dificuldades que se lhes apresentarão pela frente. Obviamente, nas devidas proporções.


Um governo com sabor agridoce

18/06/2011

Ao conhecer o novo Governo tive um sentimento agridoce. Isto porque, se por um lado me agradaram muito algumas escolhas, outras desiludiram-me na mesma proporção. Apesar de tudo, penso que o saldo é positivo (aliás, muito positivo) porque as boas escolhas estão nas pastas cruciais.

Os nomes de Vitor Gaspar (Finanças), Álvaro Santos Pereira (Economia), Paulo Macedo (Saúde) e Nuno Crato (Educação) são tão surpreendentes quanto agradáveis. Em 4 pastas chave, Passos Coelho consegue ir buscar 4 grandes “técnicos”. Era isso o necessário e essencial nestes sectores.

E se alguns acham que serão Ministros frágeis por não serem “políticos”, eu penso que essa poderá ser uma vantagem. Ao invés de estarem preocupados em agradar a interesses, lobbies ou ao povo, irão com toda a certeza concentrar-se nos problemas do país e trabalhar em prol do mesmo.

As questões políticas que poderão ser levantadas no âmbito destas 4 pastas, deverão ficar a cargo do Primeiro-Ministro, que deverá dar aos Ministros cobertura total. Só assim poderá garantir que terão o espaço e as condições necessárias para implementar as políticas que se impõem.

Do lado do CDS espera-se que Paulo Portas tenha nos Negócios Estrangeiros, tão bom ou melhor desempenho do que teve na Defesa. Portas é um “político” competentíssimo, e por isso escolhe, e bem, pastas para as quais é necessário e suficiente ter capacidades estritamente “políticas”.

Os outros dois nomes centristas – Pedro Mota Soares (Segurança Social) e Assunção Cristas (Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento) – são duas agradáveis surpresas. Mostraram bom trabalho nos respectivos sectores. Têm capacidades políticas, e acima de tudo parecem ser competentes.

Para o final fica a parte má. Não estava à espera que Passos Coelho cedesse à “máquina” do partido. Era um forte e importante sinal que tinha dado. E para piorar são nomes tão fracos e pouco consensuais como Paula Teixeira da Cruz (Justiça) e Miguel Relvas (Assuntos Parlamentares).

Estas duas figuras “de proa” (vá-se lá saber porquê) do PSD são daquelas que, a cada 5 minutos em que aparecem na televisão em representação do partido, tiram 100 votos. Em cada frase proferida, na defesa de qualquer política, tiram credibilidade à mesma, por melhor que seja.

Já Miguel Macedo (Administração Interna) está uns furos acima. Mas está nitidamente conotado com a máquina partidária, e isso por si só já é mau. Se Passos Coelho o colocasse nos Assuntos Parlamentares, seria compreensível, dadas as funções recentemente desempenhadas.

Sei que os Assuntos Parlamentares e Administração Interna não são duas pastas fulcrais, mas a entregá-las ao “militantes”, preferia que Passos Coelho tivesse escolhido nomes mais reputados e credibilizados, como Marques Mendes, Fernando Negrão, Nuno Magalhães ou Nuno Melo.


FC Porto: as vitórias da Organização e Competência

08/06/2011

Em Setembro 2009 escrevi, sobre os clubes desportivos: “Os maiores não são os que têm o maior estádio de futebol nem os que têm o maior número de sócios. Os maiores nem sequer são os que têm maiores orçamentos ou contratos de publicidade […] Os maiores clubes são os que conseguem vencer em todas as frentes“.

O FC Porto é hoje o maior e melhor clube em Portugal porque vence – e vence frequentemente – em todas as modalidades. É um verdadeiro clube grande e eclético. Em 2010/2011 o FC Porto foi campeão nacional em todas as modalidades colectivas em que participa: Futebol, Andebol, Basquetebol e Hóquei em Patins.

E venceu mais títulos em muitas delas e em vários escalões. No futebol venceu 4 títulos no escalão sénior (um deles europeu), mas também foi campeão nacional em Juniores A e Juniores C, por exemplo. Conquistou também o título em modalidades como o Bilhar, em que foi o melhor em masculinos e femininos.

Este sucesso é feito da conjugação de muitos factores e variáveis, mas há um que se destaca e que penso ser o mais importante: Organização. Até os atletas, que normalmente são mais dados às emoções e às condições de trabalho, reconhecem que a Organização é o ponto forte deste FC Porto.

Além disso, há uma outra característica que é essencial para se fazer parte da estrutura, principalmente em cargos de lideranças e responsabilidade: Competência. Apesar de existir a ideia que o FC Porto é uma “família” onde impera o nepotismo, o facto é que só entra quem tem comprovadas capacidades.


#e2011pt Um Governo com 10 + … 26

07/06/2011

A dada altura da campanha, Passos Coelho disse que estava “preparado para construir um Governo com não mais do que 10 ministros” mas advertiu para o facto de falar “da possibilidade do PSD ter uma maioria absoluta e poder responder por esse resultado“.

Penso que mesmo com a coligação PSD-CDS será possível e desejável manter esta vontade. Para dar o exemplo na contenção de custos, porque algumas junções de ministérios fazem todo o sentido e também no sentido de implementar algumas reformas no sistema.

Penso que nos 10 Ministérios deveriam manter-se 7:

  • Finanças e Administração Pública;
  • Economia, Inovação e Turismo;
  • Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações;
  • Defesa Nacional;
  • Negócios Estrangeiros;
  • Saúde;
  • Trabalho e Segurança Social.

Os outros 3 Ministérios deveriam ser as seguintes fusões:

  • Justiça e Administração Interna;
  • Agricultura, Pescas, Ambiente e Ordenamento do Território;
  • Educação, Ensino Superior, Ciência e Tecnologia.

Sob o gabinete do Primeiro-Ministro, deveriam esta as Secretarias-de-Estado:

  • Juventude e Desporto;
  • Cultura;
  • Presidência;
  • Assuntos Parlamentares.

Com estas minhas contas, chego ao número de 10 Ministros e 26 Secretários-de-Estado (versus 10 + 25 que falava Passos Coelho), como sendo necessários e suficientes para a governação do país. Sendo que muito trabalho deverá ser confiado às Direcções-Gerais.


#e2011pt Jovens deputados em que deposito confiança

06/06/2011

O resultado das Legislativas 2011 foi acima de tudo uma vitória de Portugal. Foi uma vitória do PSD e de Passos Coelho. Mas foi também uma vitória da JSD e da Juventude portuguesa. Efectivamente o que está em causa é o futuro desta, que foi quase hipotecado por Sócrates e pelo PS.

Ontem tive a oportunidade de me encontrar casual e fugazmente com o Duarte Marques (Presidente da JSD) e de lhe dar os parabéns pela vitória. Esta também é uma vitória dele. Mas mais do que isso, esta é a oportunidade para trabalhar e mostrar o que vale. Confio na sua capacidade e trabalho.

Confio que o Duarte saberá defender os interesses da Juventude junto do Primeiro-Ministro e dos Ministros do Governo. Quiçá não poderá ele ser parte desse mesmo Governo e influenciar por dentro as políticas que são necessárias direccionar para os Jovens portugueses e o seu futuro.

Além do Duarte Marques, a minha confiança está depositada também no Luís Menezes, na Francisca Almeida e na Joana Barata Lopes, todos eleitos deputados pelo PSD. O Luís e a Francisca já provaram o seu valor na última legislatura, a Joana (Presidente JSD Lisboa) deverá tomar-lhes o exemplo.

No cenário que se avizinha, penso que será essencial a colaboração de todos eles com outros de igual valor, nomeadamente os jovens deputados do CDS/PP Michael Seufert (Presidente JP) e João Almeida (ex-Presidente JP). A ajuda de deputados jovens do PS, PCP e BE não deverá ser descartada.

Esta é um momento crucial para definição do futuro, que depende essencialmente da capacidade dos jovens. Portugal é competitivo na mão-de-obra qualificada e para isso há que dar condições para a aposta na qualificação dos Jovens. Além disso, medidas para o combate ao desemprego jovem precisam-se.


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