Opinião: É disto que o meu povo gosta

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Junho 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”

No passado dia 25 Abril 2011, depois dos festejos do Dia da Liberdade, José Sócrates deslocou-se mais uma vez a Santo Tirso. Sinceramente, já perdi a conta às vezes que cá veio. Este parece ser um terreno fértil para a sua permanente campanha eleitoral.

Mas aproveito para deixar um comentário aos festejos. Sou um democrata incondicional mas acho que os festejos do 25 de Abril são arcaicos e estão obsoletos. Enquanto não soltarmos estas amarras do passado não conseguiremos conquistar o futuro.

Em vez de estarmos permanentemente a viver (com saudosismo) o 25 de Abril de 1974, devíamos trabalhar e lutar para podermos viver (com felicidade) o 25 de Abril de 2011, 2012… 2050. É que além do mais somos todos uns hipócritas.

O que festejamos é um sistema eleitoral conquistado em 25 de Abril de 1974, mas continuamos a não poder festejar a conquista da verdadeira democracia, liberdade e justiça social. E os maiores culpados desta situação são os arlequins que nesse dia fazem a maior festa de todas.

Os políticos que durante 364 dias “comem o sono” e “tratam das suas vidinhas”, vêm nesse dia falar de grandes valores na “casa da democracia”. Por sinal, aquela que desrespeitam, e em que se insultam uns aos outros durante o resto do ano.

Mas voltemos à visita do Primeiro-Ministro. Sócrates foi recebido com um “banho de multidão” e com cânticos “Sócrates amigo, o povo está contigo”. Em todas as visitas de Sócrates pelo país, se ouvem apupos e descontentamento. Em Santo Tirso ouvem-se “vivas” e “obrigados”.

Diz quem lá esteve que a máquina do PS é incrível. Se as centenas de pessoas que receberam Sócrates eram efectivamente Tirsenses (e não figurantes pagos como noutras ocasiões) concluo que têm aquilo que merecem. Um concelho à imagem de Sócrates, com 20% de desemprego.

Um concelho sem urgência e maternidade no hospital, sem empresas, sem serviços, sem sistema de saneamento, sem água canalizada. A quem foi amputada uma perna (a Trofa) e com a população envelhecida e os jovens a fugir, mesmo para os concelhos limítrofes.

Por este andar, o concelho de Santo Tirso arrisca-se a deixar de o ser, se tivermos em conta que uma das medidas da “Troika” impõe a redução de freguesias e autarquias. Às tantas ainda vamos ver parte do concelho juntar-se a Guimarães, outra a Famalicão, outra ainda à Trofa (!?).

Infelizmente em Santo Tirso há uns pobres de espírito que à conta de terem um “tachito” camarário fazem o que for preciso para agradar o “chefe”. Nem que isso implique dar “vivas” ao homem/partido que destruiu o concelho e levou o país à falência.

Depois há os outros que, por meia dúzia de tostões se deixam levar. Como diz o ditado “com papas e bolos se enganam os tolos”. Esses, são comprados com as ofertas dos cabazes de natal, com o espumante e bolo-rei na passagem de ano, ou com a aparição fugaz na “Praça da Alegria”.

Além disso são iludidos com feiras das tasquinhas, do melão, do livro, do artesanato, etc. Com concertos “de borla” que custam centenas de milhares de euros à CMST (ou seja, a todos nós). Enfim… como dizia o outro “é disto que o meu povo gosta”.

Enquanto estas pessoas (que continuam a dar maiorias ao PS de Castro Fernandes e de José Sócrates, nas Autárquicas e Legislativas) continuarem a preferir a festa ilusória à efectiva qualidade de vida, nada mudará no concelho, ou no país. Dia 5 de Junho há nova oportunidade.

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