Comícios: a tradição já não é o que era

Ontem voltei a marcar presença num comício do PSD. Foi o comício de encerramento das Legislativas 2011, no Largo do Carmo em Lisboa, com Pedro Passos Coelho como candidato do PSD. Penso que a minha última vez tinha sido no enorme comício do Porto nas Legislativas 2002 quando o PSD venceu as eleições com Durão Barroso.

Confesso que para além de ter querido, neste momento importante, mostrar o apoio ao PSD e a Passos Coelho, fui também com a vontade de voltar a experimentar a alegria e adrenalina que sentia nas dezenas de comícios em que participei no final dos anos 80, durante os anos 90 e no início do século XXI. Mas, saí de lá insaciado.

Há 3 factores que são essenciais para um bom comício partidário. Um deles, e talvez o mais importante, não desiludiu e correspondeu ao que esperava: Pedro Passos Coelho, Fernando Nogueira e Fernando Nobre (entre outros) fizeram bons discursos. Daqueles com conteúdo e que conseguem empolgar uma plateia.

De qualquer forma, os outros 2 factores ficaram aquém das expectativas. Havia muita gente, a praça estava cheia. Mas as pessoas não demonstravam alegria e interesse. Muitos iam e vinham dos cafés com cervejas e bifanas na mão. Outros conversavam, e muito poucos estavam atentos ao que se passava no palco.

Por último a animação, que por tradição estava a cargo da JSD, falhou redondamente. Talvez por isso agora se contratem speakers. Os jotinhas dividem-se em 2 grupos: os adolescentes que aparecem de t-shirt laranja e apenas querem “festa” e os jovens universitários que vestem calça e blazer e se vão mostrar (tendo em vista futura carreira política).

Não tenho dúvida que isto se passa em todos os partidos, mesmo nos mais pequenos e mais novos. De qualquer forma admito que se note mais nos grandes partidos, nos partidos do poder. De há uns anos para cá tem sido esta a tendência, que a meu ver, empobrece também a democracia e a sua qualidade.

Há uns anos atrás, numa rentreé política na Barra de Aveiro, ao jantar, antes do comício, Durão Barroso dizia à mesa que os comícios acabariam por deixar de fazer sentido. Eu discordo. Haja políticos com qualidade e competência, e as pessoas ganharão vontade de os seguir para todo o lado.

Quem participou e se lembra dos comícios do PSD (com Sá Carneiro, Cavaco Silva, Freitas do Amaral e outros) nos anos 80-90 sabe que é isso que mobiliza as pessoas.

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