Autocarro da Carris: Um estudo sociológico

Há cerca de 3 meses que consegui novamente andar de transportes públicos. O percurso que faço agora para trabalhar permite-me deixar o carro na garagem, poupar dinheiro em gasolina/estacionamento, poupar paciência no trânsito e poupar o meio ambiente.

Na viagem de autocarro aproveito para navegar no telemóvel pelas redes sociais e aplicações de notícias. Mas por vezes dou por mim também a fazer como que um estudo sociológico sobre as pessoas que entram e saem do autocarro nas diversas paragens.

Vejo muita gente, homens e mulheres (na sua maioria já com uma certa idade), que fala sozinho ou então que mete conversa com qualquer pessoa que esteja à sua frente. Para mim, este tipo de comportamento denota solidão e abandono.

Por outro lado também há muitas pessoas (das quais muitas adultas, mas novas) que não estabelecem qualquer tipo de contacto. Olham para o chão o tempo todo e não falam com ninguém, mesmo que abordadas. Isto é, para mim, exclusão social.

Para quem gosta de ver gente gira e com estilo (quem não gosta?) o autocarro tem muita poluição visual. A maioria das pessoas veste-se mal e com roupa velha. Na minha opinião, este facto só pode ser consequência da pobreza de que padecem.

Depois, em conjunto com a roupa velha e mal amanhada, costuma vir também o mau cheiro. Não é só cheiro a suor, é mesmo por vezes o cheiro de quem não toma banho há dias. Isto demonstra apenas a falta de auto-estima que as pessoas têm.

Por fim, assiste-se a muitas faltas de respeito e de educação. Estas partem principalmente dos mais jovens, mas também já as vi em adultos e até em idosos. A isto só se pode associar uma falta de valores e de civismo enorme.

Esta é infelizmente a realidade de uma grande parte da população. Estas atitudes, maneiras de ser, personalidades, carácteres, são para mim consequência da falta de qualidade de vida das pessoas. Que leva à frustração, angústia, tristeza, infelicidade.

Esta é a realidade invisível para muitos dos responsáveis pelos destinos do país. E esta realidade também é muito culpa deles que praticam políticas erradas. É necessário ter a sensibilidade social que se exige a um político, e tentar melhorar a vida desta gente.

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