Passe social: a cegueira do Daniel Oliveira

31/08/2011

Há gente que tem como profissão dizer mal de tudo. Muita dessa gente emprega-se em orgãos de comunicação “dita” social. Porque de facto isso (dizer mal) vende. Não é por acaso que a imprensa aposta nisso. O “tuga” gosta de dizer (e ouvir) mal de tudo.

O Daniel Oliveira é uma dessas pessoas. Aliás, é um excelente profissional. Ele sabe que tem de dizer mal de tudo. Se não disser, não interessa ao jornal onde escreve ou TV onde comenta. Porque as pessoas não compram para ouvir elogiar algo ou alguém.

Tenho para mim que o Daniel Oliveira pertence àquela “esquerda caviar” (tipo Louçã) que não passa dificuldades na sua vida, mas se arroga o direito de falar em nome dos pobres. Está sempre a dizer que os Governos não dão nada aos pobres, só aos ricos.

Mas quando os Governos apresentam medidas que beneficiam os pobres, o Daniel arranja sempre maneira – nem que para isso esteja a ser desonesto intelectualmente – de dar a volta ao texto, e criticar a medida em causa anunciada pelo Governo.

Diz o Daniel que o Passe Social + terá de se “pedinchar com um atestado de pobreza“. Ele sabe bem como aplicar a palavra “pedinchar” para parecer uma coisa humilhante. Como queria que se fizesse o pedido? Era chegar e dizer “olhe, sou pobre, dê-me o Passe Social +“?

Naturalmente que para pedir o Passe Social + a pessoa terá de fazer prova que tem rendimentos abaixo de 545€. O Daniel diz que o Governo lança uma medida que cobre apenas “alguns miseráveis“. Ainda bem! Então o Daniel queria que os miseráveis fossem mais?

Depois diz que, o que o Governo tem para oferecer nesta medida são “migalhas“, e que faz disto uma propaganda descarada. Ora, caro Daniel, quem faz (ou não) a propaganda, são os orgãos de comunicação “dita” social. Eles é que podem dar (ou não) mediatismo da coisa.

A demagogia do Daniel vai ao ponto de dizer que o Passe Social e os Transportes Públicos abrangidos por ele foram mortos pela construção de auto-estradas. Pena é que o Passe Social seja apenas usado em viagens de transportes urbanos ou suburbanos. Não é Daniel?

Numa coisa dou-lhe razão: “Ao contrário do que se passa em muitas cidades europeias, multiplicam-se os títulos de transporte” e não há “coordenação tarifária ou mesmo de percursos“. Apesar de tudo já é agora possível ter viagens de Metro, Autocarro, Eléctrico no mesmo título.

O síndrome do “novo rico” que prolifera em Portugal – e leva as pessoas a preferir automóvel ao transporte público – não foi introduzido pelo Estado. Foram as próprias pessoas que compraram os seus carros. Que se saiba, o Estado não andou a distribuir automóveis.

Só a imbecilidade do “tuga” o faz preferir estar 2 horas em fila de manhã, e mais 2 horas à tarde, para ir de carro para o trabalho. Porque ao contrário do que diz o Daniel, o transporte público não é um quebra cabeças. Tem até vias próprias e prioritárias.

O problema do Daniel é que provavelmente não entra num transporte público desde os 18 anos. Eu tenho um automóvel híbrido (que até gasta pouco) mas estou extremamente contente por, nos últimos meses, ter a possibilidade de ir de autocarro para o trabalho.

Aliás, nos últimos tempos, o carro nem sai da garagem. Vou para todo o lado de autocarro, metro e comboio. Evito perder horas de vida e paciência no trânsito, poupo em gasolina e estacionamento, ajudo o meio ambiente, e até a dependência energética do país.

O Daniel compara o preço do transporte público com o automóvel. Vamos a contas: Passe Social = 360€/ano. Com 360€ compra-se 240l de gasolina, o que dá para percorrer 4000km. Essa é distância que um morador da periferia de Lisboa/Porto percorre em 4 meses.

Para além do combustível há que pagar o automóvel. Que se saiba, não há automóveis abaixo dos 10.000€. Num crédito a 4 anos a mensalidade nunca seria abaixo de 200€. Ou seja, em vez de 30€/mês (transporte público) a pessoa despenderia 300€/mês (automóvel).

Mas torno a concordar com o Daniel: “Os transportes públicos dão prejuízo porque foram mal geridos“. Há dias numa conversa no twitter com o Carlos Vargas (jornalista, director RTP Mobile) ele dizia-me que os transportes públicos tinham de dar prejuízo.

Como é óbvio discordei. Se assim fosse, como raio existiam empresas privadas de transportes colectivos? E porque raio quereriam empresas privadas e estrangeiras (como a Barraqueiro ou a Transdev) tomar conta do Metro, da Carris, da Fertagus e da CP Urbanos?

Conclusão o Passe Social + é uma boa medida para ajudar quem menos tem. Vai permitir-lhes ter o Passe Social praticamente ao preço antes dos aumentos. O Passe Social normal, por mais que suba, ficará sempre mais barato que andar de carro. A escolha é das pessoas.

Anúncios

O “tuga”, uma espécie que prolifera – Parte IV

30/08/2011

Este post, sobre o “Tuga”, vem no seguimento destedeste e deste:

O Tuga é aquele que trabalha numa grande empresa (eventualmente até num cargo de chefia) e não se inibe de levar os filhos para o emprego.

O Tuga é aquele que come com o garfo virado para baixo, não levanta os cotovelos da mesa, e come a sopa e a sobremesa como se estivesse “à janela”.

O Tuga é aquele que faz as vontades todas aos filhos porque: “coitado, é pequenino e não se pode contrariar, porque pode ficar traumatizado“.

O Tuga é aquele que tem apenas três temas de conversa: Dizer mal dos colegas/chefe do trabalho, dos familiares menos chegados, e dos vizinhos lá do bairro.

O Tuga é aquele que critica Hospitais (com ‘n’ certificações) e Médicos (com anos de estudo/especialização) mas elogia o endireita/bruxo que atende em casa.

O Tuga é aquele que vai para a FNAC martelar os iPad’s em exposição com os dedos. Estraga-os, não vê nada, e nem deixa os interessados experimentarem.


Líbia e os imbecis portugueses

29/08/2011

Gostava que as TVs passassem novamente as imagens de uma célebre manifestação que decorreu há uns tempos atrás em Lisboa. Eram uns imbecis portugueses que se manifestavam a favor do regime de Kadahfi e contra os ataques da NATO.

Não. Não queria ver quem foram os manifestantes e marca-los de alguma maneira. Queria apenas que eles se vissem a si próprios e pudessem agora – depois das atrocidades que o ditador, os seus filhos e as suas tropas têm feito – envergonhar-se.


FC Porto vs FC Barcelona: tiki-taka?

27/08/2011

Quem esperava um FC Barcelona demolidor e um FC Porto a tentar não ser goleado enganou-se redondamente. Guardiola conhece o valor do FC Porto e por isso teve cautelas. Vitor Pereira não é Jesualdo e jogou para vencer.

Não me recordo de alguma equipa no mundo ter conseguido anular o tiki-taka. O FC Porto fê-lo nos primeiros 45 minutos. A pressão alta impediu o FC Barcelona de sair a jogar da defesa, obrigou-o a errar e a fazer lançamentos longos.

Nos primeiros 10 minutos os catalães não conseguiram chegar à área portista. O FC Porto carregava e criava perigo com remates perigosos de Hulk e Moutinho. Foram 40 minutos dominados pela equipa portuguesa, desperdiçados com um erro infantil de Guarin.

Na 2ª parte o FC Porto voltou a entrar muito forte com Moutinho e Guarin a criar novamente dificuldades a Valdes. Aos 10 minutos Helton apareceu pela primeira vez no ecrã de TV. A defesa esteve impecável perante o ataque mais rápido do mundo.

Mas a pressão alta fez a sua mossa. O FC Porto baixou de rendimento com o desgaste físico e apareceu o tiki-taka. A partir daqui o jogo foi todo do FC Barcelona, que em lances rápidos criava dificuldades. Rolando foi bem expulso numa falta necessária.

O jogo como que terminou nesse momento (faltavam 5 minutos). Mas ainda houve tempo para mais uma infantilidade desnecessária de Guarin (bem expulso) e para uma obra de arte de Messi e Fabregas, fazendo o 2-0 pesado para o FC Porto.

Fica mais uma prova de que o FC Porto está ao nível dos melhores clubes do mundo. A continuar assim tem todas as condições para revalidar o título e fazer boa figura na Liga dos Campeões, onde tem um grupo difícil dadas as viagens longas.


Taxar mais os “ricos” sim. Mas quais e como?

26/08/2011

O português é muito curioso, quiçá até estranho. Ainda há pouco tempo atrás só falava de medidas do Governo para a Despesa, e de repente só fala de medidas do Governo para a Receita. E porquê? Porque agora não lhe toca a ele! Só aos “ricos” (os tais que odeia, apenas por inveja).

Defendo o equilíbrio das contas públicas cortando a Despesa. Mas sei que ele não é (infelizmente) possível sem aumento da receita. Daí aceito sem alarde o imposto especial sobre o subsídio de Natal, e o aumento do IVA na electricidade e gás (apesar de achar exagerado).

É necessário subir alguns impostos (ainda que temporariamente) e faz sentido que quem tem mais, pague mais. Mas vejamos: quem é abrangido pelo último escalão já paga 46,5% de IRS! Será justo fazê-los pagar mais? Não acho. Até porque os milionários não “vivem do ordenado”.

O que seria mais correcto era taxar o património: casas, terrenos, barcos, carros, jóias, obras de arte, acções, obrigações, etc. Mas não era apenas de pessoas individuais. Deveria também ser taxado o património de outras entidades, como Fundações, por exemplo.

Mais do que alguns milionários, há por aí muitas Fundações (algumas delas fundadas por, ou com o nome de, gente bem conhecida) que além de servir para objectivos não muito claros, beneficia de muitas benesses e grandes apoios do Estado.


Selecção Feminina – Para mal dos nossos pecados

24/08/2011

Artigo de opinião que escrevi para a rúbrica “Zona 7″ do Sovolei:

A selecção nacional de seniores femininos – liderada pela cubana Gilda Harris – vai defrontar a Áustria numa fase de pré-qualificação para os Jogos Olímpicos Londres 2012. Os jogos terão lugar nos próximos dias 2 e 3 Setembro.

Terá o leitor reparado que escrevi “selecção nacional” com letras minúsculas, quando deveria ter escrito “Selecção Nacional” com letras maiúsculas. Mas não foi por acaso ou por lapso que o fiz. Foi mesmo propositadamente.

Mais uma vez a convocatória – para uma competição tão importante – é insólita (para aplicar o termo já usado pelo Sovolei anteriormente). Ela encerra atletas que nem idades de sénior têm. Há mesmo atletas com 14 e 15 anos.

Além do mais, e curiosamente, não há uma única atleta dos clubes Campeão e Vice-Campeão Nacional. E diga-se que, tanto CD Ribeirense como CA Trofa tinham nos seus quadros atletas portuguesas de grande qualidade.

Aliás, dos 5 primeiros classificados do campeonato 2010/2011, apenas o CS Madeira está representado (e muito bem) por Fabiola Gomes. O clube com mais atletas (3) é o CF Belenenses que se quedou pelo antepenúltimo lugar.

Clubes como o GC Santo Tirso ou o Leixões SC (com equipas recheadas de atletas portuguesas), que fizeram uma boa temporada, parecem esquecidos. O primeiro não tem ninguém e o segundo tem uma atleta (que nem sequer é a mais decisiva).

Aos que acham isto normal, aconselho pesquisa pelas formações de outras selecções. Se nos dermos ao trabalho de verificar, por exemplo, as 10 mais bem classificadas do ranking FIVB, vemos que são raríssimas as atletas com menos de 20 anos.

Brasil, EUA, Japão, Itália, Rússia, China, Polónia, Cuba, Sérvia, Alemanha. Em mais de 100 atletas encontram-se meia-dúzia com menos de 20 anos. E dessas muito poucas são titulares, sendo no entanto já atletas confirmadas internacionalmente.

Mesmo a selecção Cubana (conhecida por apostar muito forte na juventude) tem poucas atletas inexperientes. Conta ultimamente com algumas de 17, 18, 19 anos. Mas vejam-se os resultados recentes? Desde 2000 que não tem um grande resultado.

Gilda Harris e companhia, podiam “brincar às casinhas” com as atletas quando e como quisessem, mas escusavam de fazer Portugal e o seu Voleibol (note-se, estes dois com maiúsculas) passar figuras tristes e descredibilizarem-se lá fora.

É que isso tem implicações e consequências. Atletas e treinadores que queiram aventurar-se no estrangeiro, são postos de lado e ridicularizados por serem portugueses. Um país com um Voleibol vergonhoso, segundo a (falsa) imagem que passa a selecção.

Se não houvesse opção até se compreendia. Mas quando se tem: Filipa Duarte, Vanessa Rodrigues, Amanda Belotto, Ana Freches, Ana Couto, Ana Filipa Félix, Natércia Tavares, Joana Resende, Catarina Costa ou Francisca Esteves.

Até Rosa Costa, Maria Carlos Marques, Catarina Mineiro, Maria Carlos Santos, Neuza Reis, Rita Fernandes, Joana Ferreira, Laura Abreu, Raquel Lacerda ou Maria Miguel Santos. E podia enumerar muitas mais de quem me estou a esquecer.

Isto não tira obviamente valor às atletas que estão convocadas. Algumas delas até merecem lá estar, como Fabiola Gomes ou Daniela Loureiro. Não merecem é hipotecar o próprio valor e crédito, jogando numa equipa sem capacidade competitiva.

As restantes atletas, apesar da sua qualidade, têm colegas bem mais experientes e fortes. Não é esta a hora delas na selecção. Muitas terão com certeza lugar no futuro, mas no presente apenas estão a fazer mal à selecção e a elas próprias.

Todos sempre ouvimos dizer que na selecção deverão estar as melhores atletas do momento. Não as mais velhas, não as mais experientes, não as mais promissoras, não as amigas. Mas as melhores. E essas não são com toda a certeza miúdas de 14 anos.

Este assunto já levantou muita polémica, nomeadamente em consequência de duas notícias publicadas pelo Sovolei. Inclusivamente levou a Lusófona VC a pedir uma audiência à FPV para avaliar e esclarecer a situação. Mas, e conclusões? Nenhuma!

Desta forma, o Voleibol Nacional e o Voleibol Feminino em particular (novamente, com letra maiúscula) continuarão a descredibilizar-se, a ridicularizar-se. Arrastando consigo atletas e clubes que, ou vão desistindo, ou vão fechando para mal dos nossos pecados.


A selecção de sub-20 e as vitórias morais

22/08/2011

Como gosta o Tuga de vitórias morais. São aquelas “vitórias” em que se saiu derrotado, em que o adversário foi mais competente e mais forte, em que se trabalhou menos, mas que se perdeu “por azar”.

E como gosta o Tuga de aproveitar os sucessos dos outros para a sua auto-estima. Só deu atenção ao Mundial Sub-20 a partir do momento em que os miúdos chegaram à final, porque até aí nem sabia que decorria.

A selecção portuguesa de futebol em Sub-20 não venceu o título mundial apenas porque foi também ela Tuga. Passo a explicar: não teve ambição. Trabalhou para os mínimos. Defendeu empates e vantagens tangenciais.

Desde o início da fase de grupos até à final, a equipa venceu com diferenças mínimas, tirando partido da falta de eficácia do adversário. Até no jogo com a desconhecida Guatemala tremeu desnecessariamente.

Naturalmente que, contra uma equipa como o Brasil, que foi forte e competente durante toda a prova (com várias goleadas), Portugal perdeu. Ainda que isso tenha acontecido em lances pouco ortodoxos.

Nada disto tira valor aos atletas. Muitos deles merecem lugar nos clubes portugueses. Mas o facto é que, talvez por culpa do treinador, foi pouco ambiciosa e não deu ouvidos ao ditado: quem não marca arrisca-se a sofrer.

De resto, pensar que em FCP, SLB, SCP e afins, proliferam estrangeiros de qualidade duvidosa, quando têm Nelson Oliveira, Júlio Alves, Danilo, Pelé, Nuno Reis, etc… só faz pensar em “luvas” que se devem ganhar nas transferências.


%d bloggers like this: