Passe social: a cegueira do Daniel Oliveira

Há gente que tem como profissão dizer mal de tudo. Muita dessa gente emprega-se em orgãos de comunicação “dita” social. Porque de facto isso (dizer mal) vende. Não é por acaso que a imprensa aposta nisso. O “tuga” gosta de dizer (e ouvir) mal de tudo.

O Daniel Oliveira é uma dessas pessoas. Aliás, é um excelente profissional. Ele sabe que tem de dizer mal de tudo. Se não disser, não interessa ao jornal onde escreve ou TV onde comenta. Porque as pessoas não compram para ouvir elogiar algo ou alguém.

Tenho para mim que o Daniel Oliveira pertence àquela “esquerda caviar” (tipo Louçã) que não passa dificuldades na sua vida, mas se arroga o direito de falar em nome dos pobres. Está sempre a dizer que os Governos não dão nada aos pobres, só aos ricos.

Mas quando os Governos apresentam medidas que beneficiam os pobres, o Daniel arranja sempre maneira – nem que para isso esteja a ser desonesto intelectualmente – de dar a volta ao texto, e criticar a medida em causa anunciada pelo Governo.

Diz o Daniel que o Passe Social + terá de se “pedinchar com um atestado de pobreza“. Ele sabe bem como aplicar a palavra “pedinchar” para parecer uma coisa humilhante. Como queria que se fizesse o pedido? Era chegar e dizer “olhe, sou pobre, dê-me o Passe Social +“?

Naturalmente que para pedir o Passe Social + a pessoa terá de fazer prova que tem rendimentos abaixo de 545€. O Daniel diz que o Governo lança uma medida que cobre apenas “alguns miseráveis“. Ainda bem! Então o Daniel queria que os miseráveis fossem mais?

Depois diz que, o que o Governo tem para oferecer nesta medida são “migalhas“, e que faz disto uma propaganda descarada. Ora, caro Daniel, quem faz (ou não) a propaganda, são os orgãos de comunicação “dita” social. Eles é que podem dar (ou não) mediatismo da coisa.

A demagogia do Daniel vai ao ponto de dizer que o Passe Social e os Transportes Públicos abrangidos por ele foram mortos pela construção de auto-estradas. Pena é que o Passe Social seja apenas usado em viagens de transportes urbanos ou suburbanos. Não é Daniel?

Numa coisa dou-lhe razão: “Ao contrário do que se passa em muitas cidades europeias, multiplicam-se os títulos de transporte” e não há “coordenação tarifária ou mesmo de percursos“. Apesar de tudo já é agora possível ter viagens de Metro, Autocarro, Eléctrico no mesmo título.

O síndrome do “novo rico” que prolifera em Portugal – e leva as pessoas a preferir automóvel ao transporte público – não foi introduzido pelo Estado. Foram as próprias pessoas que compraram os seus carros. Que se saiba, o Estado não andou a distribuir automóveis.

Só a imbecilidade do “tuga” o faz preferir estar 2 horas em fila de manhã, e mais 2 horas à tarde, para ir de carro para o trabalho. Porque ao contrário do que diz o Daniel, o transporte público não é um quebra cabeças. Tem até vias próprias e prioritárias.

O problema do Daniel é que provavelmente não entra num transporte público desde os 18 anos. Eu tenho um automóvel híbrido (que até gasta pouco) mas estou extremamente contente por, nos últimos meses, ter a possibilidade de ir de autocarro para o trabalho.

Aliás, nos últimos tempos, o carro nem sai da garagem. Vou para todo o lado de autocarro, metro e comboio. Evito perder horas de vida e paciência no trânsito, poupo em gasolina e estacionamento, ajudo o meio ambiente, e até a dependência energética do país.

O Daniel compara o preço do transporte público com o automóvel. Vamos a contas: Passe Social = 360€/ano. Com 360€ compra-se 240l de gasolina, o que dá para percorrer 4000km. Essa é distância que um morador da periferia de Lisboa/Porto percorre em 4 meses.

Para além do combustível há que pagar o automóvel. Que se saiba, não há automóveis abaixo dos 10.000€. Num crédito a 4 anos a mensalidade nunca seria abaixo de 200€. Ou seja, em vez de 30€/mês (transporte público) a pessoa despenderia 300€/mês (automóvel).

Mas torno a concordar com o Daniel: “Os transportes públicos dão prejuízo porque foram mal geridos“. Há dias numa conversa no twitter com o Carlos Vargas (jornalista, director RTP Mobile) ele dizia-me que os transportes públicos tinham de dar prejuízo.

Como é óbvio discordei. Se assim fosse, como raio existiam empresas privadas de transportes colectivos? E porque raio quereriam empresas privadas e estrangeiras (como a Barraqueiro ou a Transdev) tomar conta do Metro, da Carris, da Fertagus e da CP Urbanos?

Conclusão o Passe Social + é uma boa medida para ajudar quem menos tem. Vai permitir-lhes ter o Passe Social praticamente ao preço antes dos aumentos. O Passe Social normal, por mais que suba, ficará sempre mais barato que andar de carro. A escolha é das pessoas.

3 Responses to Passe social: a cegueira do Daniel Oliveira

  1. esmeralda antas diz:

    Era bom que o Daniel Oliveira explicasse como pais ricos conseguem descontos em livros e refeições à custa de IRS fraudulento! Ou como um médico vai a umas reuniões dos corpos gerentes da Misericórdia e acha por isso que tem direito a trazer os filhos de borla no Jardim Escola da mesma!

  2. Faz varias ligações causais que eu não faço (talvez leitura demasiado rápida), ignora os meus principais argumentos, não percebe metade delas, aligeira nas contas (de que passe está a falar?) e parece desconhecer a abrangência mínima (não apenas nos rendimentos, mas nos passes abrangidos) do novo passe. Talvez tenha perdido demasiado tempo a pensar nas considerações pessoais que faria sobre mim e tempo de menos com o texto e o assunto.

    • Luis Melo diz:

      Caro Daniel, muito me honra ter tido a disponibilidade para “perder tempo” lendo e respondendo ao meu post.

      Li o seu artigo duas vezes. Não sei se o Daniel terá feito o mesmo com o meu, ou se leu rapidamente. Acredito que mesmo por uma vez, o tenha feito com atenção.

      Em 18 parágrafos “dedico-lhe” 4 e os outros 14 são para rebater o que escreveu. Isto para contrariar o que diz… “Talvez tenha perdido demasiado tempo a pensar nas considerações pessoais que faria sobre mim e tempo de menos com o texto e o assunto”.

      Naturalmente que as contas que fiz foram apenas para dar um exemplo. E para isso escolhi valores intermédios ou mesmo “por baixo.

      De resto, honra-me ter passado por aqui, mas preferia que o tivesse feito para rebater com argumentos os meus argumentos. Ao invés o Daniel (muito ao seu estilo) chegou, mandou umas postas (ah e tal você não percebe nada, não sabe nada, só quer insultar-me) e foi-se embora.

      Tenho pena. Um abraço e volte mais vezes.

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