Sobre a Lei das Rendas e Reabilitação Urbana

28/10/2011

A Reabilitação Urbana e a Lei do Arrendamento são dois temas centrais, que merecem ser discutidos em Portugal e podem/devem estar interligados. Um e outro são essenciais para a revitalização das nossas cidades e do país.

Como arrendatário há vários anos, sabia que algo teria de mudar, e que muita coisa estava mal, mas nunca tinha reflectido sobre o assunto. Ontem tive a oportunidade de falar com alguém conhecedor, pelos cargos que desempenhou.

A sugestão que apresentou em relação à Reabilitação Urbana agradou-me sobremaneira. E pelos vistos tem sido implementada em vários países com sucesso. Fazer parcerias entre proprietários e privados, bancos ou outras entidades.

Um exemplo: O Manuel é proprietário de um prédio devoluto com 4 andares, mas não tem possibilidades para o Reabilitar. O Joaquim tem dinheiro para investir e paga as obras de reabilitação, ficando dono de 1 andar no final.

Já para a Lei do Arrendamento sugeriu-se a revisão do Código que a rege. Os imbróglios causados pelos problemas entre proprietários e inquilinos deveriam deixar de entupir os Tribunais, onde se arrastam por anos a fio.

Se um inquilino não paga a sua renda, isso não é um caso de Justiça, mas um caso de Polícia. Não paga, chama-se a Polícia e o inquilino abandona a casa que não é sua, e à qual deixou de ter direito após incumprimento do contrato.

Foi levantada outra questão interessante: O Trespasse. Realmente que sentido faz eu ter uma loja (onde recebo uma renda miserável) e o meu inquilino trespassar o seu negócio por dezenas de milhares de €, ficando eu “a ver navios“?

É preciso uma reforma profunda neste campo. Nesta legislatura a JSD deu o tiro de partida no debate com um Projecto de Resolução que apresentou no final de Setembro, e é discutido hoje na Assembleia da República. A “Reabilitação Urbana Low Cost“.

A ideia é reduzir os critérios de construção obrigatórios, para que a reabilitação urbana seja feita urgentemente e direccionada para os jovens. Aliar a reabilitação/revitalização urbana à redução dos custos de habitação dos jovens.

O que a JSD propõe é que se criem mecanismos de promoção desta reabilitação low cost. Adaptando regras e dando incentivos fiscais ou apoios financeiro ao proprietário (ficando obrigado a colocar imóvel no mercado de arrendamento a preços controlados durante 10 anos).

A ideia é boa mas implica apoio do Estado. O retorno poderá ser subjectivo e não mensurável. De qualquer forma é um bom ponto de partida para a discussão destas temáticas, que são realmente importantes para o desenvolvimento do país.

Numa coisa a JSD tem razão: Se continuar a haver um programa de apoio ao arrendamento jovem, é necessário corrigir o que fez o Governo Sócrates com o Porta 65 “complexo, burocrático, injusto, desligado da realidade e ineficaz“.


Educação: o paradigma mudou na Tutela

27/10/2011

Em 2008 eu escrevia: “Exige-se uma mudança na maneira de pensar de todos os intervenientes no processo educativo (Tutela, Professores, Alunos e Encarregados de Educação). É preciso dar à Educação o valor que esta realmente tem na vida de um jovem“.

Parece que finalmente há um dos intervenientes que alterou a sua maneira de pensar: a Tutela, liderada pelo Ministro Nuno Crato. Desde que tomou posse mostra ser uma lufada de ar fresco nas palavras e também nas acções que tem levado a cabo.

É verdade que o Estado tem a obrigação constitucional de proporcionar a todos o acesso à Educação, como forma privilegiada de ingresso numa carreira promissora, e acima de tudo de uma salutar inserção social. Mas é apenas e só isso que diz a lei fundamental.

Não pode ser o Estado a limitar a escolha ou a obrigar as pessoas a seguir certo caminho. Aos pais cabe a função de guiar os filhos (até serem conscientes) nas suas escolhas. Mediante os padrões que cada um tem e para os quais foi educado.

Os nossos filhos merecem ter algo mais do que uma mochila carregada de livros ou um computador. É necessário criar condições que assegurem a todos, o desenvolvimento integral das suas potencialidades, de acordo com os seus desejos e as necessidades comunitárias.

É necessário elevar os níveis de educação e conhecimento, voltar a colocar os patamares de exigência, voltar a dar condições aos professores, remodelar e actualizar algumas escolas, passar á sociedade uma nova cultura de mérito, combater o insucesso escolar.

Tudo isto, aliado ao fim do facilitismo vigente nos últimos anos (que servia para os Governos terem estatísticas agradáveis) poderão definitivamente mudar o rumo das coisas e evitar que se continue a minar a Educação, hipotecando o futuro.

Há muitas medidas que podem ser tomadas para corrigir esta situação. Algumas maiores e outras mais pequenas. Umas mais dolorosas e outras menos. A avaliação dos professores é uma delas. A escolha livre da escola para os filhos é outra.


O incompetente e o encomendado

20/10/2011

O Apoel Nicosia não veio ao Dragão com o “autocarro” conforme alguns podem pensar. Simplesmente defendeu sólidamente cumprindo todas as marcações e posicionamentos. Saiu várias vezes para o ataque com trocas de bolas e não com lançamentos longos.

Quem assistia à partida via ao intervalo que a equipa do FC Porto precisava de velocidade e criatividade para abrir espaços e criar situações de golo. Tudo era feito com lentidão. Pedia-se a entrada de Belluschi e saida de Guarin.

Vitor Pereira teve opinião diferente, e depois de ter oferecido 45 minutos ao adversário, ofereceu mais 25. Se a troca de James por Varela é aceitável e deu resultado, já o facto de ter deixado Guarin em campo é incompreensível.

O colombiano era uma sombra do que tem sido. Procurava muito o jogo e decidia invariavelmente mal. A equipa técnica tem estatísticos. Não soube ver que a percentagem de passes correctos de Guarin era a mais baixa do meio-campo?

O FC Porto tinha duas opções, ou acelerava a circulação e pressionava alto, ou dava a iniciativa de jogo ao Apoel e fazia o que é melhor a fazer: deixar espaço para lançar Hulk e James em velocidade. Não fez uma coisa nem outra.

Não tenho dúvidas. A culpa das más exibições é de Vitor Pereira. Como já tive oportunidade de escrever, ele pode ser bom na táctica e em treino, mas não chega. O FC Porto tem de ter um treinador bom também na liderança e em jogo.

Quem duvidar da culpa de Vitor Pereira, explique-me como é que a equipa é a mesma e a qualidade de jogo é infinitamente inferior. E não me venham com o Falcão. Já saíram Jardel, McCarthy, Lisandro… e não se passou isto.

De resto, não vale a pena deitar as culpas no árbitro pela má exibição, mas há que constatar um facto: teve uma prestação vergonhosa, tendenciosa e incompetente. A meu ver, encomendada por Michel Platini.

Se o Marselha vencesse e o FC Porto perdesse, a França ultrapassava Portugal no ranking da UEFA. E isso é importante porque permite ao país ter mais equipas nas competições europeias nas próximas épocas.

Platini tem-se revelado ao longo dos últimos anos um anti-Porto. Pelas atitudes e pelos comentários despropositados que faz. Também com outros casos (como o recente do Sion) confirma que é sectário e corrupto. Duvidam que mexeu cordelinhos?


#MOBIE O Carro eléctrico na TV Francesa

19/10/2011

Durante 3 meses tive o prazer de integrar a equipa Novabase que desenvolveu algo inovador em Portugal: o sistema de gestão da rede inteligente de carregamento eléctrico, o MOBI.E.

Participar neste projecto foi algo que me deixou muito satisfeito, não só por estarmos a criar algo inovador, mas porque desde há muito tempo me fascina a mobilidade eléctrica.

Há 6 anos que conduzo um automóvel híbrido (um Honda Civic IMA) e o objectivo é, logo que possa, trocá-lo por um automóvel totalmente eléctrico. Assim permita a minha carteira.

Ao contrário de muitos, penso que os automóveis impulsionados a energia eléctrica são realmente o futuro da mobilidade. Algo que começa a ser, aos poucos, aceite por todas as marcas.

Esta semana, na TV Francesa (mais precisamente no canal M6), saiu uma reportagem sobre o eléctrico da Renault, o Fluence ZE, e o MOBI.E. Ver para crer…


CRM e Social CRM

18/10/2011

A propósito do conhecido caso da Ensital no Facebook e do mais recente caso da EDP, levantam-se muitas questões em relação á presença das empresas nas redes sociais. Transcrevo aqui um artigo de opinião que escrevi em Setembro 2011.

CRM (Customer Relationship Management) é uma estratégia, em forma de Sistema de Informação, usada para gerir a interacção de uma Empresa com os seus Clientes e Potenciais Clientes.

Essa estratégia envolve o uso da tecnologia para organizar, automatizar e sincronizar Processos de Negócio, principalmente relacionados com vendas, marketing, serviços e apoio ao cliente.

Os principais objectivos, nas estratégias de CRM, são:

  • Encontrar, atrair e ganhar novos clientes
  • Fidelizar os actuais clientes
  • Recuperar os antigos clientes
  • Reduzir os custos de marketing e apoio ao cliente

Usando sistemas de CRM, as Empresas começaram a estar focadas na Eficiência, oferecendo aos seus Comerciais mais tempo para fazer vendas, por oposição à preparação e ao trabalho administrativo (que lhes tirava tempo nas vendas).

Mas à medida que a sociedade se foi desenvolvendo e os tempos foram mudando, as Empresas aperceberam-se que deveriam afinal focar-se na Eficácia. Ou seja, permitir ao Comercial efectivar a venda em poucos, mas bons, contactos.

O CRM deixou de ser apenas um fornecedor de dados para as forças de vendas e tornou-se uma máquina de marketing para as Empresas, que muitas vezes tinham défices no seu departamento de marketing e no seu foco nas necessidades específicas do cliente.

Mas para que se tenha sucesso, não se pode esquecer o Cliente. O CRM trouxe importantes alterações, e neste momento ele é fundamentalmente a expressão da filosofia de negócio centrada no Cliente. É a resposta ao facto de, neste momento, o Cliente ser o driver da Economia.

Nos dias que correm o Cliente ouve as opiniões dos amigos, as recomendações de estudos e é influenciado por especialistas no assunto. Contrata marcas, assina newsletters, etc. E faz tudo isso para se manter bem informado e fazer escolhas mais personalizadas.

Para ter sucesso, uma Empresa tem de produzir o produto que o Cliente necessita, e tem de o vender da forma que o Cliente quer comprar. A verdade é que as Empresas não queriam vender da forma que o Cliente queria, mas este forçou isso mesmo.

Há já algum tempo que as melhores Empresas se deram conta que acabou o mercado do “one size fits all“. Ou seja, esgotou-se o tipo de mercado em que o mesmo produto servia para qualquer pessoa, e era vendido a todos os Clientes da mesma forma.

Nos últimos tempos o CRM tornou-se, portanto, numa estratégia de negócio profundamente enraizada nas melhores Empresas. O CRM é uma viagem, não um destino, e o Cliente é que tem o roteiro, e segura o volante com as suas mãos.

E se até agora havia o CRM “operacional” (gestão de facturas, contactos, contas, produtos, etc) e o CRM “analítico” (análise de dados, cálculo, etc), hoje com a filosofia de negócio centrada no Cliente, é impossível não pensar nas redes sociais e no CRM “social”.

Social CRM é mais uma “mutação” do CRM tradicional, e está em sintonia com um mundo onde Pessoas e Empresas vivem cara a cara, numa proximidade natural dos tempos em que vivemos, das tecnologias de informação e da World Wide Web.

Com o Social CRM a Empresa pode usar as redes sociais para divulgar o seu produto, e ter um contacto mais directo e frequente com o seu Cliente. Além disso poderá ouvir o Cliente e entender melhor as suas necessidades mediante o seu perfil.

No entanto nem tudo serão rosas. A construção destas relações próximas nas redes sociais tem como consequência o facto de a Empresa deixar de poder liderar a relação com o Cliente, e passar apenas a poder influenciá-la.

Em jeito de conclusão… Hoje, há coisas que são essenciais para uma Empresa:

  • Melhor entendimento da necessidade do Cliente (para conquistar e fidelizar)
  • Melhor comunicação entre os departamentos (crucial para diminuir erros)
  • Mais e melhor informação (para calcular e construir previsões)
  • Melhores previsões (para apoiar tomadas de decisão estratégicas)

Qualquer ferramenta que melhore a precisão e visibilidade destes itens é extremamente benéfica para tomadas de decisão estratégicas que determinarão o sucesso/insucesso da Empresa. Essa ferramenta é o CRM.


Mensagem/esclarecimento aos #indignados (parte II)

18/10/2011

Quem me conhece já me ouviu com toda a certeza dizer isto. Esta é uma pequena frase que, para mim, descreve bem o que se passa em Portugal. Quem a proferiu foi Aristóteles.

“O preço a pagar por não te interessares por política, é seres governado pelos teus inferiores”

Muitos dos indignados alhearam-se da política durante anos. Não quiseram participar (e é disso que se trata a Democracia) e deixaram isso nas mãos dos outros. Agora queixam-se.

Preferiram a praia, o centro-comercial, o conforto da sua vidinha. Foram egoístas, esqueceram-se que vivemos em sociedade, e temos de ser solidários uns com os outros. Agora berram.

Desvalorizaram o bem geral e pensaram que o seu próprio bem era suficiente. Julgaram que tudo estava bem desde que tivessem o seu automóvel, o seu smartphone, as suas férias. Agora esperneiam.


Mensagem/Esclarecimento aos #indignados do #15o

15/10/2011

Estão indignados? Querem mudar o estado de coisas? Juntem-se aos partidos ou criem movimentos políticos. Façam sessões de esclarecimento. Lutem pelas vossas ideias e ideais. Apresentem-se nas campanhas eleitorais. Vão a votos.

Isto é Democracia! Na nossa Democracia só através de um partido/movimento político se pode chegar ao Governo. Não é possível fazê-lo como independente ou de qualquer outra forma. Estão preocupados? Estão descontentes?

Então respeitem as suas regras e participem na Democracia. A alternativa é a ditadura (de esquerda ou de direita) ou a anarquia.


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