Mário Soares, por qué no te callas – Parte III

25/11/2011

Recordo algo que escrevi sobre Mário Soares em 2009:

Respeito muito Mário Soares pelo papel que desempenhou na construção da democracia portuguesa. De qualquer forma, ao contrário de outros, não lhe coloco o epíteto de “Pai da democracia”. Foi uma das figuras importantes – a par de Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal entre outros – mas está longe de ser o principal ou único responsável.

Ele, melhor do que muitos, deveria saber que em política (como na vida) tudo tem o seu tempo. Pelo percurso que teve já devia ter aprendido que os grandes homens da história souberam saír na altura certa. Saber o timming para se retirar e dar lugar aos mais novos é algo essencial para se “saír pela porta grande“.

Além disso o corpo humano vai-se detereorando com a idade, e mais grave do que as debilidades físicas que começam a aparecer, é a perda de capacidades cerebrais. Está provado cientificamente que com o avançar dos anos o cérebro vai atrufiando (se assim se pode dizer) e vamos perdendo discernimento.

Mário Soares terminou em 1996 o seu mandato de PR e podia ter-se retirado. Mas o bichinho da política, o amor pelo partido, e a consciência de que ainda era capaz, fê-lo rumar a Bruxelas em 2000. Penso que fez bem, porque a sua experiência e conhecimento podiam contribuir para a construção europeia e para a defesa de Portugal na UE.

Em 2005 com 81 anos tomou a decisão correcta e sensata de se retirar, anunciando que abandonava definitivamente a política. Tinha sido um percurso brilhante ocupando o cargo de PM, PR e Deputado Europeu. Retirava-se um grande homem que contribuiu imenso para a construção do país.

Mas infelizmente, para ele e para muitos de nós, os últimos 6 anos foram catastróficos. A candidatura presidencial de 2006, os argumentos de cabo de esquadra para defender Sócrates, as criticas à oposição de Passos Coelho, e demais demagogia e banalidades que tem proferido.

A última prova de que está fora de prazo, foi o manifesto que Mário Soares lançou há dias (juntamente com mais uns quantos pataratas). Tal como diz, e muito bem, o Duarte Marques, Soares e demais comparsas, chegam tarde, muito tarde.

Para além do mais, pede uma “mudança de paradigma” (qual Fátima Campos Ferreira), mas não apresenta alternativas, e pelo que se consegue perceber, quer mesmo é que tudo continue como está. Ou melhor, que recue para o que foi há 30 anos atrás.

O que Soares pretende, não é um melhor futuro para Portugal, mas que tudo volte a ser como dantes. Como disse Pessoa: “A recordação é uma traição à Natureza. Porque a Natureza de ontem não é Natureza. O que foi não é nada, e lembrar é não ver“.

É pena que Mário Soares não se contenha, porque assim ele está a perder o respeito que os portugueses (mesmo os que não são do PS, como eu) tinham por ele. E além disso não está a contribuir em nada para que Portugal e a Europa consigam sair desta crise profunda.

Anúncios

#24Nov A razão de CGTP, UGT, PCP, Bloco…

24/11/2011

Declaração de interesses: Apesar de reconhecer o direito à Greve, não aderi a esta de 24 Nov 2011. Aliás, que me lembre, só aderi a uma Greve de Estudantes em meados dos anos 90, quando frequentava o Secundário. Inconsciente, fui na onda, sem questionar.

A Greve de hoje, segundo os seus promotores, é contra o assalto aos trabalhadores, contra o roubo à classe baixa e aos pensionistas, contra a perda de direitos dos portugueses, contra o corte nos salários e nas pensões, contra a precariedade no trabalho.

Nenhuma pessoa com bom senso pode negar que as medidas aplicadas pelo Governo são violentíssimas. Mas é preciso ter consciência que elas resultam da situação financeira em que o país mergulhou, e que nenhum Governo as aplica com gosto e prazer.

O problema dos promotores da Greve (na sua maioria de esquerda) – é que, apesar de saberem as dificuldades do país (défice e dívida), acham que o Governo “de direita” está a aproveitar para, por pura ideologia, retirar o que é do povo.

Acham que “a direita” era capaz de fazer isto, porque a ideologia em que eles próprios acreditam também o fez. Se eles o fizeram, acham que os outros também o fazem. Como se fossemos todos iguais. Não somos. O melhor exemplo: A antiga União Soviética.

Os Czars nunca reconheceram direitos de propriedade porque consideravam todo o reino como propriedade sua. Sem propriedade privada, e sobretudo sem a propriedade da terra, não podia haver outra lei que não fossem os decretos autocráticos do Czar.

A revolução industrial Russa acelerou a chegada dos bolchevistas, que imposeram a ditadura mais opressiva que o mundo jamais conheceu. Enquanto o Czar exigia ser tratado como representante de Deus, Lenine e o Partido Comunista usurparam o próprio lugar de Deus.

O comunismo iniciou uma guerra contra a religião, perseguiu os lavradores e todos os hábitos e laços da vida privada. A regra passou a ser: o Estado tudo deve tomar, possuir e absorver. Este sistema foi imposto ao povo russo durante décadas.

Em meados dos anos 20, Estaline (líder do Partido Comunista que sucedeu a Lenine) chegou ao poder. Nessa altura pouco mudou. O sistema soviético ficou mais estável, mas tornou-se mais burocrático, estratificado e corrupto. O povo continuou na mesma miséria.

Durante 60 anos o Partido Comunista governou a Rússia desta forma. À força, de livre vontade, por pura ideologia, retirou o pouco que era do povo e apoderou-se de tudo. Instituiu uma ditadura em que era dono e senhor, negando qualquer tipo de direito às pessoas.


O Fado de Santana Lopes…

23/11/2011

Há muito poucas coisas que distinguem Portugal no Mundo. E nelas não se integram o Futebol ou a Dívida Pública. O que nos distingue são os Descobrimentos e… o Fado.

Não existe em mais lado algum, e nos últimos dias, temos assistido a uma grande operação de marketing envolvendo a Candidatura do Fado a Património da Humanidade.

O seu a seu dono. Foi Pedro Santana Lopes, como Presidente da Câmara de Lisboa, que em Maio de 2004, propôs o Fado para Património da Humanidade.

Por isso, nos testemunhos recolhidos, João Braga (reconhecido fadista) diz: “Neste dia tão importante para a candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade na UNESCO, ocorrem-me 3 palavras para definir o meu estado de espirito: Pedro Santana Lopes“.

Esta é mais uma prova da sensibilidade Cultural e Social de Pedro Santana Lopes. Muitos criticam e atacam-no. Enquanto isso ele vai fazendo por Portugal e por Lisboa.


3M€ na Madeira? Haja decoro senhores do PS…

22/11/2011

Ontem veio a público uma notícia que dizia que o Governo Regional da Madeira teria decidido gastar 3 M€ em luzes e fogo de artifício para as festas de Natal e Passagem de ano, adjudicando directamente a uma empresa “amiga”.

Disse-se que tinha sido adjudicado por concurso, mas que a impugnação por parte das outras empresas concorrentes, teria feito o Governo Regional adjudicar directamente. Está mal. É errado, é péssimo, é reprovável.

Mas há algo que também é reprovável e errado: Criticar o gasto da Madeira, sem sequer puxar um pouco pela cabeça. Obviamente que pensando nisso isoladamente, até eu reprovo. 3 M€ em fogo e luzes em tempo de crise?

O facto é que, como todos sabemos, esta altura (principalmente na Passagem de Ano, que é talvez a maior festa do país) atrai milhares de turistas à Madeira, e tráz receitas muito superiores a 3 M€. Fala-se em dezenas de M€.

Mas o que é reprovável e errado não fica por aqui. Ontem tive uma acesa discussão no twitter com Edite Estrela (Eurodeputada PS) a propósito deste assunto. Tudo porque, em resposta à critica dela, pedi contenção.

É que é preciso ter moral para falar dos outros. Edite Estrela suportou, apoiou e defendeu um Governo que criou uma lei que permitia ajustes directos até 5M€! Com que moral vem agora criticar Governo da Madeira?

Em política não vale tudo. Haja moral, haja decoro, haja decência, haja vergonha na cara. Não pode a Edite Estrela ter compactuado com o anterior Governo em erros semelhantes ou piores, e vir agora criticar os outros.

Naturalmente que, sem argumentos, a resposta dela veio em forma de grito esquerdalho “quer-me impedir de ter opinião?“. Não, quero é que tenha vergonha na cara. E logo a seguir veio o insulto. Normal portanto.


Comunismo condenado ao fracasso

19/11/2011

Nunca tive dúvidas de que o sistema comunista estivesse condenado ao fracasso, se o Ocidente se mantivesse firme e poderoso. A minha crença baseava-se no facto de o comunismo se instituir ao arrepio da natureza humana, pelo que, em última análise se tornava insustentável. Empenhado como estava na supressão das diferenças entre os indivíduos, não podia mobilizar os talentos individuais que são necessários ao processo de criação de riqueza. Em consequência, não só empobrecia os espíritos como a sociedade. Quando confrontado com um sistema livre que apela ao empreendedorismo e não promove a coacção, pelo que pode aproveitar o que há de melhor em casa um, o comunismo tinha inevitavelmente que se afundar“, Margaret Thatcher em “A Arte de Bem Governar”


A jumentude portuguesa e o futuro de Portugal

17/11/2011

Quando hoje abri a caixa de entrada tinha dois emails que tinham o mesmo conteúdo. Ambos traziam um link que levava a um vídeo na revista sábado. Não tardou a perceber que era um daqueles que já anda em “roda viva” nas redes sociais, gerando muitos comentários.

Podem achar que sou “velho“, “quadrado“, “exagerado“, “alarmista“. Mas é por estas e por outras que tenho muito poucas esperanças no futuro do país. É que fatalmente, o futuro não depende apenas dos políticos e das políticas implementadas.

Depende também, e acima de tudo, dos portugueses. De todos os portugueses. Mas quem mais pode garantir o futuro senão os jovens? E quem mais pode tornar o país competitivo senão os jovens estudantes universitários?

Infelizmente o futuro de Portugal está nas mãos desta juventude. Como poderão eles ser bons políticos, talhantes, engenheiros, carpinteiros, advogados, comerciais, médicos, administrativos, cientistas, psicólogos, consultores, etc.?

E o maior problema é que, nem bons nem maus! Esta gente não quer ser nada! Não tem ambição nenhuma! A não ser o ser “famoso“. Como? Não sabem. Talvez num qualquer reality show. Aliás é a única coisa que conhecem e da qual sabem alguma coisa.

É uma tristeza. E não vale a pena dizerem-me que os que aparecem no vídeo são uma minoria, ou foram escolhidos a dedo. Basta andar na rua ou frequentar os locais por onde andam, para ver o tipo de juventude que temos hoje.

Para mal dos nossos pecados, prolifera esta absoluta ignorância e desinteresse por tudo o que não é fútil. Só interessam as roupas de marca, a aparência física, a influência no grupo de amigos, os telemóveis topo de gama, etc.


Médicos vs Farmacêuticos… Guerra de interesses?

15/11/2011

Ontem, no dia em que foi apresentado o relatório do “Grupo de Trabalho para a definição do conceito de serviço público de comunicação social“, pudemos assistir a mais um péssimo exemplo do que tem sido a RTP.

O “Prós e Contras” reclama ser um programa que esclarece as pessoas, mas o facto é que – por culpa da moderadora – só confunde. Fátima Campos Ferreira só quer gerar a confusão e a discórdia. Porque isso é que vende.

É incrível como um programa destinado a falar de políticas do medicamento acaba com vários médicos a contar casos pessoais ou de excepção, para justificar uma opção que tem por detrás uma óbvia segunda intenção.

Quando o debate deveria ser sério, elevado e sensato, acaba por se ver gente formada e com grandes responsabilidades (afinal é a nossa saúde e vida que está nas suas mãos) a comparar medicamentos com bacalhau à brás.

É mais do que evidente a tentativa de os médicos descredibilizarem os Genéricos e o Infarmed, que obedecem a exigentes regras internacionais. O engraçado é que até agora, e mesmo hoje, com medicamentos de marca não sucede o mesmo.

Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Presidente do Infarmed e Director da Faculdade Farmácia Lisboa (especialista em bio-equivalência entre medicamentos) desmentem Médicos com base em factos científicos.

Mas ainda assim, o maior representante dos médicos, continua a querer lançar suspeitas sem fundamentar, e dar mais crédito a histórias de casos de excepção. Esquecendo a maioria dos milhões de pacientes tratados com genéricos.

Também eu tenho casos (que se passaram comigo e não com qualquer conhecido ou familiar) em que os médicos foram incompetentes! Mas isso não me faz desconfiar da classe. É isso que médicos tentam fazer com genéricos e farmácias.

O Bastonário dos médicos acusa farmácias de terem interesses económicos no medicamento. Mas a verdade é que os médicos também os têm, e de forma obscura. Congressos, viagens, presentes e todos os escândalos conhecidos.

Ninguém com dois dedos de testa pode acreditar que os médicos não têm interesse nenhum no medicamento. E que só travam uma batalha desta dimensão porque são uns bons samaritanos preocupados com o doente.

O que nos vale é que ali naquele programa estavam 3 ou 4 médicos que se representam a si e a mais meia-dúzia. Porque a maioria dos médicos não se pode rever naquele bastonário, naqueles colegas, e nas bojardas que das suas bocas saíram.


%d bloggers like this: