Opinião: Santo Tirso continua na ilusão de Sócrates

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Novembro 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

Toda a gente já está consciente da crise que o país atravessa, e já sente na pele as dificuldades que se esperam nos próximos tempos. Como se costuma dizer, o povo só ouve nas orelhas, e assim foi. Só quando começou a sentir no bolso a crise, é que acordou. Pouco tempo antes, já com o país a caminho do abismo tinha reeleito o louco maquinista do comboio desgovernado.

Ao contrário do resto do país, em Santo Tirso parece continuar a viver-se a ilusão. A tal ilusão que se viveu nos últimos anos do “consulado” de José Sócrates. Não será por acaso que isso acontece no nosso, já de si definhado, concelho. O maquinista do comboio Tirsense idolatrava e imitava o outro louco maquinista que trouxe o país até esta situação de pré-bancarrota.

Ouvimos há pouco tempo ser anunciado, com pompa e circunstância, o contrato assinado entre a CMST e os arquitectos Siza Vieira e Souto Moura para a execução de dois projectos de requalificação dos Museus do concelho (Abade Pedrosa e Escultura Contemporânea). Estes são dois dos mais conceituados arquitectos do mundo, e consequentemente, dois dos mais caros.

Numa altura em que todas as pessoas, empresas, entidades, instituições, organizações – públicas ou privadas – são obrigadas a cortar no acessório para poderem manter o essencial, o anúncio desta obra é uma afronta. Num concelho cada vez mais enfraquecido, com o desemprego a aumentar, as empresas a fechar, as condições de vida a degradarem-se, a CMST continua a aposta em obras dispensáveis.

Isto acontece porque, tal como José Sócrates fazia, Castro Fernandes também prefere (e não preferiu sempre?) governar para a política espectáculo, com obras para inglês ver, do que para o cidadão Tirsense. Exemplos disso são as constantes obras de requalificação do centro da cidade (que sempre foi bonito e não precisava de tantas remodelações) enquanto nas 24 freguesias se vive quase no século XIX.

A aposta na requalificação dos museus é prioritária? É um investimento com retorno? Quantos visitantes têm anualmente? Atrai turistas à cidade? Não me parece. Aliás, bom exemplo disso é o Centro Interpretativo do Monte Padrão, que custou 500.000€, e tem 3.900 visitantes/ano. Um valor irrisório. Aliás, na sua maioria os visitantes vêm de “visitas de estudo” das escolas, ou seja, não pagam.

De resto, e em relação aos Museus do concelho, há muitas questões que se levantam. Alguém nota mais-valias no facto de existir, por exemplo, um Museu Internacional de Escultura Contemporânea ao Ar Livre? A julgar pelo facto de a maioria das obras estar vandalizada e graffitada, nem a CMST se preocupa. E poderão as obras de requalificação ou o novo edifício estragar a envolvência do Mosteiro?

O executivo da CMST faz exactamente como o Governo Sócrates. Numa altura de extremo aperto, continua a agir como se fossemos ricos. Já não bastam as desnecessárias obras da Praça Gen. Humberto Delgado (1,5 M€), do Percurso Pedonal das Margens do Ave (4,5 M€), ou da contribuição (doação do terreno e 200 m€) para o novo quartel dos Bombeiros Vermelhos (também desenhado por Siza Vieira).

O Cine-Teatro é mais uma prova de que o Presidente da CMST tem as mesmas “paixões” de Sócrates. Tal como o ex-PM, o Presidente da CMST orgulha-se da PPP que fez. Diz diz que a CMST não gasta um tostão nas obras do Cine-Teatro porque se trata de uma PPP. Mas esqueceu-se de dizer que os privados fazem a obra e depois recebem uma renda. Quem paga a renda, quanto custa e por quantos anos?

Se eu liderasse os destinos de um concelho moribundo como Santo Tirso, era incapaz de andar a gastar dinheiro dos contribuintes em obras secundárias, e tinha vergonha de esbanjar em viagens a cidades geminadas ou em concertos à borla. Haja moral, decência e respeito pelos Tirsenses. Invista-se tempo e dinheiro em prol das gentes de Santo Tirso.

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One Response to Opinião: Santo Tirso continua na ilusão de Sócrates

  1. esmeralda antas diz:

    Subscrevo inteiramente. Não é caso único! Depois dizem que se está a matar o estado social e não se olha para as pessoas. Um crime, chamo eu a estas atitudes. E os responsáveis deviam ser chamados à responsabilidade sem mais demoras!

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