Para haver equidade… Portagens no IC19

Desde dia 8 Dezembro que estão em funcionamento portagens nas ex-SCUT A22 (Algarve), A23 (Beira Interior), A24 (Beira Alta e Trás-os-Montes) e A25 (Beira Litoral e Interior), que levantaram violentos protestos de (alguns) populares.

Sou por princípio apologista do princípio do utilizador-pagador. Aceito no entanto que haja excepções em certo tipo de situações. Como por exemplo em auto-estradas que servem zonas mais desertificadas do país (praticamente todo o interior).

Mas valores mais altos se levantam. Portugal está de tal forma endividado que não tem por onde fugir. A situação económica e financeira é de tal ordem que não se pode dar a luxos. E por mais que custe, há que taxar o que é supérfulo.

A correcção da asneira de PS/Guterres começou na zona mais afectada pela crise e pelo desemprego, o Norte do país. Portagens foram instituídas, e bem, na A4, A17, A28, A29, A41 e A42. Bufou-se, mas paga-se.

Muito se fala em equidade, de Norte a Sul e Ilhas, da Esquerda à Direita, de sector em sector. E por isso é com justiça que se vêem chegar as portagens às restantes SCUT. Mas não chega. Ainda há mais para taxar.

O IC19 vai de Sintra a Lisboa, e todos os dias suporta cerca de 100.000 automóveis. É provavelmente a estrada mais congestionada do país, com mais acidentes e trânsito mais intenso. Porque não taxar este percurso?

Dirão que não é uma auto-estrada e não pode ser taxada. Eu respondo que tem 3 faixas em permanência e 4 faixas em alguns troços. Dirão que milhares o utilizam para ir trabalhar. Eu sugiro que usem transportes públicos.

Ao taxar o IC19 com portagens gerava-se receita para os cofres do Estado. Também para isso contribuia o aumento da utilização de transportes públicos. Diminuia-se a poluição (dos gases de escape) e também a dependência do petróleo.

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5 Responses to Para haver equidade… Portagens no IC19

  1. delfim rocha diz:

    A ideia é boa, mas, provavelmente esqueceu-se do promenor das alternativas. Por outro lado, nem toda gente (como é o meu caso), pode andar de transportes publicos. No meu caso por deficiencia fisica. Esquece-se provavelmente também que muito desse transito não é só gente que vai e vem do trabalho. Nem toda a gente (como é o meu caso também) trabalha sentado a uma secretária. Muita gente (como eu) passa grande parte do dia ao volante a ir de local de trabalho para local de trabalho. Empresarios individuais, pequenas empresas de serviços, distribuição etc etc etc. O erro maior foi construir coisas para as quais não tinhamos dinheiro. Agora cobrar para que um cidadao se desloque na unica via possivel, é no mínimo anti-constitucional, aliás anti direitos do homem. Qualquer dia já nem a pé podemos andar sem pagar. Aliás veja o caso do rio tejo, um cidadão português que não tenha dinheiro não pode vir da margem sul para a margem norte sem pagar de alguma forma. Já não somos sequer livres de circular a pe no nosso proprio país. Este país é surreal ! Opiniões como esta do IC19 desculpe que lhe diga, pois admiro muitos dos seus comentários, é no mínimo “ridícula”. Quanto aos transportes públicos a CP a Carris e o Metro deveriam a meu ver “abrir falência” e parar de vez. Esses sim são as “sanguessugas” de portugal. Aliás todas as empresas do estado deveriam encerar portas, todas sem excepção. Pagar as dividas dessas empresas, concessionar aos privados os serviços, e estancar de vez a sangria ! Esse é o caminho !

    • Luis Melo diz:

      Caro Delfim,

      Compreendo perfeitamente o seu comentário, a sua posição e a sua dor. Mas tem que perceber o seguinte: esta minha sugestão tem apenas por base a questão da tão propalada equidade. Pessoas com limitações, com poucos recursos, com obrigação profissional de se deslocar imenso, com poucas alternativas… há no país inteiro. Essas pessoas também existem no Norte, no algarve, no Interior. E essas também passaram a pagar portagens. O que pode ser anti-constitucional é uns pagarem e outros não. Uns serem filhos e outros enteados. Todos têm de pagar, e daí a minha sugestão. E contra mim falo, que ainda este ano estive 6 meses a trabalhar no Tagus Park e todos os dias passava no IC19.

      • Desculpe mas discordo completamente da sua opinião.

        Existem Auto Estradas que foram construídas em cima de Itinerários Priincipais e Itinerários Complementares, não fornecendo aos condutores alternativas viáveis.

        O que quer que tenha estado na mente de tais indivíduos que orquestraram estes sorvedouros de dinheiro, é uma falha no Lobo Frontal, portanto incapazes de Raciocinar, de fazer uso do raciocínio Hipotético Dedutivo, obrigam os cidadãos a percorrer quilómetros de estradas esburacadas, a percorrer vilas e cidades, para escapar ao martírio de pagar 0,783 mais iva (e falo de cor os valores podem estar errados).

        Princípio do Utilizador Pagador, concordo, porém taxar um IC?

        Desculpe mas é surreal.

        Pagar os erros dos governantes, das negociatas, de energúmenos que me endividaram sem que eu tivesse investido nenhum capital, não.

        A realidade, que deprime e atormenta muita gente é esta existem países no Norte da Europa, onde existe verdadeira política contributiva, onde os seus cidadãos não são roubados à descarada, existe um país onde há uma forma não invasiva e ofensiva de retirar dividendos a quem anda nas auto-estradas. Um selo permite andar o ano inteiro.

        Não estou a tentar comparar a Suiça com Portugal, sei muito bem que isso é impossível, porém faça estas contas comigo:
        Salário Mínimo Nacional Portugal 498 €, Portagens por quilómetro 0,783 + Iva, se for uma viagem de 100 Km, = 8,3€ ;

        Salário Mínimo Suíça- 2000€, preço da Vignette 40 francos Suíços.

        Porque estabeleço este paralelismo, e porque refiro o salário mínimo?

        Porque é a realidade de uma grande parte dos Portugueses, seus concidadãos, desses 12% nem isso tem, porque estão desempregados.

        Pagar mas em função do rendimento, aí sim seria justo.

      • Luis Melo diz:

        Caro Marco Miguel,

        Aqui não se trata de um problema de nomenclatura. O IC19 chama-se IC mas é melhor do que muitas auto-estradas. Daí eu ter sugerido que se taxe. Porque se os habitantes de Paços de Ferreira, Santo Tirso, Trofa, Matosinhos, Maia, etc. pagam para ir até ao Porto… em nome da equidade, isso também deverá acontecer com quem vive na Amadora, Sintra, Cascais, etc. Quanto a alternativas, são as estradas nacionais. Naturalmente. E são-no para todos. Todos têm EN’s em alternativa a AEs. Ou será que teria cabimento a alternativa a uma AE ser outra AE? Quanto ao resto, estamos completamente de acordo.

  2. Clarificou a questão caro Luís, e deixou-me a concordar com a sua opinião. 🙂

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