As moscas e os tachos não são só na política


A propósito das recentes nomeações para uma das empresas do Estado, veio à baila novamente a conversa do “tacho” e das das “moscas” que são sempre as mesmas. Por vezes, até pode ser verdade, mas quem tem moral para criticar?

Dizem que na política são sempre os mesmos. No governo, na Assembleia da República, nas Empresas Públicas. Mas a verdade é que se passa exactamente a mesma coisa nos restantes sectores da sociedade portuguesa.

A começar por quem mais critica os políticos, os Comentadores. Há anos que são os mesmos apesar de não acrescentarem ou esclarecem algo. Marques Lopes, Adão e Silva, Clara Ferreira Alves, Daniel Oliveira, Marcelo Rebelo de Sousa.

Nos Sindicatos, que se desvirtuaram e hoje são autênticos braços armados dos partidos políticos, temos homens como João Proença e Carvalho da Silva há 30 anos! Mas também Bettencourt Picanço e companhia, noutros sindicatos.

E por falar em Corporativismo, já não enjoa na Saúde ver a cara do Francisco George ou do Eduardo Barroso? E na Justiça Pinto Monteiro, Cândida Almeida, Rogério Alves, José Miguel Júdice, Proença de Carvalho, Moita Flores.

Mas também na Música são sempre os mesmos. Qualquer programa musical de TV tem de ter a Simone, o Fernando Tordo, o Paulo de Carvalho ou o Fernando Mendes. Só não aparece o Zeca Afonso e a Amália porque já morreram.

Se passarmos à área da Representação, mesmo com o boom de actores da era Morangos com Açúcar, parece que só existem a Eunice Muñoz, o Nicolau Breyner, o Tozé Martinho, o Herman José, o Virgílio Castelo ou a Alexandra Lencastre.

O Desporto não é diferente. É só futebol e as mesmas caras: Gilberto Madaíl, Pinto da Costa, Valentim Loureiro. E quanto a atletas é só Eusébio, Figo e Ronaldo. No meio de tanta bola aparece por vezes a Rosa Mota.

No mundo dos Negócios apenas interessa ouvir os banqueiros Ricardo Salgado, Fernando Ulrich e Santos Ferreira. Ou então os “génios” que sustentam o seu sucesso no monopólio que têm: Zeinal Bava, António Mexia ou Ferreira de Oliveira.

Mas não acaba aqui. Na área Militar parece só haver um especialista, o General Loureiro dos Santos. Na Arquitectura a dupla Siza Vieira / Souto Moura, e o resto é paisagem. Na Pintura é Paula Rego e nada mais.

Mas nós gostamos e continuamos a alimentar este “sistema dos mesmos”, que foi precisamente o que nos trouxe até aqui. É que o país não está mau só de Finanças. Basta olhar para as áreas que referi e ver como estagnamos há anos.

A sociedade portuguesa (principalmente a comunicação “dita” social) cultiva este “sistema dos mesmos” e nunca deu espaço para a renovação. Mas no final de contas, os políticos é que são os únicos maus da fita.

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5 Responses to As moscas e os tachos não são só na política

  1. esmeralda antas diz:

    Não posso deixar de concordar! Há comentadores que já não se aguentam. Até pelas baboseiras e pelo demasiado à-vontade com que as dizem. Ou mesmo por se acharem no direito de ser malcriados. Gosto muito especialamente de Rui Moreira e Joaquim Aguiar! Pena aparecerem pouco. Depois, também me insulta ouvir José Junqueiro, de Viseu, criticar nomeações ou favorecimentos. Quem sabe como ele tem “trabalhado” com isso nestes anos todos com sua pandilha, é de bradar aos céus! è aí que gostaria de estar por perto e atirar-lhe um pano encharcado à cara! É profundamente insultuoso, a fazer de nós parvos!

    • Luis Melo diz:

      Cara Esmeralda, no que concerne ao assunto José Junqueiro, não podia estar mais de acordo. Infelizmente não é o único. Conheço outros, da região Porto nomeadamente, e também de outros partidos (como o PSD) que fartam-se de cultivar o nepotismo, mas depois aparecem cheios de moral a falar mal dos outros.

  2. esmeralda antas diz:

    Ah! E para não falar de como é nojenta a cobertura da comunicação “dita social” ao caso de tribunal daquela coisa chamada Castelo Branco! Os fotógrafos acotovelavam-se! Nojento.

  3. delfim rocha diz:

    Caro Luis,
    Nao posso deixar de comentar este post depois de ter visto o seguinte (luis felipe meneses). Como pode ser contra os tachos e depois achar que um tachista como ele deve passar de um tacho para outro tacho ? Sempre os mesmos ? Por favor, acabemos com os politicos profissionais de uma vez por todas que levaram este pais á situação em que estamos. Deviam estar TODOS presos.

    • Luis Melo diz:

      Caro Delfim Rocha,

      1. Luís Filipe Menezes não é nenhum tachista. Que me lembre, nos últimos 20 anos não foi nomeado para nenhum cargo político. Ao inés, candidatou-se e foi eleito (repito, eleito) pela população.

      2. Se tivesse tido a oportunidade de ler um post (artigo de opinião que escrevi para o jornal Notícias de Santo Tirso) entitulado “A reforma do poder local” teria visto que no último parágrafo escrevi: “…que tal acrescentar também, que findos esses 3 mandatos, não se podem candidatar a outros 3 num concelho diferente?…”

      3. Em momento algum eu disse que Luís Filipe Menezes deveria passar da CM VN Gaia para a CM Porto. O que disse foi que eram escusados os “jogos de poder”, porque se a lei o permitisse, ele provavelmente seria aceite pela população com naturalidade.

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