Estatutos PSD: Alargar “Primárias” aos deputados

29/02/2012

Também por estas razões, sou contra a proposta de alteração dos Estatutos do PSD que refere o reforço do poder das distritais na escolha dos deputados à AR.

O que esta proposta de alteração dos Estatutos devia incluir era o alargamento das “Primárias” nos autarcas, à escolha dos deputados de cada círculo eleitoral.

Doutra forma, e não podendo a escolha ser transparente e estar na mão dos militantes, mais vale que seja a Comissão Política Nacional a ter o maior poder de decisão.


Estatutos PSD: Na minha cama com ela

28/02/2012

Se a introdução de “Primárias” na proposta de alteração dos Estatutos do PSD me agrada muito, o mesmo já não posso dizer das quotas para mulheres nos órgãos internos.

Desde a aprovação da Lei da Paridade pelo Governo PS/José Sócrates que sou contra esta menorização da mulher. Como se ela não fosse capaz de ser escolhida pelo mérito.

E se em teoria esta regra é parva e injustificada, na prática é imbecil e deturpada. Partilho convosco um episódio passado na escolha dos deputados para as Legislativas 2011.

A semanas das eleições falava ao telefone com um amigo sobre a lista de deputados do distrito. Dizia-me que a ordem tinha ficado um pouco diferente por causa da Lei da Paridade.

Questionei-o sobre quem eram as mulheres escolhidas, e perante os nomes que me deu fiquei surpreendido e desiludido. Perguntei: “Há tantas mulheres de valor, porquê essas?”.

Uma era amante de um Presidente de Câmara. Ele queria não só oferecer-lhe uma vida melhor, mas também ter um “ninho do amor” em Lisboa, sem quaisquer preocupações.

Outra andava metida na cama com um membro da distrital (com peso na decisão da escolha dos deputados) e logicamente teria ultrapassado outras hipotéticas candidatas.

Outra ainda – jovem com boa figura, casada e com filhos – era o alvo seguinte daquele membro da distrital. Este preparava-se para, após a nomeação para lugar elegível, “cobrar o favor”.

Isto demonstra bem a forma como, em alguns casos, são feitas as listas. Mostra com tem sido utilizada a Lei da Paridade. E revela o “aptidão” de algumas das escolhas femininas na AR.

Não quer isto dizer que não haja mérito nas mulheres deputadas pelos vários partidos. Aprecio várias: Cecília Meireles, Francisca Almeida, Ana Drago, Heloisa Apolónia, Maria de Belém.

O facto é que nenhuma mulher de mérito precisa de Leis da Paridade para ser escolhida. E a igualdade de direitos só é possível se homens e mulheres se regerem pelas mesmas regras.


Estatutos PSD: “One small step for man, one giant leap for mankind”

27/02/2012

No próximo Congresso dos dias 23, 24 e 25 Março o PSD poderá mais uma vez ser pioneiro entre todos os partidos portugueses. Serão apresentadas aos congressitas propostas que abrirão mais o partido, dando-lhe força e legitimidade.

Há uma proposta que me é muito cara, e sobre a qual me apetece repetir a frase de Neil Armstrong (quando pisou a Lua): “One small step for man, one giant leap for mankind“. Substituindo “Man” por “Partido” e “Mankind” por “Política“.

Já muitos políticos falaram da hipótese de introduzir “Primárias”, mas até hoje ninguém quis realmente avançar com isso, era só show-off. Porque na realidade todos sabiam que retiraria força à máquina partidária e ao tradicional cacique.

Pedro Passos Coelho está decidido a avançar com esta (quanto a mim, boa) prática já muito utilizada nos Estados Unidos da América. Quer aplicá-lo à escolha dos autarcas. E o PSD fá-lo-á se os congressitas souberem acompanhar o seu líder.

Acompanhar, não no sentido de o seguir cegamente, mas ter a capacidade de, tal como ele, ver mais à frente (a médio/longo prazo) e ter a capacidade de discernir as vantagens que uma decisão desta natureza pode ter na política.

A introdução de “Primárias” na escolha de candidatos autarquicos será um rude golpe naqueles que chegavam (e ainda chegam) ao poder através do cacique, do nepotismo, da troca de favores, e não por capacidade e mérito próprios.

Com “Primárias” o processo de escolha dos candidatos autárquicos ganha transparência, e fica verdadeiramente nas mãos de todos os militantes locais, em vez de depender apenas da vontade da meia-dúzia que controla a máquina local.

Para além do mais, todos os hipotéticos candidatos (por vezes mesmo aqueles que são os mais desejados) podem candidatar-se e ter a possiblidade de serem escolhidos, mesmo sem entrar nos “jogos de poder” locais.

Este processo teria também o condão de despertar milhares de militantes “adormecidos”, incendiando (no bom sentido) e reactivando a militância e a participação. E o que é democracia senão a nossa participação cívica e política?


O novo resgate e o Interesse Nacional

24/02/2012

Aqueles que habitualmente vemos falar de “Interesse Nacional” e de como é importante colocar o “Interesse Nacional à frente de todos os outros interesses” são os mesmos que por estes dias bradam que Portugal precisará de novo resgate financeiro.

Sabem eles melhor do que nós que provavelmente o país precisará de nova ajuda. Não por culpa própria (por não cumprir MoU) mas por outra ordem de razões. E aproveitam agora para depois poderem dizer “eu bem avisei” e sair bem na “fotografia”.

Isto demonstra bem a falta de coerência dessas pessoas, que com este tipo de declarações, o que está a fazer é precisamente o contrário daquilo que apregoa. Estão a colocar a sua imagem e interesse à frente da imagem e interesse do país.

O que Portugal precisa neste momento é, não só de cumprir o MoU, como também passar uma imagem de credibilidade, seriedade. E não de estar já displicente, com os olhos postos em novo resgate. (Nota: Falo obviamente de Ferreira Leite, Silva Lopes, etc.)


Só um 4-0 na Luz lhes abrirá os olhos

22/02/2012

Há cerca de um mês atrás eu escrevi: “O pior cego é aquele que não quer ver“. E o facto é que, mesmo depois de mais uma eliminação de competição, ainda há quem teime em manter os olhos fechados e não se cure da “Clubite Aguda”.

Digo isto porque, depois de mais uma derrota (palavra suave porque na realidade foi uma humilhação por 4-0), ainda há quem diga que a culpa não é de Vítor Pereira – o homem que ocupa o lugar de treinador do FC Porto.

Sobre o jogo de Manchester apenas duas achegas. Num jogo em que o FC Porto tinha de marcar mais de dois golos não houve avançados-centro. A 30 minutos do final Lucho Gonzalez jogava a avançado-centro com 3 extremos nas costas.

O FC Porto já foi eliminado da Liga dos Campeões, da Liga Europa e da Taça de Portugal. O campeonato não corre melhor. Mas Vitor Pereira ainda é treinador do FC Porto. E é apenas por causa da cegueira de grande parte dos adeptos.

A questão é que essa grande parte de adeptos apenas vive o clube com um objectivo: ganhar ao SL Benfica. E esses adeptos (que o clube não merece) só irão abrir os olhos quando perderem no Estádio da Luz por 3-0 ou 4-0.

É que nem sequer a derrota por 1-0 ou 2-1 os fará abrir os olhos. Porque a “Clubite Aguda” é tal que, como habitualmente, arranjariam uma expulsão ou um lance duvidoso na área para desculparem o desaire frente ao rival.

O problema é que depois de perder na Luz para o Campeonato, a época fica irremediavelmente perdida, e nem sequer a Taça da Liga (na qual o FC Porto disputará a meia-final também na Luz com o SL Benfica) salva um ano para esquecer.


O belo do serviço prestado pela CP

22/02/2012

Como habitualmente aos domingos, no dia 27 Novembro 2011, fui apanhar o comboio que deveria sair de Porto Campanhã às 19h52 e chegar a Lisboa Santa Apolónia pelas 23h00.

Chegada a hora de partida ouviu-se nos altifalantes da estação a informação de que, devido ao colhimento de uma pessoa, o comboio chegaria com alguns minutos de atraso.

Passados os tais (poucos) minutos, o comboio ainda não tinha chegado e os passageiros foram informados de que o atraso afinal era de cerca de 50 minutos. Nova hora: 20h42.

O facto é que, às 20h42 o comboio não chegou, e nunca mais os passageiros foram informados de novo atraso. Mantendo-se na plataforma, com um frio de rachar.

A CP limitou-se a mudar a hora de partida no painel, sem aviso ou justificação aos passageiros. Sempre que se atingia a nova hora, aumentavam 2 minutos à hora de partida.

O comboio acabaria por chegar às 21h00 (70 min depois), e a viagem ao invés de demorar 3 horas e 8 minutos levou 3 horas e 35 minutos, chegando a Lisboa pelas 00h35.

O atraso foi portanto de 1 hora e 35 minutos. E dado que o comboio chegou depois das 00h00, não pude apanhar o autocarro habitual e tive de pagar um táxi até casa.

Por tudo isto, solicitei à CP o reembolso do diferencial entre o valor do táxi e o valor do bilhete de autocarro, bem como da parte do bilhete de comboio, a que tinha direito.

A saber (informação requisitada por mim previamente, e fornecida pela CP):
– Reembolso 50 % do bilhete, se duração viagem exceder em 60 min, tempo de viagem estabelecido.
– Reembolso integral do bilhete se duração viagem, exceder em mais de 50%, tempo de viagem estabelecido.

Enviei a reclamação por email no dia 29 Novembro 2011. Recebi a resposta 3 meses (!!) depois em 22 Fevereiro 2012. A CP diz não ter de me reembolsar pelo atraso.

Segundo a CP, não são da sua responsabilidade os atrasos que se devem à “Interrupção do serviço por ocupação da via por pessoas, animais, veículos ou coisas“.

Gosto especialmente do “coisas“. Se a CP não tivesse o monopólio do transporte ferroviário (de longo curso) em Portugal, de certeza que não iria destratar os passageiros desta forma.


O Governo não nos consegue tirar do buraco

21/02/2012

Segundo os números disponibilizados o PIB português, ou seja, a riqueza gerada em Portugal é de 170.000 M€. A Dívida Pública ascende a 100% do PIB, ou seja, 170.000 M€. A Dívida Privada ascende a 200% do PIB, ou seja, 340.000 M€.

Portugal gera anualmente 170.000 M€, mas tem dívidas que ultrapassam 500.000 M€. Mais: nos últimos 20 anos, a média do défice das contas públicas tem sido de 5%. Anualmente o Estado gasta mais 8.500 M€ do que aquilo que produzimos.

Daqui se pode ver que o nosso problema financeiro não se resolverá com a venda da EDP (apenas 3.000 M€), com o corte de subsídios de férias e natal (apenas 1.000 M€), com a venda da REN (apenas 600 M€) ou com outras medidas recentes.

Não há dúvida que estas medidas são muito necessárias, mas infelizmente não suficientes. Portugal só sairá do buraco com mais trabalho, mais produtividade, mais competitividade, mais exportações. Mas isso não se faz por decreto.

Compete ao Governo criar condições. O que pode fazer é implementar reformas estruturais: Na Justiça, para criar confiança; Na Educação, para gerar conhecimento; Na Economia, para atrair investimento; Na Saúde, para melhorar o bem-estar.

O Governo está a fazer a sua parte (nalguns sectores bem encaminhada, noutros ainda com muito a percorrer), mas o resto compete a todos os portugueses. Como se pode ver pelos números acima, o problema não pode ser resolvido apenas pelo Governo.


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