Poderia George Clooney ser preso em Portugal?

17/03/2012

George Clooney foi detido ontem em Washington, acusado de desobediência enquanto se manifestava em frente à embaixada do Sudão, contra a violência que o Governo tem exercido sobre o povo.

Obviamente foi tudo premeditado e combinado. O movimento usou a imagem de Clooney para ter mais impacto mediático. Naturalmente que tudo terá sido previsto pelos advogados do actor.

Não será dificil também acreditar que esta acção terá sido inclusivamente concertada com a policia, com os orgãos de comunicação social, e até com o Presidente Obama.

A minha questão é: seria isto possivel em Portugal? O que aconteceria se uma figura famosa fosse presa em Portugal por desobediência enquanto se manifestava? Eu digo-vos o que acontecia.

Os orgãos de comunicação social enchiam-se de noticias, reportagens, comentários e artigos de opinião indignando-se e berrando contra um atentado á liberdade de expressão e manifestação.

Iriam ser criados sites, blogues, grupos no Facebook e hastags no Twitter contra a policia e o governo, e a favor do famoso. Muita tinta iria correr e minutos iriam passar nos jornais e TVs.

Resultado? A verdadeira razão da manifestação seria esquecida e ultrapassada pelo “direito” ao “menino” quebrar a lei para se manifestar, e um sentimento de impunidade continuaria a reinar no pais.

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As primeiras impressoes, nesta nova vida Londrina

16/03/2012

Chega ao fim a primeira semana de uma nova vida em Londres. Vou por topicos, e assim cada um pode ler apenas a parte que lhe interessa (Apelo ah vossa capacidade intelectual para perceberem o que escrevo neste teclado sem acentos, sem cedilhas, etc. A unica coisa que posso fazer eh escrever um “h” quando quiser colocar um acento. Por exemplo “e” (presente do verbo ser) com acento serah “eh”)

Viagem: Depois de ha um mes atras ter voado na Ryan Air, resolvi escolher a TAP (no caso, Portugalia) para esta viagem definitiva. E que bem fiz. Desde a partida no Porto, ate ah chegada em Londres, nem um problema. Nao tive questoes com o excesso de peso na mala (e tinha quase 2 kg a mais), nao tive esperas demasiadas, nao tive empurroes e filas no embarque, nao tive barulho e faltas de educacao a bordo, fui ah vontade num aviao com gente civilizada (a mesma gente que, num voo Ryan Air, fazia tudo aquilo que no voo Portugalia nao fez).

Quotidiano: Depois de uma semana em Londres (onde andei muito de um lado para o outro, por causa das visitas a apartamentos, etc.) pude ter um sentimento refrescante ao andar na rua. As pessoas que passam na rua, no metro, nas lojas, nos cafes e restaurantes, sao mais civilizadas e tem melhor aspecto do que aquilo que estava habituado em Portugal. Principalmente a juventude, que aqui nao anda com as cuecas ah mostra, com cara de imbecil, e sempre a fazer asneiras. Identifico-me bem com esta maneira de estar.

Cosmopolitismo: Ha muitos estrangeiros (de todas as partes do mundo). Ha gentes com muitos estilos, com muitas cores, e com muitos credos. E isso eh bem mais visivel do que em Portugal. Esta nao eh uma cidade para gente “quadrada”, mas para quem tem a mente aberta. No entanto, todos eles (ou a grande maioria) assimilaram os valores da sah convivencia numa sociedade ocidental (mesmo nao esquecendo as tradicoes das suas raizes) e portam-se condignamente, respeitando quem estah ao seu lado, ou quem passa por si. Eh de facto algo novo, e que me sabe bem.

Alojamento: “Depressa e bem nao ha quem“, mas espero ter escolhido bem. Depois de 2 dias de procura na internet sem sucesso, resolvi pagar a uma agencia para me encontrar uma casa. A 1a sugestao era uma miseria, onde teria de dividir o WC com o predio todo, e por isso ficou fora de questao. A 2a sugestao era tipo “Auberge espagnole“. Muito giro, bem equipado, com jardim enorme, onde viviam 7 estrangeiros. Bom, para ultimo caso. Ah 3a sugestao foi de vez. Um pequeno estudio, no ultimo andar de uma casa vitoriana, numa bela zona. Agarrei. Aguardo confirmacao.

Empresa: A recepcao foi excelente. Foi a melhor que tive ate hoje. Todos os colegas estao a ser inexcediveis. Solidarios, simpaticos, atenciosos, interessados. Talvez por ser uma “sociedade das nacoes”: Um Italiano, um Indiano, um Turco, um Escoces, um Jugoslavo, uma Venezuelana, tres Inglesas. A localizacao (na City) e as condicoes do escritorio sao irrepreensiveis. Parece que estou em Wall Street, dado o movimento e ambiente. Para alem disso uma das recepcionistas eh brasileira, pelo que posso falar portugues todos os dias. O trabalho tem sido desafiante.

Proximos passos: Ate agora a vida tem sido hotel-trabalho-hotel, com uns pequenos passeios ao final da tarde, e duas idas ao Pub para ver os jogos de futebol. Por isso, este fim-de-semana, queria fazer algo interessante. Mas como ainda nao assentei, e no domingo parto para Cardiff (no Pais de Gales) para uma semana se trabalho, talvez nao vah sobrar muito tempo depois das arrumacoes e preparativos. De qualquer maneira, vou tentar descontrair com alguma coisa cultural, desportiva ou apenas um passeio.


Lisboa aos olhos de… Luís Melo

05/03/2012

Uma das rubricas mais conhecidas na blogosfera é a do Pensar Lisboa, de seu nome “Lisboa aos olhos de…“. Já por lá passaram Políticos, Actores, Desportistas e Jornalistas. Agora é a vez dos autores. Tenho a honra de ser o primeiro. (ler aqui, no Pensar Lisboa)

Pensar Lisboa – O que mais gosta na cidade de Lisboa?
Luís Melo – Os seus monumentos históricos. A diversidade de espectáculos e espaços culturais. Os bairros que continuam a manter a tradição. Os muito bons restaurantes de todas as cozinhas. O rio Tejo. Os pastéis de Belém. O Parque das Nações. A Baixa, o Chiado e o Bairro Alto. As belas vistas dos vários miradouros. O facto de me poder deslocar de transportes públicos, abdicando totalmente do automóvel. Os verdadeiros amigos que fiz.

Pensar Lisboa – O que menos gosta em Lisboa?
Luís Melo – Fundamentalmente duas coisas: 1) Do trânsito, que é culpa não só da cultura das pessoas (muito virada para o carro próprio, que se tornou um símbolo da aparência e do status social) mas também da má gestão e integração dos transportes públicos. 2) Da indiferença das pessoas, que estão tão compenetradas na sua vida e tão focadas no seu umbigo, que frequentemente têm atitudes egoístas, desrespeitando e desprezando o próximo. Típico de uma metrópole, que só o é pela dimensão, e não pela mentalidade.

Pensar Lisboa – O que mudava em Lisboa?
Luís Melo – A gestão dos transportes públicos. A política de reabilitação das centenas de edifícios devolutos. O apoio aos mais idosos. A atracção dos mais jovens. A reintegração das centenas de indigentes. Algo que seria possível com outra liderança na gestão autárquica.

Pensar Lisboa – O que recomendaria a um turista em Lisboa?
Luís Melo – Uma visita a Belém (Monumento aos Descobrimentos, Torre de Belém, Mosteiro dos Jerónimos, Pastéis de Belém, Palácio de Belém). Um almoço à beira rio. Uma visita ao Parque das Nações (Oceanário e Pavilhão da Ciência). Um lanche no Chiado. Um fim de tarde na Praça do Comércio, no Miradouro da Graça, no de Santa Luzia ou no de São Pedro de Alcântara. Um jantar (bife, obviamente) no XL. Uma saída ao Bairro Alto, com passagem pela Bica.

Pensar Lisboa – Com que cor identifica Lisboa?
Luís Melo – Laranja (amarelo + vermelho)

Pensar Lisboa – Numa palavra, Lisboa é…?
Luís Melo – Moura


A equidade fiscal dos portugueses

02/03/2012

Não resisto a partilhar uma pérola que recebi hoje por email:

Era uma vez dez amigos que se reuniam todos os dias numa cervejaria para beber e a factura era sempre de 100 euros. Solidários, e aplicando a teoria da equidade fiscal, resolveram o seguinte:

– os quatro amigos mais pobres não pagariam nada;
– o quinto pagaria 1 €;
– o sexto pagaria 3 €;
– o sétimo pagaria 7 €;
– o oitavo pagaria 12 €;
– o nono pagaria 18 €;
– e o décimo, o mais rico, pagaria 59 €.

Satisfeitos, continuaram a juntar-se e a beber, até ao dia em que o dono da cervejaria, atendendo à fidelidade dos clientes, resolveu fazer-lhes um desconto de 20 €, reduzindo assim a factura para 80 €. Como dividir os 20 € por todos?

Decidiram então continuar com a teoria da equidade fiscal, dividindo os 20 € igualmente pelos 6 que pagavam, cabendo 3,33 € a cada um. Depressa verificaram que o quinto e sexto amigos ainda receberiam para beber.

Gerada alguma discussão, o dono da cervejaria propôs a seguinte modalidade que começou por ser aceite:

– os cinco amigos mais pobres não pagariam nada;
– o sexto pagaria 2 €, em vez de 3, poupança de 33%;
– o sétimo pagaria 5 €, em vez de 7, poupança de 28%;
– o oitavo pagaria 9 €, em vez de 12, poupança de 25%;
– o nono pagaria 15 €, em vez de 18.
– o décimo, o mais rico, pagaria 49 €, em vez de 59 €, poupança de 16%.

Cada um dos seis ficava melhor do que antes e continuaram a beber. No entanto, à saída da cervejaria, começaram a comparar as poupanças.

– Eu apenas poupei 1 € (disse o sexto amigo) enquanto tu (apontando para o décimo) poupaste 10 €!… Não é justo que tenhas poupado 10 vezes mais…
– E eu apenas poupei 2 € (disse o sétimo amigo) enquanto tu (apontando para o décimo) poupaste 10 €!…Não é justo que tenhas poupado 5 vezes mais!…

E os 9 em uníssono gritaram que praticamente nada pouparam com o desconto do dono da cervejaria. “Deixámo-nos explorar pelo sistema e o sistema explora os pobres”, disseram. E rodearam o amigo rico e maltrataram-no por os explorar.

No dia seguinte, o ex-amigo rico “emigrou” para outra cervejaria e não compareceu, deixando os nove amigos a beber a dose do costume. Mas quando chegou a altura do pagamento, verificaram que só tinham 31 €, que não dava sequer para pagar metade da factura!… Aí está o sistema de impostos e a equidade fiscal.

Os que pagam taxas mais elevadas fartam-se e vão começar a beber noutra cervejaria, noutro país, onde a atmosfera seja mais amigável!…

David R. Kamerschen, Ph.D. – Professor of Economics, University of Georgia


Estatutos PSD: Propostas pertinentes da JSD

02/03/2012

Os inputs feitos pela JSD para a proposta de alteração dos Estatutos do PSD são extremamente positivos e pertinentes. O que mostra que Duarte Marques está em sintonia com Passos Coelho, no que concerne a visão de futuro.

Como é apanágio da juventude, a JSD ousou ir mais além. O PSD quer ver os autarcas escolhidos em “Primárias”, mas a JSD propôem que esse sistema de escolha se alargue também a outros cargos: deputados e eurodeputados.

Além disso, a JSD veio propor que os órgãos do partido sejam todos eleitos em directas. Para além do Presidente, seriam também eleitos directamente pelos militantes o Conselho Nacional, de Jurisdição e Mesa do Congresso.

Se a primeira proposta tem desde já o meu total apoio (porque dá transparência e entrega o poder de escolha aos militantes de base) já da segunda não estou muito certo, e aguardo por ouvir argumentos (prós e contras).

O Congresso é o órgão máximo do partido e não creio que se deva esvaziá-lo. O Conselho Nacional é o órgão máximo entre congressos pelo que a escolha deve ser meticulosa. O Conselho de Jurisdição é o “tribunal” do partido.


Eleições PSD: Não haverá unanimidade e aclamação

01/03/2012

Estão aí, já no próximo sábado, as eleições directas para eleger o líder do PSD. Gorada a possibilidade de o “laranjinha humana” Nuno Miguel Henriques ser também candidato, Passos Coelho irá a votos sozinho.

Tal como já tive oportunidade de dizer, espero uma participação grande e um resultado expressivo. PPC pode e deve sair destas eleições com mais legitimidade, mais força, mais determinação, mais soluções.

No entanto, perante a situação do país, e conhecendo a riqueza intelectual do PSD, espero que no congresso sejam debatidos vários assuntos, mesmo que toquem em temas sensíveis da Governação PSD/CDS.

Não duvido que este período eleitoral no PSD vai ser muito diferente daquele que em 2009 teve lugar no PS. Não haverá em congresso, unanimidade e aclamação ao “querido líder”. Haverá, isso sim, debate sério.

Os congressos do PSD nunca foram palco de campanha eleitoral. Sempre foram espaços de debate interno, nos quais se discutiram soluções para o país e onde todos os militantes puderam expressar a sua opinião.

De resto, e já no congresso, espero que haja mais do que uma lista candidata ao Conselho de Jurisdição, e ao Conselho Nacional. Diversidade e pluralismo de opinião são extremamente importantes nestes órgãos.

Para finalizar, dizer que não me agrada nem um bocadinho, e tenho até dificuldade em compreender, as escolhas de Passos Coelho para Mandatário Nacional (Fernando Ruas) e Directora de Campanha (Teresa Leal Coelho).


Estatutos PSD: Liberdade e Legitimidade

01/03/2012

Existem outras dois temas na proposta de alteração dos Estatutos do PSD que merecem o meu aplauso: A possibilidade de haver 2ª volta nas directas, e também o fim da chamada “Lei da Rolha”.

A instituição de uma 2ª volta na eleição (directa) do líder do PSD tem o condão de conferir maior legitimidade ao Presidente eleito. Não é bom ter (como já houve) Presidentes eleitos com 30%.

A eliminação da regra, proposta por Santana Lopes e aprovada pelos congressistas, que ficou conhecida por “Lei da Rolha” repõe a génese do partido, que sempre foi pluralista e de livre opinião.

Se a 2ª volta fortalece o partido e as suas futuras lideranças, já o fim da “Lei da Rolha” é o cumprir de uma promessa que Pedro Passos Coelho fez no final do congresso que o elegeu há 2 anos.


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