Combate a fogos faz-se com gestão e ordenamento

36% do território português é área florestal. São cerca de 3.5 milhões de hectares. Uma das maiores áreas florestadas da Europa. 85% dessa área pertence a privados, 3% pertence ao Estado e 12% são baldios.

Todos os anos por altura do verão o país é fustigado com incêndios. E todos os anos as “causas” e os “culpados”, apontados pela comunicação social e pela opinião publicada, são os mesmos: Calor e Criminosos.

A verdade é que o que falta em Portugal é uma verdadeira política de ordenamento e gestão florestal. Para além disso, falta também a já conhecida eficácia na prevenção, vigilância e combate aos fogos florestais.

É preciso que o país aposte em Engenheiros Florestais – especializados em ordenamento florestal e também no combate aos fogos – que ajudem na gestão da floresta e na coordenação do combate.

É necessário também apostar na profissionalização de unidades de combate a fogos (nos corpos de bombeiros ou do exército). A verdade é que os voluntários têm muita boa vontade, mas não chega.

20% da área florestal portuguesa é eucalipto e pertence na sua maioria às industrias papeleiras (Portucel, Soporcel, Celbi…). Essas não se podem dar ao luxo de perder floresta em incêndios.

Todas essas empresas têm corpos e meios profissionais de prevenção, vigilância e combate aos fogos. E muito poucas vezes os incêndios nas suas florestas tomam as proporções dos outros.

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One Response to Combate a fogos faz-se com gestão e ordenamento

  1. Luís diz:

    O tema dos incêndios florestais é de facto recurrente. Eu sou da opinião que não existe ordenamento possível quando a área florestal Portuguesa é tão fragmentada. Se dividirmos a área florestal por proprietário em media cabe um mísero 1ha a cada um (um pouco mais no Sul de Portugal ~8ha). Os custos administrativos em “forçar” os pequenos proprietários a ordenar a floresta devem ser substanciais…Para mais, a desertificação rural leva a que muitas vezes os “herdeiros” to tal ha de floresta estejam a viver nas cidades enquanto que os terrenos de que são donos estão no meio rural.

    Como bem refere as explorações das papeleiras “quase” não ardem. É ai que reside o cerne da questão. A floresta arde (a meu ver) porque o seu valor econômico tem vindo a ser destituído ao longo dos anos. Um proprietário privado com 1ha não tem nenhum incentivo em explorar a floresta.

    A equação florestal é fácil de fazer: negligência + clima + biomassa = incêndio (a eficácia dos meios de actuação até tem vindo a aumentar na última década se olharmos ao tamanho médio de cada incêndio, os anos de 2003 e 2005 são a excepção à regra)

    Em parâmetro da equação actuar? A meu ver apenas existe uma solução, baixar a biomassa. A negligência não se controla no espaço nem de 10 anos e o clima continuará incerto. o caminho a meu ver para baixar o potencial de incêndio passa pela produção de energia a partir dos resíduos florestais acumulados. Importante é que esta geração de energia não se faça em grandes complexos mas sim em plantas de média e baixa capacidade descentralizadas pelo País de modo a evitar grandes custos de transporte (o principal factor de rentabilidade).

    Deste modo o productor de 1ha poderia vender os seus resíduos. Nem teria de gerir a floresta, apenas deixar a natureza fazer o seu trabalho cada ano. Com as matas limpas e mesmo com a negligência e o calor, a história seria muito diferente…

    É pá… é melhor bazar, já ocupei muito espaço… mais coisas aqui:
    http://rd.springer.com/article/10.1007/s10113-010-0169-6

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