Coerências Tugas dos últimos tempos

22/08/2012

São contra as touradas porque se tortura e mata o animal, mas a favor do aborto que mata um ser humano vivo.

Querem os Eurobonds para que Portugal possa endividar-se mais, mas recusam o pagamento da dívida da Madeira.

Qualificam o Estado Novo de Ditadura, mas chamam Democracia aos regimes de China, Venezuela, Equador ou Angola.

Exigem cortes na despesa pública, mas indignam-se de cada vez que o Governo anuncia uma medida para poupar.

Levantam-se contra os EUA pelo Iraque ou Afeganistão, mas depois clamam por eles em situações como a da Síria.


Fundação Santo Thyrso pronta a ser fechada

20/08/2012

Foi no início do mês de Agosto que o Governo PSD/CDS anunciou a intenção de fechar algumas dezenas de fundações público-privadas, depois de terminado o processo de avaliação que o próprio Governo solicitou à Inspecção Geral de Finanças.

Uma delas foi a Fundação de Santo Thyrso, criada em 2006 com o objectivo de gerir um Centro de Incubação de Base Tecnológica que supostamente pretendia “contribuir para a promoção da Inovação, do Empreendedorismo e a criação de Emprego Qualificado“.

Pretendia também apoiar “a criação de negócios inovadores” que contribuissem “para o rejuvenescimento, modernização e competitividade do tecido económico” local e nacional, e também apoiar “o crescimento e projecção externa dessas iniciativas“.

O alvo dizia serem “Jovens altamente qualificados […] Spin-offs académicos e empresariais […] Projectos inovadores de base científica e tecnológica resultantes da cooperação entre Universidades e empresas“. Mas a verdade é que o que se vê está muito longe disto.

Senão vejamos: Das 9 empresas instaladas na incubadora, uma delas cria websites, outra recolhe resíduos e foi explicitamente “concebida para colaborar com câmaras, empresas e associações municipais“, outra ainda fabrica móveis “intemporais“.

Existem ainda a Santo Tirso TV (que promove o que se faz no concelho com apoio da CMST), três empresas representantes de marcas, uma com interessante descrição mas website inactivo, e finalmente uma outra que não parece existir (única referência é no website da incubadora).

Ora, a meu ver, nada disto corresponde a “Inovação“, “Empreendedorismo“, “Ciência“, “Tecnologia” ou emprego “Altamente qualificado“. E ainda ninguém percebeu de onde veio, e para onde foi, a Incubadora de Moda tão publicitada pelo Presidente da Fundação, Castro Fernandes.

Sim porque Castro Fernandes, Presidente da CM Santo Tirso, é ao mesmo tempo Presidente da Fundação, do Conselho Executivo e do Conselho de Fundadores. Para além de ser ele quem nomeia o Conselho Fiscal, orgão que tem o papel de fiscalizar a actividade da Fundação.

Parece metira, mas é verdade. Parece caricato, mas é a realidade. Castro Fernandes sente-se, qual semi-deus, omnipresente e omnisciente. E ainda ficou muito ofendido quando, a propósito, um deputado da AM o comparou a um governante absolutista e autocrático.

Mas a falta de moralidade, de ética e de transparência não acaba aqui. A Fundação é detida em parte pela CM Santo Tirso e por duas empresas que trabalham nos ramos que mais interesses têm no poder local e corrompem as autarquias: Imobiliário e Construção.

Que contribuição podem dar estas empresas ao nível da “Inovação“, da “Ciência e Tecnologia” ou do emprego “Altamente qualificado“? E porque será que o website da Fundação apenas apresenta contactos e não faz refêrencia a visão, valores, âmbito, objectivos, actividades ou resultados?

É também incompreensível que outras entidades do concelho (a empresa imobiliária é do Marco de Canavezes) não façam parte da Fundação. Como a Associação Comercial e Industrial ou empresas de projecção nacional/internacional instaladas há muitos anos em Santo Tirso.

Perante tudo isto, Castro Fernandes ainda acha que tem o direito de se insurgir contra a avaliação da IGF dizendo que vai recorrer aos tribunais. E para além disso falta à verdade na comunicação social nacional, dizendo que a Fundação não recebeu financiamentos públicos.

Como bem apontou o PSD Santo Tirso, a CM Santo Tirso (Presidida por Castro Fernandes) deu à Fundação de Santo Thyrso (Presidida pelo mesmo Castro Fernandes) 50.000 € em ajuste directo. E que se saiba, dinheiro da Câmara é dinheiro público, dos nossos impostos.

O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Foi isto que aconteceu à Fundação de Santo Thyrso. Parece ter sido criada com segundas intenções, aparenta ter sido gerida de forma conveniente, e falhou claramente os seus objectivos. Razões de sobra para ser fechada.


Os bons exemplos são para se publicar

20/08/2012

Na imprensa de hoje:

  • Um ex-Presidente da Câmara e ex-Candidato a Presidente da República qualifica de “vergonhosa” uma decisão justa e sensata de um Tribunal.
  • Jornal desportivo publica na sua página web um vídeo de adeptos de futebol a queimarem camisola de jogador que se mudou para clube rival.
  • Após 1ª jornada Treinadores dos 3 clubes “grandes” optam por fugir às suas responsabilidades, justificando ou negando as más exibições.
  • Alberto João Jardim acusa o Governo de ter dado primeiro passo de “separatismo” ao remeter a Madeira ao pagamento da sua dívida.

Paredes de Coura e Política

13/08/2012

Ouvia há pouco na TSF uma interessante reportagem sobre o festival de Paredes de Coura. A história de como tudo começou era curiosa e a forma como quiseram manter os critérios de escolha das bandas era de valor. Tudo corria bem até um dos organizadores ser entrevistado.

Disse ele que começaram em 1993 quando, quase inconscientemente, resolveram propor ao Presidente da Câmara local a realização de um festival de música para jovens. O edil achou boa ideia e apoiou. Deu-lhes 160 contos para contratarem bandas.

Qual foi a primeira banda que contrataram e a quem pagaram? Foi a própria banda!… Porque alguns deles tinham uma banda de garagem. Mas que grande exemplo, hein? Mais valia ter estado calado.

E depois é esta gente que critica os políticos e ex-políticos que contratam filhos, sobrinhos, sobrinhos-netos, outros familiares e amigos. Reina o nepotismo em Portugal e esta é apenas uma das mais cruciais razōes para o país estar neste estado.


Obrigado Sr. Fernandes…

09/08/2012

(clique para ampliar)

No dia seguinte ao funeral do meu Avô – depois de ter estado com centenas de amigos e conhecidos, e ter recebido centenas de telefonemas, SMS, emails, e mensagens nas redes sociais – estive a ler os telegramas dirigidos à minha Avó e à família. Uns mais formais, outros mais sentidos.

Foram muitos os que escreveram estas mensagens. Presidente da Comissão Europeia, da República, da Assembleia da República, do Governo Regional da Madeira. Primeiro-Ministro, Ministros, ex-Ministros. Presidentes de Câmaras Municipais. Presidente do BES, do Santander, do Millennium BCP.

Poucos me comoveram como o telegrama do João Fernandes, que partilho aqui e transcrevo: “Os meus mais sentidos pêsames para toda a família neste momento tão triste. Perdi o meu melhor amigo da minha vida. Nunca vou esquecer este momento tão triste que fica marcado no meu coração“.

O Sr. Fernandes era polícia e foi nomeado segurança pessoal e motorista do meu Avô quando ele estava no Governo. Ele elevou a um patamar quase inatingível o significado e o valor de “Lealdade”. O Avô saiu do Governo em 1990 mas o Sr. Fernandes continuou a visitar-nos com regularidade.

Todos sabiamos o quanto ele gostava do Avô e espero que ele saiba o quanto gostamos dele. É um homem simples, bom e bem intencionado, respeitado e respeitável, amigo do seu amigo. É quase como se fosse da família. Estive com ele, e vi que esteve presente no velório e no funeral, visivelmente emocionado.

Bons tempos passei com ele naquela época (anos 80). Tinha 8, 9, 10 anos e ao domingo o Avô gostava de ficar em casa. O Sr. Fernandes levava-me (e ao primo Eurico) às Antas ver o FC Porto. Nos tempos mortos dos outros dias jogava futebol connosco na garagem e divertia-nos com histórias.


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