Sto. Tirso: Quando o feitiço se vira conta o feiticeiro

30/10/2012

Sou daquelas pessoas que acho que a Vitória é de todos, tal como a Derrota é de todos. Seja ao nível pessoal (onde se partilha com a família), profissional (onde se partilha com os colegas), desportivo (onde se partilha com os membros da equipa), ou político (onde se partilha com os membros da lista).

Este post pretende falar sobre os resultados em política. Ninguém em política ganha sozinho, como também ninguém perde sozinho. Até porque em política o que conta não são só as pessoas que lideram os processos, mas a sua equipa, os seus projectos, as suas estratégias, e a forma como o defendem e comunicam.

Da mesma forma ninguém passa de bestial a besta por ser derrotado, ou de besta a bestial por sair vitorioso. Grandes políticos foram derrotados antes de vencerem e provarem as suas capacidades. Em Portugal temos muitos. Desde Francisco Sá Carneiro até alguns que ainda hoje estão no activo.

Em Portugal esta lógica não é assim tão linear. Se ela se aplicar á minha Derrota, perdemos todos. Mas na Derrota do meu adversário, foi insucesso pessoal. Se eu perder umas eleições, posicionei-me para as próximas. Se o meu adversário perder, deve abandonar e dar o lugar a outro.

Vem isto a propósito de a liderança actual do PSD Santo Tirso estar permanentemente a apontar o resultado do PSD, em São Miguel do Couto, nas Autárquicas 2009, para atacar a pessoa que liderou o processo. Pessoa essa que teve a coragem de se candidatar, pelo PSD, sabendo quão difícil seria vencer.

Se esses senhores querem atestar a capacidade política de uma pessoa apenas pelo facto de a sua equipa ter perdido umas eleições, então apliquemos-lhes a mesma lógica, e tiremos as mesmas conclusões. A liderança actual do PSD Santo Tirso perdeu:

Autárquicas 2009
PS 48%, PSD 42% (baixou em relação a 2005)

Europeias 2009
PS 37%, PSD 30% (baixou em relação a 2004)

Legislativas 2009
PS 48%, PSD 28% (baixou em relação a 2005)

Legislativas 2011
PS 39%, PSD 37%

E também poderia referir o resultado do PSD na freguesia de quem lidera o PSD Santo Tirso, nas Autárquicas 2009: PS 56%, PSD 35%.

De sublinhar que em 3 das 4 eleições acima referidas, o PSD venceu a nível nacional, mas nunca no concelho de Santo Tirso. Estamos conversados?


António Costa e Pilar del Rio gozam com portugueses

30/10/2012

A Casa dos Bicos foi recuperada e oferecida à Fundação Saramago pela Câmara Municipal de Lisboa. A obra custou 2,3 M€ ao erário público. Sim, leu bem, 2.300.000€ dos nossos impostos.

Mas parece que não fica por aqui. Parece que António Costa (Presidente da CM Lisboa) acordou também ficar responsável pelas despesas da casa, que ascendem a mais 50m€/ano. Sim 50.000€!

Entretanto a senhora que se deitava com Saramago e que agora é Presidente da Fundação, Pilar del Rio disse recentemente:

– “vivemos numa ilusão democrática
– “estamos a ser apunhalados pelas costas
– “nós não vivemos acima das nossas possibilidades
– “foi a banca que emprestou dinheiro acima das suas possibilidades
– “que tipo de contabilistas tem a troika?
– “não pode haver democracia quando se governa tirando tudo ao povo

Mas claro que os “maus” são os senhores do PSD e do CDS que tentam agora limpar as borradas socratistas. Já o António Costa é “bom” e desejado para próximo líder do PS e PM.

Em relação a Pilar del Rio, fico extremamente satisfeito por a continuar a vê-la ao lado de Mário Soares, Daniel Oliveira e afins, como por exemplo no Congresso das Alternativas.

Diz muito sobre o tipo de gente que participa nestes eventos e brada pelos mais fracos e pobres. Gente hipócrita que “enche o bandulho” com dinheiros do Estado. Mas o povo adora-os.


Francisco Anacleto: de besta a bestial

26/10/2012

Francisco Louçã renunciou ontem ao mandato de deputado e abandonou o Parlamento. Um dos maiores demagogos da história de Portugal deixou de ser deputado. No meu entender, ainda bem. Mas nas redes sociais só vejo elogios ao Anacleto.

Não surpreende. Em Portugal sempre foi assim. Depois de morrerem (neste caso, em sentido figurado) todos passam de bestas a bestiais. Todos se transformam automaticamente em bons homens e mulheres que deram contributos à sociedade.

É aquela hipocrisia de ser “politicamente correcto” tão portuguesa nos dias que correm. Podem ter passado 13 anos a dizer o piorio do Anacleto, mas agora que ele se vai embora dedicam-lhe declarações de amor e gratidão pelo seu serviço.

Ouço e leio gente (de todos os quadrantes políticos e partidos) a dizer que é uma pena porque se perde um grande parlamentar. Um grande parlamentar! Onde? Não há dúvida que os portugueses têm os representantes que merecem no parlamento.

As pessoas acham que um grande parlamentar é aquele que tem a “coragem de debater cara-a-cara” com o PM. Que não tem medo de lhe “dizer umas verdades”. Que tem o à-vontade para “afrontar” (ou direi “insultar”) o Governo e os seus pares.

Para isso não é preciso ser professor catedrático ou uma mente brilhante (algo que por sinal o Anacleto não é). Para isso basta um qualquer Tino de Rãs sem polidez e cortesia. Sem nada a perder, e com a suficiente ousadia e descaramento.

Ser um grande parlamentar é muito mais do que conseguir articular um discurso redondo sem qualquer tipo de conteúdo. É muito mais do que conseguir, na altura certa, atirar uma boa laracha para gáudio da sua bancada e irritação das outras.

Ser um grande parlamentar é ter a capacidade de argumentar a favor das propostas que se defende de forma a conseguir convencer os outros de que é a melhor solução. É ter na sua génese um verdadeiro sentido de missão e foco no interesse geral.

Dizer que o Anacleto é um grande parlamentar é um insulto a homens como Francisco Sá Carneiro e tantos outros de muitos partidos. Esses sim, que defendiam aquilo que acreditavam ser melhor para os portugueses com determinação e elevação.

Algo que obviamente o Anacleto nunca teve. Foi com ele que se banalizou o “berro”, o “insulto”, o “remoque” na casa da Democracia. Foi com ele que se banalizou a falta de respeito pelo colega da outra bancada e o ambiente crispado.

Don’t get me wrong. Quem me conhece sabe que sou Democrata e que acho que quantos mais partidos melhor. E penso que é valorizador haver partidos que defendem questões fracturantes ou minorias. Mas têm de ser honestos e realistas.

Parecia ser esse o caso do BE inicialmente. Mas rapidamente, sobre a liderança do Anacleto, se tornou num partido demagogo e populista, apenas interessado no terrorismo político. Algo que nem a alguns fundadores agradou, e está à vista.


O PSD Santo Tirso… já nem sede tem!

22/10/2012

Entre as lideranças de Joaquim Couto e Castro Fernandes passaram 30 anos de governação socialista em Santo Tirso. E nesse período de tempo, o concelho passou de um dos mais produtivos de país ao campeão da desertificação, da perda de serviços e do desemprego.

Logicamente que ninguém se atreverá a dizer que estes resultados não são responsabilidade das políticas, das (in)capacidades e da visão (ou falta dela) do PS de Santo Tirso e dos seus líderes. O país e o mundo mudaram, mas há aqui culpas socialistas.

Curioso é que mesmo perante estas evidências os Tirsenses sempre preferiam manter o PS ao leme dos destinos do concelho. Nem sequer a habitual lógica da alternância – quando as coisas correm menos bem – se aplicou nesta terra de gente inteligente. E porquê?

Porque nunca houve uma verdadeira alternativa. Porque os Tirsenses nunca acreditaram nos outros partidos. Porque nunca houve uma liderança e um projecto credível apresentado em sucessivas eleições. E como diz o ditado, mal por mal que fique o que lá está.

Aqui o PSD Santo Tirso tem enormes responsabilidades. O maior partido português, partido do poder local, com matriz social-democrata, nunca conseguiu convencer os Tirsenses de que era capaz de fazer melhor (e quão fácil era!… e é!) do que o PS Santo Tirso.

E quando seria de esperar que o PSD Santo Tirso aprendesse com os seus erros e fosse evoluindo, aconteceu precisamente o contrário. O PSD Santo Tirso perdeu a sua matriz, o seu intelecto, a sua capacidade crítica e pasme-se agora até perdeu a sua casa.

É triste mas parece ser verdade. O PSD Santo Tirso está tão moribundo que já nem sede tem. A ser verdade, onde se reunem os orgãos legítimos e eleitos do partido como a Comissão Política? E onde se reunirá o orgão máximo, o plenário dos militantes de base?

Parece definitivamente adquirido que os orgãos eleitos do partido são apenas formalidades estatutárias, e que os militantes apenas servem para votar no dia das eleições. As decisões e estratégias são discutidas em núcleo duro e o poder é quase unipessoal.

Sucessivas lideranças e comissões políticas dedicaram-se ao jogo político-partidário lutando pelos interesses pessoais e de facção. Isso afastou os militantes e os Tirsenses. Os resultados estão à vista. Localmente, um partido destruído e descredibilizado.

Não é este o meu PSD e não creio também que seja este o PSD dos fundadores e de outros destacados militantes que tanto contribuiram no passado. Espero que depois de bater no fundo, e de limpa a casa, esses e outros tenham força para o levantar novamente.


A triste história do meu amigo Manuel (Parte 2 de 2)

17/10/2012

(continuação deste post)

O Tio João era um homem com bom coração e por isso deu-lhe nova oportunidade. Ao mesmo tempo era inteligente e não se iria deixar enganar novamente. Propôs ao Manuel que fosse trabalhar na empresa dele e que acabasse com a boa vida, os gastos inúteis e o esbanjamento.

O Manuel aceitou. Afinal de contas não tinha alternativa. Era isso ou voltar para a vila, vivendo pobre e sob a alçada dos pais austeros. A ideia de trabalhar para o Tio João, que lhe pagaria um ordenado (do qual retiraria um “dízimo” para pagar a dívida) era apesar de tudo mais agradável.

Os primeiros meses foram difíceis e o Manuel parecia conformado, mas a certa altura começou a sentir-se explorado. Achava que trabalhava muito e que o ordenado que o Tio João lhe pagava era insuficiente. Ainda por cima “ressacava” por não poder ir para os copos e de férias com os amigos.

Falei com ele nessa altura: “Manel, olha que tu tens de ver bem a tua situação. Não te esqueças que enganaste o teu Tio João e agora estás a pagar as favas. O mau da fita aqui não é ele que durante anos te deu dinheiro que esbanjaste. Tu é que fizeste merda. Agora aguenta-te à bronca“.

Mas ele não me ouviu, nem a ninguém. Mesmo depois do que fez achava que o Tio João lhe deveria pagar mais, exigir menos e até perdoar algumas dívidas. Passados umas semanas insubordinou-se, insultou o Tio João e despediu-se. Naturalmente que depois disso também teve de sair de casa.

Andou uns dias a dormir por casa de uns amigos e a pedir-lhes dinheiro emprestado, na promessa de que pagaria logo que arranjasse um emprego. Mas a verdade é que habituado a não fazer nada e com mentalidade parasita não se esforçava sequer para arranjar um trabalho.

Obviamente todos os amigos chegavam ao limite, deixavam de lhe emprestar dinheiro e diziam-lhe para procurar outro lugar para viver. Aconteceu o mesmo comigo. Por muito amigo dele que fosse, a verdade é que ele continuava a abusar, não mostrando qualquer sinal de se querer redimir.

Com vergonha e sem vontade de voltar para a vila e para casa dos pais, deixou-se ficar por Lisboa. A vida dele degradava-se. Dormia onde calhava, até na rua. Deixei de falar com ele e de o ver. Sei agora que começou a arrumar uns carros, pedia esmola, roubava e meteu-se na droga.

Um triste fim para quem teve a oportunidade e as condições para ser alguém na vida, mas preferiu esbanja-la.

Legenda:
Manuel – Portugal
Pais do Manuel – Estado Novo
Maria – MFA (Movimento Forças Armadas)
Lisboa – Pós 25 Abril 1974
Tio João – União Europeia


A triste história do meu amigo Manuel (Parte 1 de 2)

16/10/2012

Há uns anos conheci o Manuel. Era um tipo engraçado, que gostava de uma boa borga. Vivia com os pais, pessoas conservadoras e exigentes, que lhe cortavam todos os vôos e sonhos. Queriam que ele tivesse os pés assentes na terra e vivesse apenas com aquilo que tinham lá em casa, na vila.

Passados uns anos, com a ajuda da prima Maria, conseguiu convencer os pais a ir viver para casa dos tios em Lisboa. Viviam bem suportados pelo sucesso do empresa que o Tio João tinha com o sócio. Mais tarde o Manuel ficaria mesmo à guarda dos Tios de Lisboa, que o sustentavam.

O Tio João era um homem inteligente, sensato e generoso. Vai daí fez uma espécie de contrato com o Manuel. Disse-lhe que, como os seus pais não tinham condições para apostar na sua educação, ele estaria disposto a dar-lhe dinheiro para estudar e emprestar-lhe algum para viver.

A ideia do Tio João era que o Manuel tivesse a oportunidade de construir fundações para um futuro de sucesso (tal como o seu) e que, após estar estabilizado na sua vida, lhe pagasse aos poucos o que devia. Da mesada e dos extras, porque as propinas da universidade eram oferecidas.

Aceite a proposta do Tio João, o Manuel inscreveu-se numa universidade, e todos os meses o Tio lhe dava o dinheiro. Mas o Manuel viu-se em Lisboa com dinheiro no bolso e deslumbrou-se. Tanto o dinheiro das propinas, como o da mesada gastava todo em noitadas e outras inutilidades.

Foram 5 anos maravilhosos para o Manuel. Faltava às aulas e chumbava o ano, mas divertia-se à brava com os amigos nos copos e nas férias. Como mentia sobre os resultados académicos, o Tio João premiava-o e dava-lhe mais dinheiro. Ele comprava consolas, viagens, uma mota e até um carro.

No ano em que era suposto ter acabado o curso e começar à procura de emprego, o Manuel começou a sentir-se um bocado entalado. Estava enterrado em mentiras junto do Tio João e naturalmente não conseguia arranjar um emprego que lhe permitisse liquidar as dívidas que tinha.

Durante esse ano eu e outros amigos dissemos-lhe que ele devia mudar de vida. Deixar de pedir dinheiro ao Tio João, evitar saídas à noite, tentar arranjar um trabalho honesto para começar a equilibrar as contas e, no limite, dizer a verdade. O Manuel preferiu continuar a mentir.

Passados uns meses a situação tornou-se incomportável e o Manuel teve mesmo de dizer a verdade ao Tio João. Obviamente o Tio João ficou furioso e abismado. A vontade era expulsar o Manuel de casa. Tinha-o tratado como um filho e agora descobria que o Manuel o tinha enganado.

(continua amanhã…)

Legenda:
Manuel – Portugal
Pais do Manuel – Estado Novo
Maria – MFA (Movimento Forças Armadas)
Lisboa – Pós 25 Abril 1974
Tio João – União Europeia


iPhones atingidos na manif de ontem

16/10/2012

Ontem cerca de 100 delinquentes infiltrados em mais uma manifestação, usando o anúncio do OE 2013 como pretexto, resolveram provocar desacatos junto à Assembleia da República. Nos relatos que os jornalistas presentes faziam nas redes sociais podia ler-se:

– “foram atiradas garrafas aos polícias, lançados petardos e ateada uma fogueira
– “para dentro do perímetro policial foram arremessadas garrafas de vidro
– “tinham sido atiradas muitas garrafas de cervejas aos polícias

E de repente, no twitter de uma jornalista da TVI, sai esta pérola: “manifestantes pedem aos polícias para tirarem os cães que estão a ser atingidos por vários objectos“. Eu, sinceramente, não consigo encontrar adjectivos para qualificar tamanha imbecilidade.

A única coisa que posso dizer é que isto demonstra bem o quão patéticos são estes delinquentes mascarados de manifestantes, a quem falta discernimento, inteligência e capacidade de raciocínio, e para quem as prioridades estão completamente trocadas.

Eu, se fosse comandante da polícia, teria pegado no megafone e teria pedido aos manifestantes para deixarem os iPhone em casa, ou que os fossem colocar no carro e voltassem, porque nos bolsos dos casacos/calças eles estavam a ser atingidos pelos bastões.


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