Acabou o “consulado” de Castro Fernandes

31/12/2012

O ditado diz “Por um voto se ganha, por um voto se perde“, e a realidade confirmou-o nas eleições primárias do PS Santo Tirso. Joaquim Couto venceu Ana Maria Ferreira por um voto (358 vs 357) e será o candidato socialista a CM Santo Tirso (CMST).

O apoio de Castro Fernandes, dos vereadores e dos “líderes de opinião” de pouco valeram a Ana Maria Ferreira. Os militantes de base falaram mais alto e disseram que preferem “revisitar” Joaquim Couto a continuar a viver o actual absurdo clima de medo.

A verdade é que Castro Fernandes instituiu um estilo de liderança que se baseia na perseguição e no temor ao “chefe” e os militantes (muitos deles funcionários da CMST) já estavam fartos. Esta foi a primeira oportunidade para se libertarem, e eles agarraram-na.

Dentro e fora da CMST havia um ambiente controlador e uma sensação “pidesca”. Havia (e ainda há) os chamados “bufos” que iam contar ao chefe caso alguém se desviasse, um milímetro que fosse, da sua linha. E isso iria continuar com Ana Maria Ferreira.

Muitos dizem que Castro Fernandes lidera desta forma porque é um “ditador”, eu discordo. Castro Fernandes é apenas um fraco líder, e os fracos líderes têm tendência a liderar pela força e pelo medo e não pelo respeito e pela admiração.

Os fracos líderes tentam coarctar o espaço de manobra dos outros por medo que o possam trair (muitas vezes sem razão). Por vezes não percebem é que isso pode ter o efeito contrário. Como aconteceu com José Pedro Machado e agora com centenas de militantes.

A vitória de Joaquim Couto significa muito mais do que a escolha de um candidato. É um sinal de fim de ciclo para Castro Fernandes e a sua forma de estar na política. Espera-se que seja também o fim da Incompetência, do Nepotismo, da Perseguição.

Espera-se que seja o fim dos negócios da CMST com as empresas dos amigos, o fim dos lugares na CMST para os familiares e amigos, o fim da discriminação das freguesias e do tratamento desigual de Tirsenses por causa da militância ou simpatia partidária.

O PS tem assim um candidato fortíssimo e muito difícil de derrotar. Tem uma vasta experiência política e autárquica, tem obra feita, conhece bem Santo Tirso e os Tirsenses. Para o PS foi bem melhor Joaquim Couto ter vencido. O apoio de António José Seguro e José Luís Carneiro di-lo bem.

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Este PS é um descalabro, sem vergonha

24/12/2012

Reorganizar a administração do governo local […] 308 municípios e 4259 freguesias […] desenvolver plano de consolidação para reorganizar e reduzir significativamente o número de tais entidades“. É isto que diz no Memorando de Entendimento com a Troika (MoU) na secção “Medidas Fiscais Estruturais – Administração Pública”

Acelerar o programa de privatizações […] transportes (Aeroportos de Portugal, TAP, carga da CP), da energia (GALP, EDP e REN), das comunicações (Correios de Portugal) e seguros (Caixa Seguros)“. É isto que diz no Memorando de Entendimento com a Troika (MoU) na secção “Medidas Fiscais Estruturais – Privatizações”

Como todos se devem lembrar foi o Partido Socialista (PS), na altura a Governar há cerca de 6 anos, que pediu ajuda externa à Troika. Foi o mesmo PS que negociou e assinou (tal como PSD e CDS) o MoU onde constavam estas medidas.

Como pode agora o mesmo PS votar contra a Reforma da Administração Local (Extinção de Freguesias) e bradar contra a Privatização da TAP? Será que este mesmo PS – com tantos ex-membros dos Governos Sócrates – não tem memória?

Existem muitos adjectivos para qualificar isto: Demagogia, Hipocrisia, Populismo, Eleitoralismo, Irresponsabilidade. E também falta de Coerência, falta de Vergonha na cara, falta de Sentido de Estado. Um descalabro este PS.


Málaga é fraco para quem percebe pouco de futebol

20/12/2012

Hoje, no twitter, lá tive mais um tête-a-tête depois do sorteio da Liga dos Campeões. Tudo porque depois de se saberem os adversários a maioria dizia que o FC Porto tinha tido sorte, porque o Málaga CF era o mais fraco de todos.

Todos os anos, em todas as eliminatórias das competições europeias é a mesma conversa. Ou sai Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique ou então o FC Porto teve sorte. Os outros são todos clubes muito fracos.

Só pode ter este tipo de avaliação quem não percebe nada de futebol. Vossas excelências têm de entender uma coisa: A valia das equipas dentro de campo não se mede pelo historial, número de sócios ou tamanho/capacidade do estádio.

O Málaga CF classificou-se em 4° lugar do Campeonato Espanhol em 2011/2012 atrás de Real Madrid, Barcelona e Atlético. E nesta altura ocupa exactamente a mesma posição. Isto diz algo! Que o Málaga CF está forte e em grande forma!

Lembre-se que o Málaga CF se qualificou para esta fase da Liga dos Campeões em primeiro lugar e sem derrotas. Num grupo com o colosso AC Milan e o milionário e experiente Zenit, só cedeu empates depois de estar qualificado.

Quem percebe e acompanha o futebol sabe que neste momento o Málaga é mais forte do que o Milan, o Bórussia é mais forte que o Man Utd, o Shakhtar é mais forte que o Valência e o Schalke 04 é mais forte que o Arsenal.

Nunca se devem subestimar os adversários. Fazê-lo é meio caminho andado para a derrota. E há muita gente que ainda não percebeu isso. Por isso é que ao invés de viverem com as glórias do presente, vivem com as do passado.


Mário Soares, por qué no te callas – Parte V

05/12/2012

Muita gente se tem insurgido contra a Carta Aberta a Mário Soares que a JSD publicou ontem. Pois eu dou os meus parabéns à JSD e ao seu presidente, Duarte Marques.

Já não há paciência nem desculpa para as intervenções de Mário Soares. Há muito que ultrapassaram os limites da demagogia, do populismo e da total irresponsabilidade.

Alguém tinha de o dizer! E por isso parabéns á JSD. Apenas discordo do penúltimo parágrafo da Carta Aberta. Mário Soares daria uma melhor contributo ao país se… estivesse calado!

Quanto ao “Porque não te calas?“, que muitos acharam demasiado violento, acho que é apropriadíssimo. Aliás, eu próprio escrevi 4 posts com o mesmo título, o primeiro deles há mais de 2 anos atrás.

Mário Soares, por qué no te callas
Mário Soares, por qué no te callas – Parte II
Mário Soares, por qué no te callas – Parte III
Mário Soares, por qué no te callas – Parte IV


Recordar Sá Carneiro – as Legislativas 1979

04/12/2012

A 2 de Dezembro de 1979, realizavam-se eleições intercalares para a Assembleia da República.

O Governo de maioria relativa saído das eleições de 1976 não resistiria, tal como o Governo que lhe sucedeu, resultante de coligação parlamentar entre o PS e o CDS, num período particularmente difícil da economia portuguesa, que seria marcado pela intervenção do FMI.

O Presidente da República, Ramalho Eanes, nomearia de seguida Governos de iniciativa presidencial, liderados por Nobre da Costa (que não veria o seu programa aprovado pela Assembleia) e Mota Pinto. As sucessivas crises políticas culminariam na nomeação de um Governo de transição (com uma duração de 100 dias), conduzido por Maria de Lurdes Pintasilgo, com a responsabilidade de preparar as eleições intercalares.

O PPD, CDS e PPM, sob a liderança de Sá Carneiro, Freitas do Amaral e Gonçalo Ribeiro Teles, associados a um grupo de reformadores (integrando nomeadamente Francisco Sousa Tavares e Medeiros Ferreira), constituíram a AD – Aliança Democrática, que, com um substancial acréscimo de votos, alcançaria a maioria absoluta no Parlamento com 128 deputados – aproveitando uma dinâmica de mudança, potenciada pela coligação, que proporcionou um avanço do domínio da direita de Norte para Sul.

O PS – penalizado pelos erros da sua governação e das contradições das suas políticas – sofria uma importante queda eleitoral, para apenas 27 %, com 74 mandatos.

Por seu lado, a APU – Aliança Povo Unido, coligação entre o PCP e o MDP/CDE, conseguiria subir a sua votação, aproximando-se dos 19 %, elegendo 47 deputados. A UDP continuava a manter um deputado na Assembleia da República.

Estas eleições ficariam também marcadas por uma ainda excepcional afluência às urnas (cerca de 83 %), passada a fase de maior entusiasmo pós-revolução, num momento crucial para a consolidação da democracia no país.

Preparando a formação de um Governo com um horizonte temporal limitado a cerca de 9 meses, Sá Carneiro definia como prioridades o controlo da inflação e do desemprego, a par do favorecimento do investimento privado, sem contudo pretender colocar em causa as nacionalizações.

AD – 2.554.458 (42,52%) – 121 deputados
PS – 1.642.136 (27,33%) – 74 deputados
APU – 1.129.322 (18,80%) – 47 deputados
PSD (Madeira e Açores) – 141.227 (2,35%) – 7 deputados
UDP – 130.842 (2,18%) – 1 deputado
PDC – 72.514 (1,21%)
PCTP/MRPP – 53.268 (0,89%)
UEDS – 43.325 (0,72%)
PSR – 36.978 (0,62%)
CDS – 23.523 (0,39%)
POUS – 12.713 (0,21%)
OCMLP – 3.433 (0,06%)

Inscritos – 7.249.346
Votantes – 6.007.453 – 82,87%
Abstenções – 1.241.893 – 17,13%


Francisco Sá Carneiro, um político insígne

04/12/2012

Há 32 anos atrás morria o PM de Portugal, Francisco Sá Carneiro, na queda do avião que o levaria a um comício no Porto no âmbito das eleições presidenciais. Infelizmente sou obrigado a acreditar de que não se tratou de um acidente. Foi sim algo premeditado, mas que se dirigia ao Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa.

Passadas mais de três décadas o processo prescreveu e já nada há a fazer para castigar os hipotéticos criminosos. Infelizmente ainda há, neste país, forças ocultas que conseguem esconder, tanto os responsáveis que ainda estão vivos, como outros que já morreram (alguns deles não há muito anos).

Sá Carneiro foi um político insígne em Portugal. Foi uma referência não só como político mas também como líder e como homem. Era íntegro no verdadeiro sentido da palavra. Tinha um comportamento ética e moralmente correcto, era decente, sério, vertical e honrado.

O fundador e primeiro líder do PSD era um político implacável. Frontal, responsável e com sentido de Estado. Foi eleito deputado á Assembleia Nacional anos antes de 74 e lá lutou, ás claras, pela liberdade e pela igualdade. Não se escondeu. Deu a cara pelos valores e ideais em que acreditava.

Depois do 25 Abril 74 fundou o PPD e contra todas as expectativas teve um sucesso assinalável. As pessoas chegavam à sede e pediam para se inscrever no “partido do Sá Carneiro”. A adesão foi massiva e rápida. O seu trabalho foi reconhecido pelo povo em 79 quando foi eleito Primeiro-Ministro.

Sá Carneiro livrou Portugal de uma hipotética ditadura militaro-comunista e pugnou sempre pelos valores da liberdade, igualdade e solidariedade. Foi amado e odiado, mas nunca ignorado ou desprezado. Foi sempre respeitado.

Não fosse a tragédia de há 32 anos atrás e por certo Portugal seria hoje um país diferente. Não tenho dúvidas. No entanto, a sua convicção, a sua acção e a sua forma de estar foram suficientes para mudar definitivamente o rumo de Portugal.


Chega o “Dunning Kruger effect” para fazer prova

01/12/2012

Nas minhas habituais leituras tomei conhecimento recentemente de algo interessante. Algo que eu tinha para mim como possível mas que não conseguia dar como provado. Pois finalmente David Dunning e Justin Kruger provaram-no.

Chama-se “Dunning Kruger effect” e é um desvio cognitivo em que indivíduos incompetentes sofrem de uma superioridade ilusória, levando-os erradamente avaliar a sua própria capacidade como muito superior à média ou à realidade.

Este desvio é atribuído a uma incapacidade metacognitiva, por parte dessas pessoas incompetentes, para reconhecer os seus erros. Kruger e Dunning dizem que as pessoas incompetentes:

  1. Tendem a avaliar excessivamente as suas capacidades
  2. Não reconhecem as genuínas capacidades dos outros
  3. Não reconhecem as suas verdadeiras incapacidades

No entanto nada parece estar perdido já que Kruger e Dunning dizem que essas pessoas incompetentes reconhecem e admitem as suas incapacidades se forem expostos a formação na área em que se acham capazes, e na realidade não são.

O problema é que muitas vezes, como essas pessoas se têm em grande conta e em grande superioridade, acham que não têm de se submeter a qualquer tipo de formação porque estão convencidos que já sabem tudo o que é preciso.

Eu conheço muita gente que sofre do “Dunning Kruger effect“, nas mais variadas áreas. No Desporto, na Cultura, na Saúde, na Educação, na Economia. Mas principalmente no mundo empresarial e também na política.

E é também por isso que Portugal está assim…


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