Portugal retrocede civilizacionalmente

24/02/2013

O desenvolvimento de uma sociedade e do Mundo tem de ser feito a todos os níveis. Ele não pode ser só económico ou tecnológico. Tem de ser cultural e intelectual também. Sem estes, aqueles de nada servem.

Em Portugal parece que uma parte da população não evoluiu. Esteve adormecida e desligada da realidade enquanto lhe deram a “droga verde” (dinheiro) e agora acordou para protestar à boa maneira do século passado.

Discursos inflamados e declarações incendiárias. Manifestações espontâneas ou organizadas, desrespeitosas e violentas. Ameaças de golpes políticos e militares. Tentativas de assasínio de carácter e censura.

Tudo isto é um regresso ao passado, um retrocesso civilizacional. Qualquer dia estão a fazer como na Idade Média, levando homens à praça para serem enforcados ou decapitados. Isto é puramente primitivo.

Já nada justifica a ignorância, o conhecimento de um único ponto de vista, a crença numa só verdade, a fé cega, a falta de informação, o raciocínio desestruturado, ou a falta de dados para formar opinião.

Já não é aceitável que haja quem ache que a violência (verbal, física ou psicológica) e a força podem ser solução, ou que extremismos resolverão os problemas de uma sociedade pluralista e diversificada.

A evolução obriga a diferentes comportamentos, diferentes abordagens, diferentes atitudes e diferentes formas de luta. Não só usando as novas tecnologias e as redes sociais para juntar pessoas à volta de uma causa, ou para se fazer ouvir (e tem-se visto o enorme poder do Twitter, Facebook, Blogosfera neste campo) mas principalmente para aproveitar as infindáveis fontes disponíveis na internet, à distância de um click, para se informar, cultivar, aprender a pensar pela própria cabeça, e deixar de ser um carneiro guiado por gente com mente enviesada e claramente de má-fé.

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Sobre o trabalho do Governo, é bom recordar que…

24/02/2013

Não fui apoiante de Pedro Passos Coelho na primeira vez que se candidatou à liderança do PSD, votei nessa altura em Manuela Ferreira Leite.

Não fui apoiante de Pedro Passos Coelho na segunda vez que se candidatou à liderança do PSD, votei nessa altura em José Pedro Aguiar Branco.

Após ter tomado a liderança do partido Pedro Passos Coelho surpreendeu-me pela positiva, conseguindo unir o partido e construir uma alternativa.

A construção dessa alternativa ficou demonstrada com a vitória nas Legislativas 2011, onde foi sufragado um programa de governo inovador.

A má imagem da política pedia um Governo forte e credível. A escolha dos Ministros provocou um sentimento agridoce (p.ex. Paulo Macedo vs Miguel Relvas).

A situação do país exigia a coragem e determinação que o Governo demonstrou em vários momentos. A situação dos portugueses exigia o bom senso que nem sempre esteve presente.

À oposição pedia-se responsabilidade, honestidade e sentido de Estado. O que ela tem oferecido é demagogia, populismo, eleitoralismo e descaramento.

É bom recordar que, apesar de tudo, bem ou mal, este Governo e este Primeiro-Ministro estão a tentar cumprir o programa de ajuda pedido e assinado pelo PS. Programa esse que pretende corrigir os erros de década e meia de “socialismo”.


Os meus amigos carneiros que comem tudo

22/02/2013

Exemplo de um dos muitos textos partilhados no Facebook, por gente sem qualquer capacidade de pensar pela sua própria cabeça. Carneiros que “comem tudo o que lhes dão”, sem questionar o que quer que seja.

Hoje aconteceu um episódio que sinceramente nem queria acreditar. Eu viajo diariamente do Porto para Aveiro mas nunca tinha acontecido algo tão mau. Um rapaz entrou na estação de Ovar, ao que me apercebi, com uma cadelita (super meiga e muito novinha), eu sei que os animais devem viajar com algumas condicionantes mas este rapaz entrou, dirigindo-se calmamente para o final do comboio. O revisor implicou com o facto de a cadelinha não ter bilhete (ninguém sabia que os animais pagavam bilhete, sabiam? eu não). O comboio parou a marcha na estação de Estarreja, o revisor chama a polícia para tratar da situação. Os passageiros revoltam-se e até se oferecem para pagar os 2€ do bilhete (algo que o dono já tinha proposto), no entanto, o revisor não permitiu (alguém que realmente zela pela CP!!!!). Pois… mas o problema é o facto do revisor não se lembrar que aquele é o meio de transporte de muita gente que se lavanta às 06H30 da manhã para ir trabalhar para a Invicta (imbecil) e fez toda esta gente ficar à espera da polícia por causa de 2€???????. As pessoas estavam todas revoltadas mas o revisor…nada. Chega a polícia identifica o rapaz diz-lhe que deveria ter pago 2€, todas as pessoas (repetem) que pagam os 2€ e o que faz a polícia???? Adivinhem…agarram o rapaz à bruta (ele teve de largar a trela da cadelinha porque caso contrário ela era maltratada ai, o amigo dele pega na cadelinha que cheia de medo começa a ladrar porque vê que estão a fazer mal ao dono (ao contrário de alguns “humanos” os animais defendem o dono, só é pena esta cadelinha não se ter transformado (como nos filmes) numa leõa e acreditem que eu não teria ficado tão nervosa e até tinha compreendido a natureza). Bateram no rapaz sem qualquer problema, bateram no amigo como se de dois assasinos se tratasse. Todas as pessoas viram chamaram nomes, gritaram mas…nada e sabem porque? Porque estes 3 individuos (2 polícias e o revisor) não vão sofrer qualquer consequência. Amanhã se o revisor se lembrar chama a polícia para tirar do comboio um velhinho. Eu fui uma das pessoas que fui ter com ele educadamente e referi que pagava o bilhete, disse que ia reclamar e ele muito tranquilamente referiu faz muito bem!. Estou farta de chorar porque realmente estamos entregues a alguns. Eu pergunto será que os dirigentes da CP pactuam com este tipo de situações, não tem nada a dizer? Será que os polícias não deveriam ter uma parte pedagógica? Não deveriam ser mais profissionais? Mais Humanos? Alguém os tratou mal? Não. Gostava de referir que em Ovar entra uma Sra Romena que cheira pior que um animal selvagem ou abandonado ou quase morto (todas as pessoas que fazem este trajeto sabem do que estou a falar) e já foi pedido a muitos revisores que não a deixassem entrar por uma questão de sáude pública, no entanto, a resposta é: tem bilhete! Pois… mas eu prefiro viajar com uma cadelinha. O rapaz cometeu o erro nconsciente)de não ter comprado o bilhete da cadelinha mas isso é um crime tão grave? Quero deixar bem claro que não conheço nenhum dos intervenientes incluindo a cadelinha. Os polícias são os que estão nas fotos, a fera (cadelinha) está no meio deles (sem perceber nada), o comboio é o nº 15747 São Bento/Aveiro das 18H05 de ontem dia 21. Partilhem, por favor, com o maior nº de pessoas pode ser que entre elas esteja alguém, responsável, consciente e que leve esta situação um pouco mais além. Desculpem o longo texto, desculpem o desabafo mas nunca nos devemos calar. MM

Textos mal construídos, mal escritos, sem um fio de raciocínio, cheios de erros de ortografia e sintaxe. Textos que claramente não espelham a realidade dos factos e muitas vezes são falsos.

Textos que pretendem denegrir as autoridades do Estado de Direito, e heroicizar aqueles que quebram as leis. Textos que querem fazer passar a ideia de que a crise é desculpa para tudo.

Textos impregnados de preconceitos, radicalismos e extremismos. Textos sem um pingo de responsabilidade, equilíbrio, bom senso ou senso comum. Textos cheios de insinuações gratuitas.

Textos onde, depois de tanta asneira e suspeita criada sem prova, o autor se tenta fazer passar por uma pessoa responsável, íntegra, imparcial, confiável, respeitável e respeitadora.

E custa-me ver muita gente, alguma dela das minhas relações, educada, formada e informada (ou assim eu pensava), partilhar estas aberrações nas redes sociais, julgando que está a dar um grande contributo.


O lastro do 25 de Abril

16/02/2013

Mário Soares, Manuel Alegre, Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Jerónimo de Sousa, Freitas do Amaral, Adriano Moreira, Basílio Horta, Carlos Carvalhas, Gomes Canotilho, Jorge Miranda, Vital Moreira, Otelo Saraiva de Carvalho, João Proença, Carvalho da Silva, entre muitos outros que o país não se cansa de ouvir.

Grândola Vila Morena, Cravos, Constituição da República Portuguesa, Sindicatos de Trabalhadores, Direitos Adquiridos, ADSE, Subsídios, Apoios, Reformas, Pensões, Estado Social, Empresas Públicas, entre muitas outras de que o país parece não querer abdicar.

A “Revolução dos Cravos” já foi há quase 40 anos, mas Portugal continua a ter um gigantesco lastro de Abril, que nos impede de andar para a frente. Uma âncora enorme e bem enterrada. Umas amarras do passado que não nos permitem conquistar o futuro.

Parafraseando um amigo. Num país em que não se celebra a conquista da independência (1128) e em que se deixou de celebrar a sua reconquista (1640), que sentido faz continuar agarrado àquilo que foi apenas uma saudável mudança de regime, e que é agora, claramente, uma pedra na engrenagem?


100.000 visitas! Saia mais uma rodada!

16/02/2013

O Era mais um fino atingiu no início deste mês as Cem Mil visitas. Sim, 100.000! Algo que me deixa extremamente satisfeito e sem palavras para agradecer a tantos leitores. Aprecio a vossa paciência para me aturarem.

Queria de alguma forma assinalar este “marco”. Perguntei aos meus seguidores no Twitter e no Facebook o que sugeriam que fizesse. Não houve grandes sugestões, a não ser alguém que me disse para pagar uma rodada.

Ora, se fosse possível eu pagar uma rodada de finos a todos os leitores, com toda a certeza um ordenado não iria chegar. Pelo que essa ideia, apesar de criativa e bem intencionada, parece-me ser um pouco inviável.

Pensei que o melhor a fazer seria abrir o blogue aos leitores e comentadores. Porque já são muitos a vir ao Era mais um fino com vontade de também se fazer ouvir. Pelo que estão abertas as “hostilidades”.

Aceitarei textos curtos ou longos, sobre qualquer tema, independentemente da convicção. Apenas tenho duas exigências: 1) Que sejam pertinentes e bem estruturados; 2) Que o autor esteja devidamente identificado.

Enviar para luismelo78@gmail.com


Olha para o que eu digo, e não para o que eu faço

15/02/2013

Durante muitas edições nos últimos anos, o Jornal Entre Margens publicou um inquérito/entrevista a uma figura do concelho de Santo Tirso. O inquérito foi feito a pessoas ligadas às mais variadas áreas da sociedade, desde a Política à Cultura.

Entre as pessoas entrevistadas estiveram três protagonistas políticos ligados ao PSD. Andreia Neto, Carlos Pacheco e Rui Baptista. Permitam-me eles recordar e comentar algumas das respostas que deram na altura em que foram entrevistados.

A pergunta era: “Que nome lhe ocorre para suceder a Castro Fernandes?“. Andreia Neto (deputada na AR pelo PSD) e Rui Baptista (Presidente da JSD) estiveram em sintonia, enquanto que Carlos Pacheco se destacou com uma reflexão mais profunda.

Andreia Neto respondeu: “O candidato que vier a ser indicado pelo PSD Santo Tirso“. Rui Baptista respondeu: “O próximo candidato do PSD à Câmara Municipal“. Ou seja, tal como no futebol, não interessa quem é, desde que seja do meu clube. Eloquente.

Carlos Pacheco falou melhor: “Ainda nem sequer pensei nisso, nem estou muito preocupado com nomes. Mais que nomes ou partidos, o que realmente me motiva são os projectos. É a vontade de fazer mais e melhor pela nossa terra. É nisso que acredito!“.

Nesta altura eu já estava surpreendido pela positiva com o discurso do Carlos, mas ainda fiquei mais: “O problema da maioria dos nossos governantes é estarem fechados dentro dos seus gabinetes, sem quererem ouvir outras opiniões senão a sua“.

E o Carlos não se ficou por aqui. Acrescentou “Quem está no Poder Local está, acima de tudo, ao serviço de quem o elegeu, ao serviço da população e, como tal, deve governar para ela mas, sobretudo, com ela“. Excelente, pensei, tem toda a razão.

A verdade é que o Carlos mais uma vez seguiu o ditado: Olha para o que eu digo, e não para o que eu faço. No recente processo de escolha do candidato do PSD, votou o nome de Alírio Canceles sem ver um projecto e sem ouvir a opinião dos militantes.

Quanto ao Rui e à Andreia, foram coerentes com o que disseram, o que a CPC do PSD Santo Tirso escolher é quem eles acham o melhor. Demonstram é falta de sentido crítico, liberdade, e capacidade de pensar pela própria cabeça. Essenciais na política.


A JSD Santo Tirso é outra desilusão

11/02/2013

Durante quase 10 anos militei na JSD. Durante esse período fiz parte de várias estruturas locais e regionais. Um dos meus objectivos era provar que a Jota não era o “braço armado” do PSD. Não servia apenas para fazer número em campanhas.

Na verdade a JSD tem sido, a nível nacional, a única Jota que de facto contribui para a discussão pública de temas importantes para os jovens e a sociedade em geral. Desde cedo se tornou independente do PSD, confrontando-o muitas vezes.

Foi também por isto que em 2004 formei uma equipa candidata à Comissão Política Concelhia da JSD Santo Tirso. Queria que a Jota se regenerasse e liderasse o debate político, transformando-se numa referência para todos os Tirsenses.

Quem venceu essas eleições foi a equipa de Carlos Pacheco, que ocupou os lugares da estrutura concelhia da JSD até à chegada de Rui Baptista. Em ambos, apesar de tudo, confesso que depositei algumas esperanças. Para fazer da JSD um farol.

A verdade é que a JSD Santo Tirso se limitou a seguir o PSD Santo Tirso. Não liderou o debate político, não se abriu à sociedade, não atraiu os jovens Tirsenses. Focou-se apenas nas actividades internas, onde participam sempre os mesmos.

Mas tendo em conta a forma como decorreu o processo de escolha do candidato Autárquico do PSD, eu esperava sinceramente que a Jota se levantasse e pusesse ordem na mesa. Ao invés, a Jota ficou em silêncio e o seu presidente foi conivente.

Fico mais uma vez desiludido. Desta vez com o presidente da JSD Santo Tirso, Rui Baptista. Ele que escreveu na sua mensagem “a JSD sem ti não faz sentido, sem os jovens, sem a ambição e irreverência que caracteriza a nossa geração não tem razão de ser“.

Cabe-nos a nós, jovens, lutar por um concelho, um país, um mundo melhor para todos. O futuro aos jovens pertence. Não vamos deixar que estes políticos de hoje hipotequem as gerações vindouras“. Palavras bonitas. Acções que não correspondem.


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