Culpados: Passos Coelho, Carlos Valente… e Eu

26/11/2013

Por razões óbvias não pude estar presente no plenário do PSD Santo Tirso que decorreu na semana passada, e no qual se pretendia discutir o resultado das eleições Autárquicas 2013. Ao que sei, foi um plenário animado e até divertido. Com muita emoção e até murros na mesa.

Já aqui tive a oportunidade de dar a minha opinião sobre o resultado, as suas causas e as suas consequências. Escuso-me portanto a repetir. Está tudo escrito e bem explícito neste post e neste também. Estava curioso por saber o que tinha a comissão política a dizer.

Ao que parece, e segundo o próprio presidente – e candidato copiosamente derrotado à Câmara – a derrota tem duas dimensões. A primeira prende-se com o estado do país e a governação de Passos Coelho. A segunda está ligada a um grupo de militantes detractores.

Quanto à primeira, dizer o seguinte. O estado do país e a governação de Passos Coelho são uma desculpa esfarrapada, fácil e recorrente. Pergunto: se ela é assim tão válida, como conseguiu o PSD vencer na Trofa? E em Braga? (Para citar apenas dois concelhos aqui tão perto).

Quanto à segunda, quero começar por dizer o seguinte. Por entre afirmações e acusações mais ou menos claras, e apresentações com print screens tirados das redes sociais, Alírio Canceles culpou, entre outros, Carlos Valente e eu próprio pela pesada derrota.

Não sou advogado de Carlos Valente, mas apraz-me relembrar que além de ter sido um excelente presidente de Junta de Vila das Aves – onde deu várias vitórias ao PSD – foi também ele o motor e mentor da vitória de Elisabete Faria e do PSD nestas eleições.

Carlos Valente é um dos mais destacados militantes do PSD Santo Tirso e já fez mais pelo partido do que todos os elementos da Comissão Política juntos. Além do mais, muito antes da auto-nomeação de Alírio, tentou a bem levar a que a Comissão Política escolhesse o melhor candidato e estratégia.

Quanto a mim, apenas dizer: objectivo cumprido. Fiz tudo o que estava ao meu alcance para que Alírio Canceles não vencesse as eleições. O facto de ele concorrer pelo PSD foi uma infeliz coincidência que não me fez desviar um milímetro dos meus valores e princípios.

Primeiro Santo Tirso, depois o partido. Era esse o lema de Sá Carneiro, que tantos gostam de citar (e pelos vistos mal, como parece que foi o caso da deputada Andreia Neto, prontamente corrigida por Gonçalves Afonso) mas que muito poucos sabem quem era e no que acreditava.

Sinceramente não sabia que a minha pessoa era assim tão importante e influenciadora para merecer tal destaque: ser considerado pela Comissão Política como um dos maiores culpados pela derrota. Estou convencido que não sou merecedor de tal título. Sou apenas mais um bode expiatório.

Agora venha de lá esse processo disciplinar. Essa proposta de expulsão. Essa queixa ao Conselho de Jurisdição. Será muito divertido ser “julgado” por Manuel Mirra e seus pares. Sim, porque ele faz orgulhosamente parte desse orgão distrital, como muitas vezes faz questão de sublinhar.

De resto, anotar também a falta de dignidade de Alírio Canceles e da restante Comissão Política. Não se demitem. Outros, por esse país fora, com derrotas bem menos pesadas, demitiram-se e convocaram eleições. Naturalmente. Em Santo Tirso assobia-se para o lado.

Pior, em tom de quase ameaça, Alírio Canceles ainda tornou implícito que poderia ser candidato novamente em 2017. É preciso não ter noção nenhuma da realidade, ter muita falta de dignidade, e ser muito autista, para depois do que se passou, ainda ter o descaramento de dizer isto.

Sacudiu a água do capote, atirou as culpas para cima de uns quantos bodes expiatórios, e depois disse “sou o responsável máximo”. Não porque saiba – como facilmente se comprova – o significado desta afirmação, mas porque é o que vem nos manuais do político profissional.

Carlos Pacheco, ciente da derrota, demitiu-se. Uma atitude bem mais digna. Apesar de, a meu ver, ser também ela calculista, tendo em vista a demarcação desta direcção, no sentido de se candidatar à presidência do PSD assim que haja eleições (como se também ele não fosse responsável).

Cabe agora aos militantes – aos que pagam as quotas ou que vão pagar o que têm em atraso; aos mais activos ou menos activos que agora querem definitivamente fazer parte da vida interna do partido e participar na decisão – reflectir e escolher o que querem num futuro próximo.

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PSD Santo Tirso, mais um plenário à socapa

17/11/2013

Soube agora que vai haver plenário do PSD Santo Tirso, na próxima 6ª feira, dia 22 Novembro. Fui confirmar pesquisando o “Povo Livre” no arquivo do site do PSD.

Sou militante – activo – há quase 15 anos. Em minha casa há mais 5 militantes. Um deles há quase 20 anos. Outro, não fosse a “limpeza” no tempo do MRS, era desde 1974. Ninguém recebeu convite. Nem por email!

Outros militantes que conheço receberam convite e tomaram conhecimento. É este o pluralismo e a espírito democrático de quem lidera o partido no concelho.

Gostaria de ter uma explicação. Se o Presidente, Alírio Canceles, não tem a hombridade necessária para a dar, esperava ao menos ouvir dos vices Manuel Mirra e Carlos Pacheco, ou do Presidente do Plenário João Abreu.

Quando dá jeito clama-se para que todos os militantes se envolvam e estejam presentes. Quando não dá jeito, publica-se apenas no “Povo Livre” (que naturalmente ninguém lê), à socapa.

Depois – se houver alguém como eu que se queixe – como bons políticos profissionais, escondem-se atrás do que diz os estatutos (publicar no “Povo Livre”) como se no séc. XXI um email não fosse o mínimo exigível para dar conhecimento.

Na recente campanha autárquica o slogan era “Todos por Santo Tirso”. Ora bem, todos… menos aqueles que não interessam. Os que não estão connosco, os que pensam diferente.

Talvez seja o medo do que alguns militantes possam dizer no ponto 1 da ordem de trabalhos: “Análise dos resultados das eleições Autárquicas“. Uma vergonha é o que é. O PSD Santo Tirso continua nas mãos de déspotas.

P.S.(D.) – Poucos minutos depois de ter publicado este post, falei com o Presidente do Plenário João Abreu, que me abordou. Fico satisfeito por ainda haver alguém digno ligado à estrutura do PSD Santo Tirso. Tenho pena que ele não tenha explicação para esta situação ou que, mesmo que quisesse, possa fazer algo para a corrigir.

P.S.(D.) – Ontem, depois de tanta polémica levantada por este post, o PSD Santo Tirso apressou-se a partilhar a convocatória para o plenário nas redes sociais. No desespero, o presidente Alírio Canceles até enviou convites a pessoas que já nem sequer são militantes (!!) Esta manhã eu próprio já tinha um email. Com medo de que alguém pudesse tocar no assunto no plenário, toca de divulgar que é para depois terem argumento de defesa.


A entrevista do Fernando causa-me náuseas

14/11/2013

Todos sabem da importância que dou às redes sociais. Muitos dizem que até dou demais. Sou blogger desde 2003 (sim, há 10 anos!), juntei-me ao Facebook e LinkedIn em 2006 (quando ainda eram desconhecidos em Portugal) e ao Twitter em 2010 (depois de um período de resistência).

As redes sociais são um fenómeno que veio mudar o Mundo, a todos os níveis. A meu ver, veio mudá-lo para melhor, muito melhor. São um instrumento que, nos dias que correm, permite coisas tão importantes como a proximidade, a partilha e a velocidade de informação.

Praticamente todas as maiores redes sociais – Twitter, Facebook, Instagram, LinkedIn, etc. – já serviram para boas causas. Alertas de catástrofes naturais, denúncias de crimes, libertação de ditaduras, campanhas de solidariedade. Entre muitas outras coisas.

Claro que, como em tudo na vida, há sempre quem consiga transformar uma boa ferramenta em algo mau, perigoso até. Esta entrevista do Fernando Moreira de Sá à revista “Visão” causa-me náuseas. Provoca-me aversão. Asco mesmo. O que ele revela é um nojo.

Não é pelas revelações – quem como eu anda nisto (das redes sociais, da blogosfera, e da política) há tantos anos sabia perfeitamente que isto se passava – é pela falta de vergonha de o dizer, e pela forma descarada e gozona como o diz. Achando-se, ainda assim, um figurão.

Fui (e sou) autor de vários blogues. Na maioria deles era o único autor. Muitos versavam também sobre política. Escrevi posts a defender Passos Coelho, o PSD e este Governo. Também escrevi posts a criticá-los. Porque sempre fui livre de dizer o que pensava.

Fui convidado para colaborar e escrever em alguns dos blogues que o Fernando Moreira de Sá menciona. Rejeitei. E que bem fiz. Detestaria estar associado a esta ignomínia. Tenho pena que alguns, que considero amigos, tenham aceite e se vejam agora no meio desta açorda.


Editora Código de Letras prossegue com o Notícias de Santo Tirso

02/11/2013

Foi com muita satisfação que recebi do meu amigo Augusto Pimenta, a notícia de que o jornal Notícias de Santo Tirso (NST) iria prosseguir a publicação.

Tive o privilégio de escrever artigos de opinião no NST durante 12 meses, entre Janeiro de 2011 a Janeiro de 2012. Aceitei fazê-lo por várias razões.

O NST é o único jornal verdadeiramente independente no concelho de Santo Tirso. É o único jornal cujo único e principal interesse é informar o leitor.

É o único jornal no concelho sem uma agenda política definida. E é também o único – na minha modesta opinião – a ter direcção e edição profissionais.

Num tempo de mudança – as eleições Autárquicas 2013 a isso obrigam – que se espera para melhor, o meu desejo é que isso também aconteça nesta área.

Que os leitores/assinantes de jornais Tirsenses, possam discernir todos estes factos e se tornem assíduos de quem, de facto, informa com isenção.

Espero que com isso, e com mais apoios (ao nível da publicidade), a editora Código de Letras possa prosseguir com esta publicação durante muitos anos.


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