O barrete serviu, ao apoiante de Alírio

28/02/2014

(Artigo publicado na edição de Fevereiro 2014 do jornal Notícias de Santo Tirso, e que também pode ser lido aqui)

Marcelo Rebelo de Sousa é uma das pessoas mais inteligentes que o país mediático conhece. E, como tal, percebeu a mensagem e enfiou a carapuça. A verdade é que nem sequer era preciso ser muito perspicaz para auferir o que estava implícito no texto que Pedro Passos Coelho publicou descrevendo o perfil do seu candidato a Presidente da República.

Sempre apreciei muito as capacidades intelectuais de Marcelo Rebelo de Sousa. E pensei muitas vezes que ele poderia ser uma mais valia para o PSD e para Portugal, no campo da política (já o é como distinto advogado e professor universitário). Marcelo ganhou um capital e um crédito ímpares junto dos portugueses pela sua clarividência, sagacidade e liberdade de pensamento.

Mas a certa altura a ambição de ser Presidente da República levou-o a tornar-se num populista. Algumas vezes até, um demagogo. A preocupação em agradar a gregos e a troianos, rendendo-se ao politicamente correcto, estragou a sua imagem. A partir desse momento damos por nós a concordar plenamente com muito do que ele diz, e também muitas vezes a discordar profundamente.

E é precisamente isso mesmo que se espera de um “catavento de opiniões”. É como a lógica do relógio parado: está sempre certo duas vezes por dia. Isso fez com que a maioria daqueles que seguiam “religiosamente” o seu comentário ao Domingo (fosse na TVI ou na RTP), de repente deixassem de ir à sua “missa”. Deixaram de o ouvir, ou de acreditar no que dizia.

Para isso contribuiu muito o facto de deixar de ter critério naquilo que dizia, que aconselhava, que apoiava. Um pouco como nos livros que sugeria – a certa altura já ninguém acreditava que ele lia aquela montanha de livros todas as semanas – descredibilizou-se em actos do tipo daquele em que apoiava Alírio Canceles como candidato do PSD à CM Santo Tirso.

Para além do mais sempre foi um covarde eleitoral. Diz-se disponível para todo e qualquer cargo partidário ou político (ainda há bem pouco tempo, na queda de Ferreira Leite, se disponibilizou para ser presidente do PSD e candidato a Primeiro-Ministro), mas na hora “H” coloca sempre uma condição: “clima de unidade”. Quer sempre vencer por falta de comparência.

Marcelo sempre teve medo de ir a votos, de ir à luta. Sempre teve receio do combate eleitoral. Só aceita ser candidato quando tem a certeza de que vence. Foi presidente do PSD quando mais ninguém o queria ser – entre 1996 e 1999 nos “anos de ouro” do PS. Desde então apresentou-se várias vezes mas acabou sempre por recuar por não haver o tal “clima de unidade”.

O Professor nunca fará o que Manuel Alegre fez. Não por se preocupar com o partido ou, como diz, achar que não faz sentido dividir o eleitorado social democrata, mas porque sabe que dessa forma nunca vencerá, correndo mesmo o risco de ser “eliminado” na 1ª volta. O medo de perder é mais forte do que o “dever de consciência” ou do que o suposto sentido de missão.

Mas desengane-se quem acha que Marcelo se auto-afastou definitivamente. Ele sabe perfeitamente que Passos Coelho pode perder as Legislativas de 2015. E nesse caso, chegados a 2016, o presidente do PSD pode ser alguém que, mediante as circunstâncias, prefira o candidato Marcelo ao candidato Durão Barroso. Mas nessa altura outro “problema” se levantará, o outro forte candidato a candidato, que anda por aí.

Nota: Entretanto o XXXV Congresso Nacional do PSD aconteceu e o que escrevi confirmou-se. Marcelo apareceu a reposicionar-se como candidato presidencial (e conseguiu) e Santana Lopes “respondeu à letra”.


Votar contra nos congressos do PSD

28/02/2014

Confesso que não segui o XXXV Congresso Nacional do PSD como queria, ou como me é habitual, com toda a atenção. Por falta de tempo, por falta de vontade, por dificuldade em aceder aos canais de notícias a partir do estrangeiro.

Mas vi algumas notícias, e consegui assistir a algumas das intervenções mais importantes – em directo nas rádios, no site do congresso ou mesmo em vídeos posteriormente publicados em sites de partilhas de vídeo (p.ex. Youtube).

Nada de muito relevante se passou. Os congressos servem cada vez mais para ratificar o nome do líder – Sim, o nome. Porque a estratégia pouco imteressa – e para distribuir os lugares de mais ou menos poder nos órgãos partidários.

Já não se ouvem intervenções políticas de fundo sobre o rumo do partido e do país. Já não se ouvem criticas às políticas do Governo, ou às propostas caso se esteja na oposição. Apenas se vêem tentativas de posicionamento pessoal.

E depois passa-se a correr sobre a apresentação das Moções e Propostas Temáticas, que ao invés de trazerem estratégias e propostas políticas para o partido e para o país, servem apenas para ajudar ao tal posicionamento pessoal.

A prova disso é que ninguém as lê. O que fica bem demonstrado pela votação das mesmas. São todas aprovadas. Ninguém vota contra. Mesmo que nelas estejam escritas as maiores barbaridades. Coisas que, por vezes, vão contra a matriz do partido.

Recordo-me dos dois congressos da JSD em que fui delegado. O XVI Congresso (Setembro 2002, Póvoa de Varzim) e o XVIII Congresso (Dezembro 2004, Fundão). Li com atenção todas as Moções e Propostas Temáticas. Votei contra algumas.

Não me esquecerei dos olhares dos delegados que se sentavam à minha volta. Pasmados, com cara de quem pensa “Mas o que é que estás a fazer? Isto não se vota contra! Somos todos do PSD!“. Pois, mas para mim a política não é futebol.


#RyanAir: O fascínio tuga pela coisa rasca

19/02/2014

A Ryan Air anunciou que irá iniciar uma rota Porto – Lisboa (ou será Lisboa – Porto?) nos próximos meses. Naturalmente uma rota que ira ter preços Low Cost.

As redes sociais em Portugal já estão todas excitadas por ter a possibilidade de voar entre Porto e Lisboa, como se fosse algo que necessitassem como de pão para a boca.

É o fascínio tuga por coisas rascas.

Nenhuma viagem Porto – Lisboa de avião compensa, por mais barata que seja, em comparação com uma viagem de comboio no Alfa Pendular. Senão vejamos.

Quem está no centro do Porto tem de se deslocar à Maia para se servir do aeroporto. O que de Metro (desde a Casa da Música) levará cerca de 25 minutos (e custa 1,85€).

A viagem de avião exige que se esteja no aeroporto pelo menos 1 hora antes. E a viagem demora pouco menos de 1 hora (incluindo uma optimistica avião – saída do terminal).

Do Aeroporto até Santa Apolónia – para se ter um termo de comparação válido – o metro leva cerca de 40 minutos (e custa 1,40€).

O comboio pode-se apanhar perfeitamente estando na estação com 15 minutos de antecedência. A viagem do centro do Porto (Casa da Música) até Campanhã demora 10 minutos (e custa 1,20€).

O Alfa Pendular demora cerca de 2h30m a fazer o percurso directo entre Porto – Campanhã e Lisboa – Santa Apolónia, e custa 55€.

Ou seja,

– Viagem de Avião:

  • Tempo – 3 horas e 5 minutos
  • Custo – 3,25€ + bilhete de avião

– Viagem de Comboio:

  • Tempo – 2 horas e 55 minutos
  • Custo – 1,20€ + bilhete de comboio (55€)

Já para não falar no facto de os vôos da Ryan Air serem apenas de manhã, o que obrigaria muita gente a pernoitar em Lisboa – pagando alojamento + alimentação.

A isto, soma-se o excelente serviço do Alfa Pendular versus a forma vergonhosa como a Ryan Air trata os passageiros. E também o evitar de passar em controlos e seguranças.

Mas claro, o tuga fica todo excitado com a Ryan Air, e o Low Cost. O mesmo tuga que, de certezinha, continuaria a querer a construção do TGV.

Mas o que se há-de fazer? Comboio é para o “pobre”… nós, o tuga “rico” (mas pobre de espírito) gostamos é de coisas sofisticadas como Aviões e TGVs.


PSD Santo Tirso e o “Tiro ao Zé Pedro Miranda”

17/02/2014

A poeira das eleições Autárquicas 2013 assentou. E as memórias (sempre curtas e selectivas) já se apagaram – ou pelo menos assim pensam os dirigentes do PSD Santo Tirso.

Dessa forma, e tal como eu tinha previsto, está na hora de o PSD Santo Tirso começar a tratar das eleições internas, que aliás já deviam ter tido lugar há muito tempo.

Claro que, como previsto, os responsáveis pela desgraça do partido nos últimos anos e nas últimas eleições se apresentam novamente, sem qualquer tipo de pudor.

Tal como escrevi, quem se afigura para assumir a presidência é Andreia Neto. Que apesar de continuar deputada em Lisboa, já arranjou afinal tempo para a concelhia.

Com Andreia Neto devem continuar os mesmos do costume: Alírio Canceles, José Manuel Machado, Manuel Mirra, Rui Baptista, e outros que tais. Sem qualquer pejo.

Mas e se aparecesse outra candidatura? Será que aquela comandita corria o risco de ser afastada? Éh lá… eles não podem correr esse risco. A política é o pão nosso.

Vai daí, e antes que alguém se lembre de apresentar candidatura, toca a atacar os eventuais concorrentes. Quem poderia ser? Logo à cabeça, Zé Pedro Miranda.

No jornal Notícias de Santo Tirso, o PSD pela mão de Alírio Canceles, faz publicar uma carta aos militantes com a única intenção de atacar, pessoalmente, Zé Pedro Miranda.

Acusa-o de ter tido todo “o tempo, as condições e o apoio incondicional do PSD de Santo Tirso” bem como de “liberdade total para escolher a equipa com quem pretendia trabalhar”.

E diz também que apesar disso, e de a “freguesia de Santo Tirso ter o dobro dos eleitores das restantes” freguesias da união, Zé Pedro Miranda perdeu as eleições.

Ou seja, com uma subtileza muito pouco subtil, tenta insinuar que Zé Pedro Miranda perdeu as eleições por pura incapacidade pessoal, já que tudo o resto estava lá.

Mais à frente acusa Zé Pedro Miranda de querer ser um “militante de primeira” apenas por este ter dito que não teria de gostado de saber da candidatura de Alírio pelos jornais.

O pé na cabeça vem ainda mais declarado no último parágrafo “O PSD não ganhou a câmara e perdeu a sua principal junta de freguesia. O PS manteve a câmara e recuperou a junta de Santo Tirso. Isto é que fica para a história!

Já hoje foi a vez de Carlos Pacheco. Ele que, como também já aqui escrevi, tem vindo a tentar demarcar-se da actual Comissão Política para arranjar espaço para se candidatar.

Claro que Zé Pedro Miranda seria um grande entrave à sua estratégia, pelo que também convém navegar esta onda e atacar o mítico, querido e respeitado militante do PSD.

Vai daí, como quem não quer a coisa, escreveu no Facebook a dar os parabéns ao “amigo Jorge Gomes” dizendo que “É de gente trabalhadora que o nosso concelho precisa”.

E aproveita para dar outra tacada em Zé Pedro Miranda: “Admito que ao ver os resultados eleitorais fiquei surpreendido, no entanto, depois de acompanhar o trabalho do Jorge nos últimos meses, aliado ao que li na entrevista do candidato derrotado do PSD, facilmente percebi o referido resultado!”.

Faltam-me adjectivos para qualificar esta súcia que dirige o PSD Santo Tirso. É uma gente sem vergonha, sem moral e sem valores. Vil, infame e egoísta.

Até há bem pouco tempo, quando Zé Pedro Miranda era presidente da maior Junta de Freguesia do concelho, e um dos militantes mais considerados, eram todos amigos e sorrisos.

Agora que perdeu as eleições (quanto a mim, não só mas também por ter escolhido andar ao lado desta gente) já lhe cospe em cima, com medo que ele apareça a tirar-lhes o lugar.


PSD Santo Tirso: Tempo até têm, Vergonha é que não

15/02/2014

Em Setembro de 2013, e a propósito do desastre que seria o resultado do PSD Santo Tirso nas eleições autárquicas, eu escrevia: “E desenganem-se também aqueles que pensam que em breve isto vai mudar. Que vai aparecer o messias (ex. José Pedro Miranda). Vem aí mais do mesmo“.

Mais uma vez, infelizmente, acertei em cheio. Soube hoje que Andreia Neto se prepara para ser a próxima Presidente do PSD Santo Tirso.

A história recente dos líderes do PSD Santo Tirso é muito curiosa… Ora assumes tu. Ora assumo eu. Ora eu não tenho tempo. Ora afinal já tenho. Vejamos…

Alírio Canceles faz dois mandatos, 2006-2008 e 2008-2010. Com a limitação de 3 mandatos consecutivos imposta pelos Estatutos, se Alírio fizesse um terceiro 2010-2012 não poderia ser presidente aquando da decisão dos candidatos autárquicos 2013.

Vai daí invoca “razões pessoais” e sai. Porque dizia, coitado, sentir que precisava de dedicar mais tempo à família.

Andreia Neto aparece então para assumir (sim porque esta gente não se candidata, assume!) a presidência entre 2010-2012, tendo Alírio Canceles como vogal da Comissão Política a fazer todo o trabalho por trás.

O próprio assume em email enviado aos militantes “nos últimos 6 meses, eu próprio, acabei por fazer a gestão do dia-a-dia da CP” (afinal o tempo para dedicar à família já não era assim tão importante).

Em Janeiro 2012, quando se esperava que continuasse como Presidente com uma vontade e força renovadas por ter sido eleita deputada à AR nas Legislativas 2011, Andreia Neto invoca as “novas funções de deputada” e sai.

Porque “pelo facto de estar em Lisboa durante a semana” não poderia “assegurar a condução dos destinos do PSD de Santo Tirso“.

Nesta altura já Alírio Canceles tinha dedicado tempo demais à família, e sentia-se novamente com disponibilidade para o PSD Santo Tirso. Vai daí avança de novo e assume a presidência (lembrem-se que esta gente não se candidata, assume!)

Em email enviado aos militantes a 17 Janeiro 2012 escreveu “Entendi voltar a assumir responsabilidades na liderança do PSD de Santo Tirso“.

Com Andreia Neto como cúmplice auto-nomeia-se candidato à CMST e sai copiosamente derrotado.

Fazem de conta que nada se passou. Deixam assentar a poeira. Sim, porque em política a memória é curta (ou selectiva). Voltam à carga.

Estamos em Janeiro 2014 e Andreia Neto, que continua a ser deputada em Lisboa, já se sente capaz e com tempo de assegurar a condução dos destinos do PSD de Santo Tirso.

Vai daí, e ao que parece, vai voltar a assumir (lembrem-se que esta gente não se candidata, assume!) a presidência. Provavelmente Alírio recuará para vogal outra vez.

Esta gente ora tem tempo, ora não tem. Ora tem disponibilidade, ora não tem. Ora assume, ora não assume. Mas há uma coisa que eles não têm nunca, é falta de vergonha na cara.

Mas a culpa não é só deles. É também… a) dos militantes que se desinteressam; b) dos militantes que compactuam (ao que parece o “dinossauro” Gonçalves Afonso prepara-se para ser Presidente do Plenário).


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