No futebol como na política…

No futebol como na política, não há adversários, há inimigos. Se não estás comigo, estás contra mim. Eu estou sempre certo, e tu sempre errado.

No futebol como na política, o membro do meu clube (ou partido) é melhor do que o dos outros. Independentemente de factos mostrarem o contrário.

No futebol como na política, os discursos estão completamente desalinhados da realidade. Atletas, técnicos e dirigentes pintam o que lhes interessa.

No futebol como na política, os sócios, adeptos e simpatizantes têm um gosto especial em ser enganados e engolem qualquer banalidade ou barbaridade.

No futebol como na política, a maioria dos sócios dos clubes (militantes dos partidos) não têm pensamento próprio. São apenas carneiros submissos.

No futebol como na política, quem está envolvido na estrutura não representa quem nele votou. Representa os seus interesses e dos seus amigos.

No futebol como na política, quem é sócio (ou militante) há mais tempo arroga-se de mais direitos e de uma automática superioridade moral.

No futebol como na política, ganha eleições quem faz mais promessas – que invariavelmente são irrealistas, inviáveis, e não são cumpridas.

No futebol como na política, os dirigentes do meu clube (ou partido) são impolutos, enquanto que os outros dirigentes são prevaricadores corruptos.

No futebol como na política, um caso que vise o meu clube (ou partido) é uma cabala. Mas se visar os outros é um facto demonstrativo de corrupção.

No futebol como na política, os comentadores televisivos criticam, nos que exercem funções, exactamente aquilo que praticaram quando lá estiveram.

No futebol como na política, não há árbitros que zelem pelo cumprimento das regras, apenas há juízes que formam juízo próprio, condenam e sentenciam.

No futebol como na política, o que interessa não é a verdade dos factos e o que realmente se passou, mas a percepção que ficou na opinião pública.

No futebol como na política, erros que prejudicam o meu clube (ou partido) são consequência de má fé e corrupção. Os outros, são lapsos involuntários.

No futebol como na política, a maioria dos adeptos (ou simpatizantes) não apoia o clube (ou partido) que faz mais sentido, mas aquele que ganha.

No futebol como na política, se as coisas correrem mal para o nosso clube (ou partido) não se pode criticar em público, apenas nos “locais próprios”.

No futebol como na política, as leis são feitas à medida. E os castigos aplicados aos intervenientes dependem da sua posição na hierarquia do Poder.

No futebol como na política, a comunicação “dita” social não informa os leitores/espectadores. Apenas passa a mensagem do clube (ou partido) A ou B.

O futebol, tal como a política, transformou-se num negócio. Desporto e Serviço Público são palavras que apenas servem para encher discursos redondos.

Uma resposta a No futebol como na política…

  1. Muito bem visto. Concordo com tudo sem pestanejar. Infelizmente, salvo muito gratas excepções, é a realidade pura e dura.

    Mas!.. E, que fazer?.. Abandonar, esquecer, deixar andar?.. É que a coisa tornou-se de tal forma banal e aceite que nos deixa sem jeito. Qual órfão sem saber o que fazer ou para onde ir..

    Eu, por mim, recolhi ao meu cantinho. Tento manter viva a minha percepção ética da vida em sociedade. Esperando que melhores dias virão..

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