O spin da trupe laranjinha do PSD

29/05/2014

A política em Portugal tem destas coisas. O que é verdade hoje passa a ser mentira na próxima semana. O que é bom hoje passa a ser mau amanhã. O que é conveniente agora passa a ser inoportuno daqui a bocado.

Quando os resultados eleitorais foram divulgados no domingo a carneirada militante do PSD (infelizmente uma grande parte dos militantes que são activos) amochou. O seu clube (leia-se partido) tinha sido derrotado.

Mas pouco tempo passou até que os Spin Doctors conseguissem transformar uma derrota histórica do PSD/CDS numa tempestade para o partido vitorioso, o PS (e os socialistas caíram que nem patinhos, para ajudar).

Vai daí a trupe militante social democrata rejubilava. Afinal de contas o resultado tinha sido como uma vitória para o PSD. Nas redes sociais cavalgavam a crise no PS e a queda de António José Seguro.

Mas de repente alguém no PSD, com mais calculismo e sentido da realidade, alertou para um facto que normalmente acontece no futebol. Se o treinador da equipa adversária é mau, mais vale que ele fique para continuarmos a vencer.

Ora então o contentamento da canalha militante laranja pela demissão de António José Seguro transforma-se em indignação contra António Costa e os seus compagnons, e em defesa do actual e “legítimo” líder socialista.

Claro que segundo eles nada tem a ver com o facto de afinal se terem apercebido que com Seguro no PS, o PSD tinha talvez hipótese de vencer as Legislativas 2015, e que com Costa o PS podia renovar-se e ganhar nova força.

Portugal está primeiro, dizem, e o país “não precisa de uma crise política“. Além do mais, Seguro venceu as eleições internas há 1 ano, e “é preciso respeitar a democracia e as instituições”. Tão preocupados que eles estão com o PS.

Eu tenho muita pena que o meu partido esteja cheio de gente menor, que não pensa pela própria cabeça e que vive a política como se de futebol se tratasse. É por isso que o PSD está, neste momento, a anos-luz de Sá Carneiro.

Valha-nos (ao PSD) alguns – infelizmente muito poucos – militantes, figuras influentes e dirigentes que têm bom senso, sentido de missão e honestidade. Só espero que esses possam, a partir de dentro, renovar o partido.


Em Santo Tirso não se assumem responsabilidades

28/05/2014

Há 8 meses atrás, o PSD Santo Tirso perdia as eleições Autárquicas. Uma derrota sem precedentes. A diferença para o PS foi de 5.000 votos.

A direcção do partido, liderada pelo auto-nomeado candidato à Câmara, fez de conta que nada se tinha passado. Não tirou ilações nem assumiu responsabilidades.

Este fim-de-semana, o PSD Santo Tirso perdia mais umas eleições, as Europeias. Desta vez coligado com o CDS/PP. Baixaram de 10.300 para 6.500 votos. O PS teve 9.700 votos.

Passaram já 3 dias sobre o acto eleitoral. Por esse país fora tiram-se consequências dos resultados. Em Santo Tirso, como sempre não há responsáveis.

A presidente do PSD anda desaparecida. Em silêncio absoluto. A ver se a poeira assenta e ela consegue passar incólume. No CDS idem aspas.

O mandatário da candidatura anda pelas redes sociais a “cavalgar” a situação no PS Nacional. Se ele se enxergasse olhava para a sua própria casa.

É que isto de ser mandatário é muito bonito quando se ganha e se vai buscar os louros. Mas quando se perde também se deve dar a cara e uma justificação.

Estar na política não é só pavonear-se em eventos sociais e políticos. É trabalhar, fazer escolhas e assumir responsabilidades por elas, perante os militantes e eleitores.

De resto é triste ver os militantes mais influentes e activos, também eles, todos em silêncio. A pactuar com esta desresponsabilização e este branqueamento.

Ao menos no PS Nacional haja quem tenha coragem de assumir diferenças, levantar a voz contra o fracasso da actual direcção e antever catástrofes.

Sim porque a derrota que por exemplo o mandatário do PSD prevê para o PS nas Legislativas de 2015, vai ser a mesma que, por este andar, ele vai ter nas próximas Autárquicas.

Algo que deveria ser fácil perceber já que, nas Autárquicas 2013, a derrota histórica apareceu, e não foi por falta de aviso ou premonição de alguns militantes.


O feriado do 25 Abril é patético e hipócrita

26/05/2014

Artigo de opinião publicado na edição de Maio 2014 do jornal Notícias de Santo Tirso

O 25 de Abril de 1974 foi há 40 anos! Mas Portugal continua a ter um gigantesco lastro da revolução dos cravos, que impede o país de andar para a frente e se desenvolver. Uma âncora enorme e bem enterrada. Umas amarras ao passado que não permitem ao país conquistar o futuro.

O que se pretende festejar no feriado do 25 de Abril? Um sistema eleitoral conquistado em 1974? Só se for isso porque continuamos a não poder festejar a conquista da verdadeira Democracia, da verdadeira Liberdade, da verdadeira Justiça Social.

E os maiores culpados são os arlequins que neste dia fazem a maior festa. Os políticos que durante o ano inteiro, na sua maioria, tratam das suas vidinhas, neste dia falam de grandes valores na casa da democracia. A mesma que serve para os seus negócios e jogos partidários.

E qual a Liberdade que tantos bradam? Será Liberdade uma pessoa não poder ir sozinha ao Estádio da Luz com um cachecol do FC Porto (e vice-versa) para ver um jogo de futebol, sem correr o risco de ser insultada ou agredida?

Será Liberdade não poder saír de noite em segurança, sem correr o risco de ser assaltado, violado ou até assassinado? Será Liberdade não poder discordar do patrão, do director ou de qualquer outro superior hierárquico na empresa, sem correr o risco de ser ostracizado ou despedido?

Será Liberdade não conseguir emprego e ser discriminado por causa da idade, género, cor, religião ou deficiência? Será Liberdade um doente ir de Amarante ao Porto numa ambulância, em apenas 30 minutos e depois chegar ao Hospital São João e esperar horas num corredor?

Será Liberdade existirem meios de comunicação social controlados por governos, partidos políticos e outros interesses? Será Liberdade um homem matar (ou mandar matar) pessoas e não só ficar impune como, para além disso, ser condecorado e sustentado por aqueles que aterrorizou?

Será Liberdade milhões de portugueses trabalharem o ano inteiro e verem metade do seu rendimento ir para impostos, que depois são esbanjados por políticos irresponsáveis, ao invés de os ver investidos em Educação, Saúde, Justiça, Segurança?

E todos os anos é a mesma conversa quando se aproxima o feriado do 25 de Abril. Certos sectores querem apoderar-se da data e deixar o resto da sociedade portuguesa de fora, como se o tal dia da Liberdade fosse só deles. Como se fossem donos da tal Liberdade.

Ora, como bem disse a JSD há uns anos atrás “ se a liberdade tivesse dono, era uma ditadura“. O feriado do 25 de Abril é um dia em que não se trabalha. Um dia em que basicamente se comemora a altura em que se começou a ter direito a tudo, sem ter de se fazer nada por isso.

Um país que não celebra a conquista da sua própria independência (24 Junho 1128) e que deixou de celebrar a sua própria reconquista (1 Dezembro 1640), continua agarrado àquilo que foi apenas uma saudável mudança de regime, e que é agora, claramente, uma pedra na engrenagem.

Podem chamar-me o que quiserem, até fascista, pouco me importa. Sou um democrata incondicional e acho que os festejos do 25 de Abril de 1974 são arcaicos e estão obsoletos. Mais, este permanente saudosismo é patético e hipócrita.


Curiosidades políticas: Capucho e RAP

17/05/2014

Tenho muita pena que, em certa medida, António Capucho se esteja a tornar no Mário Soares do PSD. Perdeu a noção e o bom senso. E não tem ninguém em casa que lhe diga que só se prejudica a si mesmo. Está a perder toda a credibilidade que conseguiu acumular numa grande carreira política.

Ainda me lembro de Francisco Louçã, há muitos anos no programa do Herman, dizer que nunca se iria tornar político. O mesmo fez demasiadas vezes Ricardo Araújo Pereira. São de facto todos iguais estes falsos moralistas de esquerda (e de direita, já que Paulo Portas fez o mesmo).


Rui Gomes da Silva, o protótipo da “elite” tuga

16/05/2014

rgs

Na minha opinião isto demonstra bem a estatura intelectual desta personagem.

Alguém que chegou a Ministro de Portugal, provando também assim o nível da política e dos políticos. Algo que tem como consequência a situação dramática actual do país.

Foi este senhor, também, um dos responsáveis pela queda de um governo de maioria (em 2004). Apenas mais uma das facadas no regime democrático português.

Eu, como português, sinto-me envergonhado quando vejo estas pessoas etiquetadas de “elite” do meu país.

Eu, se fosse adepto do Benfica, sentir-me ia envergonhado ao ver gente com tal responsabilidade dar tão mau exemplo e instigar o ódio no desporto desta forma.

Ódio esse que frequentemente termina em violência. Da qual o exemplo máximo são as mortes de adeptos em espaços desportivos.

Mas o que interessa isso a esta gente? Nada. Eles estão apenas preocupados em manter esta “imagem” que lhes permite ganhar dinheiro como comentadores, dirigentes e políticos influentes.


PSD 40 anos. Sá Carneiro sentiria vergonha

06/05/2014

Hoje, 6 de Maio de 2014, o PSD faz 40 anos.

Sá Carneiro deu continuidade à sua luta por uma verdadeira democracia com a fundação do PPD em 6 de Maio de 1974.

Não conheci Sá Carneiro. Os meus pais e avós dizem-me que ele me pegou ao colo numa das visitas lá a casa.

Morreu quando eu tinha 3 anos. Mas o que ele defendia e idealizava politicamente ficou lá em casa, e foi cultivado.

Não tenho a menor dúvida que hoje Sá Carneiro estaria muito triste com aquilo em que o seu partido se tornou.

Creio mesmo que sentiria vergonha alheia por alguns dos dirigentes do PSD, e das suas atitudes e opções políticas.

E a coisa está de tal forma que por vezes me parece impossível recuperar o que foi o PPD/PSD de Sá Carneiro.

Na verdade, quem está mais perto dele, em termos de pensamento e acção política, é Rui Rio e Pedro Santana Lopes.

Dirão que não são perfeitos. Com certeza que não. Nem Sá Carneiro era. Mas regem-se por valores e princípios.

São homens com carácter e grande personalidade. E é também e acima de tudo isso que faz falta hoje em política e nos políticos.


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